SONAE ARAUCO

No seguimento do trabalho realizado na freguesia de Espinho, ficamos a conhecer um pouco da realidade geral daquele território, mas, sendo a SONAE a maior empresa da freguesia, falámos com Olímpio Salgueiro, Plant Manager da Sonae Arauco Mangualde que, de forma mais pormenorizada, mostrou como se desenrola a atividade nesta unidade industrial.

RENASCIMENTO – A SIAF/SONAE ARAUCO surgiu em Mangualde, na povoação de Água Levada, como uma sociedade de Iniciativa e Aproveitamento florestais. Como é que constituiu nesta localidade? Quais foram os motivos que deram origem à escolha deste local e à sua instalação?
Olímpio Salgueiro – A localização da antiga SIAF – atualmente Sonae Arauco Portugal – em Água Levada/Espinho foi uma sugestão da Câmara Municipal de Mangualde, dadas as condições base de: Acessibilidade – EN 234 e ligação próxima do eixo Aveiro/Vilar Formoso (IP5), assim como a Linha ferroviária.; Disponibilidade de matéria prima – a região detinha uma das maiores manchas florestais do país, além de ser uma zona com elevado número de serrações (fornecedores de estilha e costaneiros); Disponibilidade de água para utilização e meio recetor – ribeira de S. Pedro e rio Dão.

RENASCIMENTO – No seu início, como é que funcionava? Qual a matéria-prima ou matérias-primas que utilizava na produção dos produtos gerados? Qual era o seu fim?
Olímpio Salgueiro – A matéria-prima usada era proveniente de pinheiro bravo e o objetivo desta unidade industrial da Sonae Arauco era já na época produzir soluções de madeira em MDF, de qualidade e de acordo com os requisitos dos clientes. Desde cedo, a empresa se destacou por uma ligação com a comunidade local. A ética e transparência são as raízes em que assenta a nossa integridade de negócio e do compromisso que assumimos com os nossos clientes, colaboradores, fornecedores e comunidades onde estamos presentes.

RENASCIMENTO – Qual é o tipo de mão-de-obra, especializada e não especializada, que utilizava e utiliza no seu circuito organizacional interno?
Olímpio Salgueiro – O tipo de especialização necessário tem-se alterado ao longo dos tempos, de acordo com a evolução do próprio negócio e das tecnologias de produção associadas. É importante notar que a tecnologia atualmente usada para a produção de painéis derivados de madeira é altamente sofisticada e, em muitos casos, equiparada à de outras indústrias de topo, como é o exemplo da indústria automóvel.
Na unidade industrial de Mangualde são inúmeros os investimentos que têm sido feitos em tecnologias de última geração, assim como na adaptação da sua equipa de colaboradores, que atualmente está munida de profissionais com ótimas competências em diferentes áreas, nomeadamente na manutenção mecânica e elétrica, automação, processo, produção, gestão industrial e tecnologias de informação.

RENASCIMENTO – Quais são as influências que esta unidade industrial tem no ambiente natural em que está instalada?
Olímpio Salgueiro – A unidade industrial da Sonae Arauco em Mangualde está abrangida pelo Licenciamento Ambiental, sendo detentora de uma Licença Ambiental desde 2008 e, desde o início do ano, de um Titulo Único Ambiental. Neste âmbito, está sujeita a condições impostas pelo Ministério do Ambiente, que incluem condições de exploração, monitorização do ambiente e obrigações de comunicação ao Ministério do Ambiente, que inclui a Verificação Anual por uma Entidade Independente acreditada pelo Ministério do Ambiente.
Temos vindo a investir na melhoria e preservação do ambiente, com a aplicação das Melhores Técnicas Disponíveis (MTDs), que incluem procedimentos e tecnologias/equipamentos mais eficazes em termos ambientais, evitando ou reduzindo as emissões e o impacto no ambiente da atividade, que possam ser aplicadas em condições técnica e economicamente viáveis.
Esta Unidade está também certificada com a norma de gestão ambiental, EN ISO 14001.
Estamos empenhados em minimizar o impacto ambiental das nossas operações e atividades, tendo por base um desenvolvimento sustentável assente em três pilares fundamentais: social, ambiental e económico.

RENASCIMENTO – Quais são os benefícios que desencadeou ou promoveu para esta região?
Olímpio Salgueiro – A Sonae Arauco é um dos principais empregadores desta região, sendo que os recentes investimentos da empresa em Mangualde refletem o compromisso a longo prazo da empresa com esta comunidade. Além da criação de empregos diretos, a atuação da empresa impacta também na criação de inúmeros postos de trabalho , promovendo o desenvolvimento económico e social. Acresce que a empresa é também reconhecida pelas inúmeras ações de responsabilidade social feitas em parceria com as instituições do concelho.

RENASCIMENTO – Existe na SIAF/SONAE uma central termoeléctrica a Biomassa Florestal? Como é que se constituiu? Que tipo de orgânica funcional possui com a SIAF?
Olímpio Salgueiro – O processo produtivo que se desenvolve na Sonae Arauco em Mangualde (MDF) é um processo que requer um consumo elevado de energia térmica pelo que, desde o início da atividade (década de 80), temos vindo a implementar as  soluções técnicas de produção de energia mais eficientes em cada momento. Com o passar do anos, assistiu-se a um aumento a capacidade produtiva da fábrica, que foi acompanhada pela implementação de novas unidades de produção de energia. Recentemente, iniciou-se um processo de substituição destes equipamentos de produção de energia, uma vez que se aproximavam do final do seu ciclo de vida.
Nesse sentido, promovemos através da empresa capWatt, do grupo Sonae Capital, a implementação da central de termoeléctrica a biomassa florestal – Central de Biomassa de Mangualde – que tem como objetivo a produção de energia elétrica e térmica a partir de biomassa residual florestal. Esta Central de Biomassa utiliza a melhor tecnologia disponível, será mais eficiente que os meios de produção atualmente existentes na fábrica, e encontra-se em fase de comissionamento e testes, prevendo-se que entre em operação contínua a partir do próximo mês de Setembro.
A capWatt é uma empresa com longa experiência em projetos de produção de energia, que teve a seu cargo todas as fases de implementação do projeto e assumirá também a responsabilidade pela sua gestão e operação, ficando assim a fábrica totalmente concentrada no seu negócio de base que é a produção de painéis em MDF.

RENASCIMENTO – O produto produzido, electricidade, a quem é vendido?
Olímpio Salgueiro – Esta Central de Biomassa de Mangualde produzirá energia elétrica que será injetada na rede do Sistema Elétrico de Serviço Público (SEP), depois de satisfeitos os consumos elétricos auxiliares da própria central e energia térmica para satisfazer as necessidades do processo produtivo da Sonae Arauco. A energia elétrica será vendida à Rede Elétrica de Serviço Público ao abrigo do enquadramento legal em vigor.

RENASCIMENTO – Qual é a origem da biomassa florestal utilizada na central?
Olímpio Salgueiro – Para além da biomassa interna (casca proveniente da rolaria) temos também biomassa florestal triturada e biomassa urbana triturada. Cerca de 90% com origem em Portugal e 10% em Espanha. Importa, no entanto, destacar que na Sonae Arauco seguimos rigorosamente o princípio de utilização de madeira em cascata, ou seja, só a madeira que não tem condições ou que não pode voltar a incorporar o processo industrial é que será utilizada como matéria-prima para a central de biomassa.

RENASCIMENTO – Como é que a central obtém a água que utiliza na sua funcionalidade?
Olímpio Salgueiro – A água necessária à operação da Central de Biomassa de Mangualde é bastante reduzida mas, quando necessária, será obtida, à semelhança do que hoje ocorre para os sistemas convencionais de produção e energia, pelo fornecimento  da Câmara Municipal de Mangualde, através de uma captação de água superficial, localizada na Barragem de Fagilde.

RENASCIMENTO – Qual é o destino das águas residuais da Central da Biomassa?
Olímpio Salgueiro – A Central de Biomassa de Mangualde foi projetada e construída de modo a apresentar um reduzido consumo de água e produção de águas residuais.
Esta Central de Biomassa vem substituir as caldeiras existentes, sendo que águas residuais, em menor quantidade, continuarão a ser encaminhadas para um destino adequado e tratadas na Etar industrial da Sonae Arauco, à semelhança do que hoje ocorre. 

RENASCIMENTO – Segundo um estudo feito pela Allvision consulting e training, não foram identificados efeitos ambientais que inviabilizassem o projecto “Biomassa de Mangualde”. Hoje, será que essa situação se mantém?
Olímpio Salgueiro – Sim, podemos referir que, à data de hoje, o estudo ambiental não identificaria novos efeitos ambientais que condicionassem a implementação do projeto. Realçamos que este efeitos ambientais identificados para as diferentes fases de desenvolvimento do projeto foram durante a fase de construção e serão durante a fase de operação, devidamente acompanhados. As fases de construção e arranque destas instalações são complexas, morosas e minuciosas, mas visam sobretudo um arranque em operação contínua sem impactos na comunidade.
Aproveitamos esta oportunidade para nos colocarmos à disposição da população do concelho de Mangualde para apresentar e esclarecer qualquer questão no que respeita ao projeto de Biomassa que aqui desenvolvemos.

RENASCIMENTO – Esta unidade industrial no seu todo, possui áreas de investigação científicas? São comuns ao Instituto Superior Politécnico de Viseu ou com outra Instituição de ensino?
Olímpio Salgueiro – A Sonae Arauco tem como objetivo desenvolver e melhorar as caraterísticas dos nossos produtos que potenciam a base para a inovação de produtos e processos. Neste sentido, fomos desenvolvendo, ao longo dos anos, parcerias com várias universidades portuguesas: a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), a Escola Superior Tecnológica de Viseu (ESTV), a Universidade do Minho, Universidade de Aveiro ( UA), a Universidade Nova de Lisboa (UNL), a Universidade de Coimbra (UC), a Universidade de Trás dos Montes e Alto Douro (UTAD), o Instituto Superior Técnico de Lisboa (IST) e o Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP), assim como com associações de Investigação, fomentando a proximidade entre a empresa e a comunidade académica.