Arquivo mensal: Maio 2019

EDITORIAL Nº 755 – 1/6/2019

patrao
Caro leitor,
Domingo, dia 26 de maio de 2019, Portugal foi a votos para eleger os 21 representantes para o Parlamento Europeu. Acontece porém que os Portugueses mostraram o seu descontentamento com esta eleição. Os intervenientes não estiveram à altura de elucidar os Portugueses daquilo que vão fazer e, mesmo os que lá estiveram e até voltam a estar, nada disseram do que têm feito. Foram mudos e vêm calados. Dedicaram-se exclusivamente a falar de Portugal, quando a eleição é europeia, devem sim representar Portugal no enquadramento coletivo Europeu, ou seja, defender os interesses de Portugal essencialmente nas políticas europeias das pescas, agricultura, mercado de trabalho, fundos estruturais, desenvolvimento económico e ambiente. 69,33% dos Portugueses disseram não acreditar nestes senhores. A verdade é que vão os mesmos 21 eurodeputados. Depois de todos estes dias já passados, se o caro leitor fizer uma retrospetiva da campanha e tentar lembrar-se do que foi apresentado aos Portugueses por qualquer um dos candidatos vê e dá-se conta que nada foi importante ou se mostrou decisivo, daí os 69.33% de abstenção.
A conclusão é que a grande força política que ganhou foi a abstenção. As pessoas decidiram não se sentar à mesa de discussão e cada vez mais têm por garantida a democracia que tanto nos custou a conquistar. Cresce a perceção de impotência e “são todos iguais”. Já chega. Tem de se repensar a maneira como se faz política e, principalmente, em maneiras que possam facilitar o voto. Vivemos num mundo cheio de informação e instrumentos que agilizam as nossas tomadas de decisão, isto tem de ser equacionado. É um nosso dever de cidadania que está em incumprimento. Não podemos permitir que assim continue.
Na página 7 deste seu Jornal são publicados os resultados do nosso Concelho, inclusive de alguns anos atrás para que possa comparar, e ver com os seus próprios olhos, a debandada de um partido…

Abraço amigo,

Viva a liberdade que tanto prezo.

A (necessidade da) preservação do património imaterial

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Tomando como referência fundamental o trabalho desenvolvido pela UNESCO em matéria de proteção do Património Cultural Imaterial (PCI), muito particularmente a Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial  (2003)1, considero oportuno reflectir sobre as implicações que este enfoque traz para esta associação. São indiscutíveis as repercussões que este instrumento pode trazer para o reconhecimento da importância das Cavalhadas de Teivas e, sobretudo, da Dança da Morgadinha, à escala nacional e internacional, motivando um crescendo de iniciativas em torno da sua salvaguarda.
São vários os agentes envolvidos na preservação deste património, no entanto o International Council of Museums reconhece um papel central aos museus nesta matéria, bem como às associações que tentam preservar certas tradições. Mas para responder a este repto, as entidades envolvidas terão que repensar as suas estratégias de forma a relacionarem-se mais e passar das palavras à ação. A participação, o consentimento e o envolvimento ativo das respetivas comunidades, grupos e indivíduos na Dança da Morgadinha, e a sua manutenção em tempo real e atual, é a mais-valia da sua salvaguarda.
Urge a necessidade de reflectir sobre as possibilidades de actuação de todas as entidades no sentido de dar resposta aos desafios da preservação do património imaterial, sendo certo que a partir das actividades dos museus é possível encontrar formas de estudar e de dar visibilidade a este património. Em função das especificidades de cada museu, podem ser encontradas estratégias de salvaguarda do PCI, entre as quais se pode incluir o inventário e a documentação (audiovisual, texto, áudio, imagem), a investigação, a divulgação através de exposições e publicações, difusão através da internet, educação não formal, entre outras actividades. Alguns museus começaram já a desenvolver abordagens integradas para a salvaguarda do PCI; urge envolver, preservar e conservar a memória de todos aqueles que ao longo da história foram dando o seu contributo para as Cavalhadas de Teivas e para a Dança da Morgadinha.
 Este tema suscita vários desafios, implicando práticas inovadoras que possam reflectir o papel da Associação Cultural, Recreativa e Social de Teivas como promotor da diversidade e criatividade cultural. O papel da Associação é, também, procurar sensibilizar, não só a população como também a Junta de Freguesia de São João de Lourosa e o Município de Viseu para esta necessidade, transmitindo que a inventariação do património deve ser apoiada e alimentada através de um considerável investimento público. Sem se perder a naturalidade da expressão tradicional da Dança da Morgadinha e de tudo o que a esta manifestação se liga, um processo de classificação a património imaterial implica o estabelecimento de contratos/parcerias de investigação com instituições creditadas que trabalhem no terreno – antropólogos, etnomusicólogos, coreógrafos, historiadores, museólogos, entre outros.
Na esfera institucional dever-se-á envolver a Direção Regional de Cultura do Norte para proteção legal do processo de classificação a património imaterial das Cavalhadas de Teivas.

1Lei de Bases do Património Cultural desenvolvido pelo Decreto-Lei n.º 149/2015, de 4 de agosto, que institui o regime jurídico para a salvaguarda do PCI.

REFLEXÕES

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GRUMAPA – Grupo Mangualdense de Apoio e Proteção dos Animais
Contributos para a história de Mangualde
CONSTRUÇÃO DO CANIL/GATIL
Todo o ano de 99 foi dedicado fundamentalmente à preparação do terreno para as possíveis construções. Entretanto realizamos várias reuniões com o Presidente da Autarquia ao tempo, Dr. Soares Marques, o qual se mostrou sempre atento aos nossos problemas e nos orientou na solução dos mais difíceis.
Era agora necessário que se recolhessem informações sobre alguns possíveis canis já existentes no País, para direcionarmos os procedimentos. Recordo ainda a linda imagem de um já construído algures no Sul, que a sócia Cristina Rosa tinha descoberto nas suas pesquisas.
Depois de analisarmos várias soluções foi-nos permitido que os Serviços Técnicos da Câmara elaborassem o projecto para o Canil /Gatil. A implantação seria em L com um só piso, mas com a possibilidade de ser aumentado consoante as necessidades. Era bem bonito e com ele preparamos uma candidatura a um Organismo do Estado para uma possível comparticipação. Mas não fomos bem sucedidos. Devolveram-nos o dossier por que esses não eram projectos contemplados(!?) Ficámos desgostosos, mas não derrotados. Teríamos de tentar nova fórmula, porque sem alguma ajuda do Estado, a construção ficaria comprometida. Numa reunião de avaliação do sucedido, um sócio lembrou-nos que, se eramos uma Associação Legal e com Estatutos registados no Cartório Notarial, poderíamos alterar o objecto do dossier – uma Sede e um Pavilhão para diversos usos e actividades. E mais uma vez os Serviços Técnicos da Autarquia se disponibilizaram à execução de novo projecto. Esta colaboração era essencial e lógica até porque pelos nossos primeiros Estatutos todo o Património do Grumapa pertenceria à Autarquia, se surgissem desacordos entre os Corpos Sociais e uma provável dissolução do Grupo.
Refizemos então a candidatura e desta vez sim. Fomos aceites!! Uff! Que alívio!! Analisando bem todo este processo não foi alívio nenhum, foi sim, a entrada numa grande e difícil empreitada, um compromisso brutal que todos os dias nos tirava o sono. Estávamos assim situados num ponto sem retorno e tudo o mais que se seguiu, foi sempre a acumular preocupações.
Agora ao recordar este absurdo compromisso fico incrédula como a paixão pelos animais e pela defesa da Vida me arrastou por muitos anos para uma luta de forças desiguais – porque eu era fisicamente frágil e só podia contar com a minha grande força mental e espiritual – foram estas o meu suporte até ao fim de 2011. Claro que não estava sozinha. Pude felizmente contar sempre com o incansável apoio de alguns dirigentes e sócios e a indispensável ajuda de AMIGOS, extraordinários beneméritos, que em momentos de grande aperto disponibilizavam o seu sempre bem vindo donativo.
E esta estória parece que só agora começou.

Liberdade de ofender, não é poder!

Ana Cruz
Cada vez mais é difícil discernir os valores que compõem uma sociedade democrática. Tendo por base a participação do povo na governação, sendo originária pelos gregos (Demoskratía Demos – Povo/ Distrito e Kratos- Poder/Dominio), existe uma diversidade de opiniões que é suportada na liberdade de expressão.
Mas afinal o que motivou a revolução para destituir o regime do Estado Novo, também conhecido por Salazarista? Para além de defender a igualdade de direitos entre as classes sociais, o fundamento nunca foi bem esclarecido para as gerações nascidas pós-revolução. Na verdade o descontentamento da transição do regime de ditadura para o Estado democrático que hoje vivemos sempre foi muito conturbado. Todos valorizam as transformações sociais: o terminar de uma guerra colonial associada a um número enorme de mortes, quase todos maioritariamente da classe pouco instruída; o direito de votar de forma voluntária na ideologia que apoia; ter acesso à saúde, educação e assistência social foram direitos inéditos perante décadas de inexistência a cuidados de saúde universal e quem tinha acesso à educação tinha o privilégio de ter uma família com posses económicas ou um padrinho\ madrinha generoso(a) e por fim a liberdade de ter opinião sem correr risco de ser torturado.
Eu nasci em 1977, caso não tivesse existido esta revolução, seria uma ignorante académica com pouca probabilidade de poder escrever ou ler um artigo de opinião. Provavelmente não conseguiria frequentar a escolaridade obrigatória e limitava-me a aceitar um salário pouco digno de alguém que achava que estaria a ser magnânimo por me facultar um emprego. Provavelmente valorizava o pouco que tinha e sustentava a ideia que não merecia mais. Porque “… já é sorte ter um emprego!” ou “.. ele(a) tem cunhas ou pertence aquele grupo (partido\ religioso\ social) por isso tem um emprego”
Curioso? Esta frase já é ouvida nos dias democráticos que vivemos! Por isso oiço, com pesar, histórias da nova geração que demonstram o quanto nós perdemos com a democracia de agora. O mérito no trabalho e o brio na realização do mesmo é algo que os mais velhos relatam. O respeito era mútuo, e a responsabilidade de ocupar um lugar de poder e autoridade era um exemplo a guardar e não a desprezar. Todos nós fomos crianças, adolescentes e jovens adultos. Todos tivemos contacto com o dever de respeitar os que têm mais de experiência de vida, sendo eles o exemplo a seguir. Relato aqui uma história que me entristece, mas que teve e terá um final melhor que o esperado.
Cuidar é uma vocação que poucos têm, e quando uma jovem decide ser cuidadora\ médica\ enfermeira confia quem está a orientar o seu percurso. Logo considero traumático que um tutor\ orientador ridicularize e humilhe um futuro cuidador (a). A autocrítica é uma constante da insegurança, e é normal errar quando se está a aprender. Normal seria que quem tem a autoridade\ competência de liderar e orientar deveria ser empático e ser tolerante perante as primeiras quedas no início de uma futura carreira. Hoje é cada vez mais frequente, a pessoas sentirem confortadas com a desgraça alheia, por isso não me espantou quando uma jovem que frequenta um curso profissional de técnico de saúde ter decidido desistir de manter a sua vocação. Numa apresentação é sempre difícil gerir o nervosismo de estarmos sozinhos a apresentar perante uma plateia de 5 ou mais pessoas, adicionando o fato de todos estarem a escarnece-la, a confusão e o bloqueio é o resultado natural perante tal atitude visionada. Não contentes com o desassossego da jovem, ainda incitaram às lágrimas, como forma de demonstrar que era válido ser humilhada em público. Mas o melhor era que, o fato de desconhecerem o advérbio SIC (sic erat scriptum – “assim estava escrito”) que a jovem tão sabiamente colocou nas citações que apresentou, gerou uma troça ignorante por parte dos orientadores\ profissionais. A ideia que ainda se transmite durante o processo de educar, é que as pessoas que possuem competências profissionais são respeitosas e humildes, e não utilizam a hierarquia como ferramenta de demonstrar a sua superioridade. Portanto imagine-se a confusão de um adolescente e\ou jovem que é ridicularizado pelo tutor\professor! Adicione a este comportamento, falta de conhecimento geral e civismo.
Assim SIC, foi motivo de chacota por quem devia de saber o seu significado. Confundiram um canal de televisão com o advérbio. Pessoas que, supostamente, realizaram trabalhos académicos que continham citações. Pessoas que deviam ter uma formação pessoal diferente! Por causa disto, a jovem decidiu desistir do curso. Esteve um tempo a questionar acerca da sua vocação. Passou por vários especialistas da área mental e de psicologia, para vencer os medos que lhe foram incutidos. Vencida? Não! A verdade é que passou a dar valor ao seu dia ao dia! Passou a não necessitar da aceitação dos outros para se sentir segura. Regressou novamente para o curso que desistira, mais forte e mais rica como pessoa. Sabia que a injúria e a resistência à mudança passariam a ser algo a rever, naqueles que seriam os seus orientadores.
Esta é a imagem que passamos para a nova geração: revoltados e frustrados, descarregamos na juventude como uma tradição para a sua integração à vida adulta. Não damos ferramentas para ultrapassar as agressões verbais, que são sujeitas. Ficamos indiferentes ao desabar destes jovens que se isolam perante o infortúnio de serem discriminados. Esquecemos que eles serão o nosso futuro, e que estão perdidos perante tanta incoerência de emoções a que estão expostos.
Fico feliz por ver que grande parte consegue superar esta confusão e tornarem-se mais maduros que muitos adultos que deviam de ser os seus guias.

MEMÓRIAS DE UM TEMPO SEM TEMPO

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SOPAS DE CAVALO CANSADO
Trabalhadores do campo, mourejando de sol a sol num infinito azul, remoendo infâncias já duras de trabalho, que por carências de sobrevivência eram forçados á labuta no campo, diariamente vendo nascer a aurora num gesto distraído, ora abandonaram prematuramente a escola ou nem sequer a frequentaram, ou deram grandes caminhadas para aprender a ler e a escrever. Na vida dura, duríssima, felizmente pretérita alimentavam-se na sua grande maioria de vinho, como uma almofada caridosa que lhes amortecia a dor. Antigamente as sopas de cavalo cansado ao pequeno almoço eram hábito comum. Era uma espécie de fortificante bem conhecido e usual dos nossos avós. Muitas vezes pela manhã, antes de encarar o trabalho desfaziam em pedaços o pão velho numa bacia ou malga, embebiam-no com vinho tinto, acrescentavam açúcar amarelo e comiam com prazer. Nas suas faces viam-se as lindas cores aflorar. Assim ganhavam forças para enfrentar um dia duro de trabalho. Tendo como únicas forças motrizes, os bois, os cavalos ou as mulas para puxar arados, debulhadoras e outras alfaias agrícolas que necessitavam de tracção animal, quando estes extenuados pelo calor e longas horas de trabalho, espumando pelas ventas e exalando do seu corpo uma fragância de suor fumegante, necessitavam de refrescar e retemperar energias, era-lhes fornecida uma ração de pão embebido em vinho com açúcar. Os trabalhadores rurais que nas suas jornas labutavam arduamente vencendo as agruras do tempo com lágrimas nos olhos empunhando uma enxada, a meio da manhã á piqueta, quando o sol já aquecia libertando aquelas ilusórias labaredas flamejantes que lhes aquecia o sangue nas veias, procuravam uma sombra fresca, colocavam no chão em cima de uma tosca manta de farrapos um alguidar em barro vermelho com o pão de centeio recesso, porque desperdiçar era pecado, cozido na semana anterior vinho e açúcar amarelo, alguma água fresca do poço, mexia-se e toca a comer. Como era refrescante!!!!… Retemperador de novas forças para o resto da jornada para estes corpos condenados á dor. Os tempos eram outros e na época em que as viagens eram feitas em carruagens nas aldeias de Portugal, e as estações de muda não tinham cavalos descansados para substituir e prossegui a viagem era dada aos animais esta sopa com pão vinho e açúcar para os refrescar e retemperar de energias. Sopas de cavalo cansado eram realmente um tónico repositor de energias naturais. Nos tempos de hoje proliferam os complementos, os suplementos, revitalizadores, tónicos, fortificantes, elixires e que mais como húmus onde sugas fortaleza mas impregnados de ais que abalam a alma humana e nos marcam indelevelmente como ferro em brasa.

Corrigenda: No texto deste nosso colaborador publicado na última edição, por lapso informático, onde se lê “… estrada ladeada de matagais onde de ternura os pinheiros”, deve ler-se “… estrada ladeada de matagais onde de ternura os pinheiros choram.”

IMAGINANDO

francisco cabral
SINTRA
Continuação
Regressando à parte esotérica de Sintra encontramos a Quinta da Regaleira, sendo seu nome histórico “Palácio do Monteiro dos Milhões” que além de ser um local com diversas passagens subterrâneas, se supõe estarem ligadas às Serras de Montejunto e Arrábida. A ligação à Serra da Arrábida é tão funda, ao ponto de passar por baixo do Rio Tejo. Nesta Quinta  há um poço chamado  Poço Iniciático, ou Torre Invertida com cerca de trinta metros de profundidade e seis metros de largura com uma escadaria em espiral, suportada por várias colunas. No fundo deste Poço e embutido em mármore, encontra-se uma estrêla de oito pontas (quatro maiores ou cardeais e quatro menores ou colaterais) sobre uma Cruz Templária que simultaneamente é indicativo  da Ordem Rosacruz.
Acredita-se que era usado em rituais de iniciação à Maçonaria e a sua explicação poderá ser encontrada na Obra do Conceito Rosacruz do Cosmos.
Esta Quinta também designada por Quinta da Torre, após ter sido vendida repetidas vezes entre 1697 e 1840, é adquirida pela Baronesa da Regaleira, filha de um poderoso comerciante do Porto, que a transformou num belo palacete com capela e jardim, servindo para local de recolhimento.
Ainda e posteriormente após várias vendas, em Março de 1997 tornou-se propriedade da Câmara Municipal de Sintra, Sede Social da Fundação CulturSintra.  A sua construção actual ocorreu entre 1900 e 1910 e deve-se a António Augusto Monteiro e o arquiteto italiano Luigi Manini.
Para o leitor fazer uma ideia  e com ajuda de algumas buscas, destaco no  interior  suas salas, assim como o exterior.
A Sala de Jantar, composta por uma grandiosa lareira sobressaindo o tema da caça, executado em cantaria. O mosaico veneziano em múltiplas cores e a parte arquitetónica da abóboda, dá-nos uma imagem do ciclo de vida.
A Sala Octogonal, é uma réplica do Convento de Cristo em Tomar.
A Sala dos Reis é uma antiga Sala de Bilhar onde se reunia a realeza.
Já no exterior e à esquerda do Palácio, temos a Capela. Ambos se ligam através de um acesso subterrâneo. A Capela estilo neomanuelino (corrente revivalista que se desenvolveu no seio da arquitetura e das artes decorativas entre os séculos XIX e XX com o objetivo de recuperar certos elementos do passado), faz uma alusão aos ciclos Mariano e Crístico, destacando-se as cenas da Anunciação e coroação de Maria. Simboliza a Ordem de Cristo, herdada à Ordem dos Templários.
Também no exterior, temos a Álea dos Deuses, onde se encontram alinhadas estátuas de divindades clássicas, tais como Vénus, Dionísio, Hermes, etc.
Existem ainda dois torreões e um mirante central, que formam o Portal dos Guardiães, com um túnel que leva ao fundo do Poço Iniciático, ou Torre Invertida.
Quem visita este Palácio, fica deslumbrado ainda, com a sua vegetação que lhe dá uma beleza maravilhosa que quase se supõe num cenário dos lindos filmes de Walt Dysney.
Continua
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A INDEPENDÊNCIA DO PODER JUDICIAL

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“Ainda existem juízes em Berlim”. Esta frase é o final de um episódio que passou para a história como o símbolo da independência possível e desejável da Justiça.
O episódio teria ocorrido no século XVIII, imortalizado pelos versos do escritor francês François Andriex num conto sobre “O Moleiro de Sans-Souci”.
Frederico II, “O Grande”, rei da Prússia, conhecido como um déspota, construiu um palácio de verão em Postdam, próximo de Berlim, onde recebia os seus amigos, entre os quais se contava Voltaire. O palácio ficava situado no monte de “Sans Souci”, que traduzido significa “sem preocupação”, perto do lugar onde o moleiro Arnold tinha o seu moinho de vento.
Um dia, quando o rei resolveu ampliar o seu palácio, mandou chamar o moleiro a quem propôs a compra do moinho. O moleiro recusou perentoriamente, argumentando que ali tinha falecido o seu pai e era ali que seus filhos haveriam de nascer.
Perante a recusa do moleiro, o rei fez-lhe sentir que até lhe poderia tomar a propriedade se assim o quisesse. Ao ouvir esta ameaça, o moleiro respondeu que ainda havia juízes em Berlim.
Frederico II, decidiu alterar os seus planos, deixando em paz o moleiro e o seu precioso moinho.
A resposta proferida pelo moleiro tem sido repetida com muita frequência, em várias línguas, no sentido de ilustrar que os tribunais podem obstar a certas atitudes de prepotência, defendendo os cidadãos, de uma maneira isenta e imparcial, mesmo contra aqueles que gozam dos mais amplos poderes políticos.
A independência dos magistrados judiciais não constitui, porém, qualquer privilégio dos juízes. É antes o resultado de um conjunto de medidas que procuram garantir ao cidadão um processo em que o julgador possa decidir de forma autónoma e independente, seja em relação ao poder político, seja em frente aos condicionalismos que provenham da sociedade civil. Os destinatários destas garantias não são, portanto, os juízes, senão num primeiro momento, mas sim o cidadão, ou melhor, o povo em nome de quem os tribunais proferem as decisões.
Os tribunais estão hierarquizados, formando uma pirâmide cuja base é constituída pelos tribunais de 1ª instância. No plano imediatamente a seguir encontram-se os tribunais da Relação, que funcionam como tribunais de 2ª instância. No vértice da pirâmide situa-se o Supremo Tribunal de Justiça.
No entanto, nem a hierarquia judiciária significa que os juízes dos tribunais de grau inferior dependem ou devem obediência aos de grau superior. A hierarquia traduz-se no poder conferido aos tribunais superiores de, pela via do recurso, revogarem ou alterarem as decisões dos tribunais inferiores.
A Constituição da República Portuguesa dispõe no seu artigo 203º que os tribunais são independentes e apenas estão sujeitos à lei.
Corroborando esta mesma orientação, o artigo 4º da Lei nº 62/2013 dispõe que os juízes julgam apenas segundo a Constituição e a lei e não estão sujeitos a quaisquer ordens ou instruções, salvo o dever de acatamento das decisões proferidas em via de recurso pelos tribunais superiores. E não podem ser responsabilizados pelas suas decisões, salvas as exceções consignadas na lei.
A teoria da separação de poderes (poder executivo, poder legislativo e poder judicial), que veio a ser consagrada na Constituição de diversos Países, entre os quais Portugal, está ligada ao nome do político, filósofo e escritor francês Montesquieu.
Em Portugal, foi a partir da Carta Constitucional que Mouzinho da Silveira pôde pela primeira vez dizer que “os portugueses deixavam de ser súbditos para passarem a ser cidadãos de direitos, liberdades e garantias” consagrados nessa mesma legislação constitucional.
José da Silva Carvalho, continuador da sua obra, perante o decreto datado de 1 de Agosto de 1844, reagiu dirigindo um protesto à Rainha por considerar o diploma atentatório da independência do poder judicial, visto derrogar o princípio constitucional da independência dos magistrados. Concluiu dizendo que “a independência do Poder Judicial não é um favor concedido à classe dos juízes, mas uma garantia dada à sociedade”.
Atualmente temos assistido a algumas tentativas de subordinar o poder judicial ao poder executivo. Quando pensávamos que esta tentativa seria alvo da reprovação do comum das pessoas de bom senso, fomos surpreendidos há dias com a atitude de uma advogada, num desses programas televisivos que são transmitidos pelas horas do meio-dia, ao afirmar que por vezes os tribunais deviam ser mais controlados. Os advogados não ignoram que uma forma de controlar as decisões judiciais consiste na interposição de recurso das mesmas.
Já ficamos admirados como certos meios de comunicação social se atrevem a julgar as decisões dos tribunais, servindo-se apenas dos fundamentos relatados por um dos intervenientes de modo muito superficial. Os juízes, além de terem respeitado o princípio do contraditório, ainda ouviram dezenas ou centenas de testemunhas durante dias, meses ou até anos, antes de se considerarem habilitados a proferir a decisão e, em poucos segundos, a sentença é “revogada” ou “alterada” pela comunicação social, conforme os interesses em jogo ou só porque é de bom tom dizer mal das instituições. Quando a atitude parte de um advogado a surpresa aumenta.

SANFONINAS

dr. jose
Alijar tudo dos baús
Será sempre assim? Terá sido sempre assim? É obrigatório que seja assim?
Estas, as perguntas que, de olhos no infinito após os ter poisado no ecrã do computador, se me martelaram na cabeça.
Se calhar, foi, e nós nada mais somos do que a repetição de tantos que, antes de nós, década após década, pensaram da mesma maneira, tiveram a mesma reacção. Uns soçobraram, talvez; outros encararam a realidade de peito aberto e abriram os baús para os arrumar e alijar quanto neles, de desnecessário doravante, haviam ciosamente guardado; outros, ainda, tentaram mudar de olhar e convencer-se de que quanto se lhes antojava evidente não passava de mui ilusória miragem irreal.
Assaltaram-me, impertinentes, estes pensamentos. Já não os tinha há muito, embalado – graças a Deus! – pelos afazeres quotidianos que não faltam e serenamente me preenchem os dias. Não hesitei, porém, e recortei o penúltimo parágrafo da mensagem que a minha colega endereçara a um Amigo comum. Chegou a ser Reitor de Universidade durante largo tempo. Em breve se jubilaria. Transcrevo o recorte na língua original, para que não perca o sabor:
«Tra qualche mese anche tu sarai “dei nostri”. Non preoccuparti: i ritmi di lavoro non cambieranno, la gioventù continuerà a farti rileggere quanto ha scritto e potrai dedicare alle tue ricerche tutto il tempo che ora impieghi a riempire e-moduli dai nomi impronunciabili con i quali quest’università, così lontana da quella che avevamo voluto e in parte realizzato, pensa di mascherare la propria agonia».
Traduzo:
“Dentro de alguns meses também tu serás dos ‘nossos’. Mas não te amofines – que não mudarão os ritmos de trabalho, os jovens continuarão a dar-te a ler o que escreveram e poderás dedicar à tua investigação o tempo todo que ora empregas a preencher e-módulos de nomes impronunciáveis com que esta universidade – tão longe daquela por que suspirámos e, em parte, lográmos concretizar – imagina que consegue mascarar a sua própria agonia”.
«Velhos do Restelo!», dir-se-á. E não posso deixar de concordar. «Velhos do Restelo» somos. De vez em quando, em «velhos do Restelo» nos tornamos. Ou as circunstâncias nos transformam…
¿Porque será, pergunto-me agora, porque será que Luís de Camões imaginou, no solene momento da mui gloriosa partida, esse «velho d’aspeito venerando», que três vezes a cabeça meneou e de «voz pesada» falou, «c’um saber só de experiências feito»? No mar, então, ouviram-no «claramente». Agora, será que inda há tempo para… ouvir?
Para 1 de Junho
Imagem: Ilustração de Rolando Sá Nogueira para o canto IV d’Os Lusíadas, edição comemorativa do 4º centenário da 1ª edição do poema (Estúdios Cor, Lisboa, 1971).

A Educação, ou a falta dela

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Hoje já quase se não envia uma carta. As novas tecnologias facilitam-nos a vida e as despesas. Podemos enviar um fax, uma mensagem, ou um e:mail. E, após carregar no envio, está logo no destino.
Nos tempos em que se tornava necessário expor um assunto a uma qualquer pessoa ou Entidade lá se escrevia a carta, ponha-se o selo e metia-se no correio para chegar ao destino.
Dias depois lá vinha a resposta. E se a resposta não chegava, era normal, nessa época, considerar isso uma grande falta de educação, de desconsideração. Dizia-se mesmo: uma carta tem sempre resposta. E normalmente tinha.
E este prólogo vem a respeito de quê? Pois diz respeito ao que se passa nos nossos dias.
Ligado há muitos anos ao Sector Turístico, Editor de publicações, estou atento ao mundo e ao país e ao que se passa neste campo.
De vez em quando surgem na Comunicação Social entidades ligadas ao Turismo a lançar novos projectos. Alguns de fugir!… Brevemente falaremos nisso! …
Se de facto os acho interessantes pretendo saber mais pormenores, associar-me a eles, colaborar, para que mais facilmente se concretizem. E envio um e:mail.
Pois, a minha experiência de longos anos concluiu: ninguém responde.
Pensando que por algum motivo anómalo, o e:mail não chegou, repito uma e mais vezes e o resultado é sempre o mesmo, nem uma resposta.
E nem é preciso ir muito longe! Um e:mail para uma Câmara Municipal, dirigida ao Pelouro do Turismo a pedir elementos para um trabalho, interessante para o Concelho e sem quaisquer custos, teve o mesmo resultado, nem uma palavra.
Que diabo, tenham um pouco mais de atenção!… E de consideração!…
Concelhos tão pequenos, sem grandes movimentos turísticos, com um Vereador no Pelouro do Turismo? E, em que é que ele se ocupa, que nem tempo tem para dar seguimento ao expediente?…
Será que um e:mail sem resposta tem a mesma classificação que a falta de resposta a uma carta?..
Devemos exigir de quem nos governa mais responsabilidade. De facto eles estão nesses lugares, eleitos, nomeados para nos servirem. E só!…

CONSULTÓRIO

dr. raul
AS ALERGIAS ALIMENTARES ESTÃO EM ASCENSÃO!
Cada vez há mais alergias alimentares!
Duplicaram no espaço de cinco anos e não parecem querer abrandar. As crianças são as mais atingidas, três vezes mais do que os adultos.
Como é que se explica uma tal progressão recente das alergias alimentares?
Parecem existir sete razões principais:
– Um melhor despiste das alergias – o grande público e os profissionais de saúde estão cada vez mais sensibilizados e vigilantes face a este problema de saúde.
– Diminuiu grandemente o aleitamento materno – numerosos estudos atribuem um efeito preventivo do aleitamento materno sobre as alergias. E se o aleitamento materno é cada vez menos frequente também, paralelamente, o período de aleitamento é mais curto.
– Uma diversificação alimentar muito precoce – a diversificação demasiado precoce de alimentos em bebés constitui um factor de progressão das alergias alimentares; não deve iniciar-se a diversificação alimentar antes dos 6 meses de vida. De outra forma, só o leite é indispensável até à idade de 6 meses e, de preferência, leite materno.
– Excesso de higiene – o desenvolvimento da higiene tem um inconveniente, o de multiplicar os casos de alergia. Com efeito, com a ideia de “asseptisar” o mais possível o meio que nos rodeia, o nosso sistema imunitário torna-se mais sensível às reacções alérgicas.
– Os alimentos exóticos – a alimentação chamada “exótica” pode originar, nalgumas pessoas, reacções alérgicas. São principalmente: as especiarias (caril e paprica), os condimentos, os frutos exóticos (Kiwi, pêra abacate, lichias), os grãos de sésamo, frutos secos (amendoim, caju), etc.
– As preparações industriais – o modo de vida moderna leva-nos a comer, cada vez mais, pratos já preparados. Ora, estes contêm alergéneos mascarados cujos consumidores não têm consciência.
– Os aditivos alimentares – corantes, edulcorantes, aromas, espessantes, gelificantes, incrementadores de sabor, estabilizantes são aditivos usados correntemente na indústria agro-alimentar moderna. Eles podem ser responsáveis por novas reacções em pessoas com alergias alimentares.
Deste modo não é difícil aceitar que se assista a uma subida, tão espectacular, das alergias alimentares.
Está na hora de voltarmos à alimentação mais tradicional, mais caseira, mais pura e biológica pois será a única maneira de inverter ligeiramente esta evolução…
E-mail: amaralmarques@gmail.com