REFLEXÕES

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Contributos para a história de Mangualde
GRUMAPA- Grupo Mangualdense de Apoio e Protecção dos Animais
Construção do canil / gatil
Na anterior abordagem apontamos o início das construções em 2005. Para começar tínhamos disponível a primeira tranche do subsidio que nos havia sido concedido pelo Estado. Contudo, no seu todo, não daria, possivelmente, para erguer um terço do projectado. Como referi anteriormente valeu-nos contar com a colaboração da Autarquia, ao tempo liderada pelo Amigo e também sócio Dr Soares Marques e, em abono da verdade, devo dizer que foram inexcedíveis. Também os donativos de alguns extraordinários Beneméritos nos trouxeram grande acalmia nas horas de agrura acentuada. Então ao longo dos meses a obra foi crescendo. Para mim as complicações do processo construtivo eram muito vagas. Surgiam situações que precisavam da orientação de alguém com bons conhecimentos nesta área. O nosso vice-presidente do Grupo, professor Benjamim Dias, era a pessoa bem informada que nunca descurou a troca de impressões e aconselhamento com o construtor, tendo sido, também a pessoa mais disponível para avaliar as necessidades permanentes de todo os trabalhos. Faço esta afirmação sem, de modo algum, pretender menosprezar a excelente colaboração dos restantes elementos directivos. Acontece que, ao tempo, ele se encontrava um pouco mais solto de obrigações profissionais, tal como eu.
Não irei descrever, porque qualquer um pode imaginar, o que terão sido os dias, as semanas, os meses, recheados de problemas e angústias e que se arrastaram ao longo dos anos desde 2006 até finais de 2011. Seis anos brutais, porque as grandes obras não nascem com um gesto de varinha mágica. Quem viveu as diversas e inenarráveis situações jamais esquecerá. Quando a sede se encontrava quase pronta relativamente às estruturas era necessário pensar-se na colocação do pavimento. A área era grande, precisávamos de muitos metros quadrados e comprar no comércio local era-nos impossível. Então expus a minha ideia ao Grupo no sentido de se contactarem empresas de fabrico de ladrilhos, tentando comprar material de refugo a preço mínimo. Eu sabia que havia várias ao longo da estrada nacional para norte e para sul de Coimbra. Um dia decidi pegar no carro e ir fazer esse percurso. Todas as fábricas que contactei, para sul, disseram que não tinham. Regressei a Mangualde “ de mãos a abanar” como se diz na gíria. Desiludida, claro, mas não desanimei. Na semana seguinte, decidi repetir a viagem – agora iria para norte de Coimbra. A primeira que por ali contactei foi a GOLDECER, na Malaposta. A extraordinária recepção por parte do Gestor deixou-me emocionada. Como ele entendeu tão bem a importância da causa animal!! E ainda era tão pouco divulgada! Terei de dar a conhecer o comportamento desta empresa. Embora não me conhecessem, pela documentação que levava perceberam que eramos gente de bem. Então, fizeram-nos a seguinte oferta – das seis paletes que precisávamos eles ofereciam-nos quatro e nós pagaríamos duas a preço simbólico. E não seria refugo! Este pagamento era necessário para justificar a deslocação de um camião da empresa (!) no transporte do material até ao GRUMAPA!! Quer dizer, para além da extraordinária oferta do material, ainda o colocavam no lugar, gratuitamente!!! Seriam cerca de 200 km ida e volta! Fiquei sem palavras, a emoção era muita… Mas também nos ajudou a avaliar comportamentos em relação a alguma “ boa gente” cá do burgo. Em boa verdade atitudes como a deste Gestor fazem-nos, ainda, acreditar na grande sensibilidade e valor MORAL dos humanos de ELEIÇÃO… os restantes ficarão sempre pelo caminho…
agosto 2 019