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EDITORIAL º 756 – 15/6/2019

patrao
Caro leitor
No passado dia 10, celebrou-se o Dia de Portugal de Camões e das Comunidades Portugueses. É de salutar que estas festividades tenham saído de Lisboa, e desta feita, os Portalegrenses estiveram por um dia em festa, mas não podemos descorar que, onde houver um Português, está Portugal e, estamos nos quatro cantos do Mundo.
Parabéns também para os Açores que neste dia celebrou o dia da Autonomia.
Na atualidade não se fala de guerra, mas temos militares a integrar os três ramos das forças armadas que, com zelo e competência, estão a cumprir missões de segurança e paz no exterior.
Um abraço aos países Lusófonos, somos a sexta língua mais falada no Mundo com cerca de 250 milhões a falar Português, todos caminhamos pela História – de ontem, de hoje e de amanhã. Que todos os anos neste Dia se renove e fortaleça a importância de motivar os mais jovens para a caminhada de um Portugal melhor, mais justo e mais solidário.
O nosso Presidente da República veio apelar à União e à justiça enaltecendo Portugal. Dizia minha mãe que Deus tem “de que vale muitas galinhas a juntar, se uma só espalha tudo”. Aqui, é ao contrário, uma quer juntar, quando a maior parte só sabe esbanjar.
Vivam as Comunidades, Camões e viva Portugal.
Abraço amigo,

SOARES DOS REIS O MAIOR ESCULTOR PORTUGUÊS SUICIDOU-SE HÁ 130 ANOS

Humberto Pinho da Silva
Em vésperas de Santo António, o atelier de Soares dos Reis, sito na rua de Camões, em Gaia, engalanava-se para receber visitas. Arrimavam-se as esculturas; cobriam-se de panos brancos, os esboços; penduravam-se vistosos balões chineses; acendiam-se as velas; e, para concluir, o artista suspendia enfeites, de papel crepe, de várias cores.
Sobretarde, ao declinar do dia, chegavam os convidados, entre eles, apareciam: Henrique Pousão, Souza Pinto, Tomás Costa, Teixeira Lopes, Marques Guimarães, Diogo José de Macedo.
Serviam-se, em bonitas bandejas de porcelana, doce de chã da “ Palaia” – estabelecimento que ficava na rua do Bonjardim, no Porto, – e biscoitos de Valongo; abriam-se garrafas de “Porto”, da Companhia Geral de Agricultura dos Vinhos do Alto Douro; e quando a festa atingia o auge, o anfitrião, tangia incipientes melodias ou dedilhava, nas cordas de velho violão, trechos da “ Marcha de Luís XIV”.
Conversava-se sobre Arte, e de conhecidos artistas plásticos, que residiam na Cidade da Luz; os que pretendiam estar à la page, liam e comentavam o folhetim de: “ A Palavra”, onde experimentado jornalista, desassombradamente, desancava na política e nos políticos da capital.
Era festa modesta, mas de intelectuais, onde imperava respeito e dignidade.
Tinha o escultor índole amargo, frontalidade que facilmente se confundia com grosseria e agressividade. Só os íntimos – e pouco mais, – conheciam-lhe o coração terno, e a apurada sensibilidade hipersensível.
Insignificante falta de atenção, frase não concluída, era bastante para o deixar em atroz ansiedade.
Tinha Soares dos Reis numerosos detractores. Contribuiu para isso, o jeito agreste e rude como se exprimia.
Frequentemente citava Boileau: “ Un sot, trouve toujours un plus sot qui l’admire”.
Ao analisar trabalho alheio, não se inibia de declarar publicamente, se não fosse de seu agrado: “ É uma borracheira! …”
Detestava os políticos, mormente os hipócritas, que para ele eram quase todos. Considerava-se democrata e católico, mas poucas vezes ia à missa. Escrevia muito pouco, e carteava-se ainda menos.
Aos domingos, fazia longos passeios a pé, por: Paço de Rei, Quebrantões, Gervide e Lavandeira. Levava casaco comprido, botas-de-elástico, nada cuidadas, e cabelo desamanhado.
Fascinava-se com a beleza campestre, o sossego das boiças, o trinar dos passarinhos, o sussurro embalador dos córregos, e a beleza das flores silvestres, que atapetavam os verdes campos de Oliveira do Douro.
Quando se apaixonou pela dedicada esposa, mudou por completo. Mandou fazer, na Alfaiataria Rocha, bonito fraque e substituiu as cambadas botas-de-elástico, por modernas de cordão. Passou a cuidar o cabelo e amiúde frequentava o barbeiro.
Se o tempo não permitia passear pelo campo, recolhia-se no Clube Recreativo de Mafamude, jogando bilhar e dominó.
Numa hora de extremo desespero, que o levou ao suicídio, escreveu no papel de parede do quarto: “ Sou cristão, porém nestas condições, a vida, para mim, é insuportável. Peço perdão a quem ofendi injustamente, mas não perdoo a quem me fez mal.”
Soares dos Reis – o maior escultor português – nasceu em Santo Ovídio (Gaia), numa terça-feira, a 14 de Outubro de 1847. Foram seus pais, Manuel Soares Júnior – proprietário de mercearia, onde o filho era marçano, – e D. Rita do Nascimento.
Foi baptizado na Igreja de Mafamude pelo Padre Francisco Ribeiro de Moura, e teve como padrinhos: Santo António e D. Ana Maria de Jesus.
Desde cedo mostrou tendência pelo desenho. Na escola (a do Cabeçudo) retratou, às escondidas, o professor, o Sr. Matos. Descoberta a falta de atenção, o mestre não lhe bateu, e terminada a aula andou a mostrar, admirado, o talento do aluno.
Pouco depois, os pintores Francisco José Resende e Diogo de Macedo, este último, avô da esposa de Soares dos Reis, ao conhecerem o extraordinário valor do rapaz, convenceram o pai a matriculá-lo na Academia de Belas Artes.
Entrou na Escola a 1 de Outubro de 1861; seis anos depois partia para Paris, como bolseiro do Estado. Devido à guerra franco – prussiana, deslocou-se, depois a Roma, onde na Rua de S. Nicolau, 4, esculpiu o fabuloso “ Desterrado”,a obra-prima..
Regressa à Pátria, em 1872, torna-se em 1881, professor da Academia Portuense de Belas Artes.
A16 de Fevereiro de 1889, suicida-se na sua casa da rua de Camões, em Gaia.
Casou a 15 de Julho de 1885, com D. Amélia Aguiar de Macedo. Do matrimónio nasceram: Bernardo de Macedo Soares dos Reis, que faleceu com 27 anos (foi empregado da Foto – Bazar e do Banco Comercial do Porto,) e Raquel Soares dos Reis, que morreu solteira.
Quarenta e dois anos após a sua morte – em Portugal é assim que se tratam os artistas de nomeada, porque os outros, morrem à fome, se não se tornam políticos (à força,) – concederam à viúva e filha, a pensão de mil e quinhentos escudos mensais, por despacho de 2 de Março de 1931, do Presidente Óscar Fragoso Carmona, como gratidão da Pátria à família do genial escultor.

Autonomia do fazer

Ana Cruz
Um tema que é sempre repetitivo na vida profissional é a tomada de decisão e autonomia. Do ponto de vista etimológico autonomia é uma junção de auto (si mesmo) com nomos (lei), cujo sentido origina “aquele que estabelece as próprias leis”. E a tomada de decisão deriva da escolha de uma opção entre várias alternativas.
Quando se trabalha em equipa, supostamente, existe uma definição do papel profissional que cada um desempenha. Em Portugal, quase todas as profissões têm as suas competências expressas em Diário da Republica como forma de validar a profissão de forma ética e legal. E supostamente, qualquer elemento que represente uma profissão e que colabore com outras formando uma equipa, deve respeitar os papéis profissionais dos outros elementos.
Mas, e se este respeito trouxer insegurança no desempenho profissional? Diariamente, vejo a falta de reconhecimento do papel do enfermeiro na equipa multidisciplinar. De fato, a ideia do enfermeiro-tarefeiro ou auxiliar do médico ainda é recorrente, especialmente no meio interior onde ainda se refugiam os tradicionais velhos do Restelo. A ideia de uma profissão ser inferior a outra é pouco dignificante, mas reduzir o individuo que a exerce a esse rótulo, é uma ideia provinciana que limita Portugal. Considerar que um talhante é superior a um padeiro, demonstra uma ignorância da relevância que as duas profissões representam no sector de produção alimentar! Dizer que um manda no outro, é de tal forma caricato, porque não consigo ver o talhante a mandar o padeiro a amassar 200 pães só porque cortou 200 bifanas! (Que me perdoem os padeiros e talhantes por utilizar esta metáfora!) De fato os dois complementam-se!
Felizmente os tempos evoluem e alguns estereótipos estão a decair. De fato já existe uma faculdade de Medicina que tem um estágio de observação de duas semanas para os futuros médicos acompanharem as enfermeiras nas suas atividades de um internamento. O que para muitos seria um desmérito, significa que finalmente reconhecem que os médicos não devem ser meros prescritores de bata aberta e estetoscópio nos ombros. Devem saber qual o resultado das suas decisões aplicadas na prática. Observar que os doentes\utentes têm dificuldades em aceitar ordens médicas e revoltam-se com as enfermeiras (pedir colheitas de sangue é fácil, “picar” 3 vezes a mesma pessoa num dia não dá alegria! Pedir pausa alimentar uma pessoa e não avaliar de forma diária dá um olhar de raiva ao esfomeado e respostas indispostas às enfermeiras e auxiliares! Desvalorizar as dores de uma pessoa dá impropérios certos a quem a interpele de boa vontade).
De fato é compreensível esta confusão inerente à profissão e á constante revindicação dos direitos do profissional de enfermagem. Muitas vezes julgados por candidatos frustrados de Medicina ou com síndrome de inferioridade em relação a demais profissionais de saúde os enfermeiros nunca souberam criar limites no seu exercício e geram constantes dificuldades em definir a sua identidade social. Considerar o cuidar como algo responsável e não dar primazia apenas ao tratamento, porque os cuidados sempre devem estar presentes na atividade diária das pessoas. Porque realizar exames e tratamentos sem cuidados, torna-se um ciclo vicioso. Para além de ser mais seguro seguir prescrições para tratar do que avaliar, planear e executar para prevenir tratamentos. (Nem a indústria farmacêutica iria achar muita piada a diminuição de lucros devido aos bons resultados de saúde promovidos pelos enfermeiros!). E existe a necessidade de valorização realizando técnicas que são adstritas a outros técnicos de saúde, ficando sempre à sombra desses profissionais e perdendo a autonomia. E nem os familiares e comunidade onde estão inseridos reconhecem o “esforço” que estes enfermeiros submetem ao estar a dar prioridade aos exames e tratamentos, invés ao processo do cuidar e prevenir. Porque ninguém reconhece que ter um enfermeiro que acompanhe uma pessoa nas atividade de vida diária, desde higiene até a preparação de medicação para além de uma multiplicidade de necessidades que são consideradas normais, são cuidados que evitam idas desnecessárias às urgências e utilização de recursos materiais associados a situações agudas. Sempre em articulação com a equipa multidisciplinar, o enfermeiro deveria ser o elo de ligação.
Estou grata por ser enfermeira, mal interpretada por mentalidades que confundem profissão com vocação. Que ainda assumem que a enfermeira apenas tem estatuto associado ao poder do médico que lhe delega tarefas e que por sinal tal comportamento lhe dá prestígio social, como auxiliar do médico.
Tenho coragem em admitir que o caminho é longo, e muitas “pedras” vão ser arremessadas, mas generalizado para as restantes profissões que lutam por ser autónomas, utilizem o saber no fazer, não sejam meros imitadores de técnicas vazias e com pouco apoio de reflexão. Posso não estar presente no dia em que a enfermagem é reconhecida pelo conteúdo que tem, mas tenho consciência que todos os dias utilizo o meu raciocínio para elevar esta nobre profissão!

REFLEXÕES

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GRUMAPA Grupo Mangualdense de Apoio e Protecção dos Animais
Contributo para a história de Mangualde
Construção do Canil /Gatil
Em 2002 realizou-se Assembleia Geral para renovação de alguns elementos dos Corpos Sociais que devido ao cansaço ou indisponibilidade de tempo não conseguiam dar a colaboração indispensável ao cumprimento do plano de Actividades que estava previsto e para o qual era necessário um grande empenhamento. Os dirigentes masculinos – senhores Carlos Pina, Nelson Augusto e Victor Cardoso poderiam obviar a alguns problemas da obra, mas a entrada do sócio Prof Benjamim para Vice –Presidente da Direcção foi de grande valia porque tendo sido vereador da C.M. em anos passados tinha conhecimentos muito válidos para implementação da obra e ajudar na resolução dos problemas inerentes que se adivinhavam.
O primeiro impasse surgiu-nos pela dimensão do projecto. O que tinha sido feito inicialmente era mais leve e seria mais airoso e muito mais barato. Houve porém o problema do apoio financeiro que nos era fundamental. Em reunião todos os elementos ponderaram os prós e os contras – avançava-se ou desistia-se ajuizando sobre o valor que uma obra desta dimensão iria implicar? Já tinha sido aprovado e a concessão do subsidio fora aceite, no entanto sem outras ajudas era impraticável. A Câmara Municipal, ao tempo, assegurou-nos apoio em diversas vertentes, mas mesmo assim não fossem as dádivas de excelentes beneméritos a obra ficaria bastante aquém do desejado
Estava então chegado o momento de se fazerem contactos para obtenção de orçamentos. Desejávamos alguém competente e honesto nos seus processos de trabalho e com o mínimo possível de gastos.
Agora íamos entrar no caminho mais difícil, uma espécie de escarpa por onde a todo o momento se podia escorregar. A mão de obra, os diversos materiais, a energia, a água, as condições do tempo, tudo nos exigia muito desgaste físico e psicológico. Mas não desistimos. A obra iria seguir em frente.
Junho 15

VIVER É RECORDAR

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A BOINA Á ESPANHOLA
É sempre bom recordar as coisa antigas e marcantes, objectos que nos tocam. Pedaços de vida que julgamos apenas nossos mas que partilhados nos ressuscitam tanta alegria. É a boina basca ou melhor conhecida por boina á espanhola. Usava-se muito no norte de Portugal no início do século XX , mas com mais regularidade por volta dos anos 60, altura do maior surto migratório. A boina era adereço relevante dos “passadores” espanhóis bascos que a usavam para conduzirem os “engajados“ portugueses pelas íngremes veredas dos Pirineus “a salto“ para França na busca de uma vida melhor. Quando não conseguiam “o salto“, ou passados alguns anos regressavam á origem, ás suas santas terrinhas, ao seu ninho de aconchego, usavam-na como um reconhecimento da bravura dos seus guias, tornando-se mais tarde ainda uma componente da sua própria identidade. Os tempos evoluem e a moda não deixa passar os seus próprios momentos: tornam-na moda. A boina á espanhola, era preta com um espigo na coroa, forrada com seda ou tecido parecido. Como a grande maioria dos “passados “ eram trabalhadores rurais, agricultores que nas lidas da lavoura não a despregavam da cabeça, a não ser aos domingos e dias de festa em que imperava o chapéu. Os rapazes usavam-na como sedução das raparigas colocando-a tipo rufia, gingão. E quando as coisa azedavam, era um mau presságio quando a boina era posta ao lado, á malandro: adivinhava-se uma cena de pancadaria. Leve e cómoda além de ter um uso prático, servia muitas vezes de cesto quando “ ia á fruta“ a canalhada na sua irreverência. Quem não se lembra ouvir dizer “trouxe uma boina de figos, de cachos ou cerejas“. Calças de alças e peitilho, boina á espanhola cobrindo fortes guedelhas, fisgas (atiradeira) no bolso de trás, era imagem típica e singela dos nossos gaiatos, que corriam pelas ruas da aldeia atrás de uma argola ou de um arco de pneu, nas pausas da diversão do arremesso com as fisgas de pequenas pedras á passarada que esvoaçava temerosa da vil brincadeira. A boina á espanhola mais tarde virou adereço das senhoras da sociedade. Actualmente é usada pelos grupos culturais na tentativa de manter uma tradição, não sabendo bem a sua origem.

RECORDAÇÃO
Funeral-de-Adelaide-dos-Santos
Para ti minha mãe que partiste serena, em paz e com o coração cheio de amor, dedico-te este sentido poema de “Carlos Drumond de Andrade “ como uma recordação de eternidade:
Porque Deus permite
Que as mães se vão embora?
Mãe não tem limite,
É tempo sem hora,
Luz que não se apaga
Quando sopra o vento
E chuva desaba,
Veludo escondido
Na pele enrugada, água pura, ar puro,
Puro pensamento.
Morrer acontece
Como o que é breve e passa
Sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça é eternidade.
Porque Deus se lembra
— mistério profundo –
De tirá-la um dia.
Fosse eu Rei do Mundo,
Baixava uma lei:
Mãe não morre nunca
Mãe ficará sempre
Junto de seu filho
e ele velho embora
será pequenino,
feito grão de milho

IMAGINANDO

francisco cabral
PARTE 59
SINTRA
Continuação
Quando  abordamos a Vila de Sintra temos que a relacionar com os Cavaleiros Templários.
Numa breve síntese e que mais tarde poderei aprofundar, quem eram os Cavaleiros Templários?
Penso sejam uma continuação da Primeira Cruzada, quando definitivamente se recolheram de suas funções, que era protegerem os peregrinos que se dirigiam à Terra Santa.
Foi fundada por Hugo de Payens, um fidalgo francês da região de Champagne em 1118 com mais oito cavaleiros, destacando-se André de Montbard, tio de Bernardo de Claraval, um Padre Espiritual da Ordem de Cister, que muito contribuiu para que todas as Abadias da Europa florescessem, sendo muito querido pelo seu prestígio e posteriormente viria a ter um papel muito importante. Este nove cavaleiros, junto do Rei Balduino II de Jerusálem fizeram um voto de pobreza e foram autorizados  a se estabelecerem no Templo de Salomão, ficando conhecidos como Ordem do Templo e todos os que nela participaram tiveram o nome de Templários.
Dando continuidade à Primeira Cruzada e além de proteção ao Rei Balduino II de Jerusalém, a sua função era acompanhar os peregrinos, resguardando-os de pilhagens por parte dos ladrões e durante a viagem para Jerusalém.
Foi em 1128 e com influência de Bernardo de Claraval, que Hugo de Payens, acompanhado de cinco cavaleiros, e no Concílio de Troyes obtém o reconhecimento oficial que havia sido solicitado ao Papa Honório II.
Finalmente em 1139 e pelo Papa Inocêncio II, a Ordem ganha o estatuto do seu Lider comunicar diretamente com o Papa, além de isenções e o direito de construir seus próprios oratários. Como vestimenta  usavam um Manto Branco e no meio desse Manto estava impregnada uma Cruz Vermelha.
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Templo de Salomão, construído em cima das ruinas do Templo Original, em Jerusalém
As sua funções ao longo dos Séculos foram diversas. Também eram considerados Monges Guerreiros, tendo uma instrução muito rigorosa, tanto militar como psíquica para resistirem nas lutas e quando feitos prisioneiros, nunca divulgarem segredos da Ordem.
Os Cavaleiros Templários tiveram grande influência na Europa conquistando propriedades e grandes fortunas. Tiveram muitas lutas destacando-se em 1143 a invasão Turca, obrigando o Papa Inocencio II a pedir a sua proteção, através de Bernardo de Claraval.
Mais tarde em 1307 e já no reinado de Filipe IV de França, quando o seu Reino se encontrava bastante endividado e tinha conhecimento da Fortuna desta Ordem, pressionou o Papa Clemente V, para todos os seus bens fossem confiscados, sendo alguns dos seus Membros queimados vivos.
Até hoje ninguém sabe do paradeiro desta Fortuna, porque quando da intenção de Filipe IV confiscar estes mesmos bens, e sendo sabedores das intenções do Rei, numa noite uma parte dos cavaleiros Templários salvaram todo o Ouro em sua posse, guardando-o em sítio indeterminado.
Leva-me a crer que quando da presença do Conde de Saint Germain no Planeta e conhecedor de toda a fortuna dos Cavaleiros Templários, porque ele era Grão mestre da Maçonaria da Grande Fraternidade Branca e onde penso, até aos dias de hoje alguns templários estejam aqui integrados, o local onde esta fortuna se encontra está sigilosamente guardado. Virá e na altura própria, à presença das Populações Mundiais, através da Lei Nesara, para que seja distribuída equitativamente.
Continua

SANFONINAS

dr. jose
As pègadas
De pègada hoje se fala muito. Ele são as pègadas dos dinossáurios indelevelmente gravadas na rocha. Ele são as pègadas dos animais sabiamente procuradas na selva pelos especialistas que zelam pela conservação das espécies. E – claro! – a tal «pegada ecológica», definida como (imagine-se!) «a quantidade de terra e água que seria necessária para sustentar as gerações actuais, tendo em conta todos os recursos materiais e energéticos, gastos por uma determinada população».
E a pègada que cada um de nós deixa e que todos desejamos seja boa. Como aquele desejo de um autor religioso: «Que a tua vida não seja uma vida estéril. Deixa rasto». Ou, como escreveu o imortal Antonio Machado,
Al andar se hace camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Recorda-se, porém, inexoravelmente, a eterna «Balada da Neve» de Augusto Gil:
«E noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
Duns pezitos de criança…
E descalcinhos, doridos…
A neve deixa ainda vê-los,
primeiro bem definidos
Depois em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!…
Ilustração para 15 de Junho

Estanquei na silenciosa serenidade da manhã. Apenas esparso assobio de melro pela encosta. Domingo. O parque, vazio. Viera ali passear com o «Spike». No saibro fino, nítidos e lentos (imaginei!) os rodados das viaturas. Uns por cima dos outros, num atropelo. Havia, no entanto, pègadas que particularmente me chamaram a atenção. De pombos ou, mui provavelmente, dos casais de rolas que amiúde se viam por ali. Nítidas também, muito nítidas. E lentas. Em passeio. Primeiro, afastadas; depois, como quem se enamora e vai encontrar-se…
Na brandura da manhã, dei comigo a pensar, olhando o chão, na terna lição daquele casal. Eles pisaram os rastos dos automóveis, eles deixaram tranquila marca da sua presença…

A Maria Adélia

Foto
Era tratada carinhosamente entre nós como a prima Adélia de Mangualde. Pertenceu à geração de minha mãe que nasceu nos anos 20 do século passado. Entroncava nos Pessoas, uma família muito considerada na época em Mangualde de onde saíram algumas figuras de relevo local e nacional. Era minha familiar de sangue, não de afinidade. Por outro lado era descendente do Marechal Carmona, cujo nome figura no seu.
Maria Adélia Carmona e Silva Pessoa, nasceu em 30 de Março de 1924 e faleceu com a bonita idade de 94 anos vai fazer este mês um ano em 28 de Junho de 2018.
Em certo período da minha vida nos anos a seguir à Revolução de 25 Abril, vivi com minha mulher e o meu filho Pedro, na altura único, na minha casa em Fagilde.
Invernos frios e chuvosos levavam-me , depois do jantar a Mangualde, onde em casa da Prima Adélia, em volta da salamandra quentinha discutíamos a politica da terra.
A Maria Adélia era uma seguidora do Dr. Sá Carneiro e fazia nas épocas próprias militância cerrada nas feiras, mercados, onde fosse necessário pregar a sua ideologia social democrata.
Viúva já nessa altura, vivia com os filhos, Sara e João, na sua casa sita no Largo do Rossio a fazer esquina com a rua que vai para o Largo das Escolas.
Muitas histórias se contaram nessas reuniões. Muitas sugestões, muitas criticas a pessoas e partidos. A Maria Adélia era uma personalidade forte. Um misto de senhora, pelos seus princípios e educação e uma combatente feroz pelos seus ideais.
E como senhora, que de facto era, não permitia nenhuma falta de respeito. Por isso uma noite, ainda um pouco sentida pela falta de respeito me contou o que se tinha passado nesse dia. Tinha ido à Câmara, resolveu entrar na sala de reuniões onde estava reunida toda a vereação. Entrou e ninguém se levantou. Irada com o sucedido disse bem alto : Levantem-se que entrou uma senhora ! Era assim a Maria Adélia e tinha razão. A Democracia devolveu-nos direitos. Mas não nos deu educação, princípios , que como diz o povo e bem, vêm do berço. Por isso nós encontramos, às vezes, em lugares de grande responsabilidade, uns burgessos, uns grosseirões !…
Mas, o que recordo mais vezes foi o que se passou em determinado período eleitoral.
Eu, sem filiação partidária, resolvi dar o meu apoio a certo candidato, convencido que era o melhor para a nossa terra. Empenhei-me seriamente e consegui envolver altas figuras da política nacional .
Discuti o assunto com a Maria Adélia e ela não podia estar mais em desacordo comigo.
Esgrimiu todas as armas para que eu alterasse o meu apoio. Não conseguiu.
Debalde, desabafou : -É pena , vamos perder um bom professor e arranjar um mau presidente. Palavras sábias. E de facto isso aconteceu.