REFLEXÕES

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GRUMAPA – Grupo Mangualdense de Apoio e Protecção dos Animais

Construção do Canil / Gatil
Retomo as minhas memórias relativamente ao trabalho hérculeo que desenvolvi nesta tarefa, com outros sócios dirigentes. E se me refiro de quando em vez especificamente ao meu trabalho é porque por sensibilidade e uma maior disponibilidade de tempo, eu me senti impulsionada a ser a máquina que arrasta um pesado comboio fosse qual fosse a carga. É que para além da grande preocupação com as obras do CANIL, eu tive sempre no meu horizonte próximo, o peso dos animais em sofrimento que ao tempo eram dezenas cada qual em situações críticas de abandono, doentes, corpos cobertos de feridas da sarna, atropelados, espancados, também levados para pinhais para aí serem mortos à pancada, cadelas a morrerem com partos difíceis, ninhadas impossíveis de recuperar….Enfim, um ror de situações que me arrasavam e para as quais não tinha nem apoio monetário, nem força de trabalho, já que nem o voluntariado era conhecido e muito menos praticado. Foi sobretudo a partir de 2000, mercê do trabalho contínuo de auxílio a animais que se despoletou este problema aparecendo algumas almas mais sensíveis a aperceberem-se destes verdadeiros dramas. Foi, ainda menininho, o meu vizinho Fábio Costa, o primeiro a dar-me a sua pequena mas preciosa ajuda. No meu terraço e anexos eu, já desde há muito, tinha recolhidos vários cães – o número variava muito rapidamente – uns em tratamento recuperavam, outros não, infelizmente, e aparecia logo outro para o seu lugar. Quando no terraço a população ultrapassava os 18, recorria a um alpendre no quintal, e às garagens. Uma destas passou a chamar-se “ A garagem das aflições”, por já não haver outro lugar de abrigo disponível. Algumas vezes tinha também um ou outro na rua. Toda a despesa com veterinários e alimentação era assumida por mim. NUNCA NADA SAIU DO GRUMAPA. Insisto nesta questão para que fique de vez bem clara a VERDADE dos tempos difíceis. Quando tinha de me ausentar por alguns dias contava com a ajuda de uma funcionária da fábrica, que mediante uma recompensa me cuidava, e bem, dos meus protegidos. Quando o meu Amiguinho e vizinho Fábio, se fez homenzinho, foi a minha bengala em todas as aflições que me surgiam. Também o recompensei da sua dedicação, porque para além do alívio nas minhas tarefas fazia-o por AMOR à causa. Tenho imensas estórias alegres e altamente dramáticas que espero ainda poder descrever para memória futura, porque ser protectora naquele tempo não tem nada a ver com as situações actuais. Hoje proliferam por todo o lado, e ainda bem, grupos organizados, recorrem a peditórios extensos, aparece muito voluntariado e, graças ao esforço dos protectores iniciais, até já temos uma LEI e um partido político!!! Em 20 anos as voltas que o País deu!! Hoje temos as autarquias (algumas) já empenhadas em manifestar o seu entendimento da causa animal!! Que bom! Estamos longe do ideal, é contudo uma excelente porta que se abre para que os Animais e a Natureza mereçam a atenção, que lhes é devida, pela espécie humana. Mas…parece incrível que apesar de tudo não pára quem dê prova da sua grande malvadez para com os seres que têm tanto direito em usufruir condignamente do espaço terrestre como nós.
Que momentos foram estes, que décadas vivi, que trabalhos passei neste mundo que parece tão próximo e tão distante ??!!

nov 2019