REFLEXÕES

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AINDA O GRUMAPA
Alguns dos sócios fundadores do GRUMAPA ( Grupo Mangualdense de Apoio e Protecção dos Animais) entre os quais me incluo, foram confrontados com a publicação de uma entrevista no dia 3 de Janeiro passado, realizada pelo Diário de Viseu aos actuais dirigentes desta associação. Como verificámos que nela foi apagado, mais uma vez, todo o mais importante período da vida do Grupo desde o seu nascimento (1995), bem como TODO O TRABALHO DESENVOLVIDO pelos sócios fundadores até 2012 entendemos que, embora esta odisseia já venha sendo desenvolvida em pequenos capítulos no jornal Renascimento, desde alguns meses a esta parte, merecia que se insistisse nesta questão pertinente e escandalosa.
Assim, em 1995 um pequeno grupo de cidadãos de Mangualde tentavam prestar o auxílio possível aos imensos animais que, esfomeados, doentes, escorraçados, deambulavam pela cidade. Para tal criaram este grupo que legalizaram por escritura notarial organizando-se os respectivos Corpos Sociais.
Contudo, um dos principais objectivos dos fundadores era a construção de instalações próprias, condignas e confortáveis para os animais em perigo. Depois de um trabalho árduo e muitas vezes frustrante conseguimos em 1998 adquirir uma pequena quintinha com 3ha que mais parecia um bosque de grandes árvores e mato cerrado. Após a sua limpeza delimitámos uma parte da área com rede e sempre com a extraordinária colaboração da Autarquia, ao tempo, desenvolvemos o processo de angariação de fundos. Conseguiu-se algum apoio estatal que associado ao empenhamento da Câmara e à muito boa vontade de alguns sócios, grandes beneméritos, nos possibilitou ao longo dos anos, com muito esforço e sacrifícios, erguer as duas grandes construções que lá se encontram – um enorme pavilhão / canil, e uma boa casa para a Sede.
Foram 16 anos de trabalho físico e mental, incalculáveis. Com a obra a andar, muitas vezes tivemos ideia de desistir tantos eram os entraves financeiros… Embora já tivéssemos cerca de 140 sócios, o verdadeiro esforço era feito por pouco mais de uma dúzia. Apesar de todos os desalentos em 2011, já tínhamos construído o essencial e já tínhamos boxes montadas no pavilhão para onde iriam os 21 cães que a presidente continuava a acomodar e cuidar nos espaços da sua casa. No final de 2011 instalámos os primeiros sete cães já tratados das mazelas e saudáveis.
O que era mais importante já tínhamos construído e embora ainda fossem necessários trabalhos complementares, podíamos agora dispor do espaço que ambicionávamos. Também já havia voluntárias para dar uma ajuda.
No entanto, depois de tanto esforço como presidente, as minhas energias descambaram. Mal conseguia pôr-me de pé. Era urgente alguém que me substituísse, mas para os restantes elementos dos Corpos Sociais tornava-se difícil, visto que todos tinham obrigações profissionais a cumprir diariamente. A obra estava quase finalizada. Não havia dívidas e ainda tínhamos na CCA um depósito de 3.700 Euros…! Mas estava este grande problema dos dirigentes para resolver.
Por um estranho desígnio do destino no final do ano de 2011 surgiu do desconhecido alguém que não querendo…queria ser presidente. Logo no inicio de 2012 fez-se a necessária Assembleia Geral para eleição dos novos Corpos Sociais.
Porém, para nosso espanto, a partir daqui tudo se começou a desenvolver dentro da maior confusão! Aconteceu de tudo. Voluntários foram desconsiderados, os sócios fundadores iam sendo eliminados e os 16 anos da vida bem difícil que alguns levaram foram paulatinamente apagados como se verifica em todas as abordagens que os actuais dirigentes têm feito até aos dias de hoje. Então impõe-se uma questão – todo aquele património do GRUMAPA apareceu ali, em 2012, com um simples gesto de varinha mágica !!! ?… Valha-nos Deus !!! Mas como é sempre possível a uma qualquer pessoa encontrar um caminho mais limpo, agora a vida lá irá sorrindo para os animais, ao menos. Tudo o resto está escondido nas páginas do Facebook e na memória de certa gentinha…

(Também pelos sócios fundadores) – Maria Clara Matias sócia nº1