Crónica de Londres

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Quase todas as famílias portuguesas têm parentes nas mais diversas partes do mundo.
Eu, não fujo à regra. A minha neta Ana Sofia foi estudar para Londres e por lá ficou. Este ano resolvi ir a Londres passar a época do Natal com ela.
Em 1999, com apenas 8 anos, no Renascimento saído a 15 de Maio, publicou o seu primeiro poema, que assinava Ana Sofia Fortes. O poema intitulava-se “Se eu navegasse“. E já aí despertava a sua abertura ao mundo : – “ Se eu navegasse, queria dar a volta ao mundo … “. E lá partiu!
Londres é um mundo de raças, de credos, uma capital que vive intensamente a época natalícia. Muito glamour, ruas iluminadas, luzes, muitas luzes, sugestivas decorações.
Árvores de Natal gigantes, majestosas ( ou não fosse Londres a terra de Sua Majestade), muita movimentação, muitas pessoas em compras, ou em passeio. Há um grande espírito natalício, o Natal sente-se por todo o lado, muita música e animação.
No centro de Londres Picadilly Circus, Oxfort Street, Regent Street, as ruas estão profusamente iluminadas com motivos muito sugestivos. Convent Garden, zona das grandes casas de beleza e de restaurantes, prima por ter as decorações mais bonitas.
As famílias, cujas casas possuem jardins, aproveitam a época natalícia para decorar as fachadas e os jardins.
Londres pode viver o último Natal comunitário. Mas, no Natal, isso pouco interessa aos ingleses . O futuro a Deus pertence.
O Natal, o dia de Natal é que é importante. Compram-se presentes, fazem-se ofertas, abrem-se as fitinhas dos embrulhos com ansiedade, com satisfação. É a magia do Natal. Muita imaginação. As cartas ao Pai Natal enchem de brinquedos os sapatinhos dos pequenitos. Sapatinhos cheios de sonhos.
Na consoada que é a 25, os ingleses comem o peru assado recheado com molho de carne, couve de Bruxelas, cherovias e batata assada. O bolo preferido é o Christmas Pudding com frutas secas e molho de conhaque. Antes de ser servido é ateado fogo. Também Mince Pies, tartes feitas com frutos secos e especiarias.
Eu, perdido em Londres, sonhava com o bacalhauzinho cozido. Porém a minha neta, adaptou-se aos novos costumes do veganismo. Bacalhau, nem vê-lo !
Ficará para o regresso e prometo uma boa desforra! O mundo mudou ! Temos de nos adaptar.
Natal tempo de partilha, de dar e receber. As grandes marcas, clássicas, velhas de anos e de experiência poem nas suas montras o que têm de melhor. Ofertas intermináveis. As lojas enchem-se de pessoas. Domina o tom vermelho e verde para melhor seduzir o cliente.
Na área da beleza, os perfumes ! Um universo de tentações!
Os doces são uma perdição, principalmente os chocolates. Comer um quadradinho de chocolate é como ter um pedaço de céu na boca a derreter. Ajuda a melhorar o humor, diminui a ansiedade e o mundo parece mais bonito. Dizem até que é um bom aliado do coração porque melhora o fluxo do sangue. Comer chocolate dá bem estar porque tem a hormona da felicidade.
Não podemos deixar de falar de vinhos. Os ingleses gostam de um bom vinho do Porto. Foram os ingleses que estiveram e estão no Douro, na cidade do Porto, ligados aos vinhos e que muito ajudaram ao desenvolvimento deste sector. Mas também há bons vinhos de mesa e aguardentes velhas. E as portuguesas são das melhores. Os vinhos acompanham a suculenta refeição e as aguardentes velhas prolongam o convívio, entre dedos de conversa e como auxiliar da digestão.
Um livro pode ser um bom presente. Um presente que perdura, que passa de mão em mão. Aqui temos escolhas intermináveis. Um mundo de sabedoria.
No dia 26 de Dezembro, abre-se um outro mundo. Chama-se Boxing Day – abertura dos saldos. É outra loucura.
Daqui de Londres um abraço, muito apertado, ao mundo.