Arquivo mensal: Fevereiro 2020

EDITORIAL Nº 771 – 15/2/2020

patrao
Caro leitor,
Temos visto nos últimos dias o surto do coronavírus a propagar-se pelo mundo inteiro. É com ansiedade, algum receio, e um forte sentimento de impotência que lemos as notícias todos os dias.
São momentos como estes em que nos apercebemos todos da nossa vulnerabilidade e de como o acaso, ás vezes, dita e sela o nosso destino. Trabalhamos tanto para ter controlo sobre a maior parte das coisas no nosso dia-a-dia e nas nossas vidas, até que de quando em quando nos aparece algo que está fora do nosso controlo e que nos lembra que somos pequeninos num mundo de coisas grandes.
Num mundo globalizado, as fronteiras dissipam-se cada vez mais. Já não são entraves ao movimento de pessoas e bens. As pessoas viajam com muita facilidade e as empresas operam numa ótica internacional. Posto isto, é impossível resguardarmo-nos de ameaças como estas. Nunca estivemos tão expostos a contágio. É importante irmos ganhando consciência das circunstâncias em que nos encontramos e, que nos dias que correm, estão sempre a mudar. É igualmente importante reconhecermos a nossa vulnerabilidade, apesar de ser assustador enfrentar ameaças como esta, que é invisível e pode assolar qualquer pessoa. Estamos todos em pé de igualdade neste caso, porque quando toca à saúde somos todos iguais e temos todos as mesmas preocupações.
É assustador também apercebermo-nos do pouco que sabemos e a falta de informação que existe quanto ás formas de contágio e até mesmo a cura. Com tanta informação ao nosso dispôr todos os dias, e na ponta dos nossos dedos, estamos muito mal habituados a ter toda a informação de forma rápida, completa e clara. Mas a informação vai-se recolhendo e conhecendo pelo que será uma questão de tempo.
Por agora, vamos observando a evolução do surto e esperar que deixem de relatar novos casos. Há-de cessar. Com tempo e esperança, tudo se resolve.
Um abraço amigo,

ACHEGAS PARA OBTER UMA BIBLIOTECA

Humberto Pinho da Silva
Conta-se, que certa manhã, Camilo, estando na Praça Nova, no Porto, encontrou negociante seu conhecido, sobraçando grande quantidade de livros.
Ao Vê-lo, Camilo, disse-lhe a sorrir:
– “Tantas livros leva! …”
Respondeu-lhe o homem, com a boca cheia de risos:
– “ São para meus filhos…São quatro quilos de conhecimento! …”
– Quatro quilos de sabedoria!? …” – Repetiu o romancista. – “Veja lá se o roubaram no peso…”
Possuir muitos volumes, nas estantes do escritório, para deslumbrar amigos e conhecidos, é coisa, em regra, de novo-rico.
Livros alinhados, perfilhados, encadernados a pele, com lombadas a oiro, não representam, nem cultura, nem sabedoria.
Há quem compre colecções inteiras, convencido que ao adquirir livros a metro, se torna culto…apenas decoram estantes…
Não é fácil ter uma boa biblioteca; depende do gosto literário, da profissão, e da capacidade de cada um.
O advogado, o economista, o engenheiro, e o médico, por exemplo, necessitam, além das obras basilares, que todos devem conhecer, livros técnicos, que lhes forneçam informações úteis para a profissão.
Cada qual deve escolher, na imensidade das obras, que, quase diariamente, se edita, os livros que lhe agrada e que lhe possa ser útil.
Um pouco de tudo – a meu ver, – será o ideal, tendo em conta a idade.
Além dos autores basilares, na língua portuguesa (Camilo *, Eça, Machado de Assis, Garrett, Alexandre Herculano, etc. …etc. …) que convêm conhecer, pelo menos as obras mais conhecidas, há vantagem de possuir punhado de clássicos, principalmente os acessíveis à maioria dos leitores, como: Frei Heitor Pinto, Manuel Bernardes, Francisco Manuel de Melo, António Vieira, Frei Luís de Sousa, Francisco Rodrigues Lobo, por exemplo. (S. Tomás, aconselha: não ir directamente ao mar; mas pelos pequenos ribeiros. Tudo depende da capacidade e da preparação.)
Dos estrangeiros poderei, entre outros, citar: André Mairois, Ortega y Gasset, Pascal, Teilhard de Chardin, Bacon, Marco Aurélio, Platão, La Bruyère, Erasmo, Descartes, Montaigne, Balzac, Azorín, Shakespeare, Kant, Proust, Tolstoi, Claudel, Stendhal, e muitos outros, que por ser lista extensa, não devo mencioná-los em artigo de jornal.
Há, todavia, autores, para quem desejar informações úteis e proveitosos conselhos, (livros de cabeceira,) que são: – em minha opinião, – imprescindíveis: Carrel, Sertillanges, Jean Guiton, Mário Gonçalves Viana, Marden, Billy Graham, Fulton Sheen, Montapart e a Bíblia (pelo menos o Novo-Testamento).
Além dos mencionados, que considero basilares, há outros de igual quilate, mas seria impossível mencioná-los, aqui.
Termino, com palavras de André Mairois:
“ Ter cultura, não é saber de tudo um pouco; também não é saber muito dum só assunto. É conhecer a fundo alguns grandes espíritos, alimentar-se deles, assimilá-los.”
Deve-se ler, reler, tresler, e meditar no que se leu.
Padre Manuel Bernardes aconselha, até, que é: “Mais frutuoso, e menos cara a lição moderada dos mesmos livros, do que a demasiada de vários.”
*)”El Amor de Perdição”, de Camilo, es uno de los libros fundamentales de la literatura ibérica (castellana, portuguesa y catalana) – Unamuno- “Por tierras de Portugal y España”.

Quando a vergonha provoca o silêncio…

Ana Cruz
Não é necessário ter frequentado o ensino superior para chegar à conclusão, que a comunicação é essencial para uma boa relação, quer seja pessoal, profissional ou familiar! E contrariamente ao que se divulga, nem sempre os eruditos são os melhores comunicadores! De fato, quando a arrogância é tamanha, a sabedoria social é quase nula! Ser humilde e aceitar que o individuo imberbe tem mais sapiência que o professor mais barbudo (antigamente ter barba era sinal de sabedoria e maturidade, daí “Quando vê as barbas do vizinho a arder, põe a tuas de molho”) é uma atitude ridicularizada pelos académicos com paredes agraciadas por diplomas mais velhos que os alunos que dão aulas! De tão verdadeira ser esta constatação, mais pesarosa fico em ver “fugir” as pequenas grandes ideias devido à desaprovação dos “velhos” que não se limitaram em ficar no Restelo! Perante tanto preconceito inusitado não será de estranhar que as pessoas tenham dificuldade em falar… de certas situações cuja anatomia está oculta e requer utilizar sinónimos com analogias que podem ser suscetíveis a um cenho franzido e um coçar de cabeça. Sinais de desconhecimento de significado da analogia utilizada!
Por exemplo, falar de hemorroidas é sempre um assunto delicado (!?), e por vezes o receio da galhofa é superior ao desconforto e o silêncio é aconselhado pela consciência do lesado! Mas há casos em que a personagem não se inibe se satirizar a sua situação “Olhe, Sôra Enfermeira, isto é difícil de falar, mas vocês enfermeiros já veem tanta coisa que já devem estar habituados! Ando com problemas no” cano de escape”, sabe!”. E lá vem o coçar de cabeça e o cenho franzido! Para quem é mais preciso na sua semântica, irá suscitar uma récita de analogias acompanhadas de gestos por parte da vítima, e até que pode chegar mesmo ao calão mais carroceiro de fazer corar as peixeiras do Porto!
É preciso estar alerta aos sintomas que surgem nos nossos orifícios corporais, e o ânus costuma ser referido em ultima instância! A dilatação de veias ou artérias localizadas na zona anal, resultando do termo hemorroidas, que tem o significado em latim de “veias de que escorre sangue”. Na realidade, é mais frequente ocorrer a dilatação nas veias, resultando numa formação varicosa na zona anal. Ora isto significa que o acumular de sangue nessa dilatação, provoca um desconforto constante, como comichão e dor, para além de vontade de evacuar (tenesmo intestinal) devido ao volume da hemorroida a pressionar no reto\ ânus. Sangrar é o outro sintoma que é natural, pela lógica de quando as fezes passam pelo reto poderem ser mais densas e consistentes e romperem a hemorroida. Aí o lesado entra em pânico, ao ver a sanita ficar mais vermelha que um tomate, e pensa que irá desmaiar pela dor e perda de sangue. Nesta circunstância, a água fria e a mais rápida aplicação de gelo são a solução! Caso a hemorragia não diminua em 30 minutos, ligue a SNS24 (808 242424) onde o profissional de saúde orienta a pessoa após a descrição pormenorizada do sintoma (local, quanto tempo tem o sintoma, e sensação física).
Bem… Neste momento deve mesmo falar com o seu médico de família, privado ou não, que tem o dever de despistar potencial problema intestinal, com observação física! Nesta era dos telemóveis com fotografia as selfies não são apenas da face… Mas visualizar a situação não confere um diagnóstico correto! A luva de latex e a palpação local é a forma de iniciar o estudo da potencial síndrome hemorroidal! Logo manter a mente calma será o comportamento para facilitar uma observação constrangedora quer para o observado quer para quem irá observar!
Os fatores desencadeantes estão sempre associados a obstipação (prisão de ventre); excesso de peso; sedentarismo (muitas horas sentado…sim conduzir muitas horas pode resultar em síndrome hemorroidal!); diarreias crónicas, que provocam esforço frequente no esfíncter (musculo em forma de anel que promove a abertura ou encerramento de um orifício ou canal) do intestino. Antes de avançar a tratamentos, quase sempre é recomendada a alteração da dieta (mais fibras\ verduras + ingestão de água) para evitar a acumulação e endurecimento das fezes no canal intestinal e aumentar a atividade física para melhorar os movimentos para a evacuação das mesmas (movimentos peristálticos). Infelizmente, também é frequente na gravidez surgir hemorroidas, o que torna a recuperação após o parto (quer com cesariana ou não) muito mais penosa! Quando as dores são tão intensas, a aplicação de pomadas analgésicas (algumas sujeitas a receita médica outras não) dão alívio imediato, por isso fale com o seu médico ou farmacêutico! Nesta sociedade “hiperesterilizada” em que falar de “banho de assento” parece coisa do passado, este é ainda o tratamento recomendado pelos especialistas que operam hemorroidas já em fase muito avançada! É verdade! Porque se um chá faz milagres ao estomago, porquê desconsiderar esses benefícios à mucosa intestinal\anal? O alguidarzito da avozinha religiosamente escondido na casa de banho tinha esse objetivo! Entre 2\3 vezes ao dia aplicar o banho de assento e se tiver uma hemorroida sangrante pode aplica-lo com o chá de camomila (cicatrizante) ou chá de nogueira! Ainda bem que o Brexit está em curso, porque ter um chá das 5 utilizado em banho assento, seria um ultraje!

REFLEXÕES

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GRUMAPA Grupo Mangualdense de Apoio e Protecção dos Animais
A abordagem que temos feito por vários meses sobre a vida desta associação, desde o seu início em 1995, é apenas, e já o disse, um ligeiro resumo do muito que se trabalhou ao longo de dezasseis anos, do dinheiro que se investiu desde a aquisição do terreno até à construção dos edifícios e o desgaste físico e psicológico inerente às imensas preocupações na resolução, sobretudo, dos sempre presentes problemas financeiros os quais, como presidente, eram os que mais preocupações me traziam. De construção eu pouco percebia, mas aí entrava sempre o saber do vice, prof Benjamim e do senhor Carlos Pina que iam acompanhando as diversas fases da obra.
É também a intenção de não se perder a história do nascimento e existência de um Grupo criado por pessoas sonhadoras na ideia de resolver os problemas que surgiam diàriamente na vida de animais que deviam ser protegidos e bem cuidados pelos donos ou tutores. Contudo muitas pessoas possuidoras de animais não tinham a mínima sensibilidade nem conhecimentos para lhes proporcionar o aconchego que lhes era devido por tudo aquilo que nos davam e dão. Felizmente que nestes últimos 15 anos muita coisa tem mudado e a população vai – se tornando mais consciente do problema e empenhada em proporcionar uma vida agradável aos nossos companheiros no planeta. Intencionalmente deixo muito por dizer nas entre linhas. Guardo-o para ser acrescentado num futuro próximo, porque a história da protecção animal na vida da Humanidade ainda está por fazer. E todos devíamos ter em conta o que tem sido ao longo dos milénios a dependência de todos os humanos em relação à existência dos animais na Terra, assim como de toda a Natureza que nos rodeia. O que seria do ser humano plantado num infinito deserto? É uma interrogação divertida, mas talvez constitua matéria para uns largos momentos de reflexão só que no actual estilo de vida da maior parte das sociedades a subjectividade não estará presente.
Estou com divagações que me desviaram do essencial – o nascimento e vida do GRUMAPA. É por ele que aqui tenho estado neste trabalho de escriba chegando ao fim do ano de 2011, quando as minhas energias quebraram e na Direcção se procurava uma solução ainda que fosse temporária.
Já era lusco –fusco. Naquele dia de Dezembro tinha acabado de cuidar dos oito animais que já tínhamos nas boxes e com as energias em falência total. Entrando no carro para o regresso a casa vi no meu telemóvel a marcação de uma chamada que me tinham feito e cujo número me era desconhecido. Pensei…deve ser notícia de mais uma ninhada ou qualquer encrenca com animais… Tenho que ignorar, estou de rastos…
Depois de uns minutos de descanso, não resisti à tentação e procurei saber quem me havia contactado. Tinha de ficar tranquila, mesmo que fosse algum problema grave seria necessário agir. Não estava no meu espírito alhear-me da causa que sempre me tinha motivado.
A partir deste meu gesto toda a vida no GRUMAPA se baralhou e ficámos a braços com uma surpresa altamente desagradável que foi piorando à medida que o tempo passava! Então a estória ainda não fica por aqui, não ! O mais grave estava para vir e o que se seguiu não dá para acreditar. Então teremos de prosseguir na narrativa…
15 Fevereiro, 2020

MEMÓRIAS

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RETRÉTES
Despovoadas e abandonadas por quem lá nasceu viveu e morreu , as nossas aldeias irremediavelmente caminham para a ruína e esquecimento . São as pessoas e os seus laços à terra que pisam e arroteiam , às árvores às fragas , às nascentes , ao vizinho do lado e ao da frente às memórias às lendas , aos saberes e tradições que unem e comungam emoções que fortalecem a união dos habitantes de uma aldeia . É a perda desses laços que está a levar a uma profunda descaracterização ou á sua lenta agonia sufocando-as em montes de ruínas . É urgente reiventar laços despertar vontades e consciências para que o nosso mundo rural seja rejuvenescido e encarado como parte integrante da nossa riqueza como povo . Perante a adversidade das condições em breve teremos apenas silvados e escombros a cobrir o que delas resta . São as aldeias das nossas vidas nascentes brotantes de uma seiva de paisagem onde o céu se casa intimamente com a terra . Longe vai o tempo em que regurgitavam de habitantes fervilhavam e transpiravam de vida rural . Todos os santos dias o sol baixava triste sobre a terra nas asas de um silencio de veludo porque eram deprimentes as suas condições de vida . Hasteava-se serenamente a bandeira de uma luta tenaz por uma saúde pública minimamente digna e qualitativa . Casas de banho eram miragens . Tomava-se banho na bacia grande ou no tanque . Nos anos sessenta começam a surgir as retretes de madeira construídas nos pátios das casas e nos quintais . Eram caixotes com um buraco ao meio para despojos e que por entre as ripas se vislumbravam as árvores e os montes á luz do sol recortadas em tosca nitidez . Outras situavam-se em pontos estratégicos da aldeia . Coexistiam com os habitantes . Eram autenticas estrumeiras públicas onde as pessoas vazavam “ os penicos “ e faziam as suas necessidades fisiológicas (não tomem como afronta a pureza do linguajar sem preconceitos simples e vernáculo do nosso povo : “arreavam a calça “ , eram os cagadouros . Tudo normal para a época até a ignorância aportada por arrocho que fazia sucumbir a imaginação que era ter uma estrumeira a céu aberto com a consequente difusão de bactérias disseminadas e transportadas nos aluviões das águas na época das chuvas que eram abundantes quando o céu se desfazia em água e a hostilidade das penedias apertava o corpo de encontro á alma . Simultaneamente eram causas de insalubridade as estrumeiras nas lojas nos pátios e nas ruas onde chafurdava toda a criação que livremente deambulava desde a glória do dia até á queda do poente . Inquinava a água pela mistura das enxurradas . Á falta de outros meios os dejectos eram atirados pelas janelas para as estrumeiras . daqui o pregão “ lá vai água “ para que as pessoas se precavessem de um banho perfumado , quando até o perfume das flores dos pátios e quinteiros , indecisas batiam asas inibidas pela aragem odorífera que deslizava . Surgiram as primeiras casas de banho equipadas com mais comodidade asseio e higiene . E do humus onde as plantas sugavam fortaleza surgia uma divisão no interior da casa num assombro de quem via milagre ou maravilha . Em todo o equipamento murmuravam vozes de água marulhos de frescura que antes no exterior apenas deslizavam sob verde ramaria . Resplandeciam as casas de banho como branca névoa que no poente lateja perante pequenos olhos como sonho infinito que o sol aviva … gatinhando ia chegando o progresso.

SANFONINAS

dr. jose
Sem pressas…
Andamos numa correria, deixamos as coisas a meio, deixamos as frases a meio, na ideia de que «a meio entendedor meia palavra basta» e todos serão bons entendedores…
«A agitação é uma das grandes feridas do Mundo moderno. O homem tem demasiado trabalho e quereria fazê-lo todo. Como lhe falta tempo para o conseguir, apressa-se, corre, enerva-se, cai na excitação ou no desencorajamento e, por fim, torna-se intolerável, fatiga-se, abrevia a sua vida, não faz tudo aquilo que queria e faz metade daquilo que faz. É um fracasso.» (Michel Qouist, Construir, 1965, p. 121).
Leu bem: 1965! A tradução portuguesa do livro, publicada pela Livraria Morais Editora, data de 1965. Há 55 anos!…
E há 55 anos nunca suspeitaríamos que viríamos a ter a nossa caixa de correio electrónico diariamente atravancada de mensagens, de que, a maior parte das vezes, nem o «assunto» lemos. Aliás, esse é também um erro, porque, amiúde, o «assunto» não é nada aquele que está gravado e o remetente limitou-se a agarrar numa qualquer mensagem tua que recebeu e aproveitou para te falar de um tema completamente diferente!…
Não se lê. Não há tempo. Por isso há empresas que já industriaram o seu computador de serviço para responder. Assim se compreende por que razão, há uns três anos, eu enviei a uma editora a recensão que fizera a um livro por ela publicado e a resposta começava mais ou menos nestes termos:
«Teremos muito gosto em publicar o seu livro, que terá connosco a maior difusão inclusive além-fronteiras…»!
Parte-se, pois, do princípio de que toda a gente quer publicar nessa editora, a troco do fixado pagamento…
Os cientistas são obrigados a publicar, sobretudo em revistas ditas conceituadas, por constarem de um elenco gerado – vá-se lá saber como e com que critérios… – por um também conceituado grupo de especialistas na matéria. Criaram-se, em consequência (que o mercado era vantajoso!), empresas editoriais predadoras que, a troco de umas centenas de dólares, te publicam o que quiseres. E dois cientistas, após terem recebido o convite duma dessas editoras para a escolherem, mandaram para apreciação umas quantas páginas em que repetiam até à exaustão a frase, que não traduzo, «Get me off your fucking mailing list». O texto foi aceite… a troco do pagamento prévio de 150 dólares!…
Apetece, pois, aproveitar a cadeira à sombra acolhedora da árvore e, sem pressas, saborear os momentos que nos são dados para viver… Sem pressas!

Consequências do Brexit

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Faço esta crónica dias antes da data de saída do Reino Unido da União Europeia.
Parto do princípio que tudo irá correr bem.
Se de facto a saída do Reino Unido for negociada, iniciar-se-á um período de tansição até 31 de Dezembro de 2020, período em que os britânicos continuarão a aplicar as regras europeias, mas sem representação nas instituições comunitárias.
Porém o “brexit” já tem repercusão na economia portuguesa.
Vejamos essa influência no sector do turismo, que é aquele que eu sigo mais atentamente.
O Algarve é o principal destino dos britânicos, seguido do eixo Lisboa-Cascais e depois a Região Centro. Deve-se isto ao bom clima de Portugal, a uma situação política estável, a uma percentagem bastante significativa de pessoas falarem inglês, um custo de vida mais baixo e a uma característica muito própria do povo português que é saber receber com afabilidade.
Para evitar maiores danos o Turismo de Portugal tem vindo a desenvolver uma campanha muito interessante no Reino Unido, um vídeo de um minuto, lançado em Abril de 2019 e que já tem 4,9 milhões de visualizações no You Tube. Esta campanha designada por “Brelcome”, trocadilho entre “brexit” e “welcome” chama a atenção dos ingleses para a isenção de vistos, um corredor especial, dedicado, nos aeroportos, reconhecimento das cartas de condução, etc. E termina com o “slogan” :- “Portugal cá estará, como sempre!”.
Vários “seminários”estão a ser realizados em várias cidades britânicas para salientar as vantagens de residir em Portugal. Num só dia, na cidade de Londres, houve uma adesão de 730 novos residentes.O ano de 2019, foi o ano com mais pedidos de autorização de residência dos britânicos, qualquer coisa como 8.349 cidadãos a declararem morada no território português.
Neste momento residem em Portugal 34.340 britânicos, terceira maior comunidade depois dos nascidos no Brasil e em Cabo Verde.
Espera-se que a taxa cambial, após a saída, não venha estragar tudo ficando desfavorável. Outra coisa também a ter em conta é que os “oportunistas”,de sempre , não aumentem o preço das casas em Portugal.
Portugal mantém com a Inglaterra a mais antiga aliança do mundo. Foi em 1373 que Eduardo III da Inglaterra e D. Fernando I de Portugal constituiram um tratado de “ perpétua amizade, sindicato e aliança”. O nosso país é o 31.ºcliente do Reino Unido e o 27.º fornecedor.
É a classe mais sénior do Reino Unido que procura Portugal. E Portugal preocupa-se que os cidadãos britânicos, neste país continuem a ter as mesmas facilidades que tinham quando eram cidadãos europeus.
Daí o “slogan” :- “ Portugal nunca vos vai deixar”.

Esta noite acordei com uma “breca” na barriga da perna. E demorou a sair, a maldita!

dr. raul
Há quem chame Breca às Cãibras.
Como e porque é que aparecem?
Raros são os que nunca tiveram uma cãibra. Mas o que é que se esconde por detrás desta brusca contração muscular, dolorosa e incontrolável?
O que é, na realidade, uma cãibra?
A cãibra é um fenómeno frequente e, contudo, pouco conhecido. O que se sabe é que a cãibra é uma contração forte de um músculo, que surge de forma brusca e se acompanha de uma dor bastante intensa.
As cãibras desencadeiam-se, muitas vezes, no quadro de uma actividade desportiva, impedindo o atleta de manter o seu esforço, tal o incómodo e dor que provocam. Para além deste caso típico, as cãibras são mais frequentes durante o período de crescimento, ou durante a gravidez; mas algumas cãibras aparecem sem alguma razão aparente, mesmo na cama, a dormir!
Porque é que aparecem as cãibras?
No caso das cãibras surgidas durante o esforço parece haver uma falha pontual da circulação sanguínea: o músculo é muito solicitado e não recebe a quantidade necessária de sangue às suas necessidades.
Outras causas podem, também, ser apontadas: como uma desordem metabólica (falta de cálcio, de potássio ou de magnésio) que influenciaria, de maneira negativa, a química que se desenrola num músculo durante o esforço. Mas, na realidade, os mecanismos precisos das cãibras permanecem ainda um mistério. Felizmente que, à custa de sofrer cãibras, os desportistas acabam por conhecer alguns meios de as evitar.
Como prevenir as cãibras?
Fazer um bom aquecimento antes do esforço, no mínimo de um quarto de hora, para aquecer todos os músculos. Assim, os músculos ficam melhor preparados e tornam-se mais eficientes.
Hidratar-se antes e durante o esforço. A falta de hidratação é um dos principais factores de risco de cãibras. Beba bastante água antes de iniciar o esforço e, tanta quanta queira, durante o mesmo.
Consumir, em quantidades suficientes, frutas e legumes. É a melhor maneira de assegurar as entradas de cálcio, potássio e magnésio.
Como reagir em caso de cãibra?
Se, apesar de todos os cuidados, a cãibra aparecer o que fazer?
Se está em plena actividade física, pare e dedique todo o tempo para se ocupar da cãibra. Estire o músculo afectado, docemente, mas de forma continuada. É doloroso… mas eficaz.
Massajar a zona afectada. Se a dor for muito intensa, pode aplicar-se um analgésico de superfície para a atenuar e continuar com as manobras de relaxamento do músculo.
As cãibras são, regra geral, benignas. Se elas se tornam muito frequentes, não deve hesitar em consultar o seu médico, que melhor poderá aconselhar.
E-mail: amaralmarques@gmail.com