EDITORIAL Nº 788 – 1/12/2020

O QUILÓMETRO 100
A auto-estrada A25 nasce junto ao mar em Aveiro, nas praias e nas planícies da Beira Litoral e atravessa o agreste planalto Beirão.
Segue para Espanha a partir de Vilar Formoso, a primeira e mais importante fronteira terrestre portuguesa. Liga, portanto, o mar, o Atlântico, (o importante Porto de Aveiro) à Espanha e à Europa.
É uma das principais auto-estradas de Portugal onde diáriamente circulam milhares de veículos ligeiros e pesados.
Concluída em 2006 é no entanto uma das mais sinuosas do país, com a famosa “bossa do camelo”, com um raio de 180º, em Prime, controlada por radar e um dos locais com mais multas por excesso de velocidade.
A distância entre Aveiro e Vilar Formoso é de cerca de 200 quilómetros e o meio, o quilómetro 100, está localizado em Fagilde.
Quem diz Fagilde diz Mangualde. É aqui o meio! E diz o povo, com a sua sabedoria:- é no meio que está a virtude!
Mas, não está! E por culpa de quem?
Os distraídos, com certeza, nunca repararam que a Estação de Serviço entre o Nó de Fagilde e o de Mangualde é a única nos 200 quilómetros que tem uma ligação aérea para ligar as duas bombas de gasolina. Quer isto dizer que foi considerada a mais importante em todo o trajecto.
Em tempos recuados aqui funcionavam dois restaurantes, com um óptimo serviço.
E como eu os frequentava, normalmente, era uma benção poder jantar fora das horas normais.
Tudo fechou, há muito tempo! As crises, os solavancos que o país constantemente atravessa, fazem encolher tudo. E é pena porque se reduzem os serviços e os postos de trabalho!
Mangualde é de todas as cidades servidas pela auto-estrada A25, a que está mais perto, a que poderia aproveitar melhor o grande tráfego que aí passa. Segundo os dados estatísticos passam em média cerca de 10.000 veículos por dia. Um grande volume de tráfego.
Assim, sem motivos para parar, os carros, as auto-caravanas, os inúmeros veículos de carga, que vêm ou vão para Espanha, passam a grande velocidade e vão procurar outros locais.
Como é possível perder esta oportunidade?
Falou-se, até se anunciou a localização nesta zona de uma grande Zona Industrial. Porque não foi para diante?
Quem sabe, quem estuda, conhece qual o melhor local para instalar uma Zona Industrial.
E sem dúvida, esta é a única em que Mangualde tem de apostar. E ligada ao Caminho de Ferro, agora que a Linha da Beira Alta se vais transformar. Uma grande Plataforma Giratória da Região. Para isso é preciso muita ousadia!…
Em próximas eleições autárquicas, que se aproximam, os candidatos devem equacionar este projecto, não para ganhar votos, mas para desenvolver Mangualde, criar infra-estruturas para o futuro. Aproveitar o que hoje desperdiçam.
Vamos aguardar !

Quando as pernas parecem uns troncos!


Antigamente as meninas prendadas eram educadas para serem recatadas e terem uma silhueta espartilhada tipo guitarra. De fato, ainda hoje uma cintura marcada é sinal de feminilidade - para além do evidente volume acima da cintura ser o sinal do desenvolvimento de uma garota para se tornar mulher. Recordo-me de uma colega que nas aulas de ginástica, com os seus meros 11 anos exibia orgulhosamente a “cinta” antes de iniciar a aula. Também me recordo dos movimentos tolhidos durante os exercícios e dos vergões na barriga e pernas, e penso até que houve aulas que não conseguia terminar por lhe faltar o ar e má disposição. Mas sempre dizia “A minha mãe diz que uma mulher sem cinta é uma desavergonhada!”, o que concluía que quem não usasse roupa para modelar\ apertar o corpo seria uma impudica! Este comportamento perdurou de tal forma que há mulheres que não conseguem deambular sem estarem enfaixadas dos pés à cabeça! Porque o primeiro impacto faz toda a diferença, a mulher sempre foi sujeita a uma exigência na sua aparência, sujeitando-se a cerimónias masoquistas para o bem da sua auto-estima massajada por elogios galantes do género masculino.
Infelizmente, as honras embevecidas não aliviam as pernas martirizadas pela pressão de uma boa cinta-de-esconder-as-vergonhas…. E assim é mais frequente os problemas circulatórios nas mulheres do que nos homens (o que não significa que não padeçam deste mal, mas as mulheres têm mais prevalência), devido à questão do vestuário apertado. No entanto os homens padecem de problemas circulatórios devido ao tipo de profissão que exercem (muitas horas de pé ou muitas horas sentado), ou excessos alimentares que promovem aumento de peso rápido, para além de consumo abusivo de bebidas alcoólicas. A questão de hereditariedade familiar também envolve o surgimento deste problema, para além da gravidez devido ao aumento de peso e sobrecarga circulatória durante esse estado de saúde.
Assim cada vez mais surgem as frases “Ai as minhas pernas parecem uns troncos!” ou “Parece que tenho uma fogueira nas pernas”, e lá se vislumbram umas pernas inchadas de cor arroxeada reluzente, que muitas vezes chegam a um ponto de inflamação que podem gerar tromboflebites (inflamação de uma veia devido á formação de coágulos\trombos que prejudicam e ás vezes chegam a impedir o fluxo do sangue). Se este é o seu caso ou conhece alguém nesta circunstância, não hesite em falar com o seu médico de família, porque antes desta pandemia já se sucumbia por uma simples embolia (oclusão de uma artéria) pulmonar. Cuide-se para prevenir muitas preocupações!

REFLEXÕES

Património Cultural (12)
Citânia da Raposeira
Se eu pretendesse fazer a descrição de alguns dos períodos mais significativos do trabalho de campo tinha um sem número de episódios alguns verdadeiramente grotescos, outros divertidos e outros em que teve de se contornar comportamentos vergonhosos da parte de um ou outro cidadão que entendiam que o mundo era seu. Como um notável que tendo adquirido um terreno confinante com o campo, entendeu tapar uma serventia muito antiga dizendo que tudo aquilo era dele. Ora, era por ali que desde o começo das escavações, se fazia a passagem de todos os veículos que davam apoio aos trabalhos - camiões que carregavam as toneladas de terra resultante das actividades, dumpers que para além de outros serviços transportavam artefactos e ferramentas necessárias, e os veículos da equipa. Deixou-nos completamente bloqueados. Muito calmamente fomos procurar clarificar a situação com o senhor que tentava levantar um muro para fechar de vez a passagem, e encontramos uma pessoa intratável e ameaçadora. Uma colher de pedreiro que ele tinha na mão ainda a vi muito próxima da minha cabeça. Informamos a Autarquia e esta ficou num impasse, receosa que um contacto resultasse num avanço violento ( foi por este tempo que num concelho a algumas dezenas de km um vereador foi assassinado por um cidadão nada amistoso). Depois de semanas a acumular montanhas de terra, à espera duma solução a Câmara decidiu contactar um outro vizinho que permitiu a abertura de um acesso por um seu pinhal facilitando-nos a passagem dos veículos. Por vezes caiam-nos em cima situações nada agradáveis decorrentes do temperamento e incompreensão de um ou outro cidadão. Para aliviar as tensões e o desgaste de energias do dia a dia surgiam outros episódios divertidos proporcionados por “visitantes” que faziam perguntas sobre o lugar não acreditando que o que se estava a descobrir eram vestígios com dois mil anos de “vida”… Diz o simpático senhor Isidro.. Ná!!.. na pode ser…que isto já estava aqui no tempo de Cristo ?!! Ná… nem pensar…! Atão até andei aqui há anos a lavrar e amanhar esta terra, nunca vi cá nada !… Olhe que sim, senhor Isidro, é verdade . Eu tentava dar- lhe uma explicação esclarecedora, um bocadinho de história…mas ele ia-se embora terreno acima a abanar a cabeça…na não !! Era o que faltava…! Mas ao outro dia estava ali de novo porque gostava de ver, embora não convencido das “patranhas” que eu lhe queria impingir. O senhor Isidro, já partiu há muito e tenho saudades de voltar a ouvi-lo a discordar das minhas patranhas. Era um bom vizinho e quando terminávamos cada dia de trabalho era ele um verdadeiro fiscal das ruinas que iam surgindo. Mesmo não encaixando as “patranhas” do tempo de Cristo… aquilo era digno de se ver e de se defender dos “invasores “ que, fora de horas, por ali passeavam pelas noites quentes de verão e cujos testemunhos não eram nada meritórios.

30 novembro 2020

IMAGINANDO

Parte 84
Dado o contexto actual e a nível planetário, decidi interromper por alguns capítulos o tema sobre Sintra e dedicar os próximos temas a um esclarecimento em que a minha opinião vale o que vale, sobre a situação do momento.
Sou Espiritualista. Não sou político nem me afirmo em alguma religião. No entanto tenho um profundo respeito pelas pessoas religiosas, seja qual fôr seu crédito. Como espiritualista sou pessoa de fé, e se a fé do meu semelhante se fundamentar na religião em que acredita, então estamos todos no caminho certo, porque o que nos faz ser é no acreditar, independente do seu crédito.
Nosso Planeta tem vindo a sofrer transformações desde o ano 2000.
Completámos naquele ano três fases muito importantes:
1 fim de século (100 anos)
1 fim de Era (2.600 anos)- transitámos da era de Peixes para a era de Aquário.
1 fim de Ciclo 25.600 anos)-completou-se o ciclo das 12 eras.
Os efeitos naturais são cíclicos. A mão do homem não tem alguma intervenção. Nossa mãe terra tem acelerado o seu “ritmo cardíaco” de 7/8 pulsações, estando neste momento com 16 pulsações, ressonância de Shumann. Tudo o que se passa nos transcende, porque não sabemos como justificar.
Sabemos sim, que caminhamos para uma transição planetária e o próprio ser humano sendo observador, por vezes inconscientemente começa a compreender que estamos a largar um antigo padrão de Sociedade e “acordando” para um novo modelo em que começamos a olhar para o outro, como parte de nós.
Como disse, estamos numa fase de transição e como a harmonia se sucede ao caos, temos que o enfrentar com toda a coragem e o primeiro confronto que um certo número de pessoas tem dificuldade em ultrapassar, é o medo.
O medo é uma ilusão criada pela mente e controlada pelo Ego em  nós. Se não soubermos controlar esta ilusão, vai acontecer que o nosso inconsciente o vai tomar como real e pela Lei da Atração, nós somos o que atraímos.
Quando entramos neste poço sem fundo, aí tudo acontece.
Porquê?
Projetamos para o mundo exterior, o que criámos no nosso mundo interior. Como tal entramos numa onda vibratória em determinada frequência, porque todos sabemos que nossa mente emite ondas que vão conectar outras ondas, que recebemos quando ouvimos aquelas notícias que nós próprios atraímos.
Conforme acima citei, a minha opinião, é apenas minha.
Quando ouve uma música relaxante, lê um bom livro, entra em contacto com a natureza, pode crer e digo-lhe por experiência própria, atinge um estado de harmonia e o seu consciente está tão próximo do Divino dentro de si, que tudo o que o rodeia lhe passa ao lado. Digamos que entrou numa outra Dimensão.
A Fisica quântica diz-nos:
Toda onda se torna partícula quando há um observador. Quando o observador não está presente tudo é onda.
As únicas notícias que eu escuto, são as do meu silencio interior. Aí tenho toda a verdade na informação.
Se o leitor estiver interessado nalguma leitura sobre este ou outros temas espirituais, ou não, pode encontrar no Blog “O Caminho do Universo”, já com uma visualização razoável por esse mundo fora, dando conforto moral aos nossos emigrantes. Conta com uma Equipa de luxo, na sua maioria residindo no Concelho de Mangualde.
Espero, amigo e leitor, que o tenha ajudado. Caso contrário, ignore.

SANFONINAS

Quando os investigadores são… Pessoas!
Conta o historiador Plutarco que um dos sete sábios da Grécia antiga, Tales de Mileto, tão interessado andava em observar o firmamento para estudar os astros e o seu movimento que, um dia, ao caminhar de cabeça no ar, caiu num poço.
Um dos historiadores do grupo parou a observar um ajuntamento. Estranharam os demais e perguntaram.
– Quis saber o que se passava. – respondeu. – Que o bom historiador não deve esquecer o mundo em que vive, para melhor compreender o passado.
Duas histórias, dois modos de encarar a ciência.
Amiúde, ao lermos os pareceres críticos de revisores de artigos para revistas científicas (o que nós, jornalistas, chamávamos de ‘censura prévia’, no tempo da ditadura…), perguntamo-nos o que pretendem, se não é o ideal que eles próprios não logram atingir, se não usam antolhos como as bestas que puxam os alcatruzes das noras para não almarearem e só verem numa direcção, se não sabem quão salutar é a diversidade de opiniões, até porque sempre há forma de suscitar uma boa discussão.
Vêm estas considerações a propósito de os doutores António Rebelo e Margarida Miranda – coordenadores da edição da homenagem a uma colega, que «tanto deu de si pela ciência, pela nossa Instituição, pelos alunos, pelos colegas e pelos amigos» –, ao anunciarem aos colaboradores e aos subscritores da tabula gratulatoria que os volumes estavam disponíveis, o terem feito mediante circunstanciada mensagem, em que, além dos agradecimentos, escreveram, a dado passo:
«Queremos também pedir desculpa por alguma atitude menos correcta da nossa parte no cumprimento das funções de coordenação, com tudo o que isso implica de pressão, de insistência, de cumprimento de obrigações, de prazos, de critérios editoriais. Estai certos e seguros de que mais não pretendemos se não valorizar o vosso trabalho, dignificando a homenageada, e contribuir para salvaguardar a elevada qualidade final, imprescindível numa obra como a que estava em causa.»
Despiram, pois, a roupagem científica e vestiram a de Pessoas que com outras pessoas estão a lidar, embora hajam confessado não ser «fácil lidar com egos e orgulhos académicos».
Resultado?
– Dos quase 80 destinatários da mensagem, raros terão sido os que não se sentiram tocados e não lhes responderam em igual tom humano.
Congratulei-me e dei os parabéns pelo superior exemplo.

IDADE NÚBIL


Acabei de ouvir num canal de televisão a notícia de que, no ano transato, haviam contraído matrimónio 171 menores. Tocou-me a estranheza com que a notícia foi difundida.
A idade núbil tem variado ao longo dos anos. Atualmente é de 16 anos para o homem e para a mulher, mas nem sempre assim foi. No domínio do Código Civil de 1867, a idade mínima para casar era de 14 anos para os indivíduos do sexo masculino e de 12 anos para os do sexo feminino. O Decreto nº 1, de 25 de Dezembro de 1910, elevou esses mínimos para 18 anos e 16 anos, respetivamente. Após a Concordata com a Santa Sé, de 25 de Julho de 1940, foi fixada a idade nupcial em 16 anos para o nubente do sexo masculino e 14 anos para o do sexo feminino. Esses limites foram inicialmente mantidos pelo Código Civil de 1966, mas foram mais tarde alterados pela reforma de 1977.
Presentemente, a idade mínima para poder contrair casamento é igual para ambos os nubentes, por força do princípio constitucional que proclama a igualdade dos sexos.
Foi esta a idade considerada mínima para garantir alguma maturidade não só para a escolha da pessoa do cônjuge, mas também para assumir a responsabilidade de viver uma plena comunhão de vida a dois.
Se, apesar do limite fixado para a idade núbil, se vier a constatar que um dos nubentes casou antes de ter atingido essa idade legal, o casamento será anulável.
A ação de anulação, quando proposta pelo próprio incapaz, deve ser instaurada, no caso de menoridade, até seis meses depois de o nubente ter atingido a maioridade .
Considera-se, porém, sanada a anulabilidade e válido o casamento desde o momento da celebração, se antes de transitar em julgado a sentença de anulação, o casamento do nubente que casou antes de atingir a idade de 16 anos, for confirmado perante o funcionário do registo civil e de duas testemunhas, depois de atingir a maioridade.
Mesmo depois de ter atingido a idade de 16 anos, mas sendo ainda menor, o nubente necessita de autorização dos pais ou tutor para contrair casamento.
Quando é negado, torna-se possível obter o suprimento do consentimento.
O menor, com idade núbil, que casar sem a devida autorização fica sujeito a uma sanção especial. Continua a ser considerado menor quanto à administração de bens que leve para o casal ou que posteriormente lhe advenham por título gratuito até à maioridade, mas dos rendimentos desses bens ser-lhe-ão arbitrados os alimentos necessários ao seu estado.
O menor que casar sem o consentimento legalmente imposto ou o respetivo suprimento judicial, também não obtém a emancipação pelo casamento, como normalmente aconteceria.

O desafio das economias


A pandemia forçou os diversos Estados a abrir os cordões à bolsa para evitar um agravamento do colapso económico, mas os esforços que cada um dos países está a fazer são muito diferentes. Para já, Portugal está entre os países europeus que menos gastam no combate à crise, arriscando-se a ser também um dos que mais lentamente regressa aos níveis de atividade económica anteriores à pandemia.
De acordo com os últimos dados oficiais, é nos chamados países avançados que a intervenção dos Estados foi mais significativa, com um impacto orçamental imediato equivalente a 7,3% do PIB, em média. Nos países emergentes este indicador fica-se pelos 3,8% e nos países de baixos rendimentos é de 2,4%.
Existem duas grandes explicações para o facto dos países avançados estarem a ser mais audaciosos com os gastos das suas finanças públicas no combate à crise. A primeira é que, em termos gerais, sofreram mais a incidência da pandemia, com a Europa e os EUA a destacarem-se. A segunda é a maior capacidade destes países para fazerem um esforço orçamental mais significativo, já que beneficiam de condições de acesso a financiamento muito mais favoráveis do que os restantes países.
O Governo de Portugal, por seu lado, fica entre os países que foi mais prudente foi na hora de tomar medidas com um efeito imediato negativo no défice. De acordo com as contas conhecidas até agora, as medidas apresentadas por Portugal conduzem a um agravamento do défice de 3,2% do PIB, um valor que fica bem abaixo da média de 7,3% registada no total das economias avançadas.
Contudo, os números do FMI revelam que, quando se olha para medidas sem um impacto imediato no défice, como a concessão de empréstimos e garantias, ou o adiamento da cobrança de impostos ou contribuições para a segurança social, Portugal já é dos países a tomar medidas mais ambiciosas, o que é revelador da fragilidade da economia perante esta crise e pelo facto de depender, em grande medida, de sectores como o turismo ou a restauração. Desta forma, o impacto no défice pode não ser imediato, mas a longo prazo, o Estado corre o risco dos empréstimos não serem devolvidos ou os impostos adiados não serem pagos. Vai-se empurrando o problema para a frente…
Portugal, tendo um rácio de dívida pública dos mais elevados e tendo passado recentemente por uma crise de acesso ao financiamento de mercado, terá menor espaço de manobra para deixar derrapar as suas contas públicas. Daí a necessidade de manutenção de uma gestão orçamental prudente, segundo o governo Português. Principalmente no curto prazo, existe o risco que estas diferenças entre os esforços orçamentais feitos por cada país se venham a refletir no desempenho económico conseguido e, designadamente, na velocidade da recuperação.
Não é de estranhar portanto, que as previsões que já estão a ser feitas para a evolução das economias europeias, nos próximos dois anos, colocarem Portugal entre os mais afetados pela presente crise.
Durante o Fórum do Banco Central Europeu, Vítor Gaspar, ex-ministro e atual diretor do FMI defende que os governos “não devem retirar apoios orçamentais de forma prematura”, mas alertou para défices e dívida, apontando o dedo à segunda vaga da covid-19. “Os perigos para a economia e o emprego são reais e cada vez maiores”, fez saber, “e a incerteza é enorme, outra vez”. Gaspar defendeu o investimento público mas salientou que se use o dinheiro disponível (os fundos europeus e juros ultrarreduzidos do BCE) de forma “produtiva” e que tudo seja feito com “transparência e responsabilidade”. Cá estaremos para ver

Tempo de Castanhas


O Outono aí está de dias mais frescos e mais curtos. É tempo de lareiras, conforto familiar e de castanhas assadas. Em todas as cidades, nas esquinas, os castanheiros enchem de fumo e de perfume a cidade. Cheira a castanhas!
Colhem-se nos imensos soutos das terras da Beira e é a rainha da festa. Possuimos a maior mancha contínua de castanheiros em toda a Península Ibérica. Aí nascem as qualidades Judia, Longal, Lada e Cota. A excelente qualidade da castanha portuguesa, leva a que seja elevada a sua procura a nível internacional. Cerca de 70% a 80% da castanha nacional destina-se ao mercado externo com enorme relevo na região de Trás-os-Montes.
Mas, já não bastavam as pragas e as doenças dos castanheiros, temos agora que ultrapassar esta pandemia que também implicou com as castanhas. A pandemia fechou as feiras de castanhas, onde se apresentavam inigualáveis, reluzentes e com um sabor que não existe em qualquer outra parte do mundo. Aí também há castanhas, mas como as nossas, não há!
A castanha é um “ouro”, uma espécie de volfrâmio, das terras do interior. E ressurge todos os anos como um pilar das economias das gentes do interior. Gente que vive do trabalho, de uma agricultura rudimentar e tem poucos apoios. Não há quem olhe com olhos de ver para o Interior.
Mas voltemos às saborosas castanhas.
A castanha foi, durante muito tempo, o principal alimento das populações rurais. O fruto, considerado no passado de inferior qualidade, era um alimento de eleição para os animais domésticos. A castanha que comemos é o fruto do castanheiro, uma semente que surge do interior de um ouriço. Mas, embora seja uma semente como as nozes, tem muito menos gordura e muito mais amido, o que lhe dá inúmeras possibilidades de uso na alimentação. Podemos comê-las assadas, cozidas, mas também em elaborados assados de carne, rojões com castanhas e até os célebres míscaros, outro pitéu, casa bem com as castanhas. Há quem faça sopa de castanhas, em alguns sítios considerada uma especialidade e há quem as guarde para mais tarde, as castanhas piladas, secas que se aguentam para além da sua época. Os doces, o pão e até receitas light com castanhas são uma opção.
A acompanhar as castanhas não podem faltar os saborosos vinhos do Dão e a geropiga, feita de bica aberta no alambique.
“No S. Martinho, mata o teu porco, prova o teu vinho.”
Também podemos juntar o tempo das castanhas, dos soutos ao Turismo da Natureza. Passeios ao ar livre e porque não colher castanhas.
Tempo de castanhas, tempo de saudades, de confraternização, que tanto nos falta nesta época, em que a pandemia nos bloqueia os afectos, esmaga a economia e nos cria desânimos e incertezas para o futuro.
O que será o mundo daqui para a fente?…

CONSULTÓRIO

A BOA ALIMENTAÇÃO FAZ OS BONS DENTES!
Todos sabemos que a escovagem dos dentes, pelo menos duas vezes ao dia, e as visitas regulares ao dentista são indispensáveis para ter bons dentes, mas a alimentação tem, também, um papel muito importante!
Para os seus dentes é preferível comer chocolates e não fritos – é verdade, o chocolate, sendo rico em flúor e em fosfatos, participa na prevenção das cáries, dando preferência ao chocolate negro.
É preferível mascar uma pastilha elástica sem açúcar a um rebuçado, também sem açúcar – a mastigação é benéfica para os dentes porque acentua a salivação. A saliva limita a desmineralização do esmalte dos dentes e permite uma autolimpeza das superfícies dentárias.
Os rebuçados, melhor mastigar que chupar – o tempo de contacto dos dentes com o açúcar é muito importante. Quanto mais tempo, pior. Convém, assim, evitar chupar os rebuçados e ter em atenção que os caramelos se colam aos dentes.
No final duma refeição é preferível queijo à fruta - o queijo contém cálcio e flúor, elementos que protegem os dentes do ataque dos ácidos. Por isso não se devem comer frutos. Sendo assim é preferível a sequência sobremesa e queijo do que queijo e sobremesa.
As bebidas gasosas e açucaradas devem ser bebidas por uma palhinha – beber com palha permite limitar o contacto dos ácidos com os dentes e a erosão do esmalte.
É preferível comer o pão durante as refeições em vez de fora delas – os alimentos ricos em amido, como o pão, levam à formação de ácidos pelas bactérias da placa dentária. Não se deve excluir este alimento, mas evitar o seu consumo fora das refeições.
Ao deitar é preferível beber um copo de água a um copo de leite – o leite contém lactose (glúcido). Os alimentos contendo glúcidos contribuem para a formação de cáries dentárias. Portanto, antes de se deitar devem lavar-se os dentes e, se depois se beber, que seja água.
As crianças que não tomam o pequeno-almoço têm mais cáries dentárias – se não tomam o pequeno-almoço têm fome durante a manhã e são levados a petiscar… habitualmente alimentos que se colam fortemente aos dentes e que ficam mais tempo na boca. O ideal para favorecer o aparecimento das cáries!
Em caso de apetite súbito deixe-se tentar por um caramelo e não por um bolo seco ou um aperitivo salgado – os bolos secos e os frutos secos estão carregados de amido, um glúcido que adere fortemente aos dentes. O caramelo também contém açúcar, mas dissolve-se mais rapidamente na boca.
Em conclusão, é preciso saber que existem alimentos que são mais benéficos para os nossos dentes, do que outros. Mas que não devem ser eliminados da nossa dieta. Pelo contrário! A regra é aumentar ao máximo a sua diversidade e limitar os excessos, corrigindo os maus hábitos e adoptando outros, mais correctos.