REFLEXÕES

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Para a história de Mangualde
Grumapa. Grupo mangualdense de apoio e protecção dos animais
Construçaõ do canil / gatil
Ao longo de todos estes anos, muito difíceis, em que nos empenhamos na construção de espaços adequados ao abrigo de animais, não estivemos de braços cruzados na protecção quando eram tantos os infelizes com que diariamente nos deparávamos. A ajuda a seres vivos em sofrimento sempre me acompanhou no decorrer dos anos, desde criança. E os animais foram sempre uma parte importante do meu mundo. Ao longo das décadas de 80, 90, 2000, 2010, apareciam imensos em muito mau estado, completamente desprotegidos e escorraçados para longe. Não é aqui o lugar onde eu pretendo alargar a descrição de episódios confrangedores, a par de outros que me encheram o coração. Mas recordarei também como muitos cidadãos e cidadãs, quando se aperceberam de que havia cá pela zona alguém a tentar uma solução humana e caridosa para os infelizes, não ofereciam ajuda, procuravam sim, aliviar-se de problemas com os animais que possuíam e aos quais nunca tinham proporcionado uma existência condigna. À conta destes comportamentos desajustados a minha acção começou a desenvolver-se mais intensamente aqui pelo meio local. No campo arqueológico onde eu também trabalhava, de vez em quando lá se encontrava logo à chegada algum cão em mau estado físico e descorçoado pela sede, pela fome. Pelas ruas da cidade deambulavam cães escanzelados com milhares de pulgas e carraças desenvolvendo – lhe uma sarna brutal que os deteriorava e os tornava esqueléticos, anémicos e cheios de chagas. Ninhadas de cães e gatos apareciam diariamente pelos terrenos que marginavam as ruas ou no meio dos matos e arvoredo de quintas e não se via solução para eles. Era aflitivo. Na década de 90 comecei a trazer alguns dos mais debilitados para instalações improvisadas no quintal ou num alpendre que não estava a ser utilizado. Aqui tinham abrigo, alimento e carinho a acrescentar à muito importante luta pela sua saúde na maioria dos casos muito precária, com já referi. E todas as despesas e encargos eu assumia, determinada. A esse tempo não havia subsídios, nem donativos, quando muito uma ajudinha da parte de familiares ou alguns amigos.
Eram tempos verdadeiramente difíceis para quem queria suavizar a vida dos infelizes animais. Animava-me a ideia de que um dia teríamos um local com os requisitos indispensáveis para uma vida saudável e gostosa dos meus e nossos protegidos.
Por volta de 2000 / 2002 havia já duas ou três pessoas que também se preocupavam com toda esta situação. Deu-se conta que no Monte da Sra do Castelo, havia um grupo avantajado de animais – uns levados para lá e abandonados, outros vindos das redondezas de alguns bairros e aldeias na busca de comida, e não poucas vezes, atrás de cadelas em cio e depois não regressavam às suas origens. Uma jovem ao tempo- CÁTIA CORREIA – já ia por lá depositar granulado aqui e ali sob as mesas de pedra. Apareceu depois uma senhora – D. ARMINDA MIDÕES e o marido SR. LUIS – levando comida cozinhada. Este casal durante vários anos foi extraordinário no auxílio aos imensos abandonados dos subúrbios, começando também a dar guarida a uns tantos na sua própria casa. Passei também a dar a minha colaboração no apoio aos animais do monte e alternadamente levava baldes de comida. Foi nesta altura que um jovem adolescente, à época estudante e meu vizinho, vendo- me a carregar os recipientes para o carro me perguntou se podia colaborar. Claro! Sim! Seria óptimo. E foi deste modo que o meu Amiguinho FÁBIO COSTA (hoje enfermeiro na Unidade de Cuidados Continuados ) se tornou com apenas 13 anos o meu melhor colaborador… Fora de série!!… Hei-de reservar umas Reflexões só para contar as nossas aventuras e desventuras em actividades do GRUMAPA.
Setembro 2019