“Procurar sarna para se coçar…”

Ana Cruz
Ter uma atitude “transparente” é algo considerado em vias de extinção. De fato, muito “rico” que anda a “branquear”, tem a honra tão obscurecida que para compensar tem que ter “paraísos”, para com uma claridade solar que possa observar a sua honra mais “clara”. Pois este provérbio encaixa que nem uma luva (em não estou a falar de luvas para ocultar o delito…), a certos indivíduos de boa dicção e apresentação, que ridicularizam quem trabalha muito e recebe pouco! Infelizmente a justiça é cega, e mesmo sem venda deve ser um pouco míope, porque continua a castigar de forma desigual… A também deve ser um pouco amnésica, porque esquece quem furta muito, e relembra quem está na miséria por pequenos delitos!
Não resultando em metáforas, mas o tema “Parasitismo” já tinha sido escrito anteriormente. Esse artigo foi sobre a infestação de vermes no intestino, vulgo “Lombrigas”, no entanto a infestação de parasitas na pele é um mundo prolifero, mas pouco divulgado porque “mete nojo falar nisso!” Pois…. Então fingimos que não existe? Bem, há quem prefira considerar que certas epidemias já foram debeladas devido á melhora das condições de higiene, e logo acha que as inflamações da pele são dermatites ou alergias. Mas a realidade é que o contágio sucede em lugares onde há grande concentração de pessoas, como escolas, ginásios, residências, hotéis… E não existe qualquer relação entre boa higiene corporal e não infestação de parasitas da pele! O caso da sarna, ou termo técnico escabiose (Sarcoptes scabie, nome do ácaro\ parasita), esta tem origem no latim “Scabere – que significa coçar!
Um dos sintomas é exactamente uma comichão\prurido intensa, especialmente à noite (é quando a fêmea do ácaro, causadora da infestação na pele, inicia o seu depósito de ovos devido ao calor que emana do leito onde o hospedeiro\ pessoa está!). Este sintoma pode variar conforme a actividade física do hospedeiro, ou seja quando maior a subida de temperatura cutânea\ pele, maior a probabilidade de comichão! E como em média a parasita percorre 3mm\dia a pele do hospedeiro, ao coçar a parasita, esta amplifica o seu caminho gerando eritema\ borbulhas com crostas, também denominadas por galerias. Quase sempre os espaços entre os dedos das mãos, axilas, zona infra mamária, nádegas e virilhas são as zonas mais afectadas. Normalmente eclosão dos ovos, ou o surgimento de novos parasitas demoram 21 dias, o que significa que deve existir uma precaução acrescida de evitar nova infestação de sarna\escabiose, aplicando um segundo tratamento 15 a 20 dias depois do primeiro.
Ninguém gosta de visitas indesejadas! Ninguém gosta de ser hospedeiro destes inquilinos! Logo é fácil discernir que se não existir uma boa “transparência” na descrição dos sintomas, dificilmente o médico consegue diagnosticar este problema. Não hesite em falar com o farmacêutico ou outro profissional de saúde, esteja atento se mais alguém em casa tem os mesmos sintomas, porque significa que já há contágio e o tratamento tem de ser para ambos. E como é lógico, roupas com contacto directo com a pele devem ser lavadas com temperaturas elevadas!
Outra mazela provocada por parasitas são os piolhos, ou pediculose. “Pediculus”, em latim, significa pequenos pés. No fundo alude à fixação que este parasita tem no fio capilar, junto ao couro cabeludo onde se alimenta do sangue do couro cabeludo do hospedeiro. Também o sintoma è a comichão intensa e mais uma vez tem de existir um contacto próximo entre o transmissor do piolho e o futuro hospedeiro. Mais uma vez deverá ter um cuidado acrescido em observar os restantes elementos que coabitam com o hospedeiro caso haja contágio, e realizar um 2º tratamento 15 a 20 dias após o 1º tratamento para abater os piolhitos que saem das malfadadas lêndeas, ovos dos piolhos iniciais!
E se por acaso não sentir uma sugestiva comichão na cabeça ou braço, é porque o seu auto controle é muito bom, porque quase sempre que se fala nestes temas é inevitável a unha não encontrar um alívio imediato no couro cabeludo.
Estes parasitas, ainda conseguimos debelar, de forma temporária ou definitiva, já os “outros” temos de os ver a pavonear-se alegremente nos tribunais e inquéritos, e serem enaltecidos por nos “sugarem” a paciência!