EDITORIAL Nº 794 – 1/3/2021

Conforme noticiámos no último Editorial, O Jornal Renascimento deu no passado dia 15 de Fevereiro, um grande passo, entrou na cidade de Viseu e para ficar.
Abriu a sua Delegação no Centro da Cidade na Avenida 25 de Abril, n.º 1.
Neste momento estamos em plena pandemia, deprimidos, temerosos, mas logo que passe a crise, Portugal fervilhará de actividade e entusiasmo, os indicadores económicos melhorarão, a confiança subirá e o mundo que nos visitava, voltará, cada vez mais apaixonado pelo nosso País.
A vida tem ciclos; uma vez melhor, outra pior!
E é num novo ciclo que o Renascimento pretende entrar. Um Jornal nascido em Mangualde, sua Terra Mãe, mas também da Região. A Região precisa!
Vamos ter mais páginas, mais côr e também mais colaboradores. O caminho faz-se caminhando…
Ao entrarmos na Cidade de Viseu, expandimos a nossa divulgação. Mais tiragem, mais pontos de leitura, mais informação, melhor informação.
Para isso ao iniciámos a abertura da nossa Delegação fizemos uma grande distribuição de exemplares do Renascimento. E vamos prosseguir…
O Renascimento tem que estar em todos os pontos importantes! Já iniciamos, foi a nossa primeira preocupação. Tem de ser visto! O que não se vê, não existe!
Aproximamo-nos de uma cidade de média dimensão, com 100 mil habitantes. Um grande trabalho pela frente, uma verdadeira luta, para ocuparmos um lugar que desejamos e merecemos. Mercemos pelo nosso trabalho, sério, persistente!
Recebemos de Viseu palavras de incentivo, satisfeitos por receberem o jornal. O Jornal está nos Hoteis, nas Clínicas, nos Hospitais, nos Médicos, nos Advogados, nas Conservatórias, Notários, Serviços, etc. E,logo que abram os Restaurantes, os Bares e os Cafés, aí estará o Renascimento para ser lido.
Estamos numa Região de planaltos e montanhas, de Cultura, de Património Histórico, de Ciência de vanguarda, de saborosa Gastronomia, de Vinhos, de Queijo, de frutas, tudo do melhor, saibamos aproveitar a vida. Somos um País rico, com uma economia pobre!
As coisas que temos são pequenas, mas muito raras. E as coisas raras são vendidas mais caras que as coisas banais.
O vinho mais famoso, mais precioso do mundo é produzido em França, num simples hectar. Se tivesse muitos hectares não era tão valioso.
Das coisas pequenas às vezes fazemos coisas grandes.
Que são feitas com amor, com paixão.
É esse amor, essa paixão que nos move.

IMAGINANDO

Parte 90
O Poder do Subconsciente – Parte 3
Dando continuidade ao tema, tal como grandes cientistas, escritores, poetas, etc., sabem como funcionam as mentes consciente e subconsciente, também o leitor tem acesso a esse mesmo funcionamento. Basta ser coerente consigo próprio.
A questão está em dominar o Eu inferior, que comanda os  medos, ansiedades e preocupações, e deixar-se libertar pelo seu EU Superior. Quando alguma situação o está querendo preocupar, fale com autoridade para essas emoções irracionais e diga:
“Fiquem quietas, porque tenho tudo sob o meu domínio. Obedeçam-me, porque estão sob o meu comando. Não sejam intrometidas”.
Somos nós que dirigimos nossas vidas, e elas devem ser excutadas seguindo os nossos princípios.
‍Quando o consciente envia uma forma-pensamento para a mente subconsciente, esta acredita aceitando a ordem, baseada na própria verdade criada  pelo consciente.
Reportando ao texto anterior, não há duas mentes distintas.
‍Só existe uma,  mas com dois planos que devemos aprender a utilizar:
A consciente, objetiva, que guia os contactos com o meio ambiente, o nosso mundo exterior, pelos cinco sentidos.
A inconsciente, subjetiva, que não raciocina, armazém de todas as memórias, residência das nossas emoções, submissa a qualquer sugestão, que aprende pela intuição.
Observe o leitor que, sem alguma decisão consciente, todos os processos de digestão, circulação, respiração, o batimento do seu coração funcionam normalmente. Também quando aprendemos a andar, conduzir um veículo, a escrever, ler ou um oficio para a nossa vida profissional,  é o nosso subconsciente que está no comando, pondo-nos em piloto automático.
Ao acreditarmos que temos a capacidade de entrar em contacto com o nosso subconsciente, encontramos o verdadeiro diamante que vai enriquecer nossas vidas.
Elas passam a ser um verdadeiro paraíso, porque a partir daqui conquistamos a nossa liberdade, sendo senhores de nós próprios. Todo o seu poder armazenado está sob controlo. Ele será o nosso fiel servidor e estará à disposição para um manancial de desejos e comandos que possamos experimentar.
 
Podemos exemplificar:
Queremos ter uma palestra maravilhosa perante um público exigente sobre a matéria a tratar,  e acolher o seu entusiasmo. Se transmitirmos esta ideia com verdadeiro amor, aquela emoção de que tudo correu bem, e agradecendo pela ocorrência, o seu subconsciente irá agir de acordo com a fé manifestada.
Nós somos os comandantes e nossos pensamentos são os navios que conscientemente comandamos.
Devemos dar a ordem certa, para que o rumo desse ou desses navios sigam o caminho que pretendemos e o subconsciente proceda de acordo, para podermos controlar e governar rigorosamente todas as nossas  experiências.
O leitor tenha a certeza que o subconsciente obedece a todos os seus pensamentos, por vezes até falsos pensamentos. Ele nunca questiona, porque para si os tomou como verdadeiros.
Faça esta experiência:
Quando estiver prestes a adormecer, pense em acordar a uma determinada hora, e ter tempo de se preparar para resolver um assunto pendente. Tenha a certeza que àquela hora, o leitor será acordado. O seu subconsciente aceitou esse seu pensamento.
Fé é um pensamento na sua mente.
Ao pensarmos com a mente consciente e com determinação, as imagens nela criadas são completamente recolhidas  na mente subconsciente.  
Em conformidade com a sua  natureza, porque sendo esta a fonte das nossas emoções e também uma mente criadora, imediatamente a põe em execução.
Vai obter para sua realidade, o produto que colapsou pelo Pensamento/Sentimento.
O Leitor é dono do “seu próprio destino”.

REFLEXÕES

Património cultural (18)
Citânia da Raposeira
Estou a chegar à fase mais interessante destes trabalhos arqueológicos. Tínhamos definida toda a área construída. Era preciso fazer uma interpretação o mais correcta possível de todo o conjunto arquitectónico que se tinha revelado. Sempre com o incondicional apoio científico do nosso grande mestre da Arqueologia em Portugal – Senhor Doutor Jorge Alarcão digno professor da Fac, de Letras da Universidade de Coimbra e meu grande Amigo; e também com a representação do Instituto Português do Património Cultural, através do Director da sua extensão em Coimbra ( SRAZC) Dr Beleza Moreira analisamos todos os pormenores do achado tentando definir e relacionar as diversas partes de todo o conjunto ali construído o qual será descrito no próximo capítulo. Todos os meus Amigos arqueólogos estiveram entusiasmados com o decorrer destas descobertas por terras de Azurara. Ao longo das campanhas alguns pediram para participar na escavação pelo Amor que tinham à arqueologia – lembro os Amigos Drª Fátima Rebelo, já arqueóloga ao tempo, e o acabado de licenciar Francisco Faure nosso conterrâneo a quem orientei num pequeno curso de desenho de campo em planta e cortes verticais. De vez em quando apareciam por ali mais alguns curiosos sempre interessados em perceber o que tudo aquilo significava. Não me irei demorar em descrições de momentos importantes que reservo para outros caminhos, se houver tempo. Por agora pretendo dar a conhecer a interpretação que fizemos no final das descobertas. É evidente que no dia a dia das campanhas, nós íamos tendo a definição do que ia surgindo sob a terra que tão cuidadosamente escavávamos. Era mais uma pedra num ângulo de muro, era a evidência de uma lareira. Era aquele pequeno fragmento de cerâmica grosseira, um outro de cerâmica “rica” daquela só usada pelos senhores nos seus banquetes, a tão falada “terra siggilata”. Também, ali, um pedacinho de vidro marmoreado que teria pertencido a qualquer jarra ou cálice, uma moeda romana muito oxidada, mas de fácil leitura. Ou aquele pedaço de ferro que, apesar de envolto em ferrugem e terra, deixava perceber a sua forma, desde o foição para trabalhos de lavoura, ao cinzel de pedreiro… um sem fim de pequenas e grandes coisas a que nós, muito respeitosamente, apelidamos de “espólio”. Na verdade NÓS, os que sentimos na Alma o valor, mesmo que seja simbólico, destes achados queremos e temos de os cuidar com muito respeito… E exigir o mesmo dos outros que por qualquer razão os tenham de manipular… e aqui reside uma das nódoas mais negras na preservação daquelas “coisinhas “ que constituem os testemunhos ricos nestes trabalhos. Para as pessoas comuns que nada têm a ver com estes conhecimentos o assunto até é divertido….oh! mas tenho de tratar “bem” este caquito ?!! Pois tem e terá sempre, porque esse caquito é um pedaço duma peça com a idade de 2000 ou muitos mais anos e que pelo seu lugar na história deverá ser respeitado e cuidado com muito amor… Haja, então, Respeito pela História das Terras de Azurara e Tavares…
Fevereiro 2021

MONTE DA SENHORA DO CASTELO – UMA BÔLHA DE AMOR

SOLITÁRIOS PASTORES DE SORRISOS INQUIETOS DE BONDADE CORRENDO-LHES A SEIVA DAS PAISAGENS NO FULGOR DAS SUAS VEIAS MAS QUANDO ANOITECIA E A SERRA ERA UM DESERTO ELES SEGUIAM O SEU CAMINHO
A penumbra da madrugada esboçava uma trémula luz , era o luar que lembrava a luz do dia e se escoava por entre as frechas das paredes e das telhas do curral como um nevoeiro pálido de mágoas . É Darei uma pequenina aldeia encolhida entre a penedia . Eram três horas matinais de uma noite de lua cheia , de um rosto enorme e luminoso com um sorriso misterioso sobre a aldeia que ainda dormia de um mês de Julho que se adivinhava escaldante ,em breve as lágrimas da noite lhe dissiparia o manto de penumbra . Zé das Trindades apressava-se , e o seu andar era música escrita na pauta de uma branca solidão de madrugada . Cedo queria chegar ao monte da Senhora do Castelo . Zé das Trindades despinchava o caravelho do curral das borregas a seguir o das ovelhas e mais tarde o das cabras ; era um mar de gado vigiado sob o olhar atento dos seus três cães , o Mondego o Fiel e o Verdugo , seus fieis companheiros , cúmplices e partilhantes das suas emoções , seus olhos e os seus ouvidos ; alegravam-se com a alegria do dono e entristeciam-se com a sua dores e angustias .Zeladores da segurança do rebanho e do pastor seu dono ante o ataque inesperado de algum lobo faminto . Rasgando a névoa densa em passo apressado , calcorreando veredas estreitas converge para o monte da Senhora do Castelo em cujo sopé vicejam vales de ervas verdejantes e pequenos lagos de água que ainda resistem , mantendo-a como reserva da chuvas de Inverno . Maria Rosa apascentava o seu pequeno rebanho que era o seu pensamento e o seu pensamento eram todas as sensações sentidas . Pensava com os olhos , com os ouvidos e com a boca . Pensava uma flor ou a erva do pasto quando a via ou cheirava , sabia o sentido e o gosto de um fruto silvestre quando o comia . Era do lugarejo do Coval paraíso circundado de outeiros verdes , onde o sol casa com as águas murmurosas do rio . Zé das Trindades passou junto , tão juntinho que as ovelhas se misturaram . E naquele momento trocaram-se olhares de uma expressão imorredoira e o coração lhe deu um baque , começou a pensar também com o coração . Era Maria Rosa uma moçoila de faces rosadas muito graciosa . Seus mimosos dezoito anos de lei faziam dela uma moça de delicado reparo , mulher perfeita em sonho e realidade.
(continua no próximo número)

SANFONINAS

Viseu sabe bem
Começam os responsáveis políticos a ter consciência de que o seu mundo não é exactamente o de todos os seus concidadãos. Só agora, parece, se compenetraram, por exemplo, de que não há computadores em todas as casas e que nem todas as famílias têm dinheiro sequer para as necessidades básicas do dia-a-dia, como é o comer, quanto mais para pagarem uma mensalidade de Internet!….
Vêm estas considerações a propósito de os municípios terem optado, na sua generalidade, por dar primazia à elaboração de uma página digital, na convicção de que, dessa forma, todos os munícipes estariam a par das iniciativas em curso. Pressuposto errado, portanto.
Cumpre, pois, aplaudir quem, ao invés, anda com os pés assentes na realidade.
Sempre com o sabedor apoio do Dr. Alberto Correia, brindou-nos o município de Viseu com um bonito ‘estojo’ cartonado que contém 12 livrinhos – em papel e magnificamente ilustrados – que integram a colecção «Viseu Sabe Bem». Todo o património gastronómico ali servido em beleza e num eco perfeito de mui centenares tradições, apanágio das nossas terras. A merecer um enorme aplauso! Assim, sim, se ajuda a criar comunidade, a fazer com que as gentes privilegiem o que, na verdade, constitui a distinção.
Vale a pena enumerar os títulos: A broa de Vildemoinhos; Pão de S. Bento; Pastéis de feijão; Castanhas de ovos; Viriatos; Enguias da Murtosa; As farturas; Tabernas de Viseu; Rancho à moda de Viseu; Pão de Santos Êvos; D. Zeferino; Filhós de mel de Várzea de Calde.
E a aliciante poesia que ressuma dos subtítulos?! Ora veja-se: «Viriatos: uma saborosa invenção»; as farturas: «doce manjar do povo»; as tabernas: «convivialidade e ócio»… Maravilha! Até apetece. E D. Zeferino – quem é? O criador de um restaurante típico da cidade, a alma-máter do «Cortiço», onde se come «coelho bêbado três dias em vida» ou as «feijocas com todos à maneira da criada do Senhor Abade»!
Sim, as iguarias são para saborear; mas, Amigo, os textos, numa linguagem simples, estilo deveras atraente e bem burilado, são de saborear também.
Está de parabéns o Dr. Alberto Correia e o município viseense.

O que fazer com os 16 mil milhões de euros? Salvar o Partido Socialista, claro!!!


A “bazuca” aprovada em Bruxelas destina a Portugal mais de 16 mil milhões de euros. O executivo traçou um plano que pôs agora à consulta pública. O PM apela à participação de todos os portugueses para decidir como deve ser gasto o dinheiro do Mecanismo de Recuperação e Resiliência da União Europeia.
Mas é inútil fazermos de “treinadores de bancada” (expressão usada pelo PM no dia 3 de Fevereiro quando opinava sobre os critérios de vacinação) pois este processo é um mero pró-forma. A forma como este dinheiro será distribuído terá em conta os interesses do Partido Socialista e do calendário eleitoral. Portugal e os interesses dos Portugueses ficarão, mais uma vez, colocados de lado.
Apesar de António Costa reconhecer que o tempo é de exceção, o PRR traz consigo muitos milhões de investimento (e muitos mais para desperdiçar) mas sempre onde se pode captar mais votos, nas grandes áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto deixando o interior do país, uma vez mais, de fora dos grandes investimentos.
Na distribuição de verbas, a área da resiliência fica com mais de oito mil milhões de euros do total das subvenções (61% do total) e servirá sobretudo para o investimento público e em áreas públicas.
Conclusão: O Estado precisa de investimento, como é evidente pelo que se viu nesta crise e pelos níveis de investimento público dos últimos cinco anos, inferiores ao investimento público no período da troika. Mas o que se vê é a utilização destes fundos para compensar o que não foi feito, o que não é propriamente uma estratégia para aumentar a competitividade do país e das empresas.
No distrito de Viseu, o centro oncológico do Hospital de Viseu continua omisso. A requalificação do hospital psiquiátrico de Abraveses nem uma linha! O IP3 vai continuar no bate boca dos políticos mais uns tempos. O IC 26 na gaveta, a requalificação da EN 229 e EN 222 uma miragem.
Como afirma Carlos Santos Silva, Presidente do Município de Sernancelhe e Presidente da CIM Douro, o “Governo assina a sentença de morte do interior com o PRR” pois este serve para “encomendar centenas de estudos e planos, reformas teóricas para a floresta, ações de informação e sensibilização e destine 1032 milhões de euros para o Metro de Lisboa, Porto, Loures.”
É fundamental desenvolver setores económicos de futuro que possam ser âncoras de desenvolvimento da região mas também do país. Devia haver um reforço da industrialização, na capacitação e na internacionalização das empresas para acelerar a transformação estrutural da economia portuguesa e na formação dos seus quadros.
Mas tanto dinheiro deve ser bem gerido, por isso o “Portal da Transparência” aprovado no OE de 2021 para monitorizar a aplicação dos fundos europeus e para evitar fraudes tem de ser uma realidade o mais rápido possível, pois quanto dinheiro irá efetivamente para as empresas com projetos produtivos, com real impacto na economia e na criação de empregos?

ALGUNS FACTOS OCORRIDOS DURANTE A 2ª GUERRA MUNDIAL

Ainda não há muito tempo que tivemos oportunidade de ver vários episódios da segunda Guerra Mundial que foram exibidos pela RPT2. Vieram-me então à memória muitos pormenores relatados por Jésus Hernandéz no seu livro HISTÓRIAS DESCONHECIDAS DA II GUERRA MUNDIAL.
Uma dessas “histórias” é conhecida da maior parte das pessoas e repetiu-se, entre nós, por ocasião da guerra do Ultramar. Refiro-me às noivas de guerra. É consabido que milhares de soldados se corresponderam com mulheres com quem vieram a casar. Mas a “história” relatada no livro vai muito mais longe nas informações esclarecendo que, “durante os dois anos que antecederam o desembarque na Normandia, aproximadamente um milhão de soldados americanos e canadianos permaneceram no solo britânico, preparando a invasão do continente. Destes, 70 mil americanos e 47 mil canadianos aproveitaram a sua estadia para se comprometerem ou casarem com mulheres inglesas, as quais foram depois viver com eles para os seus países de origem. Metade delas chegaria à sua nova casa já com um ou mais filhos”.
Os noivados relatados não se ficaram por aqui. Na Austrália, 7 mil mulheres também se casaram com os soldados americanos que tinham começado a ir para aquele país em Dezembro de 1941, com o fim de proteger o país contra a ameaça da invasão japonesa.
Dos soldados americanos que integraram as tropas de ocupação da Alemanha alguns também acabaram por se relacionar com mulheres alemãs. Assim, em 1950, cerca de 14175 mulheres alemãs passaram a residir nos Estados Unidos da América por terem casado com aqueles soldados.
Houve mesmo um número mais reduzido de mulheres japonesas, num total de cerca de 758, que chegaram à América acompanhando os maridos.
Porém, as mulheres japonesas não foram bem acolhidas na Austrália, chegando mesmo a ser proibida a sua entrada na Austrália até 1952, devido à memória dos maus tratos que os soldados australianos tinham sofrido às mãos dos seus captores japoneses. E, mesmo quando a essas mulheres foi facultada a entrada, continuaram a ser marginalizadas pelas australianas.
Considerando que estamos a recordar a ligação de mulheres aos combatentes da guerra, parece-me oportuno mencionar ainda o nome duma mulher que foi ela própria combatente, tendo sido a primeira mulher piloto a abater um avião. Trata-se da piloto soviética Olga Yamschchicova que, a 24 de Setembro de 1942, abateu um junkers ju 88 sobre Estalinegrado (atual São Petersburgo). Esta mulher pertencia a um Regimento de Caças que realizou 4419 missões, abatendo um total de 38 aviões alemães.
Nesta guerra quase um milhão de mulheres serviu as forças armadas soviéticas, “embora só uma pequena parte tenha sido destacada para missões de combate”.

Luxos de outros tempos

Luxos de outros tempos
A colher de Torga
Diz-se que o garfo só chegou a Portugal em meados do Século XVIII. Ter um garfo era um luxo e as gentes mais modestas contentava-se com a colher. Forjado no ferro pelos mesmos artesões que produziam as alfaias agrícolas, só na segunda metade do século XX é que se generalizou.
O povo, usava a colher e para isso utilizava a Torga. A Torga, planta existente nas regiões pobres do centro do país, tem um crescimento lento, mas é facilmente moldável e trabalhada à mão. No entanto, rachava com facilidade, o que desaconselhava a sua utilização como colher.
O povo Português, sábio e desenrascado, encontrou a solução. Cozer a madeira de torga na panela da cozinha umas horas antes de ser trabalhada, garante-lhe uma resistência invulgar, mesmo em colheres bastante finas.

A tesoura das luvas
De algodão, renda, pelica, brancas, cinzentas, pretas e castanhas, eram exclusivas das mãos delicadas e dedos elegantes das senhoras ricas, que as combinavam com os seus vestidos chiques. Para o povo, de mão rudes e calejadas eram apenas uma peça de admiração.
Os seu dedos tão estreitos dificultavam a sua utilização e logo foi inventada uma tesoura de madeira que as ajudava a alargar. No entanto, uma vez calçadas, retirá-las continuava a ser uma tarefa difícil e demorada. Por isso, manda a etiqueta que as senhoras, ao contrário dos homens, não deviam descalçar as luvas para cumprimentar quem quer que fosse, ficando assim resolvida esta enorme dificuldade.

As cuecas
Desprezadas por ricos e pobres, durante séculos ninguém as usou. Para os pobres não tinham qualquer utilidade e para os ricos iam contra as regras da igreja, sendo mesmo proibidas, uma vez que eram associadas às prostitutas parisienses dos finais do seculo XVIII. Senhoras honradas, dignas e mães de família “passavam” o uso de cuecas, por ser altamente impróprio. No entanto, senhoras mais abastadas, durante o inverno para proteção do frio eram autorizadas a usar cuecas, mas com aberturas diversas, para satisfazer todo o tipo de necessidades fisiológicas.

O lenço
Também o lenço teve na sua história múltiplas funções, mas nenhuma associada, imagine-se, a assoar o nariz.
As pessoas de condição social e comportamento requintado não se assoavam em público, porque o ruído caraterístico era tido como de muito mau gosto.
O lenço serviu, ao longo dos tempos e das modas para: acenar em sinal de satisfação, proteger o rosto do sol ou a garganta contra constipações, limpar as lágrimas e também como guardanapo. As senhoras francesas usavam um lenço de mão, que deixavam cair ao chão quando queriam demonstrar o interesse por um homem, que o devia apanhar de imediato.
Em Portugal, essencialmente no norte do pais, era costume as moças oferecerem um lenço ao namorado. Mas a verdadeira utilização do lenço pelas gentes portuguesas, era para limpar o suor, ou proteger a cabeça do sol e ainda como bolsa para guardar valores, deixando a função de assoar o nariz para a mão.

CONSULTÓRIO

PRESBITIA É O MESMO QUE VISTA CANSADA
Quando começamos a esticar o braço e a afastar a mão dos olhos para ler o que está escrito numa folha de papel, é sinal que a presbitia se instalou. Sim, presbitia… o nome porque é conhecida a vista cansada.
O que se sabe sobre a vista cansada?
É na década dos 40 anos de idade que ela se instala.
Vai surgindo de uma maneira paulatina até que, de uma forma definitiva, ela se instala pela idade dos 45 anos.
E atinge qualquer pessoa, seja homem, seja mulher como resultado do envelhecimento do cristalino. Nas pessoas que sofrem de hipermetropia a presbitia surge mais precocemente, ao passo que nas que sofrem de miopia ela surge mais tardiamente.
Pouco a pouco a vista cansada obriga a que a leitura se faça de braços estendidos.
Um presbítero reconhece-se facilmente pelo modo como lê: com os brações esticados… Com efeito, para ver ao perto, o portador de vista cansada vai afastando cada vez mais o texto até ficar com os braços totalmente esticados.
Afinal o que é que acontece?
A presbitia surge na sequência do processo natural de envelhecimento do cristalino.
Com os anos, o cristalino vai perdendo a sua elasticidade e não consegue mais a acomodação para a visão ao perto.
Com que idade a presbitia estabiliza?
Começa pelos 40-45 anos e estabiliza pelos 65 anos. A partir desta idade, ou por aí, ela não avança mais o que significa que o cristalino perdeu, na totalidade, a sua capacidade de acomodação e não há outro remédio senão a sua correcção.
Como se corrige a presbitia?
Com lentes de contacto ou com óculos que vão compensar a incapacidade de acomodação do cristalino. E, ao mesmo tempo que as lentes corrigem a presbitia, podem corrigir a miopia ou a hipermetropia por meio de lentes progressivas. No caso da miopia, e se a presbitia estiver numa fase de início, pode haver recurso a cirurgia.
Existem lentes de contacto progressivas que podem corrigir a presbitia num dos olhos e a miopia ou a hipermetropia no outro. Todos nós temos um olho que predomina para a visão ao longe, devendo ser o outro que deve ser corrigido para a visão ao perto. Depois cabe ao cérebro a escolha das imagens mais nítidas que recebe dos dois olhos.
Posto isto, se está na década dos 40-50 anos e se, para ler, tem necessidade de afastar o jornal ou o livro esticando os braços, está na altura de começar a pensar em corrigir esse defeito de acomodação do cristalino.