EDITORIAL Nº 808 – 15/10/2021

Entramos na recta final do ano de 2021
Ano difícil, condicionado pela pandemia, pelas restrições, que nos retirou a satisfação de contactar, dos afectos e causou muito sofrimento e mortes.
Estamos a recomeçar, com cuidado, para recuperar tudo o que se perdeu e normalizar, aos poucos, as nossas vidas.
Mesmo assim, apesar de todos os condicionamentos, o Jornal Renascimento procurou trilhar novos caminhos para uma maior implantação territorial, mais leitores, mais visibilidade.
No início de 2021 abrimos a Delegação de Viseu. Entramos numa cidade de média dimensão, das maiores do interior de Portugal para conquistarmos o nosso lugar.
Foi apoiante determinante o saudoso amigo António Almeida Henriques, Presidente da Câmara Municipal de Viseu, na altura , vítima da pandemia, a quem prestamos o nosso profundo agradecimento.
Com este ponderoso apoio, alcançamos os meios políticos, os Serviços, as Empresas, o Comércio, o Turismo, onde o Renascimento se implantou.
Mas, não ficamos por aqui. Avançamos até à Capital, a magnífica cidade de Lisboa, onde entramos nos Ministérios, nas Secretarias de Estado, nas diversas Acessorias, recebendo notícias e levando notícias da nossa terra.
Trouxemos para as nossas páginas em mensagens e entrevistas as principais figuras nacionais. Presidente da República, Ministros, Secretárias de Estado, Dirigentes Empresariais, Presidentes de Câmara e outras grandes personalidades, nacionais ou regionais.
Um trabalho que não parou, bem pelo contrário, vai continuar.
Anima-nos colocar o Jornal Renascimento entre os principais da Região Centro do País.
Há pouco tempo avançamos para a Grande Comunicação Social. Para as Redações, Agendas, Direcções de Informação dos grandes Canais de Televisão ( RTP, TVI, SIC, CMTV) onde se forma e se transmite a informação nacional.
Com todo este trabalho, aumentamos o número dos nossos leitores, somos mais lidos, conhecidos e respeitados, porque fazemos um trabalho sério em prol do desenvolvimento da “nossa” Terra.
Não esquecemos os nossos assinantes espalhados pelo País e pelo Mundo. Para eles fizemos uma parceria com o segundo maior Grupo Hoteleiro Português – Grupo Vila Galé- para que possam beneficiar de descontos especiais da Cadeia, em Portugal e no Brasil, nas suas deslocações quer em serviço, quer em lazer.
Outros projectos se seguirão tendo sempre em conta os nossos assinantes que ao longo dos quase 95 anos de existência do Jornal Renascimento (faz em Janeiro), continuam a ser fiéis assinantes e leitores.
O caminho não chegou ao fim! Há muito mais caminho a percorrer.
Mas, como diz o nosso Povo que é sábio, o Caminho faz-se caminhando.

A VIDA É FEITA DE EMOÇÕES


REVIVENDO UM PASSADO ESCRITO NA PELE E NA ALMA  
Embalado pela melodia do tempo , todos os dias aprendo um pouco mais . São as tradições vividas e que os nossos pequenos olhos captaram , para sempre são retidas na nossa memória e nos fazem reviver as coisas boas do nosso passado . Nesta aldeia alimentada pela seiva do tempo em despreocupada e amena cavaqueira com conterrâneo amigo de longa data , Amadeu de sua graça , homem honesto e bom , fazendo do trabalho o seu modo de vida , vivendo sempre em espírito saudoso , possuidor de muitas peças antigas da nossa lavoura , um pequeno museu etnográfico, peças de um quotidiano rural impregnadas de uma clamorosa simplicidade rústica . Vivo a fantasia de um passado em que a melhor magia que recordamos com simpatia, generosidade e simplicidade ,é aquela que transportamos nos nossos pensamentos . Somos um pouco daquilo que já conhecemos , dos lugares em que fomos felizes , um pouco das saudades com que ficámos e das coisas que gostámos e amámos . Tempos em que bens essenciais não chegavam “ on line “ a nossa casa , mas numa oferta personalizada alimentada pelo convívio e pela amizade . E com o entusiasmo de uma paixão recordada , falava com um coração de pura saudade . Todas as 5ª feiras , mas nem sempre á mesma hora vagueando num frio de Outono ou Inverno, temperaturas amenas de Primavera ou escaldantes de Verão , era despertada a população pelo som de uma corneta : era o azeiteiro . Vendia os mais diversificados produtos , o azeite medido ao litro , ao meio litro ou ao quarto ( quartilho ) , o petróleo para as lanternas e candeeiros , máquinas de cozinhar os alimentos ( fogões da época ) o sabão azul para a roupa e tomar banho , o amarelo para lavar o soalho da casa .  
De quando em vez o homem do ferro velho , como ser que divagava solitário , que se anunciava batendo com um pequeno martelo numa “ sertã “ “ velha , declamando em bom som o seu pregão : “ troco pratos e tijelas novas por ferro velho , farrapos de lã , peles de coelho e denticão “ . A tarde vai andando e entre velhas lembranças , a sorrir, nele se percebia um vulto de esperança . Procurava abrigo no pátio da tia Rosinha onde sempre lhe era garantida uma “ tijela “ de sopa quentinha . Um gesto lindo que se gravou dentro de nós . Ou no silencio da noite que faz medo pernoitava no forno comunitário , e na dor de criatura de Deus lembrava a vida de sua miseranda imperfeição .  
O amola tesouras como vulto que resplandecia na distancia como uma perpetuação da eternidade , tocava a sua gaita de beiços , transportava uma “ geringonça “ feita de madeira acupulada de uma roda como a das carroças dos burros e quando fixa tinha uma pedra de esmeril ligada a uma correia accionada com o pé e que agoçava facas , tesouras, canivetes e outra peças de corte .  
Infalivelmente todas as sexta-feiras , vencendo fantasmas de arvoredos e estrelas , o capador assinalava a sua presença tocando um apito de um som estridente . Quase todas as famílias compravam dois leitões , um para consumo da casa outro para vender. Sendo normalmente machos aos três meses tinham que ser capados , não o sendo eram animais chamados “ barrascos “ servindo apenas para “ cobrição “. 
Não foi esta a vida por eles escolhida , mas quase ninguém a escolhe . Foram destinados a uma vida de sacrifícios e privações , fadados a mover a terra de sol a sol de semear e colher algum fruto . À noite cansados da labuta do dia , quando transpunham a soleira da porta suavemente pousavam os objectos do seu sacrifício os utensílios da lavoura.

Direito à indignação

Os números da abstenção não me preocupam absolutamente nada. No entanto, a participação cívica das pessoas e o modo como estão em comunidade já é preocupante.
Posso ficar indiferente com a possibilidade de alguém se demitir de contribuir para determinar o futuro do seu país ou do seu concelho, até triste, mas nada preocupado. Eu posso é estar descontente com quem não vai e está sempre a reclamar e a queixar-se dos governantes. Não quer saber, não se informa, não vota.
Existe uma diferença gritante entre a opinião pública e a opinião publicada.
Os escândalos sucessivos que assolaram as governações socialistas (poder central e Lisboa) foram sendo menosprezadas e minimizados por boa parte da comunicação social.
Como disse Tiago Mendonça no jornal “O Novo”, O caso de Eduardo Cabrita “assume proporções dantescas. Em qualquer outro país, já não existia ministro há muito tempo. Aqui já ninguém fala do assunto. O caso do procurador José Guerra, da não recondução de Joana Marques Vidal, do SIRESP, da obscuridade do plano de recuperação e resiliência, enfim, das teias de interesses no aparelho do estado, dos boys e girls que tomaram o poder, o envio de informações para a Rússia, é tudo obsceno”. O último caso foi a completa falta de sentido de estado que teve como protagonista o Ministro da Defesa.
Como se isto não fosse suficientemente grave, ainda tivemos o caso Rendeiro que tratou de fugir do país, aproveitando-se da extrema tolerância da nossa magistratura, incapaz até de lhe apreender o passaporte, e da inacreditável lentidão da burocracia responsável pela execução de penas.
A ministra da (in)Justiça reagiu admitindo haver “desconforto social”. Rendeiro beneficiava da medida de coacção mais ligeira - a do termo de identidade e residência, mesmo nunca tendo pago as coimas a que fora condenado em processos anteriores.
Algures onde se refugiou, diz agir “em legítima defesa” e recusa figurar como “bode expiatório do sistema financeiro nacional”. Por outras palavras: não está disposto a pagar pelos graves ilícitos que cometeu dando uma valente bofetada na justiça portuguesa. Foi mais um caso entre muitos!
Bem pode o Presidente da República exigir um país “mais rico, mais inclusivo e mais justo” que enquanto tivermos esta passividade com os nossos governantes nada mudará.
Embalados por uma imprensa domesticada, perdemos a capacidade de nos indignarmos e de pedir contas a quem nos governa. Já os partidos políticos deviam preocupar-se mais em formar bons quadros e menos em ser centros de emprego para os seus boys.

“Em terra de terra de cegos quem tem olho é rei!”


Já a sabedoria popular sabia estimar a importância da visão, apesar de ser uma metáfora que ilustra o sentido de oportunidade e a vantagem de ter mais “visão” ou conhecimento, escolhi este provérbio com o intuito de alertar sobre a saúde ocular.
É cada vez mais evidente, a necessidade de doenças do foro ocular ou visuais na população, sendo transversal à idade. Normalmente algumas crianças podem já ter problemas congénitos ou de nascença, mas só há um alerta aquando da entrada para a comunidade escolar devido à dificuldade em acompanhar as atividades. Daí já existirem alguns centros de saúde que realizam avaliação dos olhos das crianças a partir dos 2 anos, para além da conhecida avaliação visual da consulta médica\ enfermagem aos 5\6 anos. Este rastreio realizado nas crianças de 2 e 4 anos é gratuito, e realizados por profissionais com formação na área de oftalmologia com o objectivo que encaminhar prováveis alterações visuais para consultas de oftalmologia a nível hospitalar. A operacionalização desta norma, tem sempre alguns obstáculos… Mas caso os direitos alheios invadam os seus direitos, saiba que a maior parte das ópticas têm profissionais que realizam estes exames de forma rápida e gratuita! E de que vale imputar a responsabilidade na burocracia estatal quando quem se prejudica é o seu filho\a?
Também a restante população não está isenta de avaliação visual, especialmente se tiver sintomas tais como vista cansada, olhos vermelhos, vista turva, pontos escuros no campo visual, ardor ocular, sensibilidade à luz. Quando estes sintomas ocorrerem, se desvalorizar surgem quase sempre atribulações. Devido ao distanciamento geográfico e à diminuição do acesso aos especialistas médicos do foro oftalmológicos, as fatalidades podem ser irreversíveis! Logo a prevenção impera nos casos de problemas crónicos, com o objectivo de não chegar a cegueira! Já existe um rastreio do foro oftalmológico para pessoas diabéticas e até é aconselhado aos hipertensos, mas com o receio de redundância volto a persistir na rede de clínicas\ oculistas sempre disponíveis, conforme agendamento, com profissionais certificados e credenciados!
Porque hoje em dia a visão é um dos sentidos mais necessários, e não tenha apreensão em ser “sabichão” e manter os dois olhos saudáveis! Porque sábio é aquele que antecipa os problemas que pode prevenir!

IMAGINANDO

Parte 99
ONDAS CEREBRAIS: O QUE SÃO E O QUE FAZEM
Parte 1
Como nosso cérebro funciona em função das diversas ondas cerebrais, vamos numa síntese explicar esse mesmo funcionamento, porque ele depende da frequência em que vibramos.
No momento atual, podemos avaliar através de um aparelho de Eletroencefalograma moderno
Iniciemos pelas Ondas cerebrais. O que são?
Ondas Cerebrais,
são ondas eletromagnéticas que resultam da atividade elétrica das células cerebrais.
Como a amplitude de cada tipo de onda está diretamente relacionada com as mudanças de estados de consciência, as ondas Cerebrais têm a capacidade de modificar as respetivas frequências, que dependem das diversas atividades do ser humano, no seu dia a dia.
Ondas Gama
, são ondas cerebrais com as frequências mais altas (40 a 100 Hertz) e da qual podemos tirar partido quando o cérebro está num período de aprendizagem. Elas estão associadas à integração de informação de todas as regiões do cérebro havendo uma conexão, porque todas se sincronizam.
Quando o cérebro produz muitas ondas Gama, além de refletir uma organização neural completa, também reflete uma grande atenção. Como exemplo podemos pensar na função cerebral sincronizada de uma criança a brincar, a revelação de determinado problema que nos preocupava ou um escritor inspirado numa obra prima. Elas estão associadas a níveis com funções muito elevadas, criatividade e integração. Aos monges após meditação, nos seus cérebros foram detetados grandes clarões de Ondas Gama, atingindo maior intensidade quando entraram em “extase”.
Ondas Beta
:
·Beta Alta
(15 a 40 Hz). Típico das pessoas com ansiedade, stressadas e frustradas. Quanto maior fôr esta amplitude, menos capacidade de decisão elas têm, porque o fluxo sanguíneo que vai para o “cérebro pensante” tem uma redução de cerca de 80%, provocando falta de oxigénio e nutrientes, que impedem o cérebro de pensar com clareza.
· Beta baixa
(12 a 15 Hz). Sincronizam as funções automáticas dos nosso corpo. Absolutamente necessárias em ações criativas, porque entram em estado de vigília, deixando a pessoa com a mente concentrada ao executar um trabalho que necessite de grande atenção. É uma onda de cognição sempre presente quando estudamos, cozinhamos, dirigimos um veículo etc., e que exige o máximo de reflexão.
·  Continua…

REFLEXÕES

(Cont. da legenda da edição anterior)
5 - Espaço onde existiria provavelmente uma escada para o andar superior.
6 – Grande átrio com saída para o exterior leste através de uma porta com colunatas ( 4 ). Este átrio ainda tinha o pavimento em “opus signinum” que poderia ser base para um outro mais rico. Mas com o restauro desapareceu!
7 – Cozinha- ainda tinha o pavimento do lar “ lareira” com cinzas, num dos cantos estava fixo na terra a metade inferior de um grande “dollium” provável contentor de água para serviço da cozinha e que deveria ser cheio pelos criados. Também não foi consolidada. Desapareceu.
8 – Localização duma terceira lareia.
9 – Pátio com o lajeado de pedras irregulares havendo acesso para uma provável latrina (10) e não “um poço” como foi interpretado pela equipa de restauro. Clarificarei mais tarde.
11 – A enorme conduta por onde seria conduzida grande quantidade de água captada em poços no sopé do Monte Sra do Castelo.
12 – O corpo das termas foi francamente restaurado apressadamente. Com menos preocupação na economia, poder-se-ia ter feito parte da sua reconstituição porque se tinham dados concretos .
Lamentamos que uma importante base de informação sobre os achados tenha sido ignorada….
Há ainda mais para clarificar. Quanto a mim num restauro correcto não basta deixar muros muito direitinhos e apagar aquilo que se pensa ser supérfluo, lateral, sem importância. Lá iremos.

SANFONINAS

O tabaco
Recordo, amiúde, pela estranheza que me causou, a entrevista que, nos anos 90, tive ocasião de fazer a um ancião. É que, já não sei a que propósito, ele saiu-se-me com esta:
– Pois olhe para mim. Se ainda aqui estou, com esta idade, é porque fumei!
Franzi o sobrolho. Ecoaram na minha cabeça todas as vozes incessantes de vitupério contra o tabaco.
– Como assim? – perguntei.
– Eu explico. Na minha família quase toda a gente morreu com a pneumónica. Eu escapei. Disse-me o médico: «Porque o meu amigo fumava!». O fumo do tabaco matara o vírus! E aqui estou, são e salvo.
Percebi. Na verdade, em si, fumar não é um mal. Vício é deixar-se levar pela ânsia de fumar. No fundo, o que interessaria era combater o que leva a acender uns cigarros nos outros. A ansiedade atroz em que se nos vão os dias, sem que se pare, algures no meio da caminhada, para reflectir e tomar outra direcção.
Ocorreu-me esta conversa antiga, ao ler um dos trabalhos premiados nos XIII Jogos Florais da Junta de Freguesia de S. Domingos de Rana, onde o tema proposto era «Sustentabilidade». Já estremecêramos, os membros do júri, ao ler o Pensamento I de um concorrente de 14 anos: «Barulho / Um barulho forte / Ressoa no pátio da escola / O vento arrasta uma lata vazia». O Pensamento II ainda mais nos seduziu: «A formiga / Acabou a diversão / Formigas trituram / Restos de cigarros».
Assim. Suave, mas forte, o murro no estômago! E, pelos carreiros, as formigas já não levam bagos de cevada ou trigo, pedacitos de pão, cascas de cereais… Tabaco!…
O mundo do que é mais pequeno a dar-nos lições!
E contava-me o Tomé, há dias, em Beja, quando mostrei a minha admiração pelas vastidões sem fim de oliveiras alinhadas, na empobrecedora agricultura intensiva:
– Sabes? A gente vinha, à noite, de Castro Verde para Beja e chegávamos a casa com o para-brisas e os faróis cheios de cadáveres de insectos. Agora, nem um! Morreu tudo com os químicos. E vão morrer os pássaros que os não têm para alimento.
Tritura a formiga o tabaco, há uma lata vazia empurrada pelo vento e já não há insectos noite afora…

Aprender com quem sabe

Dom Quixote de La Mancha é talvez a melhor obra de ficção da literatura Espanhola. Escrito por Miguel de Cervantes, teve a sua primeira edição na cidade de Madrid em 16/01/1605. Trata-se de um romance de cavalaria em forma de paródia, em que o seu protagonista – D. Quixote – um fidalgo castelhano já de certa idade, confunde a realidade com a ficção e decide tornar-se um cavaleiro andante. A ação desencadeia-se nas terras de La Mancha, de Aragão e da Catalunha.
Inspirados nesta obra, nasce um roteiro literário, onde cada pessoa pode lutar contra gigantes, perseguir o amor de Dulcineia e degustar os pratos tipicos da época. Um trajeto por algumas das paisagens mais mágicas de Espanha, passando por 13 vilarejos e cidades do interior, com uma duração de aproximadamente 7 dias.
Inicia em Alcalá de Henares (Madrid), local onde nasceu Miguel de Cervantes, com visita à Praça de Cervantes, à Universidade e ao seu recinto histórico classificados como Património Mundial da UNESCO. Segue-se a visita à casa onde o escritor nasceu e viveu a sua infância, transformada no Museu Casa Natal de Cervantes. Uma casa típica da época onde é possivel assistir a workshops e espectáculos. À porta ninguem dispensa uma fotografia com os protagonistas da história: D. Quixote e Sancho Pança. Durante o passeio pode beber ou comer nos inúmeros bares existentes no local. O primeiro dia termina com a visita à Catedral Magistral de Alcalá.
O segundo dia começa com a visita à Igreja e Convento das Trinitárias Descalças, local onde se julga estarem enterrados Cervantes e a sua esposa. É ainda possível visitar outros locais associados à vida e obra de Cervantes, como a Biblioteca Nacional onde está depositado um exemplar da primeira edição do Quixote. Também o local onde nasceu a esposa de Cervantes e onde casaram em 1584 foi transformado em museu “Casa de Cervantes”. Localizado em Esquivias, é uma opção de visita para o terceiro dia. Toledo Cidade Património da Humanidade tem diversos monumentos importantes que podem ser visitados.
A caminho de Consuegra avistam-se no horizonte os famosos moinhos de vento. A paisagem infinita da planície e os 12 moinhos conservados. Todos têm apelidos relacionados com D. Quixote, destacando-se o “Sancho”. Nesta região podem comer-se os pratos típicos manchegos. Em Alcázar de San Juan visita-se a Igreja de Santa María la Mayor, onde o escritor foi batizado. Pode também visitar-se o Museu Casa do Fidalgo e o Centro de Interpretação Cervantino. Mas é no Campo de Criptana ou terra dos “Gigantes” onde se localizam os famosos moinhos de vento que verdadeiramente inspiraram Cervantes, com visitas guiadas o ano inteiro.
Preparamo-nos para conhecer Dulcineia de El Toboso “a mais formosa mulher do mundo”, a eterna paixão de D.Quixote, com visita ao Museu Casa de Dulcineia, à sua estátua na Praça Central e ao Museu Cervantino. Em Argamasilla de Alba visita-se a Casa de Medrano, onde está a Caverna de Medrano, local onde Cervantes foi feito prisioneiro e iniciou as aventuras de D. Quixote. Seguem-se Ossa de Montiel, onde se pode visitar a caverna de Montesinos e as ruínas do Castelo de Rochafrida, Villanueva de los Infantes e outros locais, todos eles emblemáticos da obra. O roteiro termina em Almagro, com visita ao Museu D. Quixote, onde se podem ver as reproduções das personagens da obra.
Nuestros hermanos não deixaram nada ao acaso, souberam aproveitar turisticamente o mais ínfimo pormenor da obra mais famosa de toda a história da literatura. Para além das visitas, em todos os locais se podem degustar iguarias típicas da região, como os vinhos e os queijos manchegos com fama mundial, adquirir lembranças de cerâmica com referência às personagens da obra. Existe ainda um trem turístico chamado Trem de Cervantes, que realiza o roteiro ente Madrid e Alcalá de Henares, com atores que animam o percurso e distribuem os doces típicos. Costumo dizer que os espanhois têm o dom de transformar uma pedra numa atração turística. Deviamos aprender mais com eles.

CONSULTÓRIO

DOEM-ME AS COSTAS!
São uma das causas mais frequentes que levam os doentes a queixar-se ao seu médico: “Doutor, doem-me as costas”!
Na verdade, o dorso pode ser a causa de muito sofrimento – as célebres “dores nas costas”!
Tenham o nome que tiverem – dorsalgia, lombalgia, lumbago ou, ainda, hérnia discal ou ciática – são dores que motivam queixas em muitas das pessoas que nos rodeiam ou, mesmo, em nós próprios.
Calcula-se que oito em cada dez pessoas sofrem, podem vir a sofrer, ou já sofreram de dorsalgia!
Vamos tentar reconhecer cada um destes tipos de dores e dar uma ajuda sobre a sua prevenção e tratamento.
A dorsalgia provoca uma dor localizada ao nível das omoplatas.
A dor da dorsalgia concentra-se no meio das costas, ao nível das omoplatas. É uma dor que pode dificultar os movimentos respiratórios.
A dor nas costas não é hereditária.
O facto de as dores nas costas atingirem várias pessoas da mesma família não tem a ver com a hereditariedade, mas antes, pelo facto de ser uma afecção muito difundida.
O lumbago dura geralmente uma semana.
Mesmo que a dor imediata do lumbago (à volta dos rins) seja intensa, ela não se prolonga por muito tempo e cede, de uma forma rápida, ao fim de alguns dias. Pelo contrário, se a dor tem uma duração mais prolongada, às vezes alguns meses, a designação de lumbago não se aplica e a dor passa a chamar-se lombalgia crónica.
Reconhece-se uma ciática pela irradiação da dor pela parte posterior da coxa.
Esta irradiação da dor é devida ao facto de estarem atingidas uma ou mais raízes do nervo ciático, nervo este que parte da coluna vertebral e segue na direcção da perna.
A ansiedade e a depressão agravam as dores nas costas.
As perturbações psicológicas, como uma depressão ou um estado se ansiedade, jogam um papel, não negligenciável, no aparecimento ou passagem ao estado crónico das lombalgias. Daí o suportar-se menos bem uma dor quando se sofre de um humor depressivo ou ansioso.
Mesmo que sofra frequentemente de dores nas costas a actividade física é, quase sempre, aconselhada.
A actividade física previne o aparecimento de dores nas costas e, igualmente, o seu agravamento. Mas, durante o período de dor aguda, não é recomendada a prática de actividade desportiva. Também o bom senso aconselha que se devem praticar exercícios que não provoquem constrangimento para as costas, agravando as suas dores.
O que é uma cruralgia? Uma dor lombar específica.
A cruralgia é uma dor da parte inferior das costas que irradia para a parte anterior das coxas. Esta dor é devida a uma perturbação de uma ou mais raízes do nervo crural, também chamado nervo femoral.
Pelo facto de sofrer de lombalgia não é necessário fazer, sistematicamente, uma radiografia.
Uma radiografia apenas mostra os ossos e as vértebras (que também são ossos), não mostrando os discos intervertebrais, os músculos, os ligamentos, os nervos ou os vasos, que não são visíveis numa radiografia. Por isso, quando não há suspeita de outra coisa que a lombalgia, a radiografia não será muito esclarecedora.
Quando se sofre de dores nas costas o período de repouso deve ser o mais curto possível.
Antigamente os médicos aconselhavam longos períodos de repouso a quem sofria das costas. Hoje em dia só se aconselha o repouso durantes os episódios de dor aguda. Mal passe a fase aguda recomenda-se o recomeço das actividades físicas o mais rapidamente possível e, mesmo, a prática de uma actividade física ou desportiva, regulares.
Contra as lombalgias prescrevem-se, por vezes, antidepressivos
Os antidepressivos exercem uma acção sobre a transmissão da mensagem dolorosa. É por isso que se utilizam, por vezes, em maior quantidade que os analgésicos ou anti-inflamatórios. A dose utilizada é, habitualmente, mais baixa do que a prescrita em casos de depressão. É por isso que muitas vezes os antidepressivos podem ter um efeito apreciável nas situações de depressão associada a dores nas costas.
Fonte: Isabelle Eustache, www.rhumatismes.net.