REFLEXÕES

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Contributos para a história de Mangualde
GRUMAPA Grupo Mangualdense de Apoio e Protecção dos Animais
Construção do canil /gatil
O ano 2000 foi sem dúvida a afirmação em Mangualde do conceito de protecção animal, para isto sem dúvida que a criação do Grumapa foi o tiro de partida. Por todo o país tal conceito ainda passava desapercebido. Em algumas localidades existiu sempre uma ou outra pessoa que por sensibilidade e pena do sofrimento que presenciava em animais, fruto dos maus tratos e violência de que eram vítimas, acorria em seu auxílio. No entanto os grupos de defesa organizados eram invisíveis. Aqui pela terra, era só eu e mais uma ou outra pessoa que desde 1980 cuidou de muitas situações extremas e é a partir de 1995 e depois de 2000 que se começou a notar alguma movimentação. Recordo que ao participarmos nos eventos culturais que ao longo do ano se faziam em Mangualde, montando a nossa barraquinha de vendas para aquisição de fundos, apareciam muitos cidadãos interessados em perceberem as nossas actividades e intenções ouvindo os nossos esclarecimentos, lendo os nossos folhetos e desejando inscreverem-se como sócios. Assim, quando se começou a saber do projecto que tínhamos em mãos, foram aparecendo cidadãos e empresas que entenderam a necessidade de ajuda monetária ou de materiais, para pormos de pé estas estruturas que entendíamos serem indispensáveis para cuidarmos dignamente os animais do concelho e não só. A divulgação através da imprensa local e regional, folhetos avulso e a presença nos eventos, deu a conhecer a nossa existência e começou a esboçar-se por cá o entendimento do conceito de Protecção Animal .
Mas a par do enorme esforço que estávamos a desenvolver e dos dias que se escoavam com grande rapidez tínhamos outra enorme tarefa – acudir à avalanche de situações desesperadas em que muitos animais apareciam. Ao tempo não havia lei, não havia compreensão e tudo poderia acontecer sobretudo aos cães e gatos, os que eram abandonados em péssimo estado, aparecendo com enorme frequência pelas localidades, aos que eram atropelados e ficavam pelas estradas em grande sofrimento, aos que eram espancados pelos donos, os que estavam presos a correntes de um metro, sem comida, sem água, sem qualquer resguardo !… EU VI DE TUDO E ACUDI A MUITAS CENTENAS. Até 2000 não havia aonde os abrigar. Cuidava deles na rua e numa garagem que tinha disponível, para casos mais graves. Também não havia qualquer apoio, mesmo os particulares, não estavam motivados, tinha de ser eu a assumir todas as despesas. Alimentação e tratamentos médicos.
Foi exactamente por este ano, que conheci a jovem Cátia Correia, que se tornou uma excelente protectora e colaboradora, e o jovem Fábio Costa, meu vizinho de frente, ainda estudante no secundário, para o qual não me chegam palavras de agradecimento por todo o apoio que me deu durante vários anos. Para ele dedicarei um dia um longo texto.
Também neste ano conheci a D. Arminda Midões regressada de França com o seu marido, os quais desenvolveram um trabalho altamente meritório em prol dos animais. Nós, eu e os três Amigos que referi atrás vivemos grandes estórias, situações caricatas com pessoas que não nos entendiam e nos atacavam por palavras, por gestos, e ameaças.
É a partir de 2000 que os sócios fundadores passaram a viver em dois mundos paralelos. Um, pôr de pé as construções para albergar os animais no grande terreno do GRUMAPA. O outro a luta pela saúde e vida dos nossos AMIGOS parceiros no planeta.
NA VERDADE, NADA SE FAZ, NADA SE CONSTRÓI SEM GRANDE ESFORÇO, SACRIFÍCIOS E EMPENHAMENTO.