Arquivo diário: 17 de Maio de 2016

MANGUALDE DÁ O TIRO DE PARTIDA PARA A 2ª EDIÇÃO DO GRANDE PRÉMIO DO DÃO

2ª EDIÇÃO DO GRANDE PRÉMIO DO DÃO
EDIL MANGUALDENSE ACREDITA QUE ESTE TIPO DE
EVENTOS SÃO FUNDAMENTAIS PARA ATRAIR GENTE E TURISMO

No próximo dia 28 de maio, às 12h30, Mangualde acolhe a partida da segunda edição do Grande Prémio do Dão que contará com a participação de todas as formações profissionais e todas as equipas de clube portuguesas. A corrida foi apresentada ontem, 16 de maio, no Solar do Vinho do Dão, em Viseu e contou com a presença do Presidente da Câmara Municipal de Mangualde, João Azevedo.

Na sua intervenção, o edil mangualdense salientou “acreditar que este tipo de eventos são fundamentais para atrair gente e turismo. Em 2016 espera-se uma prova mais rica em termos de nomes presentes, o que acresce à presença do Sporting e do FC Porto no pelotão, pelo que vamos atrair ainda mais público”. Acrescentando que estamos perante ‘uma prova grandiosa que projeta toda a região’ e que ‘as expetativas
são elevadas e a ansiedade em torno da prova já se sente na região. Esta prova grandiosa tem como principais objetivos a projeção e promoção da Região Vitivinícola do Dão, incentivando simultaneamente a
prática desportiva. É uma oportunidade única de unir a competição às paisagens e às tradições do Dão. Porque através do ciclismo conseguimos promover e unir territórios, divulgando a região e as suas singularidades’.

DIVULGAR A REGIÃO E AS SUAS RIQUEZAS PAISAGÍSTICAS, VINÍCOLAS E GASTRONÓMICAS É O PRINCIPAL OBJETIVO
Os melhores ciclistas do pelotão português vão percorrer os concelhos de Mangualde, Penalva do Castelo, Nelas e Viseu, entre os dias 28 e 29 de maio. A prova terá três etapas e um total de 239,4 Km. Assim, no dia 28, os corredores vão pedalar ao longo de 163,3 Km, entre Mangualde e Penalva do Castelo, um percurso que conta com duas metas volantes e três prémios de montanha. No dia 29 realiza-se uma jornada dupla de ciclismo. Da parte da manhã, Nelas acolhe a partida e a chegada da segunda etapa, que terá 66 Km e contará com uma meta volante e dois prémios de montanha. A prova encerra em Viseu, com um contrarrelógio individual de 10,1 Km. O Grande Prémio do Dão pretende contribuir para divulgar a região e as suas riquezas paisagísticas, vinícolas e gastronómicas.

EDIFÍCIOS MUNICIPAIS: AUTARQUIA DE MANGUALDE VAI REDUZIR 25 MIL EUROS DE CONSUMO ENERGÉTICO ANUAL

SE ENERGIA 1

SE ENERGIA 2

SE ENERGIA 4
Plano de Redução Energética no Município

O SECRETÁRIO DE ESTADO DA ENERGIA FELICITOU ‘O PRESIDENTE DA CÂMARA PELA ADESÃO
AO PLANO NACIONAL DE EFICIÊNCIA ENERGÉTICA E PELA CANDIDATURA QUE APRESENTOU,
DIZENDO-LHE QUE ESTE É, NO SETOR DA ENERGIA, O GRANDE DESÍGNIO NACIONAL’

O Presidente da Câmara Municipal de Mangualde, João Azevedo, assinou, na passada sexta-feira, com o Governo, um Plano de Redução Energética no Município que vai permitir uma poupança na ordem dos 25 mil euros/anuais, nos edifícios municipais. O secretário de Estado da Energia, Jorge Seguro Sanches, esteve no concelho para assinar este contrato de financiamento que permitirá uma reformulação das instalações elétricas de cinco pontos de consumo (Estação de Tratamento de Água de Canedo do Chão, Estação de Tratamento de Água de Fagilde, Piscinas Municipais, Estação de Tratamento de Água de Mangualde e Paços do Concelho), reduzindo assim a energia reativa nestes edifícios do município. A cerimónia realizou-se no Salão Nobre da Autarquia e contou com a presença de ilustres mangualdenses e empresários da região.

João Azevedo vê este ‘Plano de Redução Energética no município de forma séria e justa para o concelho’, acrescentado que ‘Mangualde é um território importante no desenvolvimento de novos projetos na área do carro elétrico, nomeadamente com o investimento da PSA para um novo modelo que vai começar a ser preparado no início de 2018’. O edil mangualdense reforçou ainda que ‘gostava muito que Mangualde se continuasse a afirmar como cluster automóvel’ e que ‘desse este salto qualitativo – ambiental e de qualidade de vida’. Na sessão, o secretário de Estado da Energia aproveitou a oportunidade para ‘felicitar o Presidente da Câmara pela adesão ao Plano Nacional de Eficiência Energética e pela candidatura que apresentou, dizendo-lhe que este é, no setor da energia, o grande desígnio nacional’. Salientou ainda que o objetivo é ‘termos consumos muito mais eficientes, quer ao nível do consumo elétrico quer ao nível dos transportes’.

Jorge Seguro Sanches anunciou, em primeira mão, que Portugal terá, até ao final da legislatura, uma carta que identificará os recursos geológicos, com vista à sua exploração: ‘Dei ontem (quinta-feira) orientações ao LNEC (Laboratório Nacional de Engenharia Civil) no sentido da aceleração de um programa nacional dos recursos geológicos’. Acrescentando, ‘é inaceitável que um país como o nosso, que tem recursos geológicos muito importantes, não os conheça’. João Azevedo congratulou-se com a novidade por, a curto/médio prazo, ser feito ‘um mapeamento na área da indústria do minério de forma a arranjar alternativas em vários setores da indústria, nomeadamente no setor automóvel’, que é muito importante no concelho.

A visita do Secretário de Estado inclui ainda uma passagem pela Felmica, uma empresa sénior na extração e transformação de matérias-primas para a indústria cerâmica. Sedeada em Mangualde, é uma empresa fortemente vocacionada para a atividade extrativa, detendo atualmente direitos de exploração sobre mais de 25 concessões mineiras de quartzo e feldspato. A comitiva visitou ainda as antigas minas da Cunha Baixa e Espinho.

EDITORIAL Nº 685 – 15/05/2016

SR
Caro leitor,
Porque nem só de pão vive o homem, embarquei pela primeira vez num passeio de excursão organizado por um padre, neste caso o conhecido padre João Zuzarte.
Posso aqui afirmar que é para repetir. Foram uns dias maravilhosos, repletos de momentos a relembrar, em muito devidos à boa disposição e acolhimento de todos os participantes.
Saímos de Mangualde pela madrugada e depois de algumas paragens de rotina chegamos ao Santuário de Covadonga. Trata-se de um Santuário lindíssimo, sito no meio de duas grandes colinas. Recomenda-se.
À frente da Nossa Senhora de Covadonga, e sendo o mês dedicado a Maria, o Padre João brindou-nos com a recitação do terço. Feitas as meritórias orações, dali partimos para o topo da serra Os Picos da Europa a 1150 metros de altitude, onde uma bela paisagem nos aguardava.
O Parque Nacional dos Picos da Europa é o mais antigo de Espanha e trata-se do segundo de maior tamanho com 68.000km2. Daqui pudemos ainda avistar o Mar Cantábrico, uma vez que o tempo o permitiu, encontrando-se a 18 quilómetros em linha reta.
De seguida, rumamos a Santander com paragem nalgumas catedrais e visitamos também parte da praia do Mar Cantábrico onde se avistavam focas e golfinhos marinhos mantidos em cativeiro. Encontra-se ainda disponível um comboio turístico que nos permitiu conhecer melhor a zona. Um ponto de interesse é a parte de maior altitude da encosta, onde em tempos remotos os presos eram lançados para o mar. Neste fim, podemos compará-lo em tudo ao forte de Peniche.
São novas experiências como esta que merecem ser exploradas e relembradas. É sempre construtivo sair do nosso espaço e dia-a-dia para conhecer outros diferentes.

Um abraço amigo,

Mais um passo !?

676
É com tristeza que mais uma vez falo dos emigrantes. Depois de trinta e tal anos como emigrante deveria falar deles com orgulho e alegria. No entanto, desde há cerca de dois anos que me refiro aos emigrantes enquanto lesados. Continuar a usar a palavra lesados é sinal que os emigrantes ainda não foram reembolsados daquilo que lhes literalmente foi roubado.
Mas é com uma força de esperança que continuo a informar-vos da luta que eles continuam a travar. Vários encontros foram realizados pela AMELP (Associação Movimento Emigrantes Lesados Portugueses) com a CMVM, Assembleia da república, Presidente da República, entre outros.
Como devem ter ouvido na imprensa falada o Governo nomeou o advogado Diogo Lacerda Machado para negociar uma solução com o Novo Banco para os emigrantes lesados pelo BES.
« Em seguimento da reunião do dia 18 de Abril em Paris com o Exmo. Sr. Primeiro-ministro António Costa, a AMELP – Associação Movimento Emigrantes Lesados Portugueses, representados pelo presidente da associação Luís Marques e pela vice-presidente Helena Batista, reuniram com o Dr. Diogo Lacerda Machado, representante nomeado pelo Governo Português para encetar negociações com as diversas entidades envolvidas no nosso caso, em Lisboa. Esta reunião serviu para tentar abrir caminhos para futuras soluções para os Emigrantes Lesados. Aguardamos novidades no decorrer das próximas reuniões já previstas. » – Explicou a AMELP.
As portas parecem querer abrir-se lentamente e a AMELP decidiu, por isso, tomar uma atitude de abertura às negociações informando : « A AMELP vem por este meio informar que a próxima manifestação do dia 14 de Maio não se irá realizar. A AMELP pretende com esta anulação saudar os avanços feitos pelos responsáveis políticos na resolução do nosso caso. Sendo assim, a próxima manifestação agendada será no fim-de-semana das celebrações do dia de Portugal, em Paris.»
Enquanto isso, o NB tenta, de maneira insistente, convencer os que não assinaram a proposta indigna de 2014 a assinar agora, um novo contrato para transformarem as desconhecidas e ditas ações em obrigações do NB. Como podem falar de ações a quem nunca subscreveu aquele tipo de produto? Fica o apelo de atenção aos residentes e não residentes para verificarem sempre, o tipo de produtos que subscrevem, hoje parece não haver depósitos a prazo. Também a confiança que outrora os funcionários dos bancos nos inspiravam, deixou de existir!
Uma grande maioria dos emigrantes recebeu uma carta pelo correio, um mail e vários telefonemas. A pressão continua mesmo sabendo que os emigrantes decidiram lutar até ao fim. Quando se ouve uma funcionária do NB, dizer que foram “relançados” para telefonar aos clientes , podemos pensar o que quisermos.
Como escreveu o advogado António Pereira de Almeida : « Alertam-se os titulares dessas acções preferenciais que não devem exercer a opção de conversão, a qual poderia pôr em causa o êxito dos processos judiciais, sem qualquer vantagem. Na verdade, aquelas obrigações sénior do Novo Banco só têm vencimento/maturidade em 2049 e 2051, não vencendo juros, pelo que não têm praticamente qualquer valor.”
Cerca de 500 funcionários do NB foram despedidos e outros se seguirão. Quem sabe, se não serão eles os próximos a manifestar-se!
Para terminar, deixo uma questão no ar : – Não se vive com o mal dos outros então, como podem os outros viver com o nosso ?

RECORDAÇÕES

janeiras
CANTO E CASTRO
1930-2005
Henrique Canto e Castro, nasceu em Lisboa no dia 24 de abril de 1930 e faleceu em Almada no dia 1 de Fevereiro de 2005. Durante os 60 anos de carreira fez radio, teatro, cinema, televisão e até dobragens, tendo tido um trabalho excepcional na peca de La Féria – A Rainha do Ferro Velho. Começou a trabalhar aos 12 anos em programas infantis na antiga Emissora Nacional. Aos 17 anos concluiu o curso de teatro no Conservatório Nacional com 18 valores, estreando-se de seguida na arte de talma ao lado dos comediantes de Lisboa na peca “A Lição do Tempo”, sob a direcção de Ribeirinho e desde então contracenou com António Silva, João Vilaret, Laura Alves, Eunice Muñoz, Carmen Dolores e outros, passando pelos palcos do Teatro D. Maria, Teatro Aberto e tantos outros.
No cinema participou nos filmes “Tráfico”, “5 Dias e 5 Noites”, “Longe da Vista”, “Manhã Submersa”, “O Último Mergulho” e “Capitães de Abril”, entre outros.
Apesar da sua grande paixão ser o teatro a verdade é que Canto e Castro teve sólida carreira na TV, além das dobragens de desenhos animados, como “Tico e Teco” e “Dartacão e os 3 Mosqueteiros”. Na década de 80 participou em várias séries: “Duarte e Cª (1980), “Crime na Pensão Estrelinha” (1990), “Os Policias” (1998), “Esquadra de Policia” (1999), “O Fura Vidas” (1999), “Residencial Tejo” (1999), “Rua dos Medos” (2000), “O Processo dos Távoras” (2001), “A Ferreirinha” (2004), “João Semana” (2005) e em novelas: “Desencontros” (1995), “Vidas de Sal” (1996), “Anjo Selvagem” (2001) e “Mistura Fina” (2004). Não se poderia considerar um actor de escola, mas marcado por factos específicos um actor que emprestava aos personagens sempre baseado na verdade e não no fingimento. A sua colega Alina Vaz que com ele contracenou na peca “Pobre Milionária”, dizia que foi dos melhores actores da sua geração muito exemplar mas nunca tendo sido reconhecido pelo público apesar de o ser entre os colegas. Canto e Castro foi um actor dos sete ofícios.

SANFONINAS

dr. jose
As horas longas do treino
Por sugestão de uma amiga, acedi, a 25 de Abril, p. p., ao endereço https://www.facebook.com/relaxKZ/?fref=photo, e tive, assim, ensejo de me deliciar com o «incrível» espectáculo de uma jovem, cujo nome não vem mencionado e que será, porventura, do Cazaquistão. Tinha, nesse momento, já mais de 4,4 milhões de visualizações!… Impressiona vivamente a facilidade com que todo aquele corpo, de enorme elegância, se contorcia nas posições mais inesperadas, qual boneca de plasticina, sempre de sorriso nos lábios, como se estivesse a fazer algo perfeitamente natural…
E dei comigo a pensar no treino intenso e continuado; no cuidado enorme com a alimentação; no extraordinariamente regrado do seu viver… Tudo para que nos parecesse, agora, extremamente simples, literalmente feito «com uma perna às costas». «Às costas» e em todo o lado, porque a versatilidade de movimentos se torna verdadeiramente inconcebível.
Maravilhamo-nos com a beleza e apercebemo-nos – mais uma vez! – de que não é assim tão fácil tornar as coisas simples!
Recordo que houve um tempo em que dificilmente se via um catedrático a falar na televisão ou a escrever singelo artigo num jornal. Metido na sua torre de marfim, cabeça plena de fórmulas e termos técnicos, o cientista era incapaz de verter em linguagem comum aquilo que estava a fazer. Hoje, felizmente, já não é tanto assim. Aliás, julgo não ser erro afirmar que o verdadeiro cientista é aquele que sabe transmitir em singeleza o que logrou investigar. Não falou Cristo em parábolas, retratos de cenas do dia-a-dia?
E não resisto a contar a história – que também me chegou há tempo – daquele psicólogo a quem pediram uma conferência sobre a crítica. Sala cheia. Sem palavras, pôs sobre a mesa uma toalha de seda, uma jarra de perfumadas flores, um punhado de pérolas e… um frasco com uma lagartixa dentro. Perguntou à assistência o que estava sobre a mesa. E a maioria das vozes: «Um bicho!», «Um lagarto horrível!», «Uma larva!», «Um pequeno monstro»! E o conferencista concluiu que nada mais tinha a dizer, uma vez que ninguém parecia ter aspirado o perfume das rosas, apreciado o bordado da toalha ou admirado o esplendor das pérolas…
Uma lição bem simples, não é verdade? O psicólogo estudara muito!

Metamorfoseando a Política

652
Farto de falsos profetas que vendem perdão ao quilo e salvação ao metro. Farto de ouvir dizer que corruptos são os políticos e governantes. Farto de falsas democracias e de justiças, injustiças. Farto de pseudointelectuais que não são mais do que bandos de castrados em armários gigantes de fora de prazo.
Vejo à minha volta a corrupção a fervilhar do meio do nada. Vivo numa sociedade de príncipes falhados e de reis falidos. O cheiro a podre massacra os passos de quem respira, ou tenta respirar, no meio desta lava de sangue.
Uns dizem que não existe censura, que já não se fazem presos políticos. Que somos livres.
A verdade é que vivemos num regime terrorista, de um massacre que tortura. Vive-se aterrorizado. Esmagado. Não se pode contrariar o regime absolutista, que curiosamente, ou não, salta de um socialismo que descende da indispensabilidade de demarcar totalitaristas comunistas e religiosos e reformar uma política social num caminho de solidariedade, fraternidade e companheirismo. Hoje um modelo completamente adulterado.
O governo está mal. Sim. Os políticos falham, sim. E o povo que se diz de bravura. Onde está ?
Até quando viveremos cercados de corruptos, onde o princípio é a inercia e o comércio de falsos valores. Velhos do restelo, capazes de atraiçoar e praguejar todos os que se levantam e vão.
Farto de deuses com pés de barro. Farto de ladrões de sonhos. E dos sonhos de ladrões …..
Talvez a liberdade, a justiça e a tolerância, sejam mesmo um Não-lugar e eu viva, numa sociedade quimérica, onde os bons são do regime e os maus da oposição. Onde apesar da tão suposta evolução dos tempos e das religiões, se continue a acreditar num deus castigador e castrador.
Onde a política seja uma metáfora desfocada e trôpega do seu precioso princípio. Quem sabe ………
Aproveito este meu artigo de opinião, para informar os leitores deste jornal, que têm acompanhado os meus artigos, para desde já lhes agradecer, aproveitando para informar que por motivos estritamente profissionais, deixarei de colaborar com o Jornal Renascimento, mas serei substituído pela vice-presidente da Concelhia do CDS-PP de Mangualde a Drª Fátima Tavares, com a certeza que irão poder apreciar artigos de opinião, ainda com maior qualidade.

Chega de Hipocrisia

frederico
“Façam como eu digo, não façam como eu faço”. Esta é mais uma daquelas expressões que, embora já tenha anos e anos de existência, não deixa de cair como uma luva em muitas das novas situações que a vida nos vai, de forma sistemática e continuada, presenteando.
É certo que podemos até encara-la como um ícone popular que sintetiza aquilo que de pior a humanidade nos transmite, uma espécie pouco refinada da hipocrisia latente que, cada vez mais, se vai entranhando no dia a dia das pessoas e que, coberta de uma moralidade oca e bacoca, nos vai brindando de uma forma na qual simplesmente não me revejo. Detesto a hipocrisia, seja ela pessoal, social, laboral, política e por aí em diante. Simplesmente não gosto e fico feliz por não gostar.
Tudo isto se pode refletir de forma incontestável, naquilo que têm sido as linhas de ação do nosso atual governo, bem como, da dos restantes partidos políticos que o sustentam. Aliás, basta um pouquinho de memória e outro tanto de pura e louvável racionalidade para, de forma bastante fácil, se conclua que estamos no meio de um dos maiores embustes da nossa história contemporânea.
Chamemos então para a linha da frente um pouco das nossas memórias mais recentes. Não é necessário “rebobinar” muito, basta olharmos para o que que se passou e o que foi dito e defendido na campanha eleitoral para as eleições legislativas do ano passado. É a entrada na primeira fase da célebre expressão com que iniciei este escrito: ”Façam como eu digo…”.
Berravam, gritavam e vociferavam contra as políticas de austeridade. Diziam que eram apenas uma simples opção ideológica do anterior governo e que o caminho podia e deveria ter sido outro. Apresentavam um número quase infinito de soluções mágicas para tudo o que era “maleita”. Era tudo tão fácil. Bastava fazer isto e aquilo e tudo seria uma espécie de paraíso na terra.
Depois das eleições que não ganharam (não me canso de o repetir por, para mim, não é apenas um pequeno pormenor), e com aquele conjunto de habilidades que todos nós conhecemos, lá conseguiram chegar ao poder. Nessa aluta, com a estabilidade parlamentar que sempre garantiram que teriam, nada seria mais óbvio e espectável que, grosso modo, as convicções que sempre afirmaram e vincaram no decorrer da campanha eleitoral, fossem o mote para toda a estratégia governativa. Mas, chegados à realidade, os 3 partidos do governo travestiram tudo o que disseram e com a maior desfaçatez esqueceram tudo o que disseram e que sempre defenderam. Será que afinal a austeridade não era uma “simples opção ideológica de cariz neo-liberal”? Talvez não… Aliás, a hipocrisia é tanta que chegámos ao ponto onde se critica publicamente o Plano de Estabilidade mas depois, na aluta das decisões, preferem não o apresentar a votos e não tomar as decisões que as suas vãs palavras sugeriam. É de novo a tal lógica do “façam o que eu digo, não façam como eu faço”.
E o recente ajuste do imposto especial sobre os combustíveis? Descer o imposto sobre combustíveis em 1 cêntimo por litro depois de no inicio do ano o terem subido 6 cêntimos é, no mínimo, rir à gargalhada na cara de todos nós.
E as tais soluções mágicas que apresentaram? Onde estão? Não era tudo tão simples e óbvio? É mau demais… é verdadeiramente muito mau.