Arquivo mensal: Abril 2020

EDITORIAL Nº 775 – 1/5/2020

DIRETOR
Caros leitores
Abrimos esta edição com um editorial que foi escrito no momento em que a Câmara Municipal declara luto em Mangualde, ao colocar a sua bandeira em meia haste. Esta situação surge pelo facto de terem falecido pessoas no concelho, em consequência do COVID-19. Esta postura simboliza uma solidariedade institucional com as pessoas que faleceram e suas famílias e pessoas do seu convívio social e comunitário.
A entidade camarária realça um sofrimento pessoal e social. Ao fazê-lo tem implícita uma necessidade: a defesa do princípio do isolamento pessoal, social e geográfico, o que se vive na situação de emergência declarada pelas autoridades governamentais e de saúde. Esta atitude de isolamento, que previne o contato das pessoas, e altera as suas rotinas diárias, impede a propagação do vírus.
A preservação da atitude de isolamento social, com a exceção da continuidade funcional de centros comunitários, os quais permitem a circulação e entrega dos bens alimentares, da protecção, saúde e segurança social civil e da limpeza e recolha do lixo, como a realização de actividades comerciais e industriais em situação de segurança, é condição essencial de uma comunidade, para a manutenção da sua saúde pública.
A população mantem-se segura em casa, a vinda à rua é, só, para a consumação de situações, no contexto da satisfação de necessidades elementares, a nível social, como as alimentares e outras, que garantam a sobrevivência individual e dos grupos sociais. Nesta situação de isolamento social a comunidade de Mangualde viveu dois momentos: a Páscoa e o 25 de Abril.
A Páscoa é um momento religioso vivido pelos cristãos como o corolário da Semana Semana, a ultima da quaresma, que recria a vinda de Jesus para Jerusalém, a sua morte, e a sua ressurreição.
O 25 de Abril simboliza a liberdade e igualdade de cidadania, entre outros valores, na sociedade portuguesa. O 25 de Abril de 1974 foi o dia em que se iniciou a implantação da democracia em Portugal, após o derrube, pelas forças militares da 2ªRepulica, do Estado Novo. A sua comemoração, este ano, só se verificou, a nível oficial, na Assembleia da Republica. O Presidente da Republica, na cerimónia realizada nesse órgão, emitiu um discurso, no qual apelou à unidade do povo português e à sua capacidade para superar a dificuldades com que a sociedade portuguesa se está a defrontar.
As minhas cordiais saudações.

OS DIAS DA SEMANA EM PORTUGAL

juiz
A palavra semana deriva do latim septimana, que significa sete manhãs ou dias. Na nossa língua, os nomes destes sete dias são diferentes dos usados em todas as outras línguas. Isto deve-se ao antigo bispo de Braga, São Martinho de Dume, que pretendeu acabar com as práticas ainda vigentes principalmente entre os camponeses cristãos. Na verdade, na generalidade dos idiomas, os nomes dos dias da semana derivam dos nomes dos astros, associados a alguns deuses olímpicos: Lua, Marte, Mercúrio, Júpiter, Vénus e Saturno. Por exemplo, o dia da Lua denomina-se Monday (em inglês), ou Lunes (em espanhol).
Em 563, São Martinho de Dume entendeu que na Semana Santa, a época do ano mais sagrada para os católicos, os dias não podiam continuar a ter uma denominação de origem pagã. Sendo os dias da Semana Santa consagrados ao descanso, ao culto e à oração, deviam passar a chamar-se Feria, que significa festa (litúrgica), de onde derivou a palavra feriado, sendo ordenados numericamente.
Entretanto, já no século IV, após o Concílio de Niceia, por influência católica, o sétimo dia havia passado a ser o Shabbat judeu, dia em que Deus descansou da criação. Acresce que a tradição católica veio a fixar o dia semanal de descanso ao Domingo, em homenagem à Ressureição de Jesus Cristo. O dia dedicado ao culto do Sol (dies Solis, o Sunday na língua inglesa) passou a ser o dies Dominica (o dia do Senhor).
São Martinho de Dume, no primeiro Concílio de Braga, que demorou de 561 a 563, modificou por completo os restantes nomes dos dias da semana que passaram a ser: Dominica dies, Feria Secunda, Feria Tertia, Feria Quarta, Feria Quinta, Feria Sexta e Sabbatum. Com o passar dos anos a língua portuguesa substituiu a palavra feria por feira, que era o dia dedicado ao mercado. Assim, ficaram a ter a seguinte designação: domingo, segunda feira, terça feira, quarta feira, quinta feira, sexta feira e sábado. Como se verifica, em vez de terceira feira, passou a dizer-se terça feira, seguindo a pronúncia latina de Tertia.
Os concílios de Braga foram concílios regionais, pelo que as decisões da Igreja só tiveram influência dentro da área geográfica que veio a ser, mais tarde, Portugal. Para os restantes países ocidentais, os nomes dos dias da semana continuam a ser uma referência aos deuses patronos de cada dia. Nas línguas latinas, são os deuses romanos referentes a cada astro.
A semana devia começar com um dia de descanso e culto aos deuses e ao maior astro. Assim solis dies, dia do Sol (sunday), para serem abençoados os dias seguintes.
Luna dies, dia da Lua, o segundo astro mais importante para os romanos, com influência nas plantações agrícolas e nas marés.
Martis dies, dia de Marte, deus da guerra, dia dedicado à prática de artes marciais, exercícios físicos e desportivos.
Mercurii dies, dia de Mercúrio, dedicado ao patrono dos comerciantes e viajantes.
Jovis dies, dia de Júpiter, pai dos deuses, criador da natureza, das chuvas e das colheitas.
Veneris dies, dia de Vénus, deusa do amor, símbolo do ouro, era o dia em que os soldados recebiam o pagamento, em ouro.
Saturni dies, dia de Saturno, deus do tempo consagrado ao último dia da semana, dia dedicado à reflexão e às ceias familiares.
Pelo que ficou dito, nas outras línguas latinas prevaleceu a nomenclatura romana, com exceção do primeiro e do sétimo dia, que foram modificados após o Concílio de Niceia. A título de exemplo, na língua espanhola: Lunes, Martes, Miércoles, Jueves, Viernes, Sábado e Domingo; na língua francesa: Lundi, Mardi, Mercredi, Jeudi, Vendredi, Samedi e Dimanche, em italiano: Lunedi, Martedi, Mercoledi, Giovedi, Venerdi, Sabato e Doménica.

IMAGINANDO

francisco cabral
PARTE 75
Sigurd-O Viking   (Parte 3)-Final
Reembarcados, seguem para Gibraltar, onde travam combate naval com os sarracenos, pugna da qual saíram triunfadores, conquanto houvessem sofrido duras perdas.
Certamente um outro rumo teria seguido a história da Peninsula, se acaso Sigurd deliberasse estabelecer-se, no extremo da Peninsula de Lisboa.
Atravessado o Estreito apoderaram-se os noruegueses da Ilha Formentera, tendo-se os infiéis refugiado numa larga caverna, donde foram expulsos, e onde foi encontrado um grande tesouro. Os habitantes de Iviça, avisados, apressam-se a vir render homenagem aos conquistadores, mas estes abandonaram as Baleares e aportam à Secília, onde foram encontrar os descendentes dos que haviam acompanhado o normando Rolão, e que eram, então, governados pelo Conde Rogério.
Sigurd foi magnificamente recebido, e coroou Rogério como Rei da Secília, título que só em 1130 foi confirmado, aos Reis da Secília, pelo papa.
Sigurd, em 1110, parte para Jerusalém, onde reinava Balduino, irmão e sucessor de Godofredo de Bouillon. Os dois reis cercam e tomam Sidon, havendo dividido o saque.
No ano seguinte Sigurd segue para Constantinopla, onde Aleixo Comneno realiza, em sua honra, grandes festas, havendo regressado à Noruega pela Hungria, Baviera e Dinamarca, casando neste reino com Malafrida, sobrinha de Canuto e filha dum Príncipe russo.
Já dissemos que no Outono de 1107 falecera Raimundo, conde da Galiza. Em 1109 morre Afonso VI. Diz-nos Herculano que os sarracenos de Sintra, sabedores da morte do Rei de Leão e Castela, se rebelaram nesse ano de 1109, recusando-se a pagar o tributo que o Conde D.Henrique lhes havia imposto.
Desde quando datava este Imposto?
Dá-nos a impressão de que, afastados os noruegueses, ficaram os sarracenos de Sintra tão enfraquecidos, que, sob ameaças, consentiram na vassalagem ao Conde D.Henrique. Este marcha sobre o Castelo de Sintra “que naquela época parece tinha uma importância militar pouco inferior à de Lisboa” (Herculano), e reduziu-o novamente à obediência. Libertados desta, só em 1147 passa definitivamente a Fortaleza de Sintra, da posse do crescente, ao da Cruz.
fjcabral44@sapo.pt 

SANFONINAS

dr. jose
«Está um lindo dia pra sorrir!»
Duas secções reúnem as preferências dos leitores, sobretudo da imprensa local e regional: a necrologia e uma outra, que nunca a ser mesmo secção porque, amiúde, quase serve para tapar um buraco na paginação. Essoutra poderia chamar-se prosaicamente «anedotas» ou, de preferência, «Rir é o melhor remédio». Prefiro este título porque, dizem os entendidos, rir ou, simplesmente, sorrir é atitude que faz trabalhar todos os músculos da cara e, desta forma, se mantém um rosto livre de desgostoso encarquilhamento. Recordo-me de um conferencista que incitou a assistência a abrir a janela pela manhã e proclamar «Está um lindo dia pra sorrir!». Desde esse dia, o despertador do meu telemóvel tem mesmo essa frase! E dá resultado!
Com isto tudo, perdi a necrologia pelo caminho; mas não interessa, porque toda a gente sabe porque é que gosta de ler a necrologia!…
Dizem que o Português é danado para anedotas. As picantes, as menos picantes, as de humor negro (estas, umas das preferidas)… Sempre ouvi afirmar que, no decorrer da II Grande Guerra, corria uma observação: «Se queres ouvir uma boa anedota sobre a guerra, vai a Portugal!».
Portanto, guerra é guerra, Covid-19 dá-nos luta e nós já lhe declarámos guerra cerrada. Esse, o motivo porque recebemos diariamente uma catrefada de anedotas acerca do malandro. Sim, malandro é e não tem graça nenhuma. Entra, sorrateiro, goelas adentro, instala-se, nem sequer atira um piropo às células, o que ele quer é comê-las e leva tudo de vencida. Poderia ainda fazer uma pausa, encantar-se com uma ou outra das celulazinhas que tão sossegadas estavam no seu labor e ficar enamorado, quietinho. Nada! É para matar, é para matar e pronto! Violência doméstica ao mais alto grau! E pobres dos leucócitos que nem tempo lhes dá para entrarem em acção.
De violência se queixou também o canito:
– Raios o partam, esse tal de covid! Toda a vizinhança me quer levar a passear. Estou que nem posso!
Do vírus não escapou a Última Ceia, de Leonardo da Vinci, que, como se sabe, se mostra no Convento de S. Maria delle Grazie, em Milão, um dos epicentros da peste. Primeiro, Cristo e os Apóstolos fugiram com medo; depois, voltaram, mas houve logo quem deles fizesse queixinha e entrou a guarda:
– Andor!… O que é?… Quero lá saber quem é o teu pai!… Isto é um ajuntamento, tá proibido, tudo prá esquadra já!

O vírus que tornou as ruas desertas…

Ana Cruz
Todos unidos iremos combater a propagação deste vírus, mas “a união só faz a força” se todos tivermos a mesma informação e o mesmo comportamento. Assim, tenho verificado muitos equívocos acerca dos Cuidados de Saúde Primários (CSP), mais especificamente as Unidades de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) e Unidades de Saúde Familiar (USF), em que a população em geral considera suspensos por motivos de isolamento social, mas está efetivamente a ter um serviço de abordagem menos visível, mas sempre presente! A Saúde Pública não é só conter esta doença, mas permanecer a promover a saúde através de meios que previnam as doenças e caso estas surjam, existir programas para gerir as doenças, envolvendo a pessoa e a família! “Todos somos agentes de Saúde Publica!”, mensagem reiterada por toda a celebridade que quer demonstrar solidariedade e sentido de cidadania, mas muito antes desta calamidade já todos eram agentes de Saúde Publica! Quando seguíamos as orientações do médico de família; quando seguíamos as informações da enfermeira no atendimento em consulta; quando íamos verificar o registo de vacinas em atraso; quando fazíamos os rastreios para despiste de cancro… Não vamos criar outra calamidade por estarmos com receio ou pânico do que pode vir! Por isso passo a citar um Comunicado lançado a 25 de Março de 2020 (NÚMERO: C160_80_v1) da Diretora Geral da Saúde, médica de Saúde Pública Maria Graça Freitas:
“ASSUNTO: Cumprimento do Programa Nacional de Vacinação durante a epidemia de COVID-19 – Medidas de exceção
A vacinação no âmbito do Programa Nacional de Vacinação (PNV) é uma medida de saúde pública prioritária, uma vez que previne doenças como o sarampo, a tosse convulsa, o tétano, doenças muito graves como a meningite, por 13 tipos de pneumococo, por meningocco C e por Haemophilus influenzae b.
Perante a necessidade de adotar medidas de carater excecional e temporário para prevenção da transmissão da infeção por COVID-19, estabelecem-se as seguintes prioridades de vacinação: 1. Vacinação recomendada até aos 12 meses de idade, inclusive. As crianças devem cumprir atempadamente a vacinação recomendada no primeiro ano de vida, que confere proteção precoce contra onze doenças potencialmente graves. Aos 12 meses, as vacinas contra o meningococo C e contra o sarampo, papeira e rubéola são muito importantes. A situação epidemiológica do sarampo a nível mundial não permite adiar esta vacina. Às crianças que têm estas vacinas em atraso, recomenda-se a vacinação o mais brevemente possível. Deve contactar a sua Unidade de Saúde.
2. Vacinação BCG das crianças com risco identificado de tuberculose grave, de acordo com Norma da DGS
3. Vacinação de doentes crónicos e outros grupos de risco no âmbito do PNV
4. Grávidas – Devem procurar ativamente a vacinação contra a tosse convulsa, que tem como objetivo a proteção do bebé nos primeiros meses de vida. A vacinação poderá ser adiada, mas nunca para além das 28 a 32 semanas de gestação. Deve contactar a sua Unidade de Saúde. Poderá consultar o esquema vacinal recomendado do PNV no website da DGS e deverá verificar o registo vacinal no Boletim Individual de Saúde ou no Portal do SNS.”
Claro está, que existe uma articulação sistemática entre a DGS e os CSP, sendo que este comunicado foi plasmado em informação mais técnica para os profissionais de saúde que exercem nas unidades. Logo não tenha receio de contatar a sua Unidade de Saúde para obter informações, mesmo que a chamada não seja célere a ser atendida! Aqui o termo “paciente”, está bem adotado para quem aguarda pelo atendimento telefónico! Controle as suas emoções enquanto aguarda, a pessoa que o vai atender tem de ser disponível, no entanto ser sujeita a injurias e insultos demonstra falta de civismo e falta de bom senso! Talvez essas ideias preconcebidas “que não atendem porque estão a tomar café!” sejam ainda difundidas por grande parte dos indivíduos e canais de comunicação (Realmente! Colocar um repórter para ligar para SNS24 para contabilizar o tempo de espera, sem motivo válido dá azo a questionar se os jornalistas desse canal foram selecionados de um Call Center de produtos radioativos, tal a imbecilidade que demonstram…. Só assim justifica-se o comportamento tantã, para rimar com o nome do canal televisivo), mas a realidade é que as equipas de saúde estão disponíveis. A vigilância das pessoas suspeitas de estarem infetadas são realizadas pela UCSP ou USF da sua área, através de contato telefónico. A norma nº 04/2020 de 23 de Março de 2020 da DGS é bem clara “1. Todas as pessoas que desenvolvam quadro respiratório agudo de tosse (persistente ou agravamento de tosse habitual), ou febre (temperatura ≥ 38.0ºC), ou dispneia / dificuldade respiratória, são considerados suspeitos de COVID-19 e ligam para a Linha SNS24 (808 24 24 24).”
Permaneça em casa se tem um destes sintomas e ligue para a SNS24 ou em último caso a sua USF\UCSP. Mesmo que desconheça o nº de telefone, ligue o 118 e uma assistente orientará para o nº de telefone que necessita. E para quem tem mais dificuldade em ouvir ou até ler devido às vicissitudes da velhice, ligue aos seus filhos ou netos, não se iniba de pedir ajuda a quem a tecnologia é uma brincadeira! É uma forma de interagir com a família mesmo sem existir um toque ou uma proximidade física.
Ultimamente as crianças são um dos grupos mais salientados como crescimento populacional, mas ter idosos bem cuidados e autónomos também é sinal de evolução na população! Não se isole porque acha que “não quero incomodar”! Ter receio e medo são emoções comuns a todos!

SUSPIROS DA ALMA

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TENHO A PRIMAVERA NOS MEUS OLHOS
Estendo o olhar pela imensidão do céu azul e deixo navegar a minha louca imaginação. Embevecido contemplo os vales com arvoredos leves e ondeantes deixando um rasto trémulo de sombra e à tardinha já quando vejo tristemente as coisas indecisas que me cercam e uma luz moribunda me obriga a um recolhimento sabático, olho o fantástico céu para onde tudo vai depois da morte numa mistura de desespero e resignação. E quando na solidão do meu quarto não tenho mais que a triste companhia do meu tormento se manifestam como uma represa sensações que rompem de repente o muro do esquecimento e numa mansidão pacificadora se explanam por uma planície de lembranças que se apresentam na sua anciania com a dignidade de não se exibirem e se mostrarem ao seu natural. É uma época de perfumes, lírios, lilases, claras fontes, cantos de pastores, de suspiros e ais das donzelas apaixonadas que abalam a alma humana. O cuco oferece o seu canto a quem lhe faz o ninho. Completou-se o ciclo das chuvas e pelos terrenos o homem espalha num vento de sementes a boa nova das colheitas. Num murmúrio de pétalas a abrir, antes mesmo que as sementes nos presenteiem com os seus suculentos frutos as montanhas soturnas do horizonte, os ermos vales e os rochedos nus numa antecipação deliciosa da criação Divina transpiram e se convertem em festa e alegria. Pairam já no horizonte mágoas e brumas deste maravilhoso mundo, tudo irá germinar, tudo brota já em flor. Chega a Primavera de mansinho, serena, quase a despontar, transportando consigo o segredo do nascimento. Rosas vermelhas, brancas, amarelas, singelas ou matizadas o roxo das violetas misturam-se numa paleta de pintura e imaginação de quantas tintas o arco-iris tem. Num tímido sorriso de desejo até as avezinhas tímidas e assustadas fogem de mim mas se nelas existisse um pequeno pressentimento daquilo que por elas sinto até nos meus braços viriam fazer os seus ninhos e às andorinhas Deus as vestiu de monjas para que nos seus voos constantes e altaneiros venerassem a Primavera com a sua beleza divina do acordar da natureza do renascer pró novo e com perfumes inebriantes. Esvoaçando numa sombra de silêncio também o pólen que vaga pelo ar, em horas de meditação faz-nos crer que sejam almas que se alegram com o desabrochar das flores. No vaguear das horas em que as flores meditam, as pedras choram, rezam e desmaiam de mágoas, as cristalinas fontes gurgulham, os riachos dormem, poderemos nós falar de magia!. A própria flor é terra que uma lágrima beijou é terra que sonâmbula flutua em dorido perfume entre nós como uma orquestra de coros alados de harmonias que por magia acontecem. Esta é a época eleita para o prodígio da cor e da fertilidade. Aqui onde cada penha tece grinaldas em tosco alinho tudo paira no ar, tudo pode ainda ser, tudo vai ainda nascer. Afanosamente chega o mês de Maio e eu numa desesperante impassibilidade desmemoriada dos meus treze lustros me socorro de um manjar de castanhas secas acreditando na fortuna de não ser “pelo burro enganado“!. “Durante o mês de Maio se não comeres a castanha durante todo o ano até” o burro se arreganha e te engana“. A natureza é mãe sublime nos seus desígnios que são altos e misteriosos como os de Deus. Primavera é o nosso berço florido, o chão da nossa terra em festa!.
Primavera das lindas flores
Tão bonitas, mas não iguais
A Primavera vai e volta sempre
A mocidade vai e não volta mais.

Publicar um livro

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Todos os que gostam de escrever, poesia, ou prosa, têm sempre no seu imaginário a futura publicação do seu trabalho, isto é, publicar um livro.
Acabei de publicar há dias o livro “ Liquidação de uma Dinastia” da autoria do escritor, historiador e investigador Dr. Maximiano de Aragão, nascido em Fagilde e meu parente directo já que sua mãe Albina Figueiredo era irmã de meu trisavô Luís Herculano.
Mas, publicar um livro não é tarefa fácil, nem barata. Os livros têm venda difícil, mesmo para os escritores afortunados e com nome feito. Para os desconhecidos, mesmo pequenas edições não está ao alcance de todos, porque é caro.
Vem isto a propósito de há uns dez anos, tendo eu um livro para publicar, por coincidência, vi um anúncio publicado num jornal que dizia:- “ Publique o seu livro sem custos “.
Imediatamente, entrei em contacto com a empresa e marcámos uma reunião. Daí resultou quererem ver os textos a publicar, pelo que deixei uma cópia.
Dias depois, penso eu, sem ligarem nenhuma às folhas que tinha deixado, numa outra reunião, acharam o livro muito interessante, mas, os custos da montagem e impressão, da apresentação, distribuição e notícias na comunicação social eram muito elevados e eu teria de adiantar uma verba, que posteriormente seria acertada com a venda do livro.
Achei a verba bastante elevada, fiquei de pensar e pedi as folhas originais que tinha deixado. Ligado pelo meu trabalho a Gráficas, resolvi pedir a uma delas um orçamento, que para meu espanto era inferior ao que me tinham pedido. E os livros eram todos meus, ao contrário da proposta apresentada em que me davam sómente 10% dos livros para distribuição própria.
Imediatamente mandei imprimir o livro e fiquei com a edição toda, sem ter que dar uma comissão nas vendas à referida empresa, como me tinham proposto.
O assunto encerrou aqui e nunca mais me lembrei dele.
Este Verão, após ter feito uma intervenção cirúrgica, no tempo de recuperação, chegou-me às mãos um interessante livro do escritor italiano, Umberto Eco, falecido em 2016 -O Pêndulo de Foucault.
Umberto Eco, escritor, filósofo e professor universitário na Universidade de Bolonha, que recebeu vários prémios literários, autor de outro Best Seller – O nome da Rosa – no livro “ O Pêndulo de Focault” versa sobre os Templários e uma rede imaginosa de mistérios, de mapas do invisível oculto, de segredos para reconquistar o mundo, tem um capítulo muito interessante que me fez recordar o que acima descrevo.
Não fora esta coincidência e o caso estava completamente esquecido.
Conta Eco que em Milão existia uma editora propagadora de obras de ocultismo.
O seu proprietário o senhor Garamont, que dava o seu nome à editora, era um prodígio de imaginação e de malabarismo.
Um dia um cliente pretendia publicar um livro e procurou o sr. Garamont. Recebeu-o no seu belíssimo gabinete e ouviu atenciosamente a sua proposta. O sr. Garamont tinha uma secretária particular. Estava combinado com ela que tocando um botão de uma campainha escondido debaixo do tampo da sua secretária, esta lhe passaria uma chamada fictícia.
Atendia e falava com um imaginário grande escritor a quem procurava convencer da dificuldade do mercado e de ter que fazer um pagamento adiantado.
Terminada a chamada, pedindo desculpa ao seu cliente pela interrupção, aproveitava para comentar o que acabara de dizer a um dos maiores escritores actuais.
Depois de muitas explicações convencia o cliente a dar uma entrada para a impressão, custos de promoção, etc. Havia ainda uma cláusula. Os livros que não fossem vendidos, o cliente poderia adquiri-los por metade de preço da venda.
Fechava-se o contrato, o cliente desembolsava o dinheiro e aguardava a impressão e a distribuição, que incluia notícias em revistas e jornais sobre o aparecimento da obra.
O sr. Garamont punha em práctica a segunda parte do plano. Dos 2.00 exemplares combinados só imprimia 1.000. Dos 1.000 só mandava encadernar 500.
Faltava a terceira parte do plano. Cerca de um ano depois, comunicava ao seu cliente, que o mercado estava difícil, que as vendas tinham sido diminutas, que as pessoas eram duma grande ingratidão e indiferentes para um génio como o seu cliente e que tinham sobrado bastantes exemplares e que se não os quisesse adquirir, como estava estabelecido, iam direitos para o lixo. Que era uma pena e que ele poderia aproveitar para os oferecer aos familiares e amigos. Convencido o cliente, o sr. Garamont recebeu o valor dos livros que não tinha distribuído.
Este “grande” editor, convincente e desonesto, muito amável e simpático, ganhava assim a sua vida. Na sua empresa tinha criado uma pasta a que chamou:- “ APC-Autores Pagos à sua Custa”.
Ao contrário do que eu pensava este processo é mais coerente do que eu imaginava. Ùltimamente consultei duas novas empresas e constatei que o processo era sempre o mesmo. E tive conhecimento, que um amigo, escritor conhecido e com vários livros publicados caiu na mesma armadilha. Queixava-se que para dar livros aos amigos foi obrigado a comprá-los à editora.
Para terminar, uma frase do grande escritor brasileiro Érico Veríssimo , no livro “ O Senhor Embaixador – os vigaristas são sempre pessoas muito simpáticas”.
E são ! …

CONSULTÓRIO

dr. raul
OS ESTUDOS, AS DESCOBERTAS, OS TRATAMENTOS, A CURA, AS VACINAS…
TUDO SOBRE O CORONA VÍRUS E A COVID-19!
A DESMISTIFICAÇÃO e UMA REFLEXÃO
Numa altura, como esta, em que não se sabe ainda como apareceu o vírus – se foi fabricado, se veio de um morcego ou do pangolim -, em que não se conhece muito bem o seu modo de transmissão, ou que acções patogénicas precisas provoca no ser humano, em que não se tem a certeza como a doença evolui e se associa e/ou complica doenças préexistentes, ou como surge a mortalidade – se provocada pelo próprio vírus ou por complicação ou agravamento de outras patologias – é muito prematuro aceitar, como definitivos, estudos, ensaios, revisões, reflexões ou qualquer outro tipo de informações que pululam nas redes sociais…
A facilidade com que a informação nos chega às mãos, a perplexidade sobre o pouco que ainda sabemos sobre esta pandemia, a ansiedade e o medo que a contenção e o isolamento, a que somos e nos sentimos obrigados, nos provoca fazem criar todo este tipo de ânsia sobre tudo o que é publicado, e rapidamente espalhado, muitas vezes com títulos bombásticos e aparentemente definitivos, a propósito desta nova doença.
Na minha opinião acho que devemos manter um espírito sereno, mas muito crítico e muito pouco crente sobre tudo o que nos cai nas mãos ou no écran do computador ou do smartphone e que os amigos rapidamente espalham com o aviso de “muito importante”, ou “não deixem de ver isto”, ou “foi publicado na revista XPTO”…
Esta epidemia, esta doença, não é matemática… embora a epidemiologia e as estatísticas se resumam a números e a operações aritméticas… mas, mesmo assim, os conhecimentos daí resultantes não são, muitas vezes, pouco mais do que simples probabilidades… A curva ora sobe, ora desce, ora aplana, o número de infectados depende do número de testes que se fazem – o Alentejo até há muito pouco tempo não tinha infectados, apenas porque não foram feitos testes (os custos da interioridade rural) -, a mortalidade é menor ou maior consoante se contam exclusivamente os infectados ou se contabilizam as comorbilidades que aceleram o aparecimento da morte, os tratamentos com isto, com aquilo, o facto de as populações terem ou não sido vacinadas com o BCG, tudo isto precisa de TEMPO para tudo ser devidamente avaliado, assimilado e consolidado pelos cientistas, pelos médicos, pelos responsáveis…
Lembrar que a Pneumónica ou Gripe Espanhola, que há 100 anos matou 50 a 70 milhões de pessoas em todo o mundo, só há poucos anos foi devidamente esclarecida na sua patogenia, na sua transmissão e nas consequências imunitárias…
Por isso, em vez de andarmos superansiosos sobre a utilização ou não do paracetamol, da hidroxicloroquina, de antiretrovirais, de citóstáticos, de voltar a vacinar com o BCG ou outro tipo qualquer de tratamentos ou curas, façamos o possível para nos mantermos serenos, com o espírito aberto, mas crítico, com muita paz de espírito e, também, com muito bom senso!
Os cientistas, os profissionais de saúde, os investigadores, os responsáveis estão a tratar disso… os médicos vão, cada dia, com a experiência vivida com os seus doentes, ganhando mais conhecimentos e confiança para melhor tratarem esta e outras doenças…
Só mais uma coisa!
Mais do que tratar uma doença, a melhor coisa que há a fazer é PREVENIR o seu aparecimento!
Por isso, cumpram-se as regras da prevenção: isolamento (não significa prisão solitária ou degredo), afastamento social (a regra dos 2 metros é muito importante), etiqueta respiratória (ao tossir, ao espirrar…), lavagem das mãos (com tempo, com sabão, preferentemente com água quente…) o uso de máscaras, do gel alcoólico…
Assim, as saídas à mercearia e ao mercado, as idas à farmácia ou serviço de saúde, o passeio com o cão, ou o simples passeio ou corrida à volta do quarteirão não são passíveis de mais risco do que aquele de ficar todo o tempo em casa, fechado, trancado, cheio de medos, angústias e ansiedades…
Façamos deste tempo de Pandemia um tempo, também, de reflexão de como tem sido a nossa vida em sociedade, de trabalho, de stress, de tanta competição e angústia!
É que a VIDA SÃO, SÓ, DOIS DIAS!