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EDITORIAL Nº 720 – 1/12/2017

serafim tavares
Caro leitor,
Em qualquer circunstância da vida, e independentemente da gravidade dos factos, o desespero é sempre a pior solução. Em certos momentos, os problemas acumulam-se de tal forma que o peso da responsabilidade pode parecer insuportável. Se um dia isto lhe acontecer é importante parar e afastar-se mentalmente do que o incomoda e mergulhar para fora de si, em Deus ou numa pessoa amiga, que no seu conselho terá sempre palavras amigas para evitar o pior. O desespero obscurece a razão e acelera irremediavelmente a tragédia, sem solucionar o que o incomoda. O desespero, por isso, em qualquer circunstância é sempre um erro fácil, que fecha a porta à reconsideração. Não desespere. Não desespere em circunstância alguma.
Como digo em epígrafe, em desespero a primeira coisa é parar, respirar fundo, desviando a atenção do foco da aflição e concentrando-se simplesmente na ação de respirar e procurar um ombro amigo. Depois olhe em seu redor e comungue da placidez das coisas que o rodeiam. Poderá também fechar os olhos procurando escutar o pulso da vida em si, ou derramar, como diz a Bíblia, o coração no regaço de Deus. O importante é não dar corda à aflição perdendo o controlo dos acontecimentos. Nestes momentos precisamos aplicar toda a capacidade de ação e reação. Deve manter-se calmo e seguro, tendo fé em si e nos outros e ter paciência, sabendo esperar com naturalidade que as coisas se resolvam com a nossa ajuda e não se compliquem com a nossa aflição.
Já aconteceu alguém quer fazer-lhe guerra? Dê-lhe desprezo e procure a paz.

Abraço amigo,

EDITORIAL Nº 719 – 15/11/2017

serafim tavares
Caro leitor,
Estamos em pleno mês de novembro e, inesperadamente, vemo-nos obrigados a economizar água para que a mesma não falte em nossas casas e possamos assim tomar banho, lavar a roupa e a loiça e limpar o que demais vamos sujando pelo uso. Habituamo-nos a ter a água como um bem adquirido e, com ela, tomamos também como garantida a facilidade de realizar estas tarefas corriqueiras.
Ainda me recordo, quando era pequeno, que pelas festas circulavam as então chamadas aguadeiras, a vender água ao copo como forma de ganhar a vida. Eram tempos em que mesmo os bens essenciais não eram tidos como certeza.
Recordo-me ainda que a minha Mãe pela manhã colocava um alguidar de barro ou zinco com água, para que eu e meus irmãos nos pudesse-mos lavar antes de ir para a escola.
Atualmente a juventude não sabe o que isto era. A necessidade obrigava-nos a poupar a água, a racioná-la conforme os dias que passavam. Grande parte dos poços ou fontes de chafurdo tinham a água a pouca profundidade e as famílias eram maiores.
A água engarrafada vinha da fonte ou da vasilha a que chamávamos cântaro. Primeiro de barro, depois de zinco, feito por um latoeiro, e só mais tarde apareceram os de plástico que ainda hoje se usam. Poupava-mos a água, não tanto porque escasseava, mas pelo esforço e tempo de ir à fonte abastecer, que por vezes era longe e uma tarefa árdua. Mas estas idas tinham também coisas boas. Quando a menina ia à fonte, nós íamos também e ligavamo-nos à “rede social” daquele tempo. Por isso existem, ainda hoje, muitas fontes que mostram letreiros a dizer “Fonte dos Namorados”. Teriam bonitas histórias para contar se falassem. Íamos ao anoitecer e chegávamos a casa já de noite, com as vozes dos pais a chamar ao longe. Com abundância ou não, a água sempre teve muito valor e, tudo indica, terá cada vez mais. Em Mangualde, foi pelas piores razões: a escassez. A barragem de Girabolhos faz falta. Teremos, ou de a poupar, ou de voltar a carregar com ela, mas desta vez não ficam histórias bonitas para contar.

Abraço amigo

EDITORIAL Nº 717 – 15/10/2017

serafim tavares
Caro leitor
Em primeiro lugar, gostaria de agradecer o apoio a todos os Mangualdenses que depositaram confiança em mim. Quero dizer que vou cumprir escrupulosamente o mandato que me foi confiado ao serviço de todos e para todos, com o intuíto de valorizar a nossa terra.
Assumo, com tristeza, que foi a maior derrota que o PPD/PSD Mangualde teve desde 1974. Ficam as lições e a necessidade de repensar o posicionamento do partido, mas com justiça e transparência.
Assumo também a minha quota de responsabilidades. Deviamos ter garantido desde cedo que estavamos preparados para dar uma resposta adequada às necessidades de Mangualde. Deviamos ter estruturado uma política vencedora e modernizar os alicerces da nossa campanha.
Resta-me agora, com muita honra e humildade, cumprir os desígnios do mandato para o qual fui empossado. Isso vamos cumprir, está nas nossas mãos, a minha equipa tem também esta vontade acérrima.
Os mangualdenses conhecem-me e sabem bem do que sou capaz. O que vou dizer para muitos não é novidade.
Vou ter este mandato a cumprir na Assembleia Municipal de Mangualde e vou-me colocar à prova para os mangualdenses me julgarem como já aconteceu a quem esteve na vereação e Assembleia. Ao fim destes quatro anos faço um balanço do que fui, consulto a opinião pública, e com expetativa ambiciono atingir os resultados a que me proponho. Se contas feitas, entender que reúno as condições desejadas para o bem do concelho, então poderei equacionar continuar numa progressão política, no papel que para mim for adequado. Caso contrário, cessarei a minha participação política pois não ambiciono ter um lugar de poder sem serviço público. Estarei só para valorizar a nossa terra.

Abraço amigo,

EDITORIAL Nº 715 – 15/9/2017

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Caro leitor
Faço votos de que a campanha autárquica corra em conformidade. E como cidadão ao serviço da democracia desejo respeito pelos interesses dos mangualdenses e por inerência interesse do país. Democracia é o respeito pelo espaço e ideias dos demais, todos queremos fazer bem, mas a forma de levar a cabo os objetivos são diferentes: competência, vontade e o trabalho, como digo e tenho afirmado, que só o trabalho dignifica o homem. Pelos resultados que nos propomos se vê a vontade do trabalho e mais trabalho, ou seja dignificar o ser humano.
Eu abomino guerras, mas gosto de desafios que avaliam e elevam a grandeza da alma do homem e verificar se seus compromissos assumidos foram respeitados. Só assim o voto popular justifica a razão de ser, que é justo ter a favor de quem merece e o dever do resultado final em consideração. Ganancia do poder pelo poder, só por si, não resolve nada é só olhar para quem se lá encontra. Humildade, gratidão, generosidade é a entrega para certificar a partilha e aceitar o que o Espírito Santo congratula pela nossa obediência, acreditando no nosso poder como seres humanos que somos.
Me orgulho de ter amigos nas diferentes disputas, pautados por interesses soberanos de servirem o bem comum, regozijando-me com o respeito entre todos, com a vertente que a disputa por uma causa não implica inimizade. Famílias têm entre si preferências de clubes, religiões, partidos e no entanto se amam, com o devido direito pela diferença. As arestas é que têm que ser reeducadas e aperfeiçoadas para o entendimento. Animemo-nos pois, pelo facto de haver quem queira ir a votos. É sinal de democracia e os mangualdenses têm sim o trabalho de saber escolher os mais competentes e aquele que faz quando diz.
Quem ganhar, é para trabalhar em benefício dos mangualdenses e não em carreira política.

Abraço amigo

EDITORIAL Nº 713 – 1/8/2017

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Caro leitor,
A seguir à primavera, em que tudo floresce, o verão é a época mais desejada do ano, pois é no verão que a maior parte das pessoas gozam as suas merecidas férias.
Quando era pequeno, recordo-me da chegada e da partida dos meus irmãos mais velhos que se encontravam emigrados. Enchiam a aldeia de alegria, com abraços, beijos, prendas e visitas aos familiares, vizinhos e velhos amigos. Vinham também às festas e cumpriam as tradições que nunca esqueceram. Para os aldeões era uma festa. Enchiam-se os cafés, as ruas e o largo da Capela, onde se ligava a internet naquele tempo. Os emigrantes traziam vida às aldeias, que sem eles ficariam paradas no tempo e mais cinzentas. A aldeia ficava mais rica e o País também.
Enquanto isso, continuávamos a travar a mesma luta diária: amanhar a terra, a sacha do milho, a rega, a ceifa e a debulha à luz da candeia para encher o celeiro, em preparação de mais um inverno que se adivinhava. Recordo-me de tudo isto com saudade, apesar da dureza do trabalho. Recordo-me também da partida dos emigrantes e da tristeza que se fazia sentir pelas ruas da aldeia. Por entre muito choro e abraços, lá partiam levando mais uma vez na mala as recordações da terra e os seus frutos. Recordo-me da minha sobrinha, hoje médica, que quando cá esteve um ano com os meus pais, a minha irmã e cunhado vieram de férias. Ela era para continuar cá, mas na despedida dos seus pais chorou tanto, que a minha irmã não conseguiu deixá-la e levou-a.
O destino fala por si, mas só com trabalho é que o homem vence. Como já disse aqui um dia, cada vez que a sorte me bate à porta, esta encontra-me a trabalhar.
Hoje em dia, muitos emigrantes são de novas vagas de emigração, de gerações cada vez mais novas, que deixam inclusive cidades para conseguirem ter qualidade de vida no estrangeiro. É com pesar que se vêm mais emigrantes e um Portugal que não oferece condições de vida aos muitos portugueses que as procuram. Esperemos que um dia voltem para encontrar um País que os acolha e acarinhe.
Viva a vida e férias felizes e a 1 de setembro cá nos encontraremos novamente.

Um abraço amigo,

EDITORIAL Nº 712 – 15/7/2017

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Caro leitor,
Mangualde foi, nos dias 15 e 16 deste mês, o palco de mais uma iniciativa do Clube de 2 Cavalos desta cidade. A concentração mundial está a ser organizada na Ericeira no final deste mês, no qual o clube de 2 Cavalos de Mangualde participa. Enquanto fundador e membro dos órgãos sociais deste clube, é com orgulho que constato o trabalho que o Clube tem vindo a fazer, numa preservação e divulgação digna do histórico que Mangualde tem na edificação do 2 Cavalos. Recebeu aqui em Mangualde todos aqueles que vinham de passagem, quase obrigatória, rumo à Ericeira, nomeadamente o grupo Francês RTH.
Para além do protagonismo que estes eventos trazem à nossa Cidade, acaba por ser também uma homenagem ao que carateriza Mangualde, como sendo uma nobre terra hospitaleira.
A cidade de Mangualde acabou por ter um dia com mais cor e movimento, uma vez que foram muitos os visitantes. Alguns deles quiseram até permanecer por mais tempo, com vontades para além de qualquer iniciativa do Clube 2 Cavalos, de tal forma que gostaram da cidade.
No dia 14, sexta feira, o Clube ofereceu o jantar a todos aqueles que já se encontravam em Mangualde. Já no sábado, o almoço foi servido na associação em Casal de Cima, na freguesia de Santiago de Cassurrães em Mangualde, que já é conhecida pelo bem receber, como foi o caso. Ao fim de bem comidos e bebidos, o destino foi a Cunha Alta, onde teve início uma prova que culminou em Guimarães de Tavares, onde coincidentemente havia festa nesse dia, o que acabou por ser o melhor e mais alegre desfecho para o evento.

Um abraço amigo,

EDITORIAL Nº 711 – 1/7/2017

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Caro leitor,
Democraticamente, no dia 1 de outubro, vamos exercer o direito de voto e contribuir na praça pública para a eleição autárquica.
No primeiro mandato deste executivo, fiz parte da Assembleia Municipal pelo PSD e, nesta mesma Assembleia, fui nomeado também para a Assembleia CIM Dão Lafões.
Como é do conhecimento público, sou candidato a Presidente da Assembleia Municipal de Mangualde pelo PSD, e o Professor Joaquim Messias, candidato a Presidente da Câmara Municipal. A maior parte dos mangualdenses sabe que existe uma pressão subentendida a que o atual executivo se mantenha em funções e tente assegurar por todas as vias que os votos tendam a seu favor. Como é comum nestes casos. Resulta que naturalmente exerce mais pressão para votarem PS e, menos dignamente, para votarem contra o PSD, ainda bem que o voto é secreto.
O nosso propósito é pautarmo-nos por levar a cabo uma campanha que os mangualdenses e a população em geral se orgulhe. Sem calúnias, sem mentiras, sem fait divers, porque como todos nós sabemos os políticos ou faltam à verdade ou pecam por omissão. A atual governação tem oito anos de poder e, no entanto, fez zero obras que tivessem fomentado uma notória diferença para o concelho, particularmente se formos compará-las com as expetativas que os mesmos criaram e, acima de tudo, com aquilo que concelho precisa. A sua bandeira para chegar ao poder foi a proteção do ambiente e José Sócrates, então Primeiro-Ministro. Como todos nós nos lembramos, Mangualde era o paradeiro de José Sócrates, pelo que a maior parte dos mangualdenses acreditou que seria essa a oportunidade que a cidade e o concelho tinham para crescer até patamares nunca antes vistos. Pura mentira e, desilusão das desilusões, pura vaidade. Mangualde continua a marcar passo, e nada avança quando se torna mais preciso. Como digo há muito, do Céu só vem o Sol e a Água, aos quais damos graças, e o resto temos de fazer nós. Os Mangualdenses também não fogem a esta regra.
Falar do ambiente é falar também de uma das bandeiras que levou este executivo ao poder. Quem não se lembra dos inúmeros outdoors colocados na lagoa à Lavandeira, a céu aberto. Hoje temos o concelho bem pior, com um cheiro nauseabundo um pouco por toda a parte. Mangualde a norte, Mangualde a sul, Chãs de Tavares, Tibaldinho, Espinho e S. João da Fresta. Tudo a correr a céu aberto. Então onde está a moral daquele tempo? Não teve dois milhões para construir ETAR’s, mas houve o mesmo para avenças avultadas. Esta governação está esgotada e a pensar em Lisboa. Enquanto se anunciam milhões, vamos ver tostões.
Um abraço amigo,

EDITORIAL Nº 710 – 15/6/2017

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Caro leitor,
Hoje vou falar de saudade. Saudade de ex-colaboradores meus, colaboradores que me ajudaram a ser o que sou hoje, para além da família direta. Nunca me esqueci deles, embora só de tempos a tempos os lembre, sempre com a mesma saudade. Como diz o ditado, “vale mais tarde que nunca”. O que despoletou em mim este estado de alma foi a memória de um deles, o António Miguel, que há poucas semanas nos deixou. Desejo muita paz à sua alma.
Muitos dos meus ex-funcionários, se os vir hoje, já não os reconheço. Que me perdoem se assim for, pois alguns deles não encontro há 30 anos. E com a passagem do tempo, mudamos todos nós. Crescemos e envelhecemos. A mim, sabem sempre onde me encontrar. Com muitos partilhei confissões, conselhos e desejos, mas sempre com a perspetiva de futuro. Quando era abordado para dar a minha opinião, sempre o fiz desprovido de interesse próprio, ou seja, contra mim falava se direta ou indiretamente me pudesse afetar. Todos sabem que sou assim, e sempre fui. É isso que faz de mim aquilo que sou: feliz, transparente, digno e verdadeiro, comigo e com os outros.
Partilhamos todos uma vida, um caminho a seguir. Falar do Miguel é falar de um amigo, um amigo que conheci aos seus 16 anos de idade. Namorou e casou quando ainda trabalhava na minha empresa. Comprou casa enquanto ainda trabalhava comigo, até que o vi partir para uma nova fase, onde foi trabalhar para os transportes internacionais. Mas sempre ficamos no coração um do outro. Já no início deste ano me disse que voltava e eu sempre lhe disse que as portas se encontravam abertas para quando assim o desejasse. Não imaginávamos o que ia acontecer. O homem põe e Deus dispõe. Um amigo que nunca se poupou a esforços em prol do amigo. Um amigo de todos. Vi pessoas a chorar na sua partida, que nada lhe pertenciam. Vieram pessoas de todos os lados, concelhos vizinhos, entre os quais até Sátão. Vieram dizer adeus a um amigo. Um amigo que continuará sempre a ser um amigo. Até um dia. Adeus.

Abraço amigo,

EDITORIAL Nº 709 – 1/6/2017

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Caro leitor,
Na recandidatura de João Azevedo à Câmara Municipal de Mangualde, esteve presente o Primeiro Ministro António Costa. A maior parte dos Mangualdenses estavam na expetativa de um grande anúncio de obra ou de milhões para o nosso concelho. Foi uma grande desilusão, serviu só para deslocar pessoas do distrito e fora dele ao Pavilhão Municipal com o intuito de o encher e que não aconteceu.
Os milhões esses, 574 mil euros adiantados, que foram aprovados pelo Governo em 27 de dezembro último, foram para as Câmaras de Proença a Nova, Arruda dos Vinhos, Penamacor e S. Pedro do Sul.
Mangualde para receber não faz parte do mapa. Até a Barragem de Girabolhos nos foi tirada por este Governo.
Não sou historiador, mas há 30 anos que faço história em Mangualde e por Mangualde, em contributo do crescimento do setor empresarial local. Aprendi, neste período, a ser rígido e gentil, na mesma medida que aprendi a ser empresário e comunitário. Nada veio do esforço, senão o trabalho. Peço-lhe agora que me ajude a ajudar Mangualde a ter um futuro mais risonho e garanto desde já que o mesmo ou mais esforço será empregue.
Não sou político profissional, nem frequentei a escola dos que o são. Quem alimenta o político profissional é o povo, leia-se todos nós, e é também aqui que se pode e deve marcar a diferença, optando pelo voto ponderado entre um político profissional e um político com praticidade e experiência profissional além dessa.
O povo não se dá conta, mas alimenta os que nada sabem da Vida. Os que tiveram almofadas, favores e e privilégios desde sempre. São apenas bem falantes e sedentos de poder, que muitas vezes tomaram e tomam decisões imorais em prejuízo do bem comum, porque nunca tiveram de aprender com a necessidade, a mesma de quem sabe o que custa a vida.
Diziam os meus pais, que só com trabalho se vence na vida. É assim que eu sou, embora muitos não possam ou não queiram entender.

Abraço amigo,

EDITORIAL Nº 708 – 15/5/2017

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Caro leitor,
França foi a votos e, com a eleição de Macron, disse sim à União Europeia. Foi uma lufada de ar fresco que se sentiu pelo mundo inteiro. Na realidade, um suspiro de alívio que ecoou além fronteiras.
Trouxe esperança e contrariou a corrente extremista e populista que tem vindo a ganhar adeptos na política europeia e também na política internacional. Falta agora, como sempre faltou, dar direção futura ao projecto europeu e cimentar as políticas que o definem. É esta a altura de trazer um plano claro e orientado à discussão do futuro europeu. Um plano que dê resposta às preocupações de ontem e de amanhã, hoje. Nomeadamente, que redefinam as políticas de acolhimento de refugiados, envelhecimento da população, declínio da economia europeia face a outras potências emergentes, orientações procedimentais para casos de saída da União Europeia, como o Reino Unido, discussão da Europa Federal e da União Financeira, etc. A Europa envelheceu e com ela envelheceu também a mentalidade Europeia. Terão de se modernizar as políticas para fazerem face às preocupações que o tempo trouxe.
É urgente garantir a consistência na atitude europeia, ainda que não sejamos 27 países iguais, dada a especificidade da história de cada um, da cultura e desenvolvimento económico e social. Mas é possível haver entendimento e futuro para a Europa, pois mesmo em Portugal sabemos tirar proveito de cada região, ainda que tenham diferentes tradições, saberes e contextos.
Já o disse e repito, não sou político de carreira, nem da escola deles, mas como todos nós, dou conta que muitas vezes faltam grandes líderes, ou seja, líderes decididos, visionários, que assumam a responsabilidade colectiva e se comprometam com uma direcção comum. Neste prisma, os partidos políticos são culpabilizados, pois servem os políticos e não os povos. Naturalmente, esta complacência resulta em taxas de abstenção elevadas, e crescentes, e no insucesso do sistema partidário como o conhecemos. Os políticos de carreira e o compadrio são os buracos negros da democracia, que alimentam a corrupção e o interesse próprio.
Já um político em tempos, no nosso país, defendeu a eleição de cadeiras vazias na Assembleia da República, como uma expressão da abstenção existente. Penso que seria uma ideia a adotar, tratando-se de uma ideia justa. Um grande senhor da política nacional disse um dia: “a má moeda expulsa a boa moeda” e falava de políticos profissionais.
António Guterres chegou a Secretário Geral da ONU, mas no seu país não pôde ser santo. Já assim aconteceu há 2000 mil anos atrás em que Jesus não foi ouvido na sua terra. Durão Barroso idem, isto porque os bons não aturam gravatas, vaidosos ou pseudo-doutores. Uma casa governa-se com trabalho, seja ela o concelho, o país ou o mundo.
Esperemos que a casta política se oriente e traga a lume decisões que verdadeiramente produzam resultados, para o concelho, país e para a União Europeia.

Um abraço amigo,