REFLEXÕES

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GRUMAPA Grupo Mangualdense de Apoio e Protecção dos Animais
Construção do canil /gatil
E assim, depois de tantos anos de labuta, já conseguíamos ter algumas condições para recolher animais. Para já havia várias boxes alinhadas ao longo de um dos alçados mais compridos do pavilhão e os correspondentes pátios exteriores. Estávamos a entrar em 2011. Havia a intenção de se montarem as restantes boxes, mas previamente teria de ser preparado o pavimento que nesta metade ainda se encontrava em bruto. Cada problema que surgia levava-nos a mais preocupações. O dinheiro estava a escassear. Teríamos de recorrer novamente aos excelentes sócios colaboradores, teríamos de organizar de novo eventos, voltar às rifas, às vendinhas. A D. Paula Martins – a quem ficamos muito gratos- emprestou-nos uma loja no rés do chão num prédio que ladeia o Largo Dr. Couto. Aqui montamos uma feirinha de objectos diversos e livros, que nos eram oferecidos e durante alguns meses conseguimos mais uma verba para obras. Era assim, não nos poupávamos a esforços, procurávamos estratégias sérias e claras para resolvermos tão difíceis problemas.
Já com estas primeiras boxes montadas estava a chegar a hora de me aliviar de alguns dos 21 cães que recolhia em casa naquela altura. Em reunião de Direcção expus a necessidade de transferir alguns para o albergue para os espaços que já ofereciam condições de comodidade. O problema da cadela com os 9 filhotes já estava resolvido – arranjaram-se bons donos para os pequenos, e a mãe seria adoptada por uma família de Cunha Baixa, mas tive de a mandar castrar assumindo eu a despesa, como sempre tinha e tem sido nas despesas com veterinários. Um belo dia com a já habitual ajuda do meu amigo Fábio, preparamo-nos para carregar o jeep. Eu sentia-me profundamente angustiada – cada animal que escolhia deixava-me psicologicamente muito magoada. Dava-me a impressão que eles sentiam que a Amiga Incondicional os estava a trair. Eles percebiam que algo de estranho se estava a passar… eu procurava entusiasmá-los “Vamos a um passeio “ vão gostar…Vamos! “ Eles sacudiam a cauda sem perceberem que iam deixar o espaço bom, que os acolhera durante meses e até anos. O maior problema é que eu os tratava e trato como se fossem meus filhos….Eu iria tentar suavizar-lhes a mudança levá-los a aceitar novos hábitos, os novos espaços, fazendo-lhes no início a mais frequente companhia. Enchendo-os de mimos e guloseimas. Parece loucura no entanto qualquer protector(a) que me leia entenderá este meu estado de Alma…Mais uma fase bem difícil que tive de superar
E lá fomos, primeiro levamos três e logo a seguir mais quatro. Foram verdadeiramente estes sete animais que inauguraram o albergue, ainda por acabar… Foram os primeiros sete animais dos meus recolhidos e em casa ainda ficaram catorze.
Foi neste ano que surgiram as primeiras voluntárias. Irei abordar esta fase.
31 dezembro 2019