Arquivo diário: 1 de Junho de 2020

EDITORIAL Nº 777 – 1/06/2020

DIRETOR
Neste Renascimento, damos conta de três situações que, embora distantes, convergem na promoção do bem-estar pessoal, em contexto social.
Num primeiro momento, no dia vinte e oito de maio, deslocámo-nos à feira quinzenal de Mangualde, que reabriu ao público, mas com algumas atividades. Esta abertura permitiu às pessoas, que a procuraram, a satisfação pessoal de um novo contacto social que há muito tempo não era realizado. Estes contactos refletiram-se na emoção de um reencontro. As pessoas com quem falámos, manifestavam alegria por esta vivência social.
Num segundo momento, efetuámos uma entrevista com Pedro Guimarães, Presidente da Associação Empresarial de Mangualde, que nos deu conta da realidade deste movimento associativo, num contexto novo, que foi o da pandemia do coronavírus. Na entrevista, realçou, sempre, a importância da pessoa. O Presidente da AEM referiu que o verdadeiro problema ainda não chegou propriamente a sério às empresas. A partir daqui enunciamos várias questões com o objetivo primordial de esclarecer os nossos leitores sobre a importância ativa da Empresa e da Associação Empresarial no contexto de Mangualde.
Pedro Guimarães respondeu com convicção a todas as questões colocadas. Esta constitui o seu verdadeiro ativo, no espaço de trabalho que assume, e que esteve sempre presente na entrevista realizada. É uma disposição comportamental que não pode ser esquecida e que, de algum modo, nos poderá permitir compreender as orientações que para Mangualde poderão advir com a frontalidade, inteligência e lucidez assumida pelo nosso entrevistado.
Num terceiro momento, entrevistámos a Chefe dos Escuteiros de Mangualde que nos falou da sua atividade como escuteira. É uma narrativa brilhante. Baden-Powell, criador do escutismo, esteve e está presente. A humildade desta chefe ativa dos escuteiros de Mangualde é surpreendente, não pelo supérfluo, mas sim, pela sua simplicidade. O seu pragmatismo transborda na sua prática diária, constituindo-se como metáfora social a reter e a utilizar no contexto de crise que ainda vivemos.
Com referimos neste editorial, a PESSOA e o seu nível de satisfação, no seu espaço imaginado e vivido do seu bem-estar, realiza-se em Mangualde, numa situação de mudança social em contexto pós-crise.

REFLEXÕES

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PATRIMÓNIO CULTURAL (2)
Iniciei este tema, numa abordagem simples em que a ideia fundamental era dar a conhecer, ou relembrar a existência das normas proclamadas na Carta de Veneza, para orientação das comunidades cientificas e outras, na salvaguarda e conservação do Património Histórico a nível mundial. Não pretendo transcrever e dissecar o documento, mas somente chamar a atenção para os Artºs. que se seguem a partir do 9 e dão as primeiras directivas para a execução de restauros que se pretendessem desenvolver em qualquer região do planeta. A UNESCO é a entidade internacional que superintende nessas acções. A quem desejar aprofundar esta temática bastará ir à internet e encontrará muito material informativo.
O que eu pretendo nas minhas reflexões é abordar algumas situações reais que nesses horizontes do “ material e imaterial” fui encontrando a cada passo ao longo do tempo. Na minha vida profissional fosse no ensino ou na prática arqueológica, deparei-me com inúmeros momentos de espantosa informação quando se deseja aprofundar e comprovar a razão dos factos determinantes duma qualquer solução arquitectónica ou execução de artefactos indispensáveis à vida quotidiana nos mais diversos campos e tempos. As áreas de trabalho que nós hoje apelidamos de design nas diversas dimensões e fins e a concepção gráfica, estão ao serviço da criatividade ao longo dos tempos, desde o homem mais primário, pensando por exemplo nos grafismos em rochas, nas pinturas das cavernas e também na resolução de problemas na construção dos abrigos, locais de culto e outros desde os mais rudimentares aos infinitos arranha céus dos nossos dias. O produto que se segue ao acto de criar vem a constituir o património seja de uma pessoa, dum grupo, duma sociedade, dum povo, consoante a circunstância e a época.
Voltando então à problemática da conservação e restauro de património construído, é este que neste momento me interessa, e respeitando as normas instituídas, era suposto que qualquer técnico que se assumisse restaurador estivesse inteiramente informado dos processos correctos de execução que conduzissem a um restauro de, e da verdade, porque um restauro a nível histórico não pode nunca, seja em que circunstancia for, enganar, induzir em erro o observador incauto ou menos informado. E para mim, e para outrem, conhecedores das normas que deverão orientar este género de trabalhos ficamos com um sabor amargo e desiludidos quando observamos erros de palmatória que nem sequer permitem uma futura correcção, tal é o descalabro. Já vi restauros de espaços arquitectónicos de há vários séculos que não são mais que uma reconstrução moderna de muros danificados pelo tempo e pelas vicissitudes da mão humana ao longo dos tempos. Para quem ama a mais autêntica verdade histórica e entende alguma coisa destes assuntos não pode deixar de assinalar os pontos negros destes trabalhos por mais respeito que tenhamos por quem se empenhou neles. Encontraremos pelo nosso país demasiados maus exemplos de que nos ocuparemos na próxima reflexão.
Maio 2020

SANFONINAS

dr. jose
A MALVA
– Temos de cortar aquela malva, não achas?
– Porquê?
– Está grande de mais, abafa a roseira pequena. E, depois, para que serve? Não nos apetece lavar ninguém com água de malvas nem para curar infecções; já não estamos em maré de atirar inimigo às malvas; não carecemos de lhes secar as folhas para chá, porque Malveira, a povoação a que deram nome, não é aqui!
– Sim. Vou apará-la, mas não a arranco. Gosto das flores dela, sabes?
Observei melhor. Quem diria? Cada uma das suas cinco pétalas, de raios violáceos, tinha na ponta uma chanfradura! À vista normal, apressada, tal seria resultado – diríamos – de roedela de bicho daninho, lagarta nociva. Não era! Requinte estético duma Natureza a surpreender-nos sem cessar!
E o gracioso recorte das folhas palmadas? Sim, lembro-me de ter aprendido em Botânica que folhas assim, em jeito de palma da mão e com cinco dedos eram palmadas e palminérveas.
Só o vírus e a quietude por ele proporcionada, a exigir agendamento de ritmo me permitiram, parar, sem pressa, na admiração de singela malva, doutra forma despercebida por completo. As flores feneceriam sem que eu nelas reparasse; as folhas – que deslumbrante desenho o das nervuras!… – acabariam por perder este verde forte, amareleceriam, tombariam murchas e finar-se-iam, incógnitas, no meio de bem desagradável lixo de jardim.
Podem estar descansadas, amigas! Aí completarão o ciclo de vida. “Resto inorgânico indiferenciado”, sim; mas, se lhes for possível ter consciência, poderão ufanar-se perante as demais:
– Sabes? Um dia, o senhor do jardim onde eu vivi, reparou em mim, achou-me bonita e até fez uma crónica a chamar a atenção para o invulgar recorte das minhas pétalas, imagina!…
Sinto-me de missão cumprida!

IMAGINANDO

francisco cabral
PARTE 77
Às vezes são lendas, mas outras realidades.
Conta-se que na estrada  velha que ligava   Sintra a Colares com seus muros cobertos de musgo e heras e segundo o Jornal de Sintra num texto de então de Nunes Pereira, quando outrora certa fidalguia percorria este caminho com suas carruagens bastante confortáveis, desfrutando com suas consortes a beleza que a natureza proporcionava neste percurso, de quando em vez  eram surpreendidos com assaltantes, muito perto de um local onde havia um chafariz escondido entre as folhagens e coberto com velhos azulejos, que devido aos factos lhes chamavam o “Chafariz dos Ladrões”.
Mas estes ladrões por ironia, quando faziam um assalto eram de uma diplomacia extrema:
Actuando em grupo, com muita delicadeza e apontando o bacamarte à cabeça fazendo a devida vénia, dirigiam-se ao cocheiro e lhes pediam:
Quer Vossa mercê não lhe causando algum transtorno, entregar  os ducados dentro bolsa de vossos viajantes?
Como o cocheiro não tinha alternativa, descia do coche, dirigia-se ao fidalgo e pedia-lhe o pretendido pelos assaltantes.
Quando da entrega da bolsa, o cocheiro aproximava-se dos assaltantes e dizia:
Queiram Vossas mercês aceitar os ducados  deste nobre fidalgo e pedir que permitam que prossigamos o passeio por esta bela estrada, rodeada por plantas exóticas e o chilrear dos pássaros, visto já terem o produto do vosso roubo.
Os assaltantes após verem que dentro da bolsa continha o valor mais ou menos pretendido, dirigiam-se ao cocheiro e com uma grande vénia e delicadeza nas palavras diziam:
Queiram Vossas mercês desculparem o incómodo que lhes provocámos, aceitem as nossas humildes desculpas e prossigam vosso caminho, desejando-lhes boa viagem.   
Caros leitores, os assaltantes de agora têm muito que aprender com os de antigamente.
Até num assalto tem que haver certa diplomacia. O assaltante fica bem visto e o assaltado embora prejudicado, sente que foi bem tratado.
Esta é mais uma lenda ou “realidade” que outrora reinava em Sintra.

Recordando a importância do Associativismo

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Quem andou um pouco mais atento nos últimos anos já deve ter reparado na enorme facilidade com que se argumenta e contra-argumenta sobre os diversos assuntos nas redes sociais e entre indivíduos de uma alargada faixa etária. Em si mesmo, não é um facto negativo ou censurável se for comedido e regrado com bom senso. No entanto, quantos destes indivíduos, tão disponíveis para teclar e versar sobre tudo e mais alguma coisa estão disponíveis para participar na vida activa de uma Associação?
Esta minha reflexão inicia-se quando, numa qualquer escola do 2º e 3º ciclo deste país, apercebo-me que os alunos estão a sair das salas de aula concentrados em percorrer os corredores olhando para os seus smartphones numa procissão interminável de zombies à espera de ver quem fez um like na foto X ou de quem partilhou uma foto com Y. Ora, longe vão os tempos em que me imaginava sair de uma sala de aula a correr e a berrar para ver se chegava primeiro ao campo de futebol ou à fila para comprar o bolo no bar dos alunos. Que saudades…
Estes pensamentos e divagações, associados a outros factores, levaram-me a pensar no futuro das diversas associações deste país e na importância das gerações mais novas poderem participar activamente nos destinos das comunidades locais enquanto agentes e actores no desenvolvimento comunitário, na preservação da memória, na busca de uma identidade própria e de um território inigualável!
Cada ser humano é uma parte do continente, uma parte de um todo, o que me leva a concluir que o ser humano não consegue viver isolado, faz parte de um todo, de uma comunidade. Comunidade essa organizada por pessoas que partilham de algum interesse comum ou com consciência de pertença a algo. Assim sendo, a comunidade será a base para a construção ou desenvolvimento de territórios capazes de gerir sinergias criativas focadas no desenvolvimento das populações e para o bem comum. O desenvolvimento local aparece sustentado no exercício de uma cidadania activa e transformadora das condições culturais, económicas, sociais e educativas das populações através de iniciativas de base popular ou histórico.
O património é a afirmação da identidade de uma comunidade constituído por ideias e por objectos com os quais as sociedades afirmam as suas diferenças perante os outros, e é hoje fundamental na celebração da memória e na construção/reconstrução das identidades. Identidade e cultura são quase tudo e, outras vezes, quase nada.
E é nesta dicotomia que a construção da identidade na sociedade deve valorizar a interacção do indivíduo com o meio social em que está inserido e é neste preciso momento que o papel das associações, enquanto elemento catalisador da memória identitária da comunidade, deve ser realçado e enaltecido.
O associativismo mais não é que imprescindível motor de desenvolvimento local e regional. Os valores inerentes ao movimento associativo guardam uma intrínseca afinidade com aqueles que fazem parte do espólio histórico-cultural da saga humana: humanizar a cultura e humanizar-se através desta. No movimento associativo encontramos valores como a liberdade; a solidariedade; a paixão pela causa pública; o espírito de iniciativa; a valorização do trabalho e da partilha, muitas vezes feito na penumbra do silêncio; a defesa de identidades e diversidades; a resistência às adversidades; a mobilização e participação das colectividades em torno de objectivos comuns; a promoção da coesão social, o desporto, a ecologia, entre outros. No espaço do movimento associativo valorizam-se as pessoas, apoia-se a comunidade e previnem-se ou atenuam-se as fracturas sociais. A força do movimento associativo radica na sua representatividade, participação e capacidade reivindicativa.
No entanto, o movimento associativo, a exemplo da sociedade actual, encontra-se hoje numa encruzilhada, onde os desafios não estão devidamente compaginados com perspectivas sólidas. Os tempos de hoje são marcados por uma contínua mudança. O ritmo de vida do cidadão acelerou perigosamente. O homem vive confrontado e voltado para o futuro, o qual chega rapidamente depressa. A realidade é efémera, o tempo transitório, mas o indivíduo, esse, não espera.

OS ANIMAIS DOMÉSTICOS

juiz
Li num jornal diário, datado de 6 de Maio do corrente ano, uma notícia deveras insólita acerca de um acidente do qual foi vítima uma esteticista que “morreu devorada por um jacaré em casa de uma cliente a quem iria tratar das unhas”. O caso aconteceu na ilha de Kiawak, na Carolina do Sul, nos EUA. A esteticista “acabou por ser devorada pelo jacaré que a arrastou para o lago da casa”, quando ela se preparava para o fotografar.
Esta notícia levou-me a pensar na diversidade de animais que o ser humano tem procurado domesticar, desde a Revolução Agrícola, isto é, desde quando, há 12 mil anos, deixou de viver da caça e recoleção e passou a dedicar-se à agricultura. A domesticação poderia ter começado pelos animais caçados no estado selvagem e que o homem conservava para os utilizar mais tarde na sua alimentação em épocas de carência. Depois, teria capturado animais com outras finalidades.
A domesticação, segundo a definição do dicionário Larousse, consiste na transformação de uma espécie selvagem numa espécie sujeita à exploração por parte do homem, com o objetivo de lhe fornecer produtos ou serviços.
Os animais domésticos poderão ser divididos em quatro grupos, conforme a sua utilização: 1) animais destinados à alimentação; 2) animais de trabalho; 3) animais de utilização industrial; 4) animais de companhia. Muitos deles podem prestar mais do que um tipo de serviço, como, por exemplo, a vaca que, além de fornecer o leite e a carne para a alimentação, e matéria prima para a indústria, pode ainda ser utilizada no trabalho agrícola1.
Foi, na verdade, com o aparecimento da agricultura que o homem passou a coexistir com os animais domesticados; inicialmente apenas foram domesticadas cerca de 20 espécies, entre mamíferos e aves, o que era um número muito reduzido em comparação com a quantidade dos que permaneceram “selvagens”. Nos dias de hoje, os animais domesticados podem ascender a mais de 90%, desde os de grande porte, como os elefantes, até aos pequenos insetos, como as abelhas.
Atualmente os animais de companhia, ou de estimação, abrangem mamíferos, aves, répteis, anfíbios, peixes e invertebrados. Calcula-se que em Portugal existam 6,5 milhões de animais de estimação, sendo alguns bastante assustadores. Estes animais são o centro das atenções de certas famílias que quase chegam a considerá-los como fazendo parte das mesmas. Já tive ocasião de assistir a uma conversa entre duas senhoras em que uma falava do filho que havia dado à luz, enquanto a outra se referia à sua cadela, como se de uma filha se tratasse, sem que a sua interlocutora se tivesse minimamente apercebido de que falava do animal.
Esta relação simbiótica tem ultimamente merecido maiores atenções por parte do Estado. Foram introduzidas algumas alterações ao Código Civil e ao Código Penal com o objetivo de melhorar extraordinariamente a situação dos animais de companhia. Do Código Civil ressaltam desde logo várias alterações legislativas das quais destacaremos apenas algumas. A lei passou a definir os animais como sendo seres vivos dotados de sensibilidade e objeto de proteção jurídica em virtude da sua natureza. Na ausência de lei especial, são aplicáveis subsidiariamente aos animais as disposições relativas às coisas, desde que não sejam incompatíveis com a sua natureza. Em caso de lesão do animal, é o responsável obrigado a indemnizar o seu proprietário ou os indivíduos ou entidades que tenham procedido ao seu socorro pelas despesas em que tenham incorrido para o seu tratamento, sem prejuízo de indemnização devida nos termos legais.
Por sua vez o Código Penal passou a determinar que quem, com ilegítima intenção de apropriação para si ou para outra pessoa, subtrair coisa móvel ou animal alheios, é punido com pena de prisão até 3 anos ou com pena de multa.
Parecendo estabelecer algum paralelismo com os filhos menores do casal, em caso de divórcio, os animais de companhia são confiados a um ou a ambos os cônjuges, considerando, nomeadamente os interesses de cada um dos cônjuges e dos filhos do casal e também o bem-estar do animal.
A preocupação com o tratamento que é dispensado ao animal ressalta ainda de uma outra nova disposição do Código Civil que determina que o proprietário de um animal deve assegurar o seu bem-estar e respeitar as características de cada espécie e observar, no exercício dos seus direitos, as disposições especiais relativas à criação, reprodução, detenção e proteção dos animais e à salvaguarda das espécies em risco, sempre que exigíveis.
Muito mais haveria para dizer, mas suponho que o que fica dito já é suficiente para concluir pela enorme transformação verificada em relação à exigência de cuidados que as pessoas devem dispensar aos animais domésticos.
1Cfr. Enciclopédia Luso-brasileira da Cultura

Sociedade doente ou Saúde Mental esquecida?

Ana Cruz
Cada vez mais ouve-se a expressão “Sociedade doente” quando surge uma monstruosidade anunciada nos meios de comunicação sociais. Quer seja por crimes morais quer seja por crimes hediondos de qualificação tão abjeta, que qualquer ser humano fica repugnado!
A realidade é que perante tantas regras e imposições para inserir um individuo numa sociedade, dita civilizada, torna-se difícil diferenciar quem é genuíno nas suas virtudes, e quem simula essas virtudes para não ser discriminado ou estigmatizado para que não seja, por fim, isolado da sociedade. Seguir padrões e regras são ferramentas sociais necessárias para um ambiente seguro, com ordem. No entanto, ignora-se que os desvios de personalidade, as crises afetivas e emocionais, as frustrações, as diferenças comportamentais são indícios claros que alguém necessita de apoio. Graças à competitividade, ao aumento inexequível das expetativas de vida, à falta de consciencialização do controle emocional, criamos ideias e quando saem goradas não sabemos assimilar este obstáculo. Colocamos culpas a terceiros buscando argumentos irreais, porque atualmente a felicidade tem de estar sempre presente, mesmo fingida, e não podemos questionar algo tão simples como “Porquê isto está a acontecer?”, sem levar uma manifestação de tédio, de quem nos está a escutar, porque o sofrimento manifesto é tabu!
Nós aprendemos várias formas como adaptarmos à sociedade onde iremos viver, e contar experiências\ histórias solidificam os hábitos\ comportamentos que iremos apreender! Ocultar, esconder sempre foi uma atitude condenável pela sociedade, no entanto desde que não prejudique o sistema\ sociedade é subtilmente aceite de forma geral! Falar de Saúde Mental em qualquer sociedade, é tão necessário como falar de fatores de riscos que possam desenvolver doenças físicas!
No fundo é como a história do pé limpo, pé sujo que qualquer médico\ enfermeiro conta para demonstrar o tipo de higiene que um individuo tem: rezam as memórias antigas, que certo dia um agricultor começou com uma dor e inchaço no tornozelo do pé direito e decidiu ir ao “SôDoutor” para aliviar este incómodo. O médico observou o pé direito e quis fazer uma comparação com o outro pé, e pediu ao paciente que descalçasse a bota do pé esquerdo. O agricultor envergonhado diz -“Tem mesmo de ser, SôDoutor?”- o médico retorquiu – “Oh homem, eu é que sei! Mostre lá o pé, se faz favor!”. Ao descobrir, por fim, o pé esquerdo, este estava tão imundo que o médico nem ousou tocar-lhe, e na ingenuidade de quem é simples o agricultor refere: “Só lavei o direito, porque era esse que me doía e que o SôDoutor ía ver!”
Esta história retrata, de forma comparativa, o que é aceitável em oposição ao que deve ser feito! Ou então, o famoso “deixar o trabalho a meio”, também se encaixa aqui! Questionar como vai a saúde, e apenas valorizar as doença físicas é como….lavar apenas um pé! Afinal de que vale a pena esconder a angústia, a tristeza ou o desgosto? Para agradar a sogra, o cônjuge, a prima, a vizinha? Para aumentar mais a angústia dentro de si? Para cometer atos que lesam a sua integridade física e mental através de consumo de drogas que não resolvem e até desencadeiam outras doenças?
Ninguém é imune a crises existenciais ao longo da vida, e quem se acha acima deste pensamento, já por si tem um problema mental! As lutas diárias da pessoa com a vida, surgem desde a infância até à velhice. (Atenção, velhice não é sinónimo de chatice, mas para mim de uma sabedoria única e indissociável! Infelizmente, existem algumas pessoas idosas que mantém uma atitude tão negativa perante a vida que têm, que é inevitável não colocar o adjetivo chatice a velhice, o que pela casualidade de rimar, há uma tendência de a repetir. Mas também há outras faixas etárias cujas pessoas primam pela chatice, logo (in)felizmente não é exclusivo à velhice!)
As mudanças na vida (escola, nova família, adolescência, casamento, divórcio, morte…) colocam a capacidade de adaptação de qualquer um à prova; superar e resolver conflitos afetivos e emocionais; reconhecer os seus limites e sinais de mal-estar, sabendo que tem alguém que o apoia (Acredite ou não, ter “amigos” que não sabem escutar e ver o lado positivo da situação, e que o fazem sentir-se ou tornar-se pior pessoa, são fator de risco para aumentar o risco de ansiedade e potencial depressão.) e ter relações que são prazerosas com outras pessoas, são itens que compõem um bom equilíbrio de saúde mental. É certo que certos mitos estão associados a quem sofre de problemas de saúde mental: “Está tudo na tua cabeça” ou “Inventou isto para faltar ao trabalho”, são os mais frequentes, mas também “É maluca, nada a fazer” ou “Não fales muito com ele, nunca se sabe o que fará!”. É limitante, para não dizer incorreto considerar que quem é doente mental é pouco inteligente, preguiçoso ou perigoso. Está comprovado, que a maioria que padece de depressão e outras doenças mentais, tem quase sempre uma lacuna durante a sua infância ou adolescência, e que a falta de confiança e segurança nessa fase da vida, pode suscitar no adulto problemas mentais e potencial de ansiedade, baixa de auto estima e depressão.
Com o maior risco de desemprego e problemas financeiros nas famílias portuguesas, aumenta-se também o risco de problemas mentais dentro das famílias, não desista de pedir ajuda mesmo que encontre obstáculos. “Virtude”, não é só o nome da professora da primária de há 20 anos atrás ou e enfermeira sádica que dava injeções, ter a virtude de ser firme na sua vontade quando procura a solução para o seu problema!

Uma nova promoção turística

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Portugal tem muito para oferecer. Paisagem, hospitalidade, história, tranquilidade, segurança, uma gastronomia rica e variada e vinhos que são fantásticos.
Reabrem restaurantes, com muito cuidado. A sua reabertura com segurança é fundamental. Dorme-se uma vez ao dia e come-se três ou quatro. Quanto ao beber, isso não tem conta.
A saída desta nefasta crise tem paralelo com o pós Segunda Guerra Mundial. Os países devastados pela guerra foram obrigados a introduzir um novo ordenamento.
As cidades procuram reerguer-se e baseiam-se principalmente na conservação da natureza. Portugal cria em 28 de Julho de 1948 a primeira Associação de Defesa do Ambiente, a Liga para a Protecção da Natureza, para que se faça uma melhor repartição e equilíbrio entre os recursos naturais e as actividades económicas e entre os recursos naturais e a população.
Mas, o arranque, nessa época, do turismo em Portugal só se dá com a criação da “ Utilidade Turística” em 1954 e a criação do Fundo do Turismo em 1964.
Esse ano é fundamental para o arranque turístico. Em 1964 é inaugurado o Aeroporto do Funchal. Em 1965 o Aeroporto de Faro. Com o Aeroporto de Lisboa aberto em 15 de Outubro de 1942, cria-se o primeiro triângulo turístico Algarve-Lisboa- Madeira.
Portugal é um país isolado pelo regímen em vigor e pela Guerra Colonial e é no Turismo que procura quebrar o seu isolamento.
Com o desenvolvimento desordenado do Turismo surge em 1980 o conflito Ambiente/Turismo. A falta de planeamento e de ordenamento cria desequilíbrios, com um mau urbanismo turístico, com consequências para o ambiente e paisagem e que muito prejudicou a qualidade da oferta turística, como exemplo no Algarve, com construções em cima de falésias, em solos agrícolas, dunas, faixas de protecção costeira e no domínio público marítimo.
No turismo não vale tudo! Grandes cargas urbanísticas, multiplicando várias vezes a população autóctene e sem infra-estruturas criadas para o efeito, são fatais.
Foi a época do salve-se quem puder, o assalto ao urbanismo.
Na viragem do século, ano de 2000, o fenómeno melhorou muito no que respeita à Conservação da Natureza.
O futuro do Turismo depende fundamentalmente da Qualidade Ambiental e do Ordenamento do Território. Se os sectores Turismo e Ambiente se entenderem está dado um grande passo para a retoma económica.
E nenhuma retoma económica será possível sem contar com o Sector mais produtivo de Portugal- o Turismo.
Vamos ver se se aprendeu alguma coisa…