O Real Mosteiro de Santa Maria de Maceira Dão – Ascensão e Queda –

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Em 1 de Agosto do corrente ano o Jornal Renascimento deu a notícia que o Mosteiro de Maceira Dão ia ser intervencionado.
Lida com atenção a citada notícia chega-se à conclusão que as obras de intervenção se destinam exclusivamente à recuperação dos telhados. A verba é de 500 mil euros com 85% de comparticipação. Conclui-se facilmente que tudo o resto vai ficar na mesma.
Ora o Mosteiro actualmente está em ruínas. E neste lastimável estado como é possível falar num plano de promoção cultural como cita a notícia?
Vejamos um pouco da história, triste, bem triste deste monumento.
O escritor mangualdense Dr. Alexandre Alves, em 1992, publicou uma monografia intitulada “ Terras de Azurara e Tavares – O Real Mosteiro de Santa Maria de Maceira Dão”. A Edição é da Câmara Municipal de Mangualde e tem um prefácio do Dr. Mário Videira Lopes, na época Presidente da Câmara.
Nessa monografia, logo de início, o Dr. Alexandre Alves, após uma visita ao Mosteiro, escreve: – “Não acreditava na degradação a que chegou o histórico monumento, cuja fundação data à da fundação da Nacionalidade Portuguesa”. De facto foi em 1172, governava D. Afonso Henriques que o Real Mosteiro foi construído.
Por motivos diversos, próprios da história e da vida o Mosteiro durante a sua grande longevidade teve momentos bons e momentos maus. Nunca foi um grande convento, pois o máximo de monge ascendeu a 16 e houve épocas em que habitava só um.
Teve poder e foi importante para a região. Nunca teve um grande arquivo, nem grandes peças. E tudo foi devorado. O arquivo que estava guardado no Seminário de Viseu desde 1834 desapareceu quando um violento incêndio destruiu o Seminário. E as peças, quadros, imagens, altares e sinos foram vendidos e estão espalhados pela região.
O Mosteiro foi dos monges do Estado (com o desaparecimento das Ordens Religiosas) da Câmara de Mangualde e de particulares, como ainda o é hoje.
Todos contribuíram à sua maneira para a degradação deste monumento, classificado como Monumento Nacional.
Ao longo de muitos anos, escritores, Maximiano de Aragão, Valentim da Silva, Alexandre Alves e muitos outros clamaram, sem ser ouvidos. Foram gritos para o ar. E quando se grita para o ar ninguém ouve.
Eu mesmo ao longo de muitos anos escrevi sobre esta ruína no Jornal Renascimento, no “O Primeiro de Janeiro”, no “O Comércio do Porto”, no Diário de Viseu”. Nada resultou.
E já que citei duas vezes o “Renascimento”, vou fazê-lo uma terceira vez, para me referir ao dia 15 de Abril de 1965. Neste dia e nesse jornal era publicado o anúncio do Tribunal Judicial de Mangualde a anunciar a venda por praça pública.
Este Monumento Nacional, com a Torre Medieval (Sec. XII/XV), o Mosteiro (Sec. XVII) e a Igreja (Sec.XVIII) merecem muito mais que uma reparação de telhados. E com este remedeio não se pode embandeirar em arco! É preciso muito mais. Procurem um Grupo Hoteleiro que faça dali uma Pousada. Não deve ser difícil com a força com que o Turismo está.
O sítio é cheio de poesia e de história. E termino com uma frase, que alguém escreveu – E magoa e choca dolorosamente – e revolta, Senhores! – que ninguém volva os olhos para estas pedras velhinhas e as acarinhe e lhes deite as mãos para que não caiam tão depressa”.