Arquivo mensal: Abril 2015

EDITORIAL Nº 660 – 15/04/2015

SR

Caro leitor,
Quando alguém de renome morre, já ouvimos vezes por demais a mesma reacção por parte das figuras nacionais de destaque político: “o país ficou agora mais pobre”. Ouvimo-lo ainda recentemente aquando da morte de Manoel de Oliveira.
Fosse eu o falecido, creio que o encararia até como uma ofensa, ainda que este não seja decerto o próposito de quem o diz. Trabalhamos todos, a maioria do nosso tempo de vida, para que o mundo e a sociedade funcionem como esperado, para que todos possamos sobreviver e viver dentro das nossas possibilidades e com as nossas vontades. Damos, com isto, bocadinhos de nós a outros, à sociedade e ao que produzimos. Acabamos por contribuir para que as coisas sejam melhores do que seriam se a nossa ausência delas tratasse. Desgastamo-nos no processo e poucos são os momentos de apreciação do nosso valor acrescentado. Não o fazemos por isso, mas pelo valor em si. Não será, portanto, justo quando finalmente desaparecermos que alguém diga que “o país ficou mais pobre”. Diria eu que infelizmente teve de partir, felizmente não tão cedo, e que o país ficou mais rico com o seu trabalho, o seu legado, o seu valor acrescentado. Ficamos também mais ricos todos nós. O seu trabalho, conhecimentos, ensinamentos e know-how perdurará, pois este permanece connosco e irá para sempre continuar a enriquecer o país e as pessoas.
Poderemos dizer que alguns dos vivos deixarão o país mais pobre do que os falecidos. Com ou sem poder decisório, há quem se arraste na sociedade, pouco ou nada contribuindo para a vida dos outros como esses outros contribuem para a sua. Muitos que o fazem continuarão a fazê-lo, pois será para eles um crime sem cádaveres ou vítimas aparentes. Trabalhamos também para eles, pelo que nem tudo contribui para a riqueza da sociedade, pois contribui por vezes para a sustentação da sua ineficiência. Infelizmente, há quem tenha esta como a sua profissão, sendo que de plena saúde pedem apenas emprego e não trabalho.
Ainda me lembro do primeiro desafio que me colocaram, tinha eu cerca de 16 anos, e o José sugeriu apostarmos para ver quem cavava a leira mais rápido. Eu era dois anos mais novo e era também mais rápido do que ele, mas ele tinha mais experiência do que eu e depressa se voltou a terra. Aos 19 anos tive outra aposta. Desta volta com um ex-patrão, Sr. Fausto, em Serrazela. Tinhamos de assentar 10m2 em tijolo de sete, que seria a caixa de ar de uma sala, e em apenas 30 minutos ganhei-lhe uma fiada. Em Vila Cova, abri sozinho um espaço de 30m3 e ainda assentei duas fiadas de blocos em sete horas. Estas e outras similares eram as apostas da minha mocidade. As pessoas que falo, graças a Deus são ainda vivas. Isto para dizer que hoje já não se aposta com trabalho e quando esta juventude faz apostas será provavelmente para entertenimento alheio.
Outros que deixam o país mais pobre serão aqueles que se formam cá dentro e, ao fim de formados, por vontade ou obrigação, emigram e vão enriquecer outros países. O país que temos, com a riqueza do sol, do mar e da cultura fica sempre aquém do seu potencial. Os governantes que vamos tendo nunca souberam jogar muito bem com as nossas potencialidades. Alguns, ao invés de verem casos similares e bem sucedidos noutros países, só olham para a Suiça e as suas contas.
É sempre preciso dar a cana e ensinar a pescar. Fui ensinado que um homem faz outro e com muitos me atrevi a pensar que tinha conseguido a proeza mas, ao primeiro embate, até os letrados me saíram pequenos. Querem o mundo a seus pés. Ora com tantas pessoas destas, não teremos outra opção que não a de ser sempre os mais pequenos da Europa, com grandes olhos, bem falantes e uma cegueira tamanha.

Abraço amigo,

CONSULTÓRIO

dr. raul

CHEGOU A PRIMAVERA – CHEGARAM AS ALERGIAS!
Embora timidamente a Primavera já se instalou! O calor do sol desperta os pólenes que, levados pelos insectos e pelos ventos, começam a andar pelo ar fazendo com que os olhos dos que sofrem de alergias fiquem vermelhos e a picar, o nariz a espirrar, a escorrer e a ficar entupido, a pele a encher-se de vermelhidões e de comichões e os brônquios a expressarem-se por tosse e pieira e a causarem falta de ar!
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