EDITORIAL Nº 804 – 1/8/2021

A Espanha vai sempre à frente
A paixão do nosso Governo pela Ferrovia é um comboio a vapor.
A partir de 23 de Julho o comboio AVE (de alta velocidade) que liga Madrid à Galiza pára em Otero de Sanábria, a cerca de 40 Kms de Bragança.
Desta forma a Cidade de Bragança e Região ficam a 2horas e 3º minutos de Madrid.
O tempo de viagem de Bragança a Lisboa, de automóvel é de 5 horas, 6 de autocarro. Logo, Bragança, prefere ir a Madrid do que a Lisboa.
Verdadeiramente a distância de Sanábria a Madrid vence-se em 1 hora e 50 minutos. O resto é para fazer 43 Kms de Bragança a Sanábria, estrada péssima, de muitas curvas e que demora 53 minutos de carro.
Assim, Bragança adquire maior centralidade face à Capital espanhola e à Europa. Uma grande oportunidades para as empresas da região transmontana.
As Capitais de Distrito em Portugal que não são servidas por comboio são, Viseu, Vila Real e Bragança. Bragança perdeu o comboio há 29 anos, quando a linha encerrou. E a Viseu também aconteceu o mesmo.
Viseu está ligado a Bragança, diáriamente por avião. Aqui se abre uma possibilidade de mais fácil acesso a Madrid.
No ano passado fui a Segóvia, cidade Património Mundial e fiquei admirado de ver um restaurante cheio de turistas chineses. Estavam felizes, comiam, bebiam e faziam muito barulho.
Perguntei ao gerente se era sempre assim, cheio de gente. Normalmente serviços cerca de 400 pessoas por dia durante a semana, mas ao fim de semana servimos cerca de mil.
Grande negócio, turismo a sério. Claro que era um restaurante afamado, onde ía o Rei, as grandes figuras do Estado, os Artistas, os Escritores famosos e de todo o mundo.
Porém, em matéria de Turismo e também de Ferrovia está a léguas de distância de Portugal.
E nós, vizinhos, não aprendemos nada.
Portugal tem aqui ao lado um País com 40 milhões de pessoas, com bom nível de vida e que gostam de vir a Portugal.
Principalmente para saborear a nossa extraordinária Gastronomia, dando preferência ao bacalhau.
Felizmente que há uma A25, pois a velha, estrada 16, chamada de internacional, era de curvas, estreita e muito perigosa. Horas e horas para fazer o trajecto de 100 kms entre o Litoral e a Serra. Tempos para esquecer. Mas, não são muito distantes. Como se entendia que a primeira entrada do País, a Porta de entrada, Vilar Formoso, fosse de tão difícil acesso. Uma Porta deve ser aberta, franca para que as pessoas tenham vontade de entrar.
A explicação de tantos turistas em Segóvia, veio depois e é simples. Segóvia está a cerca de 100 Kms de Madrid. Mas, o comboio de alta velocidade liga as duas cidades em menos de 30 minutos.

Cobreiro ou zona?


Segundo a medicina tradicional o cobreiro\ cobranto era fatal se “a cabeça se unir ao rabo a pessoa morre”, e existem uma panóplia de orações e benzeduras aplicadas sobre a pele lesada para debelar esta maleita. Há que respeitar tais ideias, nunca descurando que a capacidade de tratar passa por conhecer as crenças da pessoa a ser tratada e não apenas ridicularizar as suas ideias, afastando sua confiança e o potencial relacionamento terapêutico entre individuo e o profissional
Não deixa de ser curioso que a palavra Herpes tem o valor etimológico grego cujo significado é “aquele que rasteja”, aludindo ao meio de locomoção dos répteis e serpentes. Devido ao alastramento visível das lesões da pele, a Herpes Zoster ou Zona é caracterizada por o surgimento de bolhas dolorosas na face, costas ou tronco, sendo sempre acompanhadas de dor tipo “picadas de alfinete” ou sensação de queimadura. Estas bolhas não deverão ser rompidas, apesar da comichão exacerbada, a tentação de esfregar deve ser corrigida para prevenir cicatrizes e prováveis infeções da pele por bactérias. A Zona é provocada pelo vírus da Varicela que após cura permanece no sistema nervoso central, sendo reativado por motivos ainda desconhecidos. No entanto é fato assente, que enquanto as defesas da pessoa (sistema imunitário) estiverem a funcionar corretamente ela não surge. Logo uma doença prolongada, uso de medicação que altera a imunidade e ser idoso favorece o aparecimento da Zona. Caso sinta que tem estes sintomas não hesite em consultar um médico, porque a dor e o desconforto serão presentes por muitos dias ou até meses e se afetar a face pode correr o risco de ter lesões permanentes no ouvido ou olho.
Por ser uma doença causada por um vírus, antibiótico não será a medicação adequada para a solucionar e sim uma medicação antiviral que aceleram a cicatrização das lesões da pele e diminuiem a dor. Infelizmente a dor poderá permanecer durante muitos meses, não sendo um sintoma psicológico como muitos querem inferir. Como o vírus fica alojado no sistema nervoso é natural que mesmo após a cicatrização da pele haja uma sensação de ardor e picadas ao longo da face ou tronco, existem medicamentos que melhoram a condução nervosa e que reduzem substancialmente a dor nevrálgica.
Acima de tudo avalie o que pode ter desencadeado este episódio e evite estar em contato com grávidas ou crianças menores de 12 meses devido à sua fragilidade imunitária.

REFLEXÕES

Património cultural 27
Área romanizada da Raposeira
Muito havia a dizer acerca das problemáticas iniciativas no mundo da arqueologia em território do concelho de Mangualde. Em princípio dos anos 80, empenhei-me com mais meia dúzia de mangualdenses na criação da ACAB, associação vocacionada para o Estudo e Defesa do Património Cultural do nosso concelho. Um campo de acção que me entusiasmava particularmente e do qual tenho intenção, se houver tempo, de fazer também a sua história. E foi com a ACAB que desenvolvi um vasto programa de estudos arqueológicos no concelho a partir de 1982. Da zona da Raposeira tenho feito notícia. E terminarei esta odisseia fixando-me na área das ruinas presentemente visitáveis. Foi por estranho que pareça, o único verdadeiro testemunho que restou depois de 12 anos de intensos e duros trabalhos de escavações. Poderia ficar satisfeita pelo facto, mas não! E agora terei de justificar a minha tristeza e revolta… Então começarei pelo princípio do fim. É que no final das campanhas de escavações, em 1997, a área posta a descoberto não era, apenas, aquilo que se encontra “ restaurado” actualmente. Na realidade, dos alicerces que definiram um complexo arquitectónico muito importante para o conhecimento da ocupação romana no nosso território, digamos que, “trataram do corpo”, mas cortaram-lhe as pernas. Recuando a 1990 aquilo que já se encontrava a descoberto, isto é, a relação entre as estruturas e os espaços que se determinavam, já nos faziam entender que estávamos na presença de uma casa com “termas” (ou banhos) privadas, pequenas, mas completas, com a sua área de serviços, seguindo-se a zona quente, ou seja o “ caldarium” e o” tepidarium”, terminando no “frigidarium”. Este conjunto deu-nos a certeza de que assumiria alguma importância no contexto romano da zona, porque já tínhamos definida pelo menos uma via que atravessava aquele território, passando muito próximo destas instalações. Então, com o imprescindível e sábio apoio do Mestre da Arqueologia em Portugal e meu estimado Amigo Professor Doutor Jorge de Alarcão a interpretação que fizemos dava-nos a certeza de termos descoberto uma estalagem (ou “mansione”) onde encontrariam descanso e possibilidade de fazerem a sua higiene todos os viajantes ou tropas que circulassem por esta zona. Partindo deste pressuposto, havia a necessidade de tentar interpretar os espaços que já se conseguiam definir. Teríamos uma área de armazenagem de produtos, no topo mais a norte, com testemunhos possíveis de entender – fragmentos, em grande quantidade, de louça grosseira- contentores de líquidos - vinho, azeite - pela representação de asas e bordos de ânforas, bem como largos bordos de grandes potes “dollia” para outro tipo de substâncias algumas provavelmente sólidas. Numa divisão contínua foram postos a descoberto vestígios estruturados de uma lareira com cinzas junto de uma pedra de lar. Aqui encontramos alguns utensílios em ferro destinadas à execução de trabalhos de pedreiro (cinzeis e escopros ) e de trabalhos em madeira. A descoberta desta área deixou-nos muito entusiasmados porque nos permitiu fazer uma interpretação, talvez muito próxima da verdade, das diversas actividades que ali se desenvolveriam. Terei, ainda, de continuar por aqui…
Julho 2021

A VIDA CONTINUA


A VIDA CONTINUA E O TEMPO NÃO PÁRA 
Por entre raios de sol toucados de rosas e beijos esparsos na penumbra , em deslumbramentos e horas emotivas , construímos a nossa história de vida em momentos fragmentados do nosso dia a dia , ora ganhando ora perdendo , sorrindo ou chorando registamos detalhes na nossa memória que só o coração é capaz de guardar . Vivemos num mundo frenético com caóticos gestos de loucura , cada vez mais acelerado de emoções variadas que repentinamente nos fazem perder em deslizes que como doce brisa que murmura se transfiguram como necessários ao nosso amadurecimento . Como expiação de pecados e para alimentar melhoras futuras como saudoso espírito que chora, procuramos desculpar num passado adormecido na poeira lilás dos horizontes , magnânimos sinais de lisura e de verdade , olvidando que o momento único de se viver é agora no presente com todas as situações e emoções . Neste preciso momento o passado e o futuro não existem , apenas o presente . As coisas nem sempre são como as planeámos , porém a vida continua repercutindo-se no nosso ser . A felicidade não é eterna , mas na sua obstinação a vida teima em nos fazer felizes quando os nossos pequeninos olhos na sua profundidade conseguem abranger a extensão do universo que nos cerca e aceitamos ir em busca dos nossos ideais , admitindo que tudo o mais é ilusão e mentira vã . A vida passa e nada se leva , apenas deixamos o nosso legado para os que ficam como senhor de uma manhã vitoriosa ou crepúsculo vencido forçando as trevas lacrimosas .Glorificam-nos os sentimentos que conquistámos . O tempo não pára mas a vida continua como um milagre renascido de Deus . Quando olhamos para os frutos bem como para a suprema e divina criadora natureza que nos envolve quando na terra molda o busto de uma flor , temos a doce sensação de beleza , percepção da fartura , idílica visão de abundância nas mais diversificadas formas e cores , diferenças e sabores. Comemos um fruto e através da sua semente a vida continua .Mas ela é um carrossel de múltiplas escolhas e altos desígnios. Escolhemos mais a verdade menos a mentira , mais o amor menos a dor , mais a determinação menos a preguiça , mais a alegria menos a tristeza , mais a paciência menos a pressa . Desígnios verdadeiros só os de Deus . Das nossa quedas nos levantamos mais atentos , das nossas raízes brotamos vida , os nossos sonhos os transformamos em realidades quando nos dominam celestes turbilhões de dias difíceis para lá deste espaço luminoso , calemo-nos e deixemos o silencio apaziguar a nossa mente . A vida é um impulso é a motivação mais absoluta da nossa existência . Amanhece , sinto a beleza e a magia do dia que está a começar. Num sorriso de felicidade quero ver os passarinhos livres, o sol a nascer despertando as flores ,quero ter e crer um arco - iris , a terra em todas as cores… sentir a leveza da vida . O sol que pela manhã nasce é o mesmo que à tarde se põe , porém o ciclo vital continua com seus deslumbramentos e luzes Divinas . O grande segredo da vida é a morte como sono aéreo que tudo adormece nas penumbras do sono e do silêncio , acreditando que depois dela há a ressurreição . A vida é a luz e fora dela apenas a sombra indefinida .

SANFONINAS

Dar um pouco da gente
Li na juventude um texto da «Reader’s Digest» com a história de uma família. Receberam, um dia, correspondência de amigos escrita nas costas de um documento familiar. Apreciaram a correspondência; mas o que mais concitou a atenção de todos foi esse documento, revelador de curiosos aspectos da vida dos amigos. Não tenho já ideia do que era, se um mero extracto bancário, se a conta da electricidade; certamente, algo mais peculiar. Jamais esqueci esse caso, perdida na noite dos tempos a categoria do tal documento. E a razão dessa memória reside em dois aspectos. O primeiro, que se tornou para mim habitual, o aproveitamento das costas de um papel usado. Tenho resmas de papel A4 que me servem para rascunho. O segundo: essa forma original de partilhar a vida.
No programa «Primeira Pessoa» do dia 12 de Julho, p. p., Pacheco Pereira afirmou, em relação à influência que nele teve Eugénio de Andrade:
«Eu lia os livros dele. E os livros dele vinham sublinhados por ele e isso fez com que eu não gastasse muito tempo a ler coisas secundárias, porque todos os autores que ele me indicou foram fundamentais».
Na crónica que publiquei a 7 de Março de 2019, de evocação de Josias Gyll, contei que ele me emprestara a tese de doutoramento, policopiada, de Bracinha Vieira, numa época em que a Etologia dava os primeiríssimos passos e ambos nos interessávamos por isso. Lembro-me, como se fosse hoje, do que Josias Gyll me disse:
– Leve, leia e não se coíba de sublinhar ou de escrever ao lado os seus comentários. Assim, quando eu voltar a ler o livro, não lerei apenas o que o autor escreveu, mas reflectirei sobre o que a si lhe pareceu digno de nota.
Nunca mais esqueci esta máxima! E dou comigo, amiúde, a sublinhar os livros, de modo que, ao relê-los, sou como Pacheco Pereira: releio só o que sublinhei!
Outro dia, um amigo escreveu-me num cartão antigo, relacionado com uma actividade a que ele se dedicara. Apreciei. Como não desgostei que um outro tivesse aproveitado o papel de carta de um hotel por onde passara há anos. Sim, a gente amiúde fica com esse papel e o sobrescrito como recordação e raramente os usa. Enviando-os, mesmo que seja anos depois, pode ser motivo de conversa, sem pretensões, e, sobretudo, de partilha de experiências vividas. Vai neles um pouco da gente!

A inimputabilidade e a irresponsabilidade do PS


Helena Matos escrevia no Observador “Quando criticados, gritam imoralidade. Quando erram não pedem desculpa, dizem-se tristes. Quando lhes pedem responsabilidades, declaram-se enganados. Quem afirma isto serão adolescentes irresponsáveis? Não, é o PS (Partido Socialista).”
No caso do ministro Cabrita e do acidente mortal com o carro oficial, é extraordinário constatar como as noticia que apareceram sobre o tema apontaram sempre para a fuga às responsabilidades. Desde o início se culpou o trabalhador e se empurraram as responsabilidades para a empresa que estava a fazer as obras ou para a Brisa. Ainda para mais o condutor não era nem da PSP nem da GNR, era um motorista contratado pelo Gabinete do Ministro. Também aqui se vê a falta de confiança do Ministro naqueles que tutela…
Ao longo dos anos, o ministro trouxe ao MAI uma história de mentiras, irresponsabilidade e negligência, com consequências gravíssimas e indesculpáveis. Desde que, em 2017, Eduardo Cabrita substituiu Constança Urbano de Sousa no MAI tem estado várias vezes debaixo de fogo. Golas antifumo inflamáveis, filas para votar no pico da pandemia, o contrato do SIRESP os festejos do Sporting são alguns exemplos. O caso da morte do cidadão ucraniano no SEF foi o mais grave, mas Costa segurou-o. As relações com a PSP e com a GNR também estão na rua da amargura. Veja-se o mais recente caso do suplemento de risco!
O país não confia em Eduardo Cabrita e há muito que se reclama a sua saída do Governo. António Costa não vê isto? Não vê o que toda a gente vê? É claro que sim. Eduardo Cabrita só se mantém no cargo por fazer parte do pequeno grupo de dirigentes do PS que manda em Portugal. Foi SE de António Costa nos governos de Guterres e de Sócrates e está no círculo mais apertado de confiança pessoal do primeiro-ministro. Tudo o que se decide no país tem de estar nas mãos de meia-dúzia de dirigentes socialistas ou dos seus familiares. A esposa de Eduardo Cabrita, Ana Paula Vitorino, antigo Ministra do Mar e deputada é a escolha do Governo para presidir à Autoridade da Mobilidade dos Transportes. É preciso dizer mais alguma coisa?
Eduardo Cabrita é a personificação da inimputabilidade e da irresponsabilidade do PS e, nesta fase, em que várias coisas correm mal no governo de António Costa, Cabrita é o saco de boxe ideal para encobrir tudo o resto. Na próxima remodelação governamental Cabrita deverá sair mas sabe que Costa trata sempre bem os seus amigos, sobretudo os que mais se sacrificaram pela causa socialista.

A VIDA


Todos nós temos conhecimento da existência de pessoas que na vida se distinguiram por qualquer motivo e, com agrado, procuramos recordá-las.
Como escreveu Zia Haider Rahman, na obra À Luz do que Sabemos, “O nosso interesse na vida dos heróis não reside apenas no impacto que tiverem historicamente, mas também em razões de ordem pessoal, porque temos esperança de aprender mais alguma coisa acerca de nós”.
Noutro passo do mesmo livro escreveu também que “A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás; o problema está em que só pode ser vivida olhando-se para a frente”.
Essa aprendizagem, que valorizamos, não provém apenas do interesse pelos heróis, mas igualmente por outras pessoas que por algum motivo se tornaram notáveis.
Charles Chaplin considerava a vida como uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso – aconselhava - cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.
Outro nome digno de admiração, por motivos muito diferentes, é o do grande cientista Einstein. Ele e Charles Chaplin admiravam-se mutuamente, conforme resulta de um diálogo urdido entre ambos. Disse Einstein: o que sempre admirei em si é que a sua arte é universal, todo o mundo o compreende e admira. Chaplin respondeu: a sua é muito mais digna de respeito. Todo o mundo o admira e praticamente ninguém o compreende.
Para ilustrar o valor do cientista conta-se que, em 1922, Albert Einstein entregou ao moço de recados, de um Hotel do Japão onde se encontrava, duas mensagens escritas no papel do Hotel: “Uma vida calma e humilde trará mais felicidade do que a busca do sucesso ligada a constante agitação”. Este escrito veio a ser leiloado em Israel pelo preço de 1,3 milhões de euros. A outra mensagem dizia: “Onde há vontade, há um caminho”. Rendeu 203 mil euros.
Estes valores mostram bem a importância da pessoa que escreveu estas simples mensagens num papel de hotel. Traz à minha memória uma viagem que fiz a Nice, uma cidade de França. A Guia da excursão conduziu-nos a um antigo forte onde então se localizava o museu de Picasso. Contou-nos, a propósito, que Picasso, tendo necessidade de um armário, contratou um marceneiro a quem explicou o tipo de móvel que pretendia. O marceneiro pediu-lhe que fizesse um desenho do mesmo, ao que Picasso acedeu. Perante o desenho, perguntou Picasso quanto custaria o móvel, ao que o marceneiro respondeu: se assinar, não custa nada.
Na vida encontramos pessoas muito diferentes umas das outras. “Cada pessoa que passa em nossa vida passa sozinha e não nos deixa só, porque deixa um pouco de si e leva um pouquinho de nós. Essa é a mais bela responsabilidade da vida e a prova de que as pessoas não se encontram por acaso”.
Todos nós conhecemos exemplos de pessoas que souberam viver e prolongar a sua atividade pela vida fora. Entre muitas outras podemos referir Goethe que concluiu o Fausto aos 82 anos, Tiziano que pintou obras valiosas aos 98, Toscanini que regeu orquestras aos 87, Edison que trabalhava no seu laboratório aos 83 e Benjamin Franklin que contribuiu com o projeto da Constituição dos Estados Unidos aos 81.
Cada pessoa deve procurar viver a vida em vez de se limitar a existir.

Os Moinhos do Inferno


Quem passa na A25, na ponte de Fagilde, não imagina o vai lá em baixo, bem no fundo do vale. É precisamente neste local que se situa a foz do Rio Satão, que desagua no Rio Dão.
O Rio Satão, também chamado de Ribeira de Satão ou Ribeira da Pena, nasce no concelho de Satão, junto à povoação de Rãs, numa zona granítica a cerca de 700 m de altitude. Atravessa diversos planaltos, num percurso de 28.4km, com um declive acentuado e vai desaguar na margem direita do Rio Dão , nas freguesias de Fragosela/Povolide, concelho de Viseu, local que dista cerca de 2km da Barragem de Fagilde.
No seu percurso, forma diversas quedas de água, entre maciços graníticos e afunda-se no Rio Dão, por entre penedos e falésias de rara beleza. Devido à sua altitude, neste local forma uma bela cascata que pode ser vista de perto pelos curiosos, uma vez que neste local foram estrategicamente situados 3 moinhos.
Estes moinhos, conhecidos por “Moinhos do Inferno”, devido à paisagem que os envolve, continuam a moer ainda nos dias de hoje o cereal.
Rodeados por salgueiros, sente-se o cheiro da farinha acabadinha de moer, na cantilena cadenciada do rodar da mó. Tradição que perdura de geração em geração, passando de avós para pais e netos, sendo o atual moleiro, o Sr. Evaristo Cabral Rodrigues.
As tradições que se perderam, que acabam devido à evolução dos tempos, à modernidade, às modas e à industrialização.
Mas não há nada como uma receita antiga de uma broa acabadinha de cozer no forno ou um pão de centeio a fumegar no centro de uma mesa.