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EDITORIAL Nº 729 – 15/4/2018

serafim tavares
Caro leitor,
A 12 de maio de 1982 ingressei no curso da Guarda Fiscal, depois de ter sido selecionado nas provas previamente feitas.
Da minha terra Natal, fui o único a prestar serviço nesta conceituada Guarda Fiscal com o nosso RDM, que rege todas as forças militarizadas.
À conta desta corporação conheci um pouco do nosso País. Lisboa, Algarve, Peniche, Coimbra, Porto, Valença, Vilar-Formoso e por fim Mangualde, o posto por mim escolhido desde o meu ingresso.
Vou aqui contar um episódio que se passou em Vilar-Formoso. Um dia, o comandante do Posto escalou-nos para a raia com a denúncia que iam passar pessoas com contrabando, sendo que cada Guarda ficou a guardar mais ou menos 500 metros antes da passagem para Espanha.
Entramos ao serviço à meia noite. Pelas 2H30 vejo um vulto ao longe, e apercebendo-me por onde ia passar, rastejei pelos arbustos até ao carreiro da sua passagem. Assim que chegou ao pé de mim, levantei-me e a senhora derreteu-se em choros. Pediu por tudo que a deixasse ir, até pela alma da minha mãe, que à data ainda era viva. Ficou muito embaraçada e retorquiu por quem mais gostava. Vi tanto choro e contou tanta miséria que me comoveu e mandei-a embora. Pedi-lhe que nada dissesse. Já ia longe e lembrei-me: – olha nem lhe perguntei quem era. Mas o vulto e a sua altura ficaram-me sempre na memória. Quando cheguei ao posto, os meus colegas tinham apreendido dois sacos iguais que continham 400 cassetes. Por isso soube o que a senhora carregava. Isto passou-se.
Venho para o posto de Mangualde em 1987 e, em 1992, dedico-me à transformação de rochas ornamentais, ou seja, no meu início os chamados mármores, e hoje mais granito.
Um dia chamaram-me para ir a Moimenta do Dão medir uma escada em mármore, e quando estava a fazer as contas, diz a senhora: “Ai senhor faça um bom preço. Olhe que a minha vida foi muito difícil. Carreguei muito contrabando para Vilar Formoso e de lá carreguei também muitas bananas para cá”. Olhei para a sua altura e digo-lhe: “Olhe, a senhora recorda-se um dia que ia carregada com 400 cassetes e o Guarda Fiscal a deixou ir embora?”. Ela levou a mãos à cabeça e diz: “Ai senhor, como sabe? Eu nunca contei nada a ninguém”.
“-Olhe minha senhora, sabe porque sei? Porque o Guarda Fiscal era eu”.
Moral da história: quem faz bem, mesmo sem saber a quem, recebe o bem e vive tranquilo.

Abraço amigo,

EDITORIAL Nº 728 – 1/4/2018

serafim tavares
Caro leitor,
Desejo que tenham tido uma Boa e Feliz Páscoa, na companhia dos vossos, com boa comida e alegria. São estes os dias que mais prezamos, pois permitem-nos descansar e passar tempo com o que é demais importante: a nossa família.
Sabemos bem que a família é o que mais estimamos nesta vida, mas infelizmente a vida é feita de outras coisas, que nem sempre nos deixam tempo para estes momentos, no nosso mundinho familiar em que só há sinceridade e alegria.
Temos responsabilidades, que facilmente se tornam obrigações, e que sem querermos ou darmos conta, nos limitam no que mais gostamos: passar tempo com quem mais queremos. Com as pessoas que estão sempre lá para nós, que fazem e sempre farão parte da nossa vida. Pessoas que nos fazem parte, que celebram as nossas conquistas e sofrem com as nossas derrotas. Pessoas que são raras, e são nossas. Pessoas que partilham parte de quem somos, por sangue e por sentimento.
É o tempo de abandonar tudo o resto e focarmo-nos no que é importante. É tempo de paz. É tempo de nos aproximar-mos mais uma vez à religião que nos guia.
Há anos atrás, esta tarefa feliz era bem mais fácil, estava na agenda. Agora, também o é, na medida em que a família se reune. Mas é mais díficil medir responsabilidades profissionais, distâncias e prioridades que se impoêm. Até os telefones nos distanciam, quando de tudo fazemos para estar próximos.
Ainda assim, subsistimos, e é sempre das alturas mais alegres do ano, de reunião e valorização de quem temos.
Que haja sempre uma próxima.

Um abraço pascal,

EDITORIAL Nº 727 – 15/3/2018

serafim tavares
Caro leitor,
O tempo de casamentos é o ano inteiro, mas é claramente na primavera e no verão que as pessoas se dispõem mais a casar.
À saída da igreja, choveram rosas e arroz e os noivos passaram a correr. Felizes, abraçados e cheios de alegria contagiante. Tal e qual como nos filmes, assim é na vida real.
A menina vestida de branco, com um laço comprido, flores na cabeça e ar solene, segurava a cauda do vestido. Como no meu tempo.
Uns passos mais à frente, a menina largou o vestido, esquecida dessa tarefa, e correu a dar a mão à noiva. A menina esticou os pés e sem dobrar os sapatinhos novos, puxou pelo braço da noiva e pediu um beijo. Preferia o colo, mas a noiva não pôde pegar-lhe. A noiva distribuiu beijos, recebia abraços e retribuía sorrisos. Uma das mãos compunha distraidamente o vestido enquanto a outra permanecia agarrada à mão da menina, que a acompanhava aos saltos antes do altar.
Os sinos da igreja tocaram e tudo naquela cena ficou ainda mais nostálgico e comovente. O véu flutuava no ar, trespassado pela luz do sol. O vestido, esse, arrastava-se naquele som delicado e inconfundível. Era tudo risos e festa.
O noivo abraçava os rapazes solteiros e deixava-se abraçar por todos como uma criança feliz e orgulhosa. Ria e chorava. Ao seu lado, um rapaz com os mesmos olhos, o mesmo sorriso e o mesmo feitio, passava pela multidão com igual orgulho, escoltava o pai e estava feliz como ele, por ele.
Composto e elegante com o seu casaco e gravata, o rapaz movia-se com um propósito – serem felizes.
Abraço amigo,

EDITORIAL Nº 726 – 1/3/2018

serafim tavares
Caro leitor,
Partilho uma história, que revela uma realidade entre os chamados conhecidos ou amigos de vista.
Esticando a mão, ele disse: “Olá. Como está?”
Satisfeito por ver uma cara conhecida, cumprimentei-o, apertei-lhe a mão e perguntei: “Como estão a sua mulher e as crianças?”
“- Bem”, respondeu-me acrescentando: “e as suas?”
Então, de repente, comecei a ter dúvidas. “Certamente conheço este homem, mas quem será ele?”, pensei.
Enquanto amaldiçoava a minha memória, decidi arriscar:
– Desculpe, mas não consigo lembrar-me do seu nome.
– Engraçado, disse ele. Também não me lembro do seu.
Concordamos em sentar-nos num café para resolver o mistério. Foram os empregados de balcão que esclareceram a questão.
Frequentemente, tínhamo-nos encontrado em negócios, durante bastante tempo. Alguns anos antes, tínhamos até estado juntos em frente um do outro num restaurante, sem trocarmos uma palavra. Às vezes estávamos ali sentados sozinhos, inclusive. Conhecíamo-nos, mas sem realmente nos conhecermos.
Esta experiência afetou-me consideravelmente. É sinal de como podemos ser subconscientemente indiferentes aos outros, e no entanto, as pessoas com quem lidamos todos os dias são parte da nossa vida. Se as ignorarmos isolamo-nos do mundo, e podemos até julgar que estamos a proteger-nos do mundo, quando na realidade nos tornamos mais suscetíveis.
Desde então, vejo o mundo de outra forma e acho mais fácil retribuir simpatia com um sorriso ou apertar a mão de alguém, mesmo que não o conheça, para que não volte a acontecer que nos conheçamos sem nos conhecermos. Todos os cruzamentos com pessoas trazem valor à nossa vida.

Abraço amigo,

EDITORIAL Nº 725 – 15/2/2018

serafim tavares
Caro leitor
Já diziam meus pais, que a pressa nunca foi boa conselheira. É inimiga da perfeição.
Enquanto estamos vivos não somos perfeitos. Estamos a percorrer um caminho e vamos atropelando uns outros e somos também atropelados. Construímos a nossa própria casa e deixamos cair uns tijolos, umas telhas e um pouco de tinta, mas é importante ter a humildade de pedir desculpa.
Quanto mais pressa temos de fazer o caminho mais provável é falharmos e errar mais. Não adianta por isso ter pressa desmesurada. Não é por correr com pressa que chegamos ao estado de perfeição que desejamos, a não ser que, a pressa acabe por nos atropelar adiantando o nosso fim. Não deseje vencer e conquistar os seus propósitos sem tempo. Eles serão alcançados no seu devido tempo se não os tornar irrealizáveis com o seu desespero. Evidentemente, devemos ser dinâmicos e eficientes, procurando desenvolver as nossas potencialidades com coração e energia, mas vamos com calma. O mundo também não foi feito num só dia. Até Deus, que tudo pode, foi com calma.
O pior castigo do desmesurado é que nem sequer tem tempo para apreciar as suas tão apressadas vitórias.
Vamos dar valor à vida, vivê-la sem rodeios e fronteiras, no fundo ser feliz que é o desejo de cada um.

Abraço amigo,

EDITORIAL Nº 724 – 1/2/2018

serafim tavares

Caro leitor
Por norma não sou arrumado, mas sou organizado pessoalmente. Não fomento a desordem e não me procurem no caos. Lá não é o meu lugar.
O meu caminho firme é a harmonia. A beleza das coisas, a ordem e o cuidado por todos os seres, assim eu possa. Existem pessoas desordeiras por natureza e até lhes dá algum gozo. Comigo não mexem e não me trazem desordem. Não sou contra tais pessoas, mas também não servem de exemplo para ninguém. Os desordeiros acredito, nunca serão felizes. Ideal mesmo é a ordem, nas relações com as pessoas, no trabalho, em casa, no campo, no trânsito, etc.
Uma pessoa desprendida é por norma desorganizada e tem um comportamento generoso do qual dispõe de tudo em favor do próximo. Uma pessoa desprendida é sempre admirada e assim deve ser seja pelo seu desapego, seja pela sua generosidade. De nada vale pena, agarrar-se a coisas transitórias, nem ser avarento, querendo tudo para si.
Nada se leva para o outro mundo, a não ser o primor espiritual e o bem que se praticou na terra.
Evite atribuir por isso, aos bens materiais um valor que não existe. São importantes, sem dúvida. Sem eles também não se vive, mas não são definitivos. Acumule sim, um tesouro para a eternidade.
A ganância prejudica-o sempre, deixa de viver a sua vida para viver a vida dos outros. Não deixe que isso aconteça.
O nosso destino repousa nas mãos de Deus e está sempre nas nossas mãos. Podemos sem dúvida dizer que somos tudo para o bem ou para o mal do nosso destino. Por outro lado temos que reconhecer que ele não nos pertence já que somos senhores da vida e da morte.
Vamos então decidir o que fazer com a graça de ter um nome e com o milagre de viver.
Fica a derradeira pergunta:
O que fazer com este milagre da vida? Vivê-la medrosamente alienando-se da responsabilidade de florescer? Ou abraça-la apaixonadamente para a glória de Deus e o bem dos outros.
Diante dos infortúnios, há quem diga: é o destino!
Deus e a vida no entanto dizem: luta, engrandece o destino que tens. Por isso, eu já disse aqui muita vez, que cada vez que a sorte me bate à porta, encontra-me a trabalhar.
Abraço amigo,

EDITORIAL Nº 723 – 15/1/2018

serafim tavares
Caro leitor

Diziam meus pais: ”Luz que vai à frente, alumia duas vezes.”
O centro do mundo da pedra (rocha ornamental), durante muitos anos foi Itália, mais propriamente em Carrara. Só no ano de 2002, os exploradores de mármore de Carrara, conseguiram chegar ao cume dessa montanha, aqui foi a maior referência do setor. Em Portugal a referência do mármore sempre foi em Estremoz, e este, muitas vezes é vendido no mundo por mármore de Carrara.
Este setor incutiu modas, lançou tecnologias e equipamentos, mas acima de tudo, ditou no mercado, o uso da rocha ornamental independentemente da origem da mesma.
Se Itália foi a pioneira no desenvolvimento desta área, também em Portugal, um país granítico, os portugueses não deixaram a sabedoria por mãos alheias. Demos as mãos e criamos sinergias estabelecendo pontes entre os principais intervenientes deste produto que tanto deu, e dá, à humanidade, uma vez que, a sua importância económica, social e cultural, vai muito para além da importância política.
As empresas metalo-mecânicas puxaram dos galões e fizeram, também, grandes máquinas para esta área. Desde engenhos para serrar o mármore a maquinaria para a sua exploração. Para o granito, surgiram máquinas para exploração e, de corte. Por último máquinas CNC.
A empresa Granitos Pimentel e Tavares, em Mangualde, conseguiu seguir esta linha de atualização na sua área de transformação de rochas ornamentais e é neste espírito de atualização na área, que tem uma tecnologia que muito dá ao setor. Como prova disso, para além de outras, apresenta o Boca de Sapo DS, todo construído em pedra. Uma obra única a nível mundial mas construída aqui em Mangualde, graças a um alto quadro técnico que a empresa dispõe.
Abraço amigo

EDITORIAL Nº 722 – 1/1/2018

serafim tavares
Caro leitor
Ao longo destes anos você foi um leitor assíduo e amigo do Jornal Renascimento. Acreditou e acredita no nosso trabalho. Obrigado por essa confiança. Trabalhamos também e sempre para esse fim: confiança, verdade e honestidade.
Chega mais um Ano Novo – 2018. Vamos renovar todos os propósitos de o bem servir sempre com o intuito de informar com rigor o desenvolvimento de Mangualde e esperamos, também, que os nossos governantes assim procedam. O jornal Renascimento sempre foi e continua a ser a História de Mangualde; o Jornal não está à mercê de um “delete” ou de um volta atrás. É um arquivo oficial. Presentes e vindouros quando quiserem a História vêm ao arquivo do Renascimento ou à Torre do Tombo em Lisboa e está lá o Renascimento com o que foi possível explanar sobre a nossa terra.
Uma grande parte do desenvolvimento de Mangualde deve-se a este jornal quase centenário.
Ao longo de 91 anos de história, muitas subidas e descidas atravessou. Alguns governantes deste nosso concelho assim como ainda hoje, o quiseram linchar. A Rádio Voz de Mangualde acabou e este Jornal, não fosse o meu sacrifício e de todos que o ajudam, já tinha sido extinto, pois este executivo à semelhança de outros tudo faz com esse fim – aniquilá-lo. Não é forma de governar querer acabar com a História de Mangualde e seus Mangualdenses. Não vai conseguir. Isto não é a Rádio Voz de Mangualde.
Caro leitor, embalei-me na verdade, vamos esquecer o passado, colocar o pensamento no presente rumo ao futuro. Ano Novo é oportunidade de renovação, aprender, trabalhar e servir.
Vamos sorrir para aqueles que nos magoaram, procurar a harmonia com aqueles que não nos entenderam até agora, lembrar que há mais ignorância que maledicência em volta de seu destino. Não condene ou maldiga, se bem que, o órgão mais difícil de controlar no corpo é a língua. Tem tanto de bom como de mau, é importante saber utilizá-la.
Vamos acender uma luz para que esteja a teu lado na insegurança da escuridão.
Desanimar nunca, nem te descontroles para não sofreres desconsolo.
Vamos cultivar o bom ânimo com os que nos rodeiam desconsolados com este Mundo. Mundo da indiferença da injustiça.
Temos um caminho para a transição do ano. Não seja só uma data, mas um momento para pensarmos tudo o que fizemos e que desejamos, sonhos e desejos podem tornar-se realidade se fizermos jus e acreditarmos neles.
Votos de Feliz Ano Novo com muita paz e luz para este ano que está a começar e do qual queremos fazer parte e estar presentes, sempre que assim o entender.
Caro leitor, colaborador, assinante e cliente amigo,
Um Feliz 2018.
Abraço amigo,

EDITORIAL Nº 721 – 15/12/2017

serafim tavares
Caro leitor

Na minha aldeia, num belo dia de sol, com céu azul, surgia uma conversa entre duas pessoas que se conheciam e que pelas circunstâncias ainda não se tinham cumprimentado, até que uma para dar início à conversa disse:
– Que rico dia de sol maravilhoso!
E a outra, mal humorada, com irritação na voz disse:
– E o que é que você fez para merecer um dia assim?
Este é um exemplo da negatividade que certas pessoas conseguem difundir. Mau humor todos nós temos, um dia por outro, mas há pessoas que abusam e fazem do mau humor um estado de espírito, tanto para os seus colegas como para a entidade patronal. Estão sempre de mau humor. Olham para o céu azul e perguntam se não vai chover. O mal humorado anda sempre a contrariar os sentimentos alheios. Quando toda a gente está bem disposta, ele encontra razões para estar triste. Quando toda a gente ajuda, ele encontra uma desculpa para fazer outra coisa. Como é possível? Ser radical pode ser uma boa qualidade, quando se vai à raiz das questões e se tem a profunda convicção da importância de determinados valores e posturas. Outra coisa é alimentar o mau humor, estrito e doentio, distanciado da realidade e disfarçado dos próprios medos. Devemos ser firmes na nossa fé e retos nos comportamentos, sem sermos teimosos ou retrógrados. As pessoas nunca devem estar umas contra as outras, mesmo que outras ajam de maneira diferente da nossa.
O homem nunca sabe tudo, ou seja, o ser humano vive numa constante aprendizagem. A entidade patronal, se respeita, deve ser respeitada, pois para pagar o salário ao fim do mês passa muitas noites sem dormir. Nem tudo são rosas.
D. Dinis procurou à Rainha Santa Isabel (Rainha dos Pobres):
– Que levas aí no regaço?
– São rosas, Senhor, são rosas.
E passaram a ser!
Mas no trabalho e nas empresas, nem tudo são rosas

Abraço amigo,

EDITORIAL Nº 720 – 1/12/2017

serafim tavares
Caro leitor,
Em qualquer circunstância da vida, e independentemente da gravidade dos factos, o desespero é sempre a pior solução. Em certos momentos, os problemas acumulam-se de tal forma que o peso da responsabilidade pode parecer insuportável. Se um dia isto lhe acontecer é importante parar e afastar-se mentalmente do que o incomoda e mergulhar para fora de si, em Deus ou numa pessoa amiga, que no seu conselho terá sempre palavras amigas para evitar o pior. O desespero obscurece a razão e acelera irremediavelmente a tragédia, sem solucionar o que o incomoda. O desespero, por isso, em qualquer circunstância é sempre um erro fácil, que fecha a porta à reconsideração. Não desespere. Não desespere em circunstância alguma.
Como digo em epígrafe, em desespero a primeira coisa é parar, respirar fundo, desviando a atenção do foco da aflição e concentrando-se simplesmente na ação de respirar e procurar um ombro amigo. Depois olhe em seu redor e comungue da placidez das coisas que o rodeiam. Poderá também fechar os olhos procurando escutar o pulso da vida em si, ou derramar, como diz a Bíblia, o coração no regaço de Deus. O importante é não dar corda à aflição perdendo o controlo dos acontecimentos. Nestes momentos precisamos aplicar toda a capacidade de ação e reação. Deve manter-se calmo e seguro, tendo fé em si e nos outros e ter paciência, sabendo esperar com naturalidade que as coisas se resolvam com a nossa ajuda e não se compliquem com a nossa aflição.
Já aconteceu alguém quer fazer-lhe guerra? Dê-lhe desprezo e procure a paz.

Abraço amigo,