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EDITORIAL Nº 752 – 15/4/2019

patrao
Caro leitor
Viva amando a vida e tenha amor pelos grandes horizontes. Nunca deseje pouco nem se contente com pouco, mas também não perca as estribeiras, tem e deve ter consciência daquilo que é capaz. Sonhe alto e invista fundo, mesmo sendo isto um risco. Vale sempre a pena tentar, ainda que se possa magoar…
Grandes descobertas e conquistas, se fizeram com o fogo de um grande amor, o amor deve estar em tudo que nos rodeia.
Quem voa baixo acaba por não experimentar o envolvimento das alturas e nem chega a conhecer paisagens mais amplas, logo pode não estar a cumprir com os desígnios para os quais veio a este Mundo.
O amor é uma força e uma bênção, podendo também ser apenas um impulso transitório e, como tal, deve-se diante dele, ter cuidado e prudência, pois pode ser fogo de perdição. Por isso previna-se, para que o amor não o domine, fazendo-o perder o bom senso e a razão. Mas, pior do que uma pessoa ferida, por amor, é quem por falta dele, é frio e seco, por nunca ter marcado encontro com o fogo ardente da vida.
Feliz Páscoa.
Abraço Amigo

O QUE É CULTURA?

Humberto Pinho da Silva
Dizia, certa vez, alguém, cujo nome já não me recordo, que: Cultura, é o que resta, depois de tudo se ter esquecido.
É a essência, que permanece da: educação, que recebemos; dos costumes; tradições e valores, que alicerçam a sociedade, em que estamos inseridos.
Saber: é ter conhecimento de certa matéria ou determinado assunto. Cultura: é o sumo de vários conhecimentos, que foram “ esquecidos”, ao longo da vida e servem para: pensar, criticar, raciocinar… e escrever.
Nem só o académico, que frequentou a Universidade, se pode dizer que é culto; o ignorante, o humilde trabalhador do campo, pode ser sábio, e ensinar-nos muito, que empiricamente foi adquirindo, por experiência própria ou recebida dos seus maiores.
Muitas vezes, a gente rude, são verdadeiros livros abertos, no modo como se exprime, e na vernaculidade dos termos que emprega.
Cultura e liberdade, andam de mãos dadas. Não pode sobreviver a cultura de um povo, se o invasor, impõe: religião, língua, tradições, valores da sua civilização.
Antigos conquistadores, conheciam que o modo eficaz de dominaram um povo, era inculcarem: costumes e tradições alheias, ao longo dos anos.
A lavagem cultural, pode ser pela violência (decreto); ou levá-lo a aceitar, por imitação ou complexo de inferioridade.
Foi o método usado pelos europeus, na época dos descobrimentos. Pelos romanos, ao expandirem o Império; e, segundo parece, o processo, que certos lideres muçulmanos pretendiam fazer, de modo pacífico, primeiro ao Ocidente, depois ao Oriente.
A globalização acelera o fim da cultura característica dos povos, criando a mestiçagem da cultura, e fomentando a mobilização, e a perda de identidade dos povos.
É, porém, verdade, que a amálgama de tradições e costumes, enfim, da cultura de vários povos, enriquecem os países; mas, também, é verdade, que os descaracteriza.
Cada povo tem sua cultura, seu modo de pensar e agir, transmitidos de geração a geração. A globalização, lentamente, vai igualando, impondo aos povos mais fracos, a perda de identidade; acabando assimilados.
Perseverar a língua, é defender a cultura de um povo.
Em “ A Correspondência de Fradique Mendes”, Eça, depois de afirmar que :” Na língua verdadeiramente reside a nacionalidade”, exprime a opinião sobre o poliglota: “Nunca é patriota. Com cada idioma alheio que assimila, introduzem-se-lhe no organismo moral modos alheios de pensar, modos alheios de sentir. O seu patriotismo desaparece, diluído em estrangeirismo.” (*)
Infelizmente, a língua portuguesa, tem sofrido tantos saltos de polé, enxertada de tantos estrangeirismos, tão desprezada, pelas figuras públicas, inclusive a classe politica, que anda mais remendada, que capa de pedinte, como dizia o nosso clássico.
Na época de Eça, éramos “ colonizados” pela França. Para se ser considerado culto, era necessário conhecer a língua francesa.
Tudo vinha de Paris: a moda, a ciência, a arte…e até os janotas da alta-sociedade, iam, à Capital da Luz, buscar noiva! …
Agora, tudo nos chega da terra do Tio Sam: os costumes, tradições, as ideias…; até a nossa língua sofre – e de que maneira, – com a subserviência…
(*) – Edição de Lelo & Irmão, Porto,1960 – Pág. 128

Desabafos sem comprimidos….

Ana Cruz
Dizer que os valores estão em decadência, é um eufemismo para qualquer pessoa que veio de origens humildes. Em tempos em que a fome moldava o carater, e a necessidade era sinal de sobrevivência, reconheço mais riqueza de espírito em quem nasceu e viveu nesses tempos do que os mais afortunados necessitados de hoje que buscam pouco trabalho e desperdiçam a assistência que a sociedade lhe dá. Na verdade, os exemplos vindos de cima são tão pouco valorosos que quem não devolve ou retribui o que recebe cita sempre a corrupção nos órgãos de soberania. Desta última do nepotismo assente na distribuição dos cargos políticos no poder central, mas sempre vi favoritismo entre funcionários que trabalham para o Estado. Lembro-me de um local que trabalhavam pais, filhos e cunhados, selecionados de forma muito “correta” num desses concursos públicos que apenas tem uma abertura de alguns dias para poucos ou ninguém ter conhecimento senão os “isentos” candidatos. Por isso e por outras condutas a base de uma sociedade que é a família deve ter acesso a uma boa educação e não ser exposta a injustiças sociais criticadas em publico, mas festejadas em almoçaradas de quem aponta o dedo mas beneficia com ajustes financeiros que o mais comum cidadão nem desconfia….
Todos os dias ouço “Sou apenas uma mulher\ homem da terra, nada sei….” ou “Não estudei, pouco tenho de opinar…”, no entanto tenho o privilégio de escutar histórias que contém mais valor que muitos artigos de revistas de grandes académicos ou professores especialistas da área social. O que para muitos são lamúrias repetitivas e queixas irreais para mim são oportunidades únicas em observar a conduta humana perante circunstâncias que podem ser semelhantes para tantos, mas cuja solução\ resultado apenas depende da experiência humana que aquela pessoa teve. Ultimamente tenho observado a facilidade com que as pessoas com mais formação académica aceitam tomar medicação ansiolítica ou antidepressiva, invés de enfrentar os dilemas existenciais. Socialmente é mais aceitável reprimir as emoções, mas a sua força retorna sempre e o que hoje é oculto com ajuda dos químicos, mais tarde terá consequências na aceitação de si própria. Porque apesar da rigidez dos casamentos antigos, vejo mais transparência na comunicação do que nas uniões mais recentes. Recordo-me de um casal de idosos que a esposa que sempre foi dedicada à família que gerou. Culpava diariamente o marido por atos cometidos no passado. Atos que são condenáveis pela lei da Deus e dos homens, mas que estão intrinsecamente ligados ao ser humano. Atos que são vangloriados entre os homens como forma de demonstração de virilidade, mas são apenas uma forma de competir e de superiorizar perante os demais. O esposo aceitou o erro que cometeu e todos os dias quando exposto ao dedo acusador da pessoa que magoou, pedia desculpa e cuidava dela sem raiva ou revolta. Mas a esposa sempre recordava a dor de ser traída, e todos os dias chorava e era juiz e carrasco, mas não do marido. De si própria. Todos os dias ele lembrava a dor e o sofrimento que já não existia. Estes pensamentos foram tão corrosivos que a dor já era física. Curioso é que a tolerância do esposo “criminoso” era sinal que já tinha perdoado a si próprio, e a piedade era o que o movia e mantinha ligado à esposa. Afinal quem sofria mais? Quem acusava ou que já se tinha perdoado? O desfecho apenas será do conhecimento de ambos, mas o desabafo da esposa na presença do esposo foi mais precioso que uma década de antidepressivo.
Temos tanto que aprender, mesmo que o exemplo seja ínfimo, saber comunicar e espantar os pensamentos obsessivos\ ruminantes traz paz espírito e afugenta a depressão. Julgar os outros é fácil (para além de mesquinho!), mas julgarmo-nos é um sofrimento constante. Saber perdoar está sempre apoiado na mudança de comportamento de forma positivo. Nada anula o que já está feito, mas repetir o pensamento diariamente, isso sim está sob o controle de cada um. Os estoicos consideravam as emoções uma fraqueza, mas nem todas as emoções são negativas pois não? Avançar para melhorar, pensar no que não controlamos apenas toma-nos tempo. Tudo isto observei na simplicidade de pessoas que dizem “Não sou importante. Apenas trabalho na terra! ”, porque quanto mais se sabe mais se quer. Porque a humildade não tem disciplina ou cadeira em faculdade. Porque a ganância é aliada ao estatuto. Afinal todos nós devemos viver sem sofrimento, e para mais evitar o sofrimento autoinfligido.
Uma boa Páscoa, e que usufruam este momento para refletir em si próprios e evitar atirar pedras.

IMAGINANDO

francisco cabral
PARTE 56
Lei da Atração-Continuação
Utilizei aspetos básicos das Leis da Física e Mecânica Quânticas, só para exemplificar. O leitor não precisa de as conhecer, porque toda a informação está na sua Intuição. Analize primeiro e afirme-a depois, porque tudo, mas mesmo tudo está em Si. Intuição é o Todo falando com o Leitor.
Para os interessados nesta matéria, posso aprofundar um pouco mais, e embora seja um curioso, sei que Ela vai revelar o caminho para Nosso  verdadeiro Ser e quando descobrirmos esse caminho, concluímos que só existe Uma Única Consciência e Ela é uma Individualização do Todo, que ao se subdividir, e sendo uma bondade Sua através de experiências, proporciona aos Egos a possibilidade de evoluir. Tenha em consideração que todas as suas experiências serão as do Todo, que como anteriormente mencionei, apenas vai buscar a parte boa. Sendo o  Ego uma individualização de cada pessoa, se fôr de sua vontade vai sempre evoluir. O Ego normalmente teima na  vontade da pessoa fazer o que ela quer, e não o que o Todo quer. Reafirmo que no Todo não existe bem nem mal, apenas energia. O bem  e o mal são ilusões do Ego, não do Todo. Como tudo é Onda eletromagnética, a sua evolução é proporcional ao seu pensamento/sentimento, e por serem experiências, há que tirar ilações sobre as mesmas.  Toda a experiência é na sua maioria uma aquisição positiva, um degrau acima, mas dependendo do Ego, se houver uma persistência em manter o seu querer e não o do Todo embora não sendo castigo, há que devolver através da Onda pessoal, o equilíbrio contido na Grande Onda Eletromagnética. Essas experiências criam Karmas que se podem arrastar por várias encarnações para reajustamento da frequência vibracional individual,  que devido à Lei da Atração em conjunto com outra Lei, Causa e Efeito, retorne ao seu estado inicial.
No entanto, através de uma só encarnação ao invés de muitas, podemos alcançar um nível elevado de evolução, utilizando uma “Ferramenta”. A Ressonância Harmónica.
Continua
Fjcabral44@sapo.pt

REFLEXÕES

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GRUMAPA Grupo Mangualdense de Apoio e Protecção dos animais
Contributos para conhecimento da sua história
(O conhecimento da Humanidade – de um povo, de uma empresa, de um grupo de trabalho e tudo o mais… só tem sido possível porque alguém deixou testemunhos escritos, imagens, ou formas materiais, que proporcionaram esse conhecimento. Se ninguém tivesse deixado essa documentação tudo o que se fez para trás teria ficado no vazio. Cada momento seria único e desapareceria. Temos, portanto, que escrever para a História, seja qual for a dimensão e importância do facto narrado. É imprescindível que se deixem testemunhos sérios e verdadeiros, para que a História não se perca. Foi assim ao longo dos séculos e milénios e deverá continuar a ser).
Prosseguindo então na senda da história do Grumapa, lembro que, com muito sacrifício, se tinha adquirido um terreno e que de imediato começaram a surgir os obstáculos. Tivemos de recorrer a engenheiros geólogos de Coimbra que, gratuitamente, nos vieram estudar o subsolo. Infelizmente confirmou-se que não era um espaço adequado a instalações que poderiam eventualmente provocar contaminação de águas subterrâneas. Foi um mau veredicto…
Porém este primeiro choque, não nos levou a baixar os braços. Com a disponibilidade da Engenheira Suzel, nossa sócia dirigente e Técnica Superior na Câmara, percorremos todos os terrenos pertencentes à Autarquia na esperança de encontrar um semelhante ao já adquirido e aventar-se uma permuta. Foram esforços inúteis, porquanto só havia pinhais distantes, com maus acessos, sem água ou energia por perto! Foi um somatório de desilusões….
Teria sido uma óptima altura para desistir de vez, se por qualquer visão sobrenatural pudesse vislumbrar o que o futuro me estava a preparar…
Perante os factos os Corpos Directivos concordaram que se precisava de algum tempo para reflectir – sim ou não? Se não, que faríamos deste primeiro bem, que tanto nos tinha custado ?…
Um dia, inesperadamente, volto a cruzar-me com o Sr. Presidente da Junta de Freguesia, e de imediato- “Então, sr. Presidente, depois de tanto sacrifício na aquisição do terreno na área da sua freguesia, não nos consegue por aí um outro que possamos negociar?” Bom, neste momento posso dizer-vos que uma senhora fez a doação à Junta de um seu terreno e nós estamos a vendê-lo para terminar a Casa Mortuária. Se quiser ir vê-lo eu neste momento estou disponível. “ OK. Vamos já!” Localizava-se entre a Mesquitela e a Cunha Baixa, no lugar dos Barreiros. Com dificuldade devido ao imenso mato conseguimos fazer o reconhecimento da sua extensão. Eram 3 ha de terreno em socalcos, bem localizado, com a linha de luz eléctrica a 300 metros e duas poças de água nascente !!! Ó Deus, era o ideal !
E qual importância ? – “ Três mil e quinhentos contos”
_ “Chi !!! Tanto dinheiro ! Nós não temos. O que conseguimos foi para adquirir o que já possuímos “… Então o Presidente da Junta, senhor César, foi muito Amigo da causa que defendíamos. Deu-nos uma série de sugestões para que negociássemos com a Autarquia uma possível permuta, dentro de toda a legalidade Como éramos uma Associação juridicamente constituída poderíamos beneficiar de algum apoio…Fiquei um tanto optimista, embora intimamente vislumbrasse o caminho a percorrer repleto de pedregulhos.
Na imediata reunião de Direcção traçamos as linhas de rumo. Não perder esta oportunidade era crucial. Acertamos, então, continuar a luta para vencer mais esta etapa…
Mangualde Abril 2019

SANFONINAS

dr. jose
A enfermeira no museu
Inaugurou-se, com pompa e circunstância, no dia 6, o Museu Municipal Pedro Nunes, em Alcácer do Sal. Nasceu, de facto, em Alcácer o sempre recordado inventor do nónio, que de sua naturalidade tinha orgulho, pois se assinava «Salaciense».
Com muito orgulho ficaram também os habitantes desta antiquíssima localidade à beira do Sado, na medida em que este seu museu, instalado numa antiga igreja também ela de grande tradição e agora bem recuperada, lhes conta, através dos objectos nele expostos, uma história de milénios, deveras singular.
Servem para isso os museus: para nos reconciliarem com o Passado e nos darem conta de que, afinal, somos elos de uma longa cadeia, que nos compete não quebrar, pela preservação do antigo que é notável e do presente que reputamos o possa vir a ser.
Mais do que notícias sobre museus, porém, os noticiários falam, hoje, de enfermeiros e das suas reivindicações. Por isso, não quis deixar para mais tarde dar conta duma outra emoção que tive, quando, a 28 de Maio passado, visitei, em Londres, junto ao Saint Thomas’ Hospital, o Florence Nithingale Museum. Não se evoca aí o passado de um povo ou de uma região: é um museu pessoal, construído em torno da vida de uma pessoa, Florence Nithingale (1820-1910), bem conhecida da classe dos enfermeiros, porque o seu juramento profissional se baseia no juramento desta enfermeira:
«Livre e solenemente, em presença de Deus e desta assembleia juro: dedicar minha vida profissional ao serviço da humanidade, respeitando a dignidade e os direitos da pessoa humana, exercendo a Enfermagem com consciência e fidelidade; guardar, sem desfalecimento, os segredos que me forem confiados…».
«A Dama da Lâmpada», como ficou a ser mundialmente conhecida, por usar uma lanterna a fim de poder, de noite, tratar os feridos na Guerra da Crimeia (1853-1856), onde, na verdade, se notabilizou, Florence Nithingale constitui o modelo para quantos exercem esta profissão. O museu mostra a verdadeira Florence, «uma mulher de muitos talentos e… defeitos»; explica porque a devemos recordar hoje. Um verdadeiro hino à nobre função dos enfermeiros!
Fui lá a acompanhar um dos meus netos, de 5 anos, que precisava de responder às questões que, na escola, lhe haviam proposto. Aliás, no próprio museu existia um livro de inquérito para as crianças. Como arqueólogo, gostei de saber que Florence tinha como talismã uma pequena coruja que apanhara na acrópole de Atenas e a que dera o nome de Atena…

COSTUMES E TRADIÇÕES

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A PÁSCOA NA MINHA ALDEIA
Já as mimosas se desdobram em vastidões luminosas e pintalgadas de um amarelo de oiro, os passarinhos simples da montanha chilreiam e a Primavera esboça um rasgado e deleitoso sorriso. Nasce em cada dia uma Primavera toda ela envolta em seus verdes e densos pinheirais. Em doirados tempos matutinos como auréola de um som amanhecente, aproxima-se o domingo que antecede a Páscoa, é o domingo de ramos. Secular ritual cristão e nossa tradição, em grupo deslocávamo-nos á vila de Mangualde para assistir á missa da bênção dos ramos, feitos na véspera em casa com rama de oliveira, pequenas ramificações de um alecrim em flor, perfumado, e uma pernada de loureiro esparramado em vistosas florinhas como botões. Alguns mais sofisticados eram ainda enfeitados com flores de camélia ou japoneira, adornados de bolachas e rebuçados, reflexo condicionado para olhos gulosos. No domingo de Páscoa todas as pessoas se levantavam cedo para confeccionar alguns bolos como o pão de ló o folar ou os bolos de azeite, burilar sobremesas como a aletria, o arroz doce ou o fio de ovos. Paulatinamente chegava a hora da missa e já crepitava o lume no fogão para no forno assar o cabrito e as batatas. Em esmerado arranjo ficava já preparada a mesa da sala com uma toalha branca, e sobre ela os pratos os talheres e os copos. O dia era especial e pela sua simbologia era dever, quase obrigação assistir á missa com uma roupa nova. No regresso já o cabrito estava pronto e a mesa posta. Urgia reunir a família e ir para a mesa. Quando a tarde airosa iniciava a sua descida em resplendorosos raios de luz, era chegada a hora de se preparar a mesa com a toalha de renda ou linho bordadas á mão e polvilhá-lha de iguarias como o pão-de- ló, queijo fresco amêndoas e vinho. O requinte da mesa estava preparado para receber “o compasso” que trazia á frente o mordomo com a cruz do Senhor Ressuscitado, brilhante e florida, seguiam em passo rápido os restantes mordomos com a caldeira da água benta, a sineta e o saco para a contribuição dos crentes enquanto o sr. Padre no final do grupo, acompanhado pelo povo num acto profundo de uma fé enraizada entoavam o cântico litúrgico de “hoje é o dia em que o Senhor ressuscitou, aleluia, aleluia, aleluia, “aspergia água benta pela casa e cumprimentava seguidamente familiares e amigos. Percorriam todas as casas dando a beijar a cruz e Cristo Ressuscitado. Para anunciar o início da visita Pascal era tocado o sino da capela a repenico. Acompanhando o “compasso “ ia-se também a casa dos vizinhos para beijar a cruz. O dia termina em convívio com as pessoas a festejar a Ressurreição do Senhor. Era tradição no domingo de Páscoa os afilhados receberem dos padrinhos “ o folar””. A semana é ainda um prolongamento do próprio domingo de Páscoa , bela formosa e linda em sua graça.

A festa da Páscoa

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A Páscoa recorda e celebra a Ressurreição de Jesus Cristo, após três dias da sua crucificação no Calvário, conforme nos relata o Novo Testamento.
E o Novo Testamento é uma das partes da Bíblia. E o que é a Bíblia?
A Bíblia não é um livro. É quase uma biblioteca, porque é o conjunto de 66 livros. O Velho e do Novo Testamento. Isto é, antes e depois do nascimento de Jesus Cristo.
A Conferência Episcopal Portuguesa apresentou há dias, na Universidade Católica, o primeiro volume da nova tradução da Bíblia em português, feito por 34 investigadores. Um texto uniforme traduzido directamente das línguas originais.
A Bíblia é só a obra mais procurada e vendida no mundo. Surpreende-nos pela sua antiguidade. Foi escrita ao longo de 1500 anos por 44 autores, das mais diversas origens e formação. Camponeses e pescadores, reis e filósofos, pobres e ricos. Foi Moisés quem começou a escrever o testo sagrado cerca de 1450 anos antes de Cristo.
E termina com o último livro escrito pelo Apóstolo João cerca de 90 anos depois da morte de Cristo.
É na Bíblia que vamos encontrar algumas profecias messiânicas que se relacionam com a Festa da Páscoa.
O Profeta Miqueias, 750 anos antes de Cristo, anunciava Belém como o local de nascimento de Jesus. O Profeta Isaías, 700 anos antes de Cristo, anunciava que Jesus nasceria de uma virgem. O Profeta Jeremias, 688 antes anunciava o massacre dos inocentes, que Herodes executou na vã tentativa de matar o Messias. E até o Profeta Zacarias antecipou, 520 anos antes, que Jesus seria vendido por 30 moedas.
No fundamental, o centro da Bíblia é Jesus Cristo. E tem uma missão: – pôr o Homem em contacto com o infinito.
A Bíblia fala do Homem, da origem do mundo, do Bem e do Mal. É um conjunto de doutrinas, conselhos, princípios de vida para o bem estar e felicidade do Homem.
Jesus nasce em Belém, na noite mais longa do ano e é morto em Jerusalém. Jerusalém foi fundada 1.000 anos antes de Cristo pelo Rei David. Ao longo de séculos a cidade foi conquistada e destruída.
Mas, manteve sempre o Templo de Jerusalém, o espaço mais Sagrado do Judaísmo. E hoje é local sagrado para Judeus, Cristãos e Muçulmanos.
E foi em Jerusalém que Cristo foi crucificado e morto. Jesus, vindo da Betânia, faz uma entrada triunfal em Jerusalém no Domingo de Ramos. Esta entrada marca o início da Paixão que termina com a Crucificação e Ressurreição. Dirige-se ao Templo. Cura cegos e mancos. Limpa o Templo dos cambistas. Aqueles que exploram os pobres e diz: – Fizeram da minha casa, uma casa de ladrões“.
O Cristianismo transformou a Páscoa Judaica. Cristo passou a ser o Cordeiro de Deus, cujo sangue tirou o pecado do mundo e libertou a Humanidade. A Páscoa passou a ser a Ressurreição, a vitória da vida sobre a morte. Festa feita no início da Primavera porque como esta é o renascer da natureza.