A TOMADA DA BASTILHA

juiz
Desde a minha juventude, nunca mais se apagou da minha memória a data de 14 de Julho – dia da tomada da Bastilha – que aprendi nos bancos do Liceu, como sendo um dos factos mais importantes do início da Revolução Francesa, no ano de 1789. Como antigo estudante da Universidade de Coimbra, também costumo festejar, todos os anos, no Casino do Estoril, uma outra tomada da Bastilha, no dia 25 de Novembro, que apenas tem de comum o nome do evento. Desta não me irei ocupar por agora.
A Bastilha começou a ser construída em 1370 e passou a ser prisão de Estado a partir de Richelieu. Apenas podia albergar 42 prisioneiros, que eram escolhidos entre indivíduos da maior posição social, os quais entravam mediante mandato secreto, evitando assim a publicidade.
Reinava em França Luís XVI numa altura em que o País se defrontava com uma grave crise económica motivada pelas despesas da Guerra Revolucionária Americana e pelo facto de os impostos apenas serem pagos pelo terceiro estado, ou seja, pelo povo, visto que o clero e a nobreza estavam isentos.
Sendo o rei “um pobre homem”, no dizer de Maria Antonieta, sua mulher, mais interessado na caça, do que na resolução dos problemas do País, gerou-se um movimento impulsionado pela burguesia, com a colaboração dos camponeses, que se propunha adquirir armas, por recearem uma repressão sangrenta sobre o povo. Dirigiram-se aos “Inválidos”, onde havia um razoável arsenal e aí obtiveram umas 3.000 espingardas e alguns canhões. Correu, no entanto, o boato de que a pólvora se encontraria na Bastilha. Nessa altura, estariam lá apenas uns 7 prisioneiros: 4 falsificadores que, logo que libertados, desapareceram no meio da multidão, tendo os 3 restantes sido transportados em triunfo pelas ruas. No dia seguinte, dois deles foram novamente encarcerados num hospício e o terceiro regressou à sua terra, onde veio a morrer alguns anos depois.
A multidão revoltosa era constituída por soldados desmobilizados, guardas, marceneiros, sapateiros, operários, negociantes, artesãos, etc. A conquista durou cerca de quatro horas, após as quais o governador, que havia mandado atirar sobre a multidão, rendeu-se com a condição de lhes pouparem as vidas. No entanto, foi chacinado juntamente com três oficiais, três soldados e o presidente do município. As suas cabeças foram espetadas em lanças e passeadas pelas ruas de Paris, no meio da turba ululante.
O iluminismo, que se havia propagado entre os burgueses, impulsionou o início da Revolução contra o absolutismo e contra os privilégios concedidos ao clero e à nobreza.
A celebração do dia 14 de Julho tornou-se uma tradição política, sendo a Revolução francesa considerada um movimento central da História da Humanidade e o início cronológico do período conhecido como Idade Contemporânea. A tomada da Bastilha teve grandes repercussões políticas, não só na França, como na Europa.