PROFISSÕES CAÍDAS EM DESUSO

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3ª PARTE
O Ferrador: Para que as ferraduras ficassem bem assentes no casco do animal, o ferrador com o martelo dava uma pancada no cravo outra na ferradura. Trabalhava no pátio de sua casa, onde ferravam os bois, os cavalos e os burros. Aqui montavam o “ tronco “ para segurar o animal e uma pequena forja. Utilizavam a bigorna, a safra, a turquês e os martelos.. O “canêlo“ ou a “ferradura“ tinha que ficar bem assente no casco do animal, e para a segurar aplicavam os cravos (pregos).
O Pedreiro: alguns dos pedreiros da nossa aldeia desenvolviam a sua actividade nas pedreiras do monte da Srª do Castelo. Com muito suor e esforço arrancavam o granito “a tiro“ de broca, guilhos e alavanca dos penedos existentes. Servindo-se da marreta e do pico, debastavam e aparelhavam as pedras de granito para as paredes das casas, e muros de vedação. Das mãos do mestre pedreiro (canteiro), saíam obras de arte e imaginação, como cruzeiros, alminhas e chafarizes, fontes e tanques. Muitas dessas obras ainda são hoje por nós admiradas. Quando em grupo puxavam ou içavam uma pedra usavam uma cantilena que marcava o ritmo dos movimentos. Era o que vulgarmente chamavam o “cantar ás pedras“:
Eiii pedra!!! Ouuu ouuu pedra!! eiiii, ouuu, ouuu pedrinha…
Oupa, oupa, pedrinha que vais prá obra!!… oupa… oupa…
Rapaz calça-me essa pedra!!!… pedra calçada obra medrada!!….
O Taberneiro: No interior das tabernas se afogavam as mágoas. Jogava-se á sueca ao chincalhão, ao sobe e desce ou ao fito, jogos sempre acompanhados por muitas rodadas de copos de vinho. Pagam aqueles que perdem. O taberneiro pessoa idónea da aldeia era uma figura típica da época. Existiam na nossa aldeia muitas tabernas, lugares carismáticos que ajudavam a população masculina a passar parte dos longos serões de Inverno, aquecendo os pés nas grossas botas de pneu, na braseira acesa no inicio da noite. Dentro do balcão e quando a hora já era avançada, o taberneiro “pesava figos“. É o momento certo para fechar.
O Marceneiro: Era uma arte que exigia muita experiência e mestria. O marceneiro normalmente montava a sua pequena oficina na vila de Mangualde, tentando abranger uma maior área de vendas para os seus produtos. Como trabalho artesanal exigia muita perfeição e brio profissional. Utilizavam o torno manual para tornear a madeira conferindo-lhe bonitos efeitos visuais, a talhadeira e o formão para trabalhos mais exigentes e requintados.
Vendedora e compradora de ovos: De porta em porta com o cesto de vime no braço percorria a povoação de lés a lés comprando os ovos que as pessoas recolhiam dos seus galinheiros.
O Tanoeiro: Em sua casa, mesmo no páteo térreo que lhe dava acesso, o tanoeiro procedia ao fabrico das diversas peças, como pipos e tonéis para guardar o vinho, baldes para tirar a água dos poços, canecos de ir á água á fonte. “Deitava umas” adoelas”, consertando algumas vasilhas danificadas. Utilizavam referencialmente a madeira de castanho ou carvalho, pelo paladar que conferiam ao vinho transformavam-na em “adoelas“ e tampos para os pipos. Como instrumentos de trabalho os tanoeiros utilizavam o arco – de – pua, a enxó, a marreta ou o martelo.
(Continua no próximo número)