Dr. Diamantino Furtado

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Vou recordar um saudoso amigo a quem Mangualde muito deve.
E prestando uma justa homenagem a Câmara Municipal deu o seu nome ao mercado.
Refiro-me ao Dr. Diamantino Augusto Teixeira Furtado, médico em Mangualde na sua Clínica- Casa de Saúde, que fundou.
Durante muitos anos foi o médico de minha avó Julieta, na aldeia da Roda, cuja saúde necessitava de ser seguida quase diariamente. Foi também o médico de quase toda a minha família.
Uma amizade muito particular a meu tio Dr. Amândio Marques, advogado no Porto, mas constantemente de visita à Roda e a Mangualde. O que os unia, principalmente, era comungarem as mesmas ideias políticas.
Ao escrever sobre o Dr. Dino, como era carinhosamente reconhecido, lembro-me sempre de dois grandes escritores que muito aprecio e prezo. Um português, o Grande Alexandre Herculano que dizia: – “ O mister de recordar o passado é uma espécie de magistratura moral – uma espécie de sacerdócio. Exercitem-no os que podem e sabem, porque não o fazer é um crime…”. O outro é uma figura internacional, mundial, com uma grande obra – Stefaz Zweig que no prefácio de um dos seus livros escreve: – “ Quando nos posicionamos tão somente como o narrador de um filme, para atribuirmos às imagens que o tempo nos deu, as respectivas legendas, temos obrigação, o dever, como testemunhas, de os relatar, de os passar para as gerações vindouras”.
Ora, o Dr. Diamantino Furtado merece o reconhecimento e o respeito de todos os Mangualdenses. Fundou a sua Clínica em Mangualde, Casa de Saúde, onde semanalmente vinha operar o Dr. Bissaya Barreto, grande cirurgião, uma das sumidades de Coimbra.
Depois, a seguir à Revolução de 25 de Abril, foi Presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Mangualde, 1974/1976, tendo como Secretário Manuel de Freitas Marado, mais tarde advogado em Mangualde.
Licenciado em medicina, já com alguma idade, inscreveu-se na Faculdade de Letras da Universidade do Porto onde concluiu o curso. Pessoa de rara inteligência e grande cultura.
Mas, aquilo que eu quero realmente realçar era a amizade que ele tinha por mim, eu na altura um jovem estudante. Amizade e respeito que eu lhe retribuía.
Tive então a ousadia de publicar o meu primeiro livro de Poemas “ Barco Vazio”, com prefácio de um outro saudoso amigo o Grande Poeta Pedro Homem de Mello.
Enviei-lhe um exemplar com uma dedicatória muito especial.
Pelo correio recebi uma carta, de duas folhas, que dizia: – “ Venho afirmar-lhe o meu reconhecimento pela oferta que teve a bondade de fazer-me, do seu primeiro livro de versos. Estou certo de que ele será a obra inicial da carreira poética que lhe vaticino longa e brilhante.
Creia, que sinceramente, discordo da excessiva modéstia do título. Não se trata de um barco vazio. Logo de entrada encantou-me a perfeição formal e a ideia expressa no poema “Vida”. Além da perfeição de forma, daquilo que nos seus poemas me faz encontrar perfeição técnica de versejar, era também sentimento. Permita que, como crítico “barato” lhe dê a minha opinião. O seu livro “ Barco Vazio” agradou-me e desejo sinceramente, que, como tantos outros, não de limite a escrever um livro.
Continue a escrever poemas e publique-os.
Seria pena que não o fizesse”.
Ao Dr. Dino, a saudade e o meu eterno Bem Haja.