Arquivo diário: 1 de Julho de 2019

EDITORIAL Nº 757 – 1/7/2019

patrao
Caro leitor
O que conta é hoje. O passado simplesmente ajuda para afinar o presente rumo ao futuro.
Lembre-se que o amanhã pode não existir, porque a corrente o leva embora, ninguém tem a vida fechada numa mão, e nunca mais voltará.
Nós nunca apanhamos a mesma água num rio o tempo é como um rio, depois, a vida acaba.
O tempo passa e as oportunidades vão embora, as crianças crescem e fazem o seu caminho, arriscamos chagar tarde, perdemos o entusiasmo, temos que entender que com o tempo as nossas propriedades mudam e mesmo assim deixamos tudo para depois, como se depois fosse a solução, geralmente pensamos, ou nem sequer pensamos, depois te ligo, faço isso mais tarde, amanhã faço. Deveríamos mudar este pensamento por agora e hoje, não podemos deixar para depois tudo aquilo que deixa de estar na nossa mão.
O tempo é o ouro da sua vida e só você pode decidir como usá-lo. Quando você olha para o relógio, já chegou a hora do jantar. Quando olha para o calendário já acabou o mês e sem dar por ela outro ano vai começar.
Quando é criança, olha para os seus avós e pergunta-se: “será que chego à idade deles?”. Quando você chega à idade deles olha para trás e pergunta: “como é possível que os anos tenham passado tão rápido?”. Sem que você dê conta os anos passam e quase sempre você adia coisas que são realmente importantes na sua vida. Passar o tempo na companhia dos próprios filhos, da família ou dos amigos…
Muitas pessoas passam os melhores anos da sua vida numa eterna corrida para o sucesso e o dinheiro. Acabam sem a família. Que importa o sucesso e o dinheiro!! Não deixe para amanhã o que pode fazer hoje, porque pode ter a notícia mais ruim da sua vida e pode mesmo nem sequer ter notícia…

Abraço amigo,

Informar sem ser superficial

Ana Cruz
Sempre valorizo a procura de informação acerca da saúde quer coletiva, quer individual. De fato, quem tem que alterar o seu comportamento para melhorar a sua saúde é a pessoa, não o profissional de saúde (Médico, enfermeiro, farmacêutico, fisioterapeuta entre outros). Com esta exposição é frequente o utente declarar ausência de responsabilidade na sua doença e remete a sua situação para a incúria médica, quando a doença não é controlada. É um quadro psicológico recorrente, colocar a culpa nos outros, e numa sociedade cada vez mais superficial e orientada para o consumismo e escassez de humanismo é natural a ideia de “querer mais sem saber como”. A desmotivação dos profissionais de saúde tem vários fundamentos, e reduzir apenas a questões salariais é remeter a um calculismo primitivo para com os profissionais de saúde. Um dos vários argumentos é a desvalorização da pessoa que tem uma formação para tratar e cuidar a pessoa, mas que a sociedade (influenciada por informação pouco fidedigna) nem quer escutar, cirando um diálogo condescendente. Às vezes, como profissional de saúde, tolero esta atitude para evitar o conflito, mas como cidadã sinto que é injusto estar a contribuir em ajuda de custos a pessoas que estão enfermas porque não cumprem o dever de zelar pela sua saúde! Mas finalmente denota-se uma ligeira mudança deste paradigma!
Esta situação que vou descrever podia ocorrer em qualquer sala de espera de um qualquer centro de saúde, mas aconteceu numa sala de espera de uma unidade de saúde do concelho de Mangualde, cuja gestão ainda é estatal! (Sim, não é só na gestão privada que as coisas funcionam….). Um senhor na ordem dos seus 60 anos aguardava, pacientemente sentado na sala de espera, com um envelope na mão. Surge outro individuo também de semelhante faixa etária, com idêntica carga nas suas mãos. Afinal eram já conhecidos e iniciaram uma animada conversação, típica de quem não se vê á anos! O primeiro levanta a questão acerca do motivo do segundo vir á unidade de saúde, ao qual o seu amigo revela vir “mostrar as análises para o médico.” E foi aqui que como observadora e profissional de saúde fiquei satisfeita com a resposta do perguntador. “Então vens ao médico só para te ver as análises? Eu já as abro logo quando vou levantar as análises, para saber que é urgente vir cá falar com o médico! ”Ora aqui está uma pessoa com consciência na prioridade para o atendimento médico, apresentando uma diminuição de ansiedade porque sabe o que tem e o que deve fazer com o que tem! Voltando ao segundo interveniente “Epá, eu não vejo isto! Eu sei lá o que tenho!”.
Na verdade a interpretação de resultados de análises baseia-se nos valores de referência que normalmente se encontram no lado direito dos valores analíticos das pessoas. (São escalas de medida de determinados produtos- sangue, urina, peso ou outro parâmetro biofísico- que são avaliados consoante a população, género, idade, que são aprovadas por entidades acreditadas para dar mais fiabilidade nos valores a avaliar.)
Voltando ao cenário o primeiro senhor ofereceu-se para avaliar as análises do segundo. Os valores das análises estão dentro dos valores de referência, e o senhor aparentava uma saúde de ferro, salvo a expressão, porque não sei que lhe foi pedido avaliação de ferro no sangue! Iniciou-se uma conversa mais animada acerca das tropelias realizadas na adolescência associadas a prováveis consequências na saúde, mas a moral retirada foi: que não é necessário ser médico para avaliar umas análises de rotina, e que este acontecimento dá menos ansiedade à pessoa, que reconhece que quando existe uma alteração deverá recorrer ao seu médico de família para o orientar. Na realidade, o que verifiquei foi um verdadeiro respeito em recorrer ao médico não em situação de doença, mas em situação de prevenção e atualização do seu estado de saúde. Penso que todo este processo que assisti foi um trabalho contínuo de alguns profissionais de saúde em partilhar informação. Partilhar para ganhar e não perder!
É frequente, alguns elementos mais tradicionais da área da saúde, considerar que esta informação só deve ser disponibilizada a quem andou em universidade ou politécnicos, mas na sociedade corrente devemos informar adequadamente os utentes para serem eles os verdadeiros vencedores dos seus resultados na melhoria da saúde! Não me sentiria minimamente insegura por dialogar com um utente acerca de termos técnicos sobre as suas análises ou exames médicos. Porque como consigo capacitar alguém para modificar a sua ação se continuo a ser paternalista e considerar que sou superior? Porque como posso criar uma relação terapêutica com base na confiança e respeito, se nem me dou ao cuidado de explicar ou olhar para a pessoa que tenho em frente?
Pelo menos num centro de saúde no concelho de Mangualde uma pessoa já conseguiu realizar esta relação com um utente, e o efeito dominó já está a surgir…

IMAGINANDO

francisco cabral
PARTE 60
SINTRA
Continuação
 Mas voltemos atrás, reportando-me ao tempo do Condado Portucalense e a influência dos Cavaleiros Templários nesse momento, incluindo o seu relacionamento com a Vila de Sintra:
D.Teresa de Leão, mãe de D.Afonso Henriques, 1º. Rei de Portugal, obteve o apoio destes Cavaleiros no combate aos muçulmanos e mediante algumas doações,  como os Castelos de Penafiel e Soure.
D.Afonso Henriques teve uma ajuda preciosa destes Cavaleiros, na fundação de Portugal em diversas conquistas, tais como   Lisboa e Sintra. Não devemos esquecer, que nosso primeiro Rei, era um Cavaleiro Templário.
É então, que através de um documento datado de 1157 e dirigido a D. Gualdim Pais, Grão Mestre desta Ordem  ao Serviço  do nosso Monarca, é feita a doação da Vila de Sintra à Ordem dos Templários, assim como a Mata de Almosquer, algumas fazendas agrícolas e Azenhas.
Em 1160 estabeleceram definitavamente a sua Sede em Portugal, no Convento de Cristo em Tomar.
Mas quem foi Gualdim Pais?
Um Frei do Mosteiro de Santa Gruz de Coimbra, e um dos braços direitos de D. Afonso Henriques, grande soldado e fiel ao seu Rei, que entre outras batalhas, às portas de Lisboa combateu com Martim Moniz. Na Batalha de Ourique, viria a ser armado cavaleiro. Como Templário, também jurou voto de pobreza.
Foi o fundador do Castelo de Almourol, situado no médio curso do Rio Tejo, e tinha como objetivo o controle daquela região do distrito de Santarém.
Durante cinco anos esteve ao serviço da Ordem, na Palestina.
Continuando, e aludindo à Ordem dos Templários em Sintra, no Museu Arquelógico de S. Miguel de Odrinhas são visíveis pedras tumulares.
Uma panorâmica da Vila de Sintra
A Quinta das Murtas, seria um território exclusivo dos Templários.
A presença dos Templários na região de Sintra está muito marcada nesta Vila.
Mas  a origem de Sintra, remonta do Neolítico até aos dias de hoje, através de civilizações  que passaram por esta região, tais como os Celtas, Lusitanos, Romanos, Visigodos e Mouros.
Conhecida antigamente por Xintara ou Shantara, tendo na época medieval a designação de Suntria.
Uma forte influência foi a Romana quando da sua ocupação, dando à Serra de Sintra o nome de “Mons Lunae” (Monte da Lua). Seria posteriormente a Muçulmana que viria a vincular sua ocupação, antes da intervenção Portuguesa.
Regressemos à Vila pròpriamente dita; Além de uma paisagem completamente exótica, possui uma doçaria ímpar, destacando as célebres Queijadas e Travesseiros de Sintra confecionados na Casa Periquita no Centro da Vila,  fundada em 1862 e frequentada pelo Rei D.Carlos I, grande apreciador destes doces, sendo o autor do nome desta Casa por alcunha  dada à sua proprietária, devida à baixa estatura. Estes doces são apreciados por turistas de todo o mundo e a prova está, quando visitam Sintra já sabem o caminho da célebre Piriquita.
Na viticultura possui o apreciado Vinho de Colares, nascido em solo de areia, recebendo a brisa marítima. É no reinado de D.Fernando I, que há permissão para exportar este Vinho, ficando conhecido em todo o mundo pela sua qualidade. Reportando-me ao Século XIX, resistiu à filoxera, insecto oriundo das Américas. Esclareço ainda, que após a Batalha de Aljubarrota, nosso Rei D.João I doou a Vila de Colares a D. Nuno Álvares Pereira, o Santo Condestável, Mestre de Avis e também ele  Cavaleiro Templário.
Complementando a gastronomia e a viticultura aos históricos Palácios e na grandiosidade do seu todo, dos únicos no nosso País, sabemos o porquê deste cantinho de Portugal ser um dos mais procurados pelo turismo além fronteira. Não é por acaso, que é o segundo maior Concelho de Portugal.
Continua

REFLEXÕES

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Contributos para a história de Mangualde
GRUMAPA Grupo Mangualdense de Apoio e Protecção dos Animais
Construção do canil /gatil
O ano 2000 foi sem dúvida a afirmação em Mangualde do conceito de protecção animal, para isto sem dúvida que a criação do Grumapa foi o tiro de partida. Por todo o país tal conceito ainda passava desapercebido. Em algumas localidades existiu sempre uma ou outra pessoa que por sensibilidade e pena do sofrimento que presenciava em animais, fruto dos maus tratos e violência de que eram vítimas, acorria em seu auxílio. No entanto os grupos de defesa organizados eram invisíveis. Aqui pela terra, era só eu e mais uma ou outra pessoa que desde 1980 cuidou de muitas situações extremas e é a partir de 1995 e depois de 2000 que se começou a notar alguma movimentação. Recordo que ao participarmos nos eventos culturais que ao longo do ano se faziam em Mangualde, montando a nossa barraquinha de vendas para aquisição de fundos, apareciam muitos cidadãos interessados em perceberem as nossas actividades e intenções ouvindo os nossos esclarecimentos, lendo os nossos folhetos e desejando inscreverem-se como sócios. Assim, quando se começou a saber do projecto que tínhamos em mãos, foram aparecendo cidadãos e empresas que entenderam a necessidade de ajuda monetária ou de materiais, para pormos de pé estas estruturas que entendíamos serem indispensáveis para cuidarmos dignamente os animais do concelho e não só. A divulgação através da imprensa local e regional, folhetos avulso e a presença nos eventos, deu a conhecer a nossa existência e começou a esboçar-se por cá o entendimento do conceito de Protecção Animal .
Mas a par do enorme esforço que estávamos a desenvolver e dos dias que se escoavam com grande rapidez tínhamos outra enorme tarefa – acudir à avalanche de situações desesperadas em que muitos animais apareciam. Ao tempo não havia lei, não havia compreensão e tudo poderia acontecer sobretudo aos cães e gatos, os que eram abandonados em péssimo estado, aparecendo com enorme frequência pelas localidades, aos que eram atropelados e ficavam pelas estradas em grande sofrimento, aos que eram espancados pelos donos, os que estavam presos a correntes de um metro, sem comida, sem água, sem qualquer resguardo !… EU VI DE TUDO E ACUDI A MUITAS CENTENAS. Até 2000 não havia aonde os abrigar. Cuidava deles na rua e numa garagem que tinha disponível, para casos mais graves. Também não havia qualquer apoio, mesmo os particulares, não estavam motivados, tinha de ser eu a assumir todas as despesas. Alimentação e tratamentos médicos.
Foi exactamente por este ano, que conheci a jovem Cátia Correia, que se tornou uma excelente protectora e colaboradora, e o jovem Fábio Costa, meu vizinho de frente, ainda estudante no secundário, para o qual não me chegam palavras de agradecimento por todo o apoio que me deu durante vários anos. Para ele dedicarei um dia um longo texto.
Também neste ano conheci a D. Arminda Midões regressada de França com o seu marido, os quais desenvolveram um trabalho altamente meritório em prol dos animais. Nós, eu e os três Amigos que referi atrás vivemos grandes estórias, situações caricatas com pessoas que não nos entendiam e nos atacavam por palavras, por gestos, e ameaças.
É a partir de 2000 que os sócios fundadores passaram a viver em dois mundos paralelos. Um, pôr de pé as construções para albergar os animais no grande terreno do GRUMAPA. O outro a luta pela saúde e vida dos nossos AMIGOS parceiros no planeta.
NA VERDADE, NADA SE FAZ, NADA SE CONSTRÓI SEM GRANDE ESFORÇO, SACRIFÍCIOS E EMPENHAMENTO.

A IMPORTANCIA DOS AVÓS NA FAMILIA

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Todos os domingos eram assim, os gémeos Santiago e Salomé se dirigiam a casa dos seus avós e logo á entrada da porta da rua se deliciavam com o cheirinho da sua comida, atinando de seguida nos jogos e brincadeiras que se seguiriam após a refeição. Os seus íntimos olhos descobriram um novo mundo interior e nos seus avós esteios firmes, sólidos prumos, traves mestras que sustentam a unidade e a coesão da família. Avós são tesouros, relíquias inesquecíveis e inigualáveis que se perpetuam por tempos imemoriais. São fontes inesgotáveis de experiencias e saberes que transmitem ás gerações vindouras e á família numa tranquilidade de paz, amor e harmonia. Com os afectos, as brincadeiras e as guardas, os avós conferem uma transcendência ao quotidiano, qual magia que se prolonga pelo infinito do tempo em cada família. Ser avós é um pacifico estado de alma, é estar presente quando é necessário, é observar e estar atento. É ajudar os filhos a criar os deles, transmitir-lhes os seus mais nobres valores e sentimentos. Ser avós é dar a essência do afecto mais genuíno e profundo, com uma tranquilidade e calma que a qualidade de não pais lhes confere. Ser avós é amparar os filhos na caminhada e no exercício da mais bela tarefa de amar, cuidar e criar um filho. Os avós são como mágicos para os seus netos, embalam-nos nas suas experiencias de vida, nas suas histórias os levam a viajar por mundos de fantasias e quantas vezes na aridez ardente dos seus lábios, vergados sob o peso da saudade, são o casamento perfeito da lágrima e do riso. Mas a família é berço, ninho, aconchego em que os avós pela sua perseverança e força de viver como membros activos lutam por uma sociedade que desejam valorizar com mais paz, justiça, e amor, marcá-la com seu cunho pessoal. São como sombras luminosas de anjos que voam pelos céus numa réstia de luar, insanamente lutando como vento de mudança, deixando a herança para a família de um mundo melhor do que aquele que encontraram. Vive neles o futuro, porque sentem a aurora que há-de vir. Lembram o silencio das eras já remotas, são o centro de um mundo pequenino que é a sua família. Avós e netos células da mesma família, caminhando de mãos dadas tempo dentro, pela imensa e empoeirada estrada da vida, cada qual com seus sentimentos e esperanças espelhadas no rosto. Vêem-se uns com suas preocupações e desfiando contas desgastadas, os outros alegres e felizes como irrequietas borboletas voejando de flor em flor, sonham olhando as nuvens no infinito do céu. A estrada alonga-se memoriando o caminho percorrido perpetuado na procura da felicidade da família. São lembranças de cristais que vão brilhando em seus dias, que os transportam a um acolhedor mundo de memórias projectando a sua família a um espaço de poesia e a um lugar extraordinário de transparência e luminosidade. Na calma paz do universo percorrem uma ampla e longa clareira, frondosa e verdejante, ladeada de árvores seculares, com o sol poente de um vermelho alaranjado de fogo em fundo, ambos de mãos dadas:
A saudade e a esperança.
Deixam na verdura da paisagem rastos de luz pegadas de luar. Avós com cabelos prateados ou cãs brancas, as suas mãos rugosas, sulcos de uma longa jornada como fruto perfeito e maduro, em breve terão os passos lentos e a voz embargada pelos ventos da caminhada, mas acreditam na felicidade da família quando nos pegarem pela mão e nos aliviarem dos escolhos do caminho. Não serão fisicamente os avós de hoje, passarão a ter as mãos trémulas de anciania, mas manterão o mesmo orgulho, seguramente com mais profundidade no amor e no carinho mesmo quando para vós inventam o tempo, são alvores de uma felicidade familiar.
E numa luz de Outono que já lhes é um sonho ilusório de Primavera, num quadro pitoresco da vida, numa explosão rubra do ocaso, netos e avós se embrenham no alvo algodão das nuvens, fechando um horizonte longínquo a perder de vista:
Uns levam na sua frágil e pequena mão os bonecos os outros levam a bengala, como suporte de família semelhando o bastão com que Moisés encaminhou seu povo para a terra prometida. Os avós são o elo de ligação mais forte com o património familiar, são a árvore que aprofunda as raízes familiares no fertilizante do amor. Avós são descobertas constantes que nos surpreendem e emocionam, sabem como ninguém transmitir todas as áreas da sensibilidade, a gentileza, a solidariedade, a tolerância a inclusão, os sentimentos altruístas. Recordam sabores da infância em brincadeiras com os netos, porque eles são a seiva da sua vida, sabem-nos aquecer com as lãs dos seus sentimentos, acolhendo-os sempre no canto mais quente do seu peito, é um revigorante elixir para o seu rejuvenescimento.
Nos já longínquos tempos em que a vida se revelava como uma alegria de montanhas de oiro e rosas purpúreas, a formação de uma família exigia uma mãe que dedicasse sua vida exclusivamente á casa, ás crianças. Nos tempos modernos é muito valorizada a sua realização pessoal e profissional, realizam verdadeiros exercícios de acrobacia entre os cuidados matrimoniais, maternais e do lar, apoiando-se por necessidade da vida nos seus próprios pais, encontrando nestes o apoio e a dedicação necessária como suporte de família. Os avós na continuidade do tempo continuam a ser as peças fundamentais, propulsionadores de valores embora tenha mudado a configuração das famílias, deixou de ser aquela regida por um patriarca , uma mãe do lar e alguns filhos e passou a ser: mãe solteira e seu filho, mãe viúva e filhos, casais homossexuais e seus filhos, pais separados, padrastos e madrastas, avós e netos e tantas outras.
Mas sempre e finalmente avós e netos caminham lado a lado sem pressa de chegar a lado algum. Brincam… Os avós voltam a ser pequeninos e os meninos crescem. Têm a mesma idade ao contrário.
Ser avós é ser pais duas vezes… é possuir amor dobrado. Como não amar o fruto do seu fruto?!!!!…
E nós pais sorrimos porque achamos graça.

A IGUALDADE ENTRE AS PESSOAS

juiz
Atualmente ninguém põe em causa que todos os cidadãos têm a mesma dignidade e são iguais perante a lei.
Trata-se de um princípio consagrado no nº 1 do artigo 13º da Constituição da República Portuguesa. Mas nem sempre assim foi.
O Código de Hamurabi, considerado a mais fiel origem do direito, foi compilado na Babilónia (atual Iraque) cerca do ano 1772 a. C. e continha 282 artigos. A Babilónia era a maior cidade do mundo. O Império Babilónio “dominava a maior parte da Mesopotâmia, incluindo grande parte do moderno Iraque e parte da Síria e do Irão atuais”. Com esta compilação, o rei Hamurabi pretendia apresentar-se “como o modelo de um rei justo, servir de base a um sistema legal mais uniforme”. Hamurabi começa por afirmar-se nomeado pelos deuses Anu, Enlil e Marduk “para fazer com que a justiça prevaleça sobre a Terra, para abolir os perversos e maus, para impedir os fortes de oprimirem os fracos”.
Apesar de afirmar que pretende impedir os fortes de oprimirem os fracos, privilegia precisamente os fortes nos diferendos entre as duas classes.
Do Código sobressai a lei de talião. Assim, o artigo 196º determina que se um homem de classe superior cegar o olho de outro homem de classe superior, deverão cegar o seu olho.
Se cegar o olho de um plebeu, ou partir o osso de um plebeu, deverá pesar e entregar 60 shekels de prata – artigo198º.1
Como facilmente se verifica, sem necessidade de transcrever outras nomas, as leis não eram aplicadas igualmente. O Código definia uma hierarquia entre os homens de classe superior, os plebeus e os escravos. Os homens da classe superior eram claramente privilegiados, os plebeus ficavam com os restos e os escravos não tinham quaisquer direitos, pois eram considerados coisas, podendo o seu dono deles fazer o que lhe apetecesse. Nem podiam queixar-se, pois seriam castigados por esse atrevimento.
Volvidos alguns milhares de anos, em 1776 da era atual, embora os norte-americanos proclamassem a igualdade de todos os homens, não desapareceu completamente a hierarquia. Esta verificava-se entre “os brancos que gozavam de liberdade, e negros e índios, que eram considerados seres humanos de tipo inferior e, como tal, não partilhavam de direitos iguais aos dos homens. Muitos dos que assinaram a Declaração de Independência eram donos de escravos. Não os libertaram depois de assinada a declaração nem se consideravam hipócritas. Do seu ponto de vista, os direitos dos homens tinham pouco que ver com os negros”.
“A ordem norte-americana também consagrava a hierarquia entre ricos e pobres. A maior parte dos norte-americanos dessa época tinha poucos problemas com a desigualdade provocada por pais ricos que passavam o seu dinheiro e os seus negócios para os filhos.
A liberdade, em 1776, também tinha conotações muito diferentes das atuais. Significava que o Estado não podia, exceto em circunstâncias excecionais, confiscar a propriedade privada. Mas a ordem norte-americana favorecia a hierarquia da riqueza, considerando que era a compensação da natureza em virtude do mérito.2
Todas as distinções entre classes são o produto da imaginação que é vertido na lei. Os escravos não tinham “natureza escrava”, como dizia Aristóteles. Por outro lado, os hindus não aderiram às castas por acreditarem no mito segundo o qual os deuses criaram o mundo a partir do corpo de um ser primevo, Purusa. O sol teria sido criado a partir do olho de Purusa, a lua a partir do seu cérebro, os brâmanes (sacerdotes) a partir da sua boca, os kshatriyas (guerreiros) a partir dos seus braços, os vaishyas (camponeses e mercadores) a partir das suas coxas e os shudras (criados) a partir das suas pernas.
Porém, não faltam pessoas que são capazes de alegar que a sua hierarquia é justa e natural, ao contrário das restantes.
Parece, no entanto, que nunca como hoje se acreditou tanto na igualdade. Podemos mesmo dizer que, em certos aspetos, até se cultiva essa igualdade. Basta observamos o atual modo de trajar das pessoas. Jovens de todas as classes vestem hoje calças de ganga, tendo o tecido muitas vezes a aparência de já ter sido usado e gasto e até com enormes rasgões. Pelo menos pelo modo de vestir, ninguém consegue detetar qualquer distinção entre classes.
1Cfr. Yuval Noah Harari, pág.s 130 e seg.
2 Idem, pág.s 164 e seg

SANFONINAS

dr. jose
Está com um livro – parabéns!
Serenamente, Rosa aguardava a sua vez, na sala de espera do Serviço de Imagiologia. Levara um livro para ler, porquanto viera com tempo, para a ecografia. Quando a veio chamar, a técnica não resistiu a dizer-lhe, enquanto a encaminhava por o gabinete:
– Parabéns! A senhora era a única que, na sala, estava a ler um livro, toda a gente via era os telemóveis!…
Rosa admirou-se, sorriu, agradeceu e concordou.
O Museu Arqueológico de S. Miguel de Odrinhas (Sintra) ufana-se de ter reunido, ao longo dos anos e muito por acção do seu responsável, Dr. Cardim Ribeiro, bibliófilo militante, uma excepcional biblioteca sobre a Antiguidade, inclusive com volumes de edições raras, seculares. À entrada desse espaço modelar, pronto a receber investigadores, uma placa em latim reza assim: LEGE · LEGE · LEGE · RELEGE – que é como quem diz: não te canses de ler!
Hoje, a leitura começa a ser feita em «tablets» e, na escola, os meninos aprendem a manuseá-la, até porque inclusive o tradicional TPC lhes é enviado por correio electrónico. Compreende-se e aceita-se a inovação. Isso não está, porém, a impedir – e ainda bem! – que, em Centros de Dia e noutros locais comunitários, se haja instituído a «Hora da Leitura», amiúde protagonizada por um escritor. Uma forma, portanto, de contrabalançar o avanço do digital em exclusivo e de, por outro lado, se ensinarem os mais novos a sentir o cheiro do papel impresso e a palpar-lhe a textura.
Ora lege
Custa-me passar junto de contentores do lixo e deparar com caixotes de papelão cheios de livros ou mesmo livros a monte, parte deles de colecções quase completas. Outro dia, eram mesmo os volumes de uma enciclopédia. Recolho-os por norma, faço a selecção, passo em revista as entidades passíveis de os receber e… começam as diligências da distribuição, evitando, pela diplomacia, eventuais relutâncias, mormente por parte do pessoal nem sempre vocacionado para a função que lhe cometeram e que, por isso, vê num novo volume apenas mais uma entrada a inserir no ficheiro!… Recordo o dia em que técnicos duma biblioteca foram a umas águas-furtadas onde, para entrega gratuita, havia uma colecção (rara em Portugal) de livros de bolso ingleses, mais de um milhar, tudo bem arrumadinho… e opinaram não ter qualquer interesse. Eram as águas-furtadas servidas por estreita escada quase em caracol…

Dr. Diamantino Furtado

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Vou recordar um saudoso amigo a quem Mangualde muito deve.
E prestando uma justa homenagem a Câmara Municipal deu o seu nome ao mercado.
Refiro-me ao Dr. Diamantino Augusto Teixeira Furtado, médico em Mangualde na sua Clínica- Casa de Saúde, que fundou.
Durante muitos anos foi o médico de minha avó Julieta, na aldeia da Roda, cuja saúde necessitava de ser seguida quase diariamente. Foi também o médico de quase toda a minha família.
Uma amizade muito particular a meu tio Dr. Amândio Marques, advogado no Porto, mas constantemente de visita à Roda e a Mangualde. O que os unia, principalmente, era comungarem as mesmas ideias políticas.
Ao escrever sobre o Dr. Dino, como era carinhosamente reconhecido, lembro-me sempre de dois grandes escritores que muito aprecio e prezo. Um português, o Grande Alexandre Herculano que dizia: – “ O mister de recordar o passado é uma espécie de magistratura moral – uma espécie de sacerdócio. Exercitem-no os que podem e sabem, porque não o fazer é um crime…”. O outro é uma figura internacional, mundial, com uma grande obra – Stefaz Zweig que no prefácio de um dos seus livros escreve: – “ Quando nos posicionamos tão somente como o narrador de um filme, para atribuirmos às imagens que o tempo nos deu, as respectivas legendas, temos obrigação, o dever, como testemunhas, de os relatar, de os passar para as gerações vindouras”.
Ora, o Dr. Diamantino Furtado merece o reconhecimento e o respeito de todos os Mangualdenses. Fundou a sua Clínica em Mangualde, Casa de Saúde, onde semanalmente vinha operar o Dr. Bissaya Barreto, grande cirurgião, uma das sumidades de Coimbra.
Depois, a seguir à Revolução de 25 de Abril, foi Presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Mangualde, 1974/1976, tendo como Secretário Manuel de Freitas Marado, mais tarde advogado em Mangualde.
Licenciado em medicina, já com alguma idade, inscreveu-se na Faculdade de Letras da Universidade do Porto onde concluiu o curso. Pessoa de rara inteligência e grande cultura.
Mas, aquilo que eu quero realmente realçar era a amizade que ele tinha por mim, eu na altura um jovem estudante. Amizade e respeito que eu lhe retribuía.
Tive então a ousadia de publicar o meu primeiro livro de Poemas “ Barco Vazio”, com prefácio de um outro saudoso amigo o Grande Poeta Pedro Homem de Mello.
Enviei-lhe um exemplar com uma dedicatória muito especial.
Pelo correio recebi uma carta, de duas folhas, que dizia: – “ Venho afirmar-lhe o meu reconhecimento pela oferta que teve a bondade de fazer-me, do seu primeiro livro de versos. Estou certo de que ele será a obra inicial da carreira poética que lhe vaticino longa e brilhante.
Creia, que sinceramente, discordo da excessiva modéstia do título. Não se trata de um barco vazio. Logo de entrada encantou-me a perfeição formal e a ideia expressa no poema “Vida”. Além da perfeição de forma, daquilo que nos seus poemas me faz encontrar perfeição técnica de versejar, era também sentimento. Permita que, como crítico “barato” lhe dê a minha opinião. O seu livro “ Barco Vazio” agradou-me e desejo sinceramente, que, como tantos outros, não de limite a escrever um livro.
Continue a escrever poemas e publique-os.
Seria pena que não o fizesse”.
Ao Dr. Dino, a saudade e o meu eterno Bem Haja.