REFLEXÕES

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GRUMAPA – Grupo Mangualdense de Apoio e Protecção dos Animais
Contributos para a história de Mangualde
Entrámos em 1999 com o terreno legalizado em nome do Grumapa. Logo fomos fazer uma avaliação do que teria de ser feito de imediato. Eram 3 hectares de terreno, 30.000 m2! Deparamo-nos com uma verdadeira floresta de giestas altíssimas e outros matos que mal deixavam ver as árvores que por ali também cresciam – carvalhos, pinheiros, medronheiros, vários eucaliptos e lá no topo erguiam-se dois de grandes dimensões. Perante este panorama tínhamos como primeira tarefa a limpeza deste vasto espaço. Seria a primeira grande despesa e a primeira grande dor de cabeça. Era preciso desenvolver actividades que nos permitissem começar a amealhar dinheiro. Recorremos às velhinhas rifas e em todas as festas da zona montamos tendinhas de vendas variadas. Contactamos o comércio, as indústrias e particulares na esperança de alguns donativos. Assim conseguimos o necessário para iniciarmos os trabalhos que foram assumidos pelo vizinho Sr. Abel Fonseca. De vários dias e semanas precisou este senhor para vencer aquele emaranhado de troncos de giestas grossíssimos aonde se amarravam silvas que provocavam ferimentos. Foi um verdadeiro inferno até se atingir a limpeza total.
Depois disto ficou claro que o terreno se desenvolvia em socalcos de poente para nascente. Só à esquerda da entrada se encontrava um espaço relativamente plano e não tínhamos mais nenhuma outra superfície! Se pretendíamos erguer qualquer construção ter-se-ia que fazer terraplanagem e criar um plateau suficientemente largo. Contactamos o Senhor Abrantes que se dedicava a estes trabalhos, além disso havia duas poças com água nascente que teriam de ser limpas e desafogadas no seu espaço. Avaliada a dimensão e dificuldade dos trabalhos foi-nos fornecido o orçamento…!
Santo Deus! Ainda os trabalhos estavam no começo e as preocupações eram enormes!
De novo uma paragem para reflexão. Reuniões de Direcção, Assembleia extraordinária. Tudo tinha que ser decidido dentro da máxima clareza e seriedade. As receitas que eram poucas, para as despesas que eram grandes, tinham que ser muito bem geridas, tostão a tostão. Houve muitas hesitações quanto à continuidade desta empreitada tão pesada para quem tinha tão poucos recursos. Pesados os prós e os contras decidimos não desistir, já tínhamos vencido etapas bem difíceis, seria de continuar. Conseguimos um bem para um fim muito determinado, não se podia desperdiçar. Reflectindo, porém, num certo ditado popular eu diria agora “ se o arrependimento fosse uma árvore, eu seria uma floresta”… Mas para quê chorar sobre leite derramado…nunca podemos adivinhar o dia de amanhã – os trabalhos, os êxitos, as derrotas, as alegrias, as desilusões… É com isto que se constrói e destrói a humanidade e o planeta.
Iríamos, no entanto, continuar na senda dos nossos sonhos, fazendo o percurso que parecia escrito nas estrelas…