Editorial Nº 612 – 15/3/2013

maltez

Caro Leitor
A normal e habitual especulação em torno de quem seria o novo Papa e as discussões em torno do perfil do novo Sumo Pontífice da Igreja Católica terminaram na passada quarta feira.
Ao segundo dia de votações, saiu fumo branco da chaminé da Capela Sistina e, pouco depois, era apresentado ao mundo o novo Papa, o primeiro com o nome Francisco, o primeiro jesuíta chamado a desempenhar a função.
Jorge Mario Bergoglio, um argentino de ascendência italiana, de origens humildes, que abraçou o sacerdócio aos 32 anos de idade, após doença respiratória que o deixou apenas com um pulmão, arcebispo de Buenos Aires, de quem se diz agora ter sido o segundo mais votado na eleição anterior e que, nessa mesma eleição, pediu aos demais cardeais para não votarem em si, foi agora eleito Papa pelos seus pares.
A eleição do Papa é um acontecimento que cativa a atenção dos católicos, mas também dos que não o são.
Independentemente da fé de cada um, ou até do ponto do globo onde cada um se encontra, a eleição do líder da Igreja Católica é um acontecimento importante.
Se em condições normais, ser o líder de uma instituição com a história e a dimensão da Igreja Católica, uma instituição tão enraizada na maior parte do mundo, assume, por si só, uma importância relevante, considerando os desafios que hoje se lhe apresentam esta eleição poderá ser decisiva para o futuro próximo da Igreja Católica.
A perda de fulgor da Igreja na Europa e na América do Norte, ora fruto de escândalos de natureza diversa, ora fruto de um maior afastamento natural nas sociedades mais desenvolvidas, é uma realidade.
Se antes os missionários partiam do velho continente para evangelizar o mundo, hoje os missionários virão dos novos continentes reevangelizar o velho.
O ateísmo e o agnosticismo são cada vez mais frequentes. O agnosticismo cada vez mais vasto. Para além do diálogo com as diferentes religiões, um dos principais desafios da igreja estará aqui, no diálogo com os agnósticos. O próprio Papa Bento XVI percebeu isso quando afirmou que os agnósticos são um novo terreno de confrontação para a igreja, chegando mesmo a dizer que mais vale um agnóstico que se interroga sobre as questões do que uma fé aparente.
Este é apenas um, talvez o mais premente no velho continente, mas os desafios são imensos.
Uma instituição voltada sobre si mesma, enclausurada nas suas fronteiras, condena-se a si própria a uma morte lenta.
Uma instituição aberta, ainda que firme nas suas convicções, mas dialogante, tolerante, progressiva, que perceba que no mundo de hoje não há segredos e que assuma um papel ativo na dinâmica social de hoje em dia, será uma instituição que não só sobreviverá, mas que verá também reforçada a sua importância, a sua relevância na vida das pessoas.
Um abraço

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