EDITORIAL Nº 822 – 15/5/2022

Vamos no Caminho certo…
Um Jornal vive-se dia a dia. Mal sai um número, esquecemo-nos do já feito para nos prepararmos com o que temos de fazer a seguir.
Guerra Junqueiro comparava o Autor a um Lavrador.
Cortada a seara, colhido o trigo, arroteia-se o campo e semeia-se de novo.
E foi assim,que de sementeira em sementeira o Jornal Renascimento atingiu a provecta idade de 95 anos.
Este Jornal é feito por muita gente. A Redação e os colaboradores habituais que enviam regularmente as suas Crónicas.
E, analisando as Crónicas recebidas fiquei com a sensação que temos vindo a melhorar a qualidade e o nível das nossas prosas.
Ninguém aspira a ser um Padre António Vieira, que Fernando Pessoa chamava de “Imperador” da Língua Portuguesa pelo estilo e qualidade!…
Mas, o que é um facto é que se todos puxarmos um bocadinho mais para cima, o resultado final é sempre melhor.
A Cultura, como acham os ignorantes, não é um parente pobre da Economia. Pelo contrário é uma forte componente do desenvolvimento económico de um País, base fundamental do seu crescimento.
A escrita deve-se à imperiosa necessidade humana de registar e preservar os seus conhecimentos, factos e vivências.
A Cultura é o complexo das Crenças, dos Costumes e das Artes, que constituem o modo de vida de uma comunidade, ou de uma sociedade, evoluindo até atingir uma civilização.
O Homem imerge na Cultura! A Cultura cria corpos, gentes e forma almas!
E a grande função de uma civilização, depurada de superficialidades é a missão educativa.
A Cultura permite ainda acolher a variedade dispersa, para dar forma ao acontecido.
No Fundamental, a Cultura é tudo aquilo que o Homem acrescenta à Mãe Natureza.
A Imprensa em geral preocupa-se com a Cultura.
O Jornal Renascimento que é um Património de Mangualde, sempre na defesa dos mais altos interesses dos Mangualdenses tem também essas preocupações Culturais.
Foi por isso que criamos a Página - “ Mangualde Cultural”, que sairá com este número e nos seguintes.
A Imprensa Regional é extraordináriamente importante para a informação, para a formação, mas também para o fortalecimento democrático e para a coesão do País.
Agradeço a todos os colaboradores do Jornal Renascimento o seu empenhamento em sermos melhores.
Vamos no caminho certo!

IMAGINANDO

7ª. LEI UNIVERSAL
O PRINCÍPIO DO GÉNERO
A palavra Género, de raiz latina, significa gerar, procriar, produzir
Este Principio manifesta-se em todos os planos, pois tem os seus princípios masculino e feminino.
A manifestação do desejo materno com o desejo paterno.
Além do Plano Físico, este Princípio manifesta-se ainda nos Planos Mental e Espiritual.
Embora no Plano físico se manifeste como sexo e nos planos Superiores tomem formas superiores, ambos são sempre regidos pelo mesmo Princípio. No Plano Físico, o sexo é apenas uma manifestação do Género em determinado Plano:
O Plano da Vida Orgânica.
Tanto homem como mulher, ambos têm o seu elemento feminino e masculino.
Vamos aprofundar o Princípio do Género exemplificando com Yin e Yang.
Yang e Yin são duas categorias básicas distintintas. São dois movimentos opostos, em que Yang, o masculino é o princípio ativo, positivo, quente, que podemos associar ao Ceu ou Sol e Yin o feminino é o princípio passivo, negativo, frio associado à lua e Terra.
Não existem um sem o outro e ainda, que um nasce do outro e vice-versa. Um contém a semente do outro e em eterna mutação.
Exemplifiquemos ainda os termos Positivo e negativo.
O masculino será o pólo positivo e o feminino o pólo negativo.
Embora haja esta manifestação o facto é que nada há de negativo ao seu redor.
Apenas um poder de expressão.
Aqui o negativo manifesta gerar, produzir.
Como tudo o que Existe é Átomo, vemos que o nascimento de um novo Átomo, deriva das partículas femininas (eletrões) vibrarem muito rapidamente sob a influência da energia masculina (neutrões). Com esta união há um impulso natural de criar novas formas de Energia.
Este processo dá-se, quando o Princípio Masculino dirige uma energia para o Princípio Feminino, sendo este último o protagonista ativo na obra criadora, que é igual para todos os Planos.
Vamos perceber a Lei do Género no Plano mental:
Existe uma mente objetiva e uma mente subjetiva, onde se manifesta a nossa Psique, (Alma ou Espírito).
Como Espírito que somos, fica convencionado, que não somos o nosso Corpo nem a mente operativa, mas uma consciência que se utiliza do corpo e controla a mente para perceber o Ego e o EU.
Ora o Ego representa o princípio feminino, dado criar os produtos das ações, falas e reações ao meio. É ainda responsável por perceber as sensações captadas pelos cinco sentidos.
Quanto ao EU, representa o princípio Masculino, cuja função será projetar a energia no feminino para que crie e dê forma ou seja, gere pensamentos e ideias nos planos sutis (etéricos) ou concretos.
Num Plano ainda mais extenso, consideremos uma Supernova, como o Princípio Masculino e um buraco negro um princípio Feminino.
Quando compreendermos o simbolismo que representa o Masculino e Feminino, começamos a perceber o seu funcionamento nos vários planos:
Físico, mental e espiritual.

9 de Maio – Dia da Europa


No ano passado, sobre este mesmo tema, escrevi que: “No pós-pandemia, a Europa tem de ser mais exigente consigo própria, tem de seguir uma missão de afirmação e poder, e isso só se consegue através de uma liderança unida e forte que não adie nem ignore a nova realidade e os novos desafios para não comprometer o futuro da União Europeia.”
Um ano se passou e muita coisa mudou.
No Dia da Europa celebram-se as fundações da atual União Europeia. Hoje, ter nascido num Estado-Membro da União Europeia é sinónimo de ser cidadão europeu.
Também não se deve deixar de exortar a solidariedade como veículo para a paz mundial. Este dia 9 de maio de 2022 foi, lamentavelmente, manchado pela guerra no continente europeu. Diante da invasão da Ucrânia, dos massacres e atrocidades cometidas contra a população civil e das constantes violações dos direitos humanos e do direito internacional humanitário que temos assistido, é premente repensar a Europa, repensar o modelo e estratégias de defesa, a dependência energética da Rússia, a adesão de novos Estados à União Europeia e o plano de revitalização da Europa.
À semelhança da Europa do pós-2ª Guerra Mundial, a atual Europa também não se fará de imediato e, tomemos consciência disso, a União Europeia é um projeto inacabado, permitindo constantes desenvolvimentos e mudanças na história. Será necessário amparar nos alicerces da democracia e do Estado de direito tudo o que a Rússia destruiu. E se, aquando da “Declaração Schuman”, esta Europa dependeria da solidariedade, atualmente, a solidariedade será a fonte que permitirá ao Estados-Membros e à restante Europa recuperar deste duríssimo golpe. Uma solidariedade que não passou (e nem passará!) indiferente ao sofrimento de um povo.
No cenário de guerra que vivemos, é difícil honrar o dia 9 de maio, contudo, é na mais profunda adversidade que se consolida a união. A importância de se trabalhar em prol da paz na Europa é cada vez mais evidente no momento em que destacamos a nossa união e solidariedade para com a Ucrânia.
Hoje, é fundamental gritar bem alto os valores europeus.
Juntos, temos de construir uma Europa mais forte, com valores, coesa e solidária.
A Europa somos nós, todos, sem exceção. Mais do que nunca, hoje percebemos que só temos força se estivermos unidos, só vencemos os desafios se derrubarmos os egoísmos e os totalitarismos.
Somos, orgulhosamente, europeus!

RETALHOS DE UMA VIDA

CAMPOS DE ABRIL
Acabava o dia comprido e duro, com os arados desde pela manhãzinha a rasgar as terras de termo a termo, fundos, cortantes e austeros. As juntas de bois a escorrer monco das narinas, de canelos besuntados de estrume, firmavam o cachaço na canga e continuavam aquele penoso caminho de vai e vem. O engate da aiveca, saltava no pé da vara, a relha mudava de direção e a terra abria-se noutro golpe fresco, odoroso e largo. As horas como as ervas daninhas, ferrã, leitugas, saramagos, milhã e margaças, cortadas pelas enxadas e pela charrua do arado, caíam submissa na frescura do rego e adormeciam como em eterno sono. Apenas o suor que escorria pela testa dos homens e ilharga dos animais, os afligia. Paravam de quando em vez e olhavam enlevados o rego de água a correr. Um íntimo sentimento de justiça distinguia o trabalho do homem do esforço imposto aos animais. Até que o dia chegava ao fim cansado, já com as fisionomias dos rostos e do focinho dos animais esfumados no lusco-fusco.

  • Seja louvado Nosso Senhor Jesus Cristo!…
  • Para sempre seja louvado e bendito!…
    Eram as palavras de despegar, já esperadas desde o amanhecer. De tanto se dobrarem sobre as leivas e de se enterrarem belas, os corpos já tinham esquecido o momento da libertação e da ceia. Ao crepúsculo que descera e obrigara a largar o trabalho, sucedera um luar tépido de noite de Abril. Pelo caminho fora, os seus corpos tinham agora a frescura da terra molhada e perdiam-se nas sombras das ramadas espessas. E nessa viagem de luz, conscientes das energias gastas, exaustos e ressequidos, comiam e bebiam, descansavam o corpo dorido. O clarão do fósforo aceso dava-lhes a dureza do seu rosto. Tiravam duas fumaças e lá partiam para uma merecida e reparadora noite de descanso. O dia tinha morrido azedo, mas o que viria a seguir seria ainda mais amargo. Manhãzinha, contam os galos madrugadores. Sai o pastor com o seu rebanho que aparentemente sem se mexer se afasta minuto a minuto, deixando para trás o terreno pastado e assim a aldeia lhe fugia dos olhos. A aldeia despertava, clara o soalheira, as chaminés começavam a fumegar e as flores na pureza da paisagem, exaltam seus aromas matutinos. Amanhece o dia, é augúrio de um novo mourejar.
    Que povo este que além disto nada mais lhe resta!…

25 de Abril : O reverso das medalhas (I)


As condecorações em Portugal, estão à data fixadas ao preço “da uva mijona”, cuja banalização da sua atribuição é tão deprimente, que já não se fixa em valores morais e honoríficos, mas sim em vulgares compadrios e ocultação de incompetências. Em suma: deixou de ser um ato simbólico e nobre e transformou-se numa rematada hipocrisia. Assim aconteceu com a recente condecoração dos “gloriosos” capitães de Abril, como se tivessem executado uma audaz e feroz batalha, para libertar este país dos horrores de uma brutal ditadura, que nem deu sequer um tiro para se defender, deixando transparecer que também ela queria ser libertada.
Esse histórico acontecimento apanhou-me integrado na infantaria das forças armadas portuguesas com incorporação em Angola e já com 27 meses no ativo. Estava então deslocado na zona operacional de Malanje donde se controlavam os avanços da guerrilha, num vastíssimo território, que começava a oeste, imediatamente a seguir à Vila do Lucala e se estendia a leste até ao Rio Cuango: fronteira com a República do Zaire e com as Lundas.
A guerrilha estava tão depauperada, que durante os vinte e quatro meses que ali estive deslocado, e nas inúmeras operações em participei, muitas delas mesmo junto à fronteira do Zaire, onde se albergavam as bases da FNLA, nunca estive perante a contingência de usar a arma, para defender fosse quem fosse, ou vislumbrei um guerrilheiro sequer. Claro, que o meu grupo de combate teve a lamentar uma baixa, mas não em combate. Foi num domingo à tarde que aconteceu esse infortúnio ao pobre rapaz, angolano: depois de ter bebido umas cervejas a mais, num bar da cidade, saiu para a rua um pouco descontrolado, e decerto sem saber como, foi contra um camião que passava naquele momento e… Nada houve a fazer. Coitado do Meinardo… Era um bom rapaz e um excelente 1º cabo.
Era assim a guerra em Angola no início do ano de 1974, e não faço comentários acerca das outras ex-colónias, porque não conhecia a realidade delas. Sobre Angola posso garantir, que o ténue espectro da guerra era tão débil, que não impedia ninguém de sonhar que aquele país iria ser uma potência económica a curto prazo, onde os naturais e os residentes conviviam irmãmente, com os mesmos direitos e os mesmos deveres, contrariando o que se falava e ainda hoje se fala, nesta pequena pátria sem norte e muito pouca lucidez.
Angola, e ao arrepio do que foi dito e se diz, era antes de mais isto:
Continua na próxima edição.

lendas, historietas e vivências

Nesta altura embora tenhamos necessidade de nos mantermos actualizados em relação ao que se vai passando no planeta, já não consigo digerir mentalmente as atrocidades de que o cérebro humano é capaz….Quem conhece um pouco de História sabe que desde Caim e Abel ficou traçado o rumo. Mas, linearmente, recuando para os Homnídeos, ocupantes das cavernas, tentando dar os primeiros passos no sentido da “civilização”, concluímos que as pegadas que deram tortas nunca se endireitaram. E por isso a evolução foi decorrendo sempre desequilibrada – endireita aqui, já se torce ali, remenda-se um buraco logo ao lado se abre outro. Estou aqui a discorrer ligeirinha sobre as reflexões e meditações a que sou levada pela dramática situação que está a ser vivida por uma população que, com certeza, vivia o seu dia a dia mais ou menos tranquilo e de um momento para ou outro, pela loucura que emana de massas encefálicas podres, ficam de rastos, na miséria, ou às centenas ou milhares perdem a vida…..Porquê, tudo isto ?….tantos de nós questionamos.!!! E daqui sou levada a recuar no tempo, tanto tempo! Quando em 45 soavam por aqui os ecos da 2ª grande guerra…. Não ouvíamos canhões, nem a passagem dos obuses… nem o barulho das derrocadas, mas ouvíamos o lamentar das pessoas que não andando na frente de batalha lutavam para conseguirem um pouco de alimento para si e para os seus quatro, cinco, sete, dez filhos…. Nessa altura nasciam bastantes crianças e muitas acabavam por morrer, por desnutrição, por falta de cuidados médicos, por tudo. Por frio !!!..um calçãozito de riscado preso com um alça sobre a camisita de pano liso e manga curta ! Aquecimento ?!! !! ….era o que havia !.Os invernos ,ao tempo, eram normalmente rigorosos….muitos dias de neve, muitos de chuva e ventos gélidos. Caiam as gripes, seguidas das pneumonias e tuberculoses fatais…alguns resistiram… Quem tinha a sorte de ter relativamente perto uma escola primária, os pais ainda procuravam cumprir a” lei” – aprender a LER e A ESCREVER….já era tão bom! “ “o meu filho ou filha sabe ler e escrever “que galardão ! Mas muitos por lá passavam e não conseguiam… “o meu filho foi pra resina…o meu anda com as ovelhas…o meu é serrador…o meu teve sorte é pedreiro, ou o meu arranjou um empreguinho “limpo e certo “sempre dá para o pão !… Um emprego que facultava uns tostões certos ao fim do mês já era “importante” e então já era o empreguinho. Tenho estas memórias do que vi acontecer nesses anos de Guerra e transponho para as Guerras de hoje…porque, afinal, parece que os homens não sabem viver sem guerras…físicas ou psicológicas com todas as avalanches de desgraças que arrastam…O SER DESUMANO empedernido … má sorte!

Qual o significado de sangue fino?


A dificuldade em explicar a ação terapêutica de certos medicamentos à pessoa que os usa, torna a criatividade uma aliada para a comunicação. O bom senso é sustentado por verdades empíricas, e os provérbios são sínteses desse conhecimento, por isso “A necessidade faz o engenho”.
O sangue é líquido, no entanto tem propriedades viscosas, especialmente quando existe uma hemorragia, o sangue começa a ficar mais pegajoso. Se for uma ferida onde possa ocorrer uma pressão, começa a surgir o processo de coagulação, ou seja, o sangue torna-se sólido. Claro, que o objetivo primário do sangue é circular dentro do sistema circulatório (veias e artérias), para transportar recursos necessários para as células, tais como oxigénio, proteínas, açúcar entre outros. Logo tem de ser fluído o suficiente para circular, no entanto sendo um bem tão precioso no nosso organismo, quando existe uma perda momentânea surge a coagulação.
Há situações que este processo se torna instável, surgindo formação de um coágulo (trombo) numa artéria ou veia, correndo o risco de este interromper a circulação do sangue a uma parte do corpo, ou até separar do local onde se formou e alojar-se noutro local do corpo, onde a veia ou artéria é de menor calibre (êmbolo).Quando surgem estes problemas, existindo predominância nos doentes cardiovasculares, é habitual medicar com anticoagulantes, como forma de prevenção e em último caso, de tratamento agudo em situações de tromboses. Na forma preventiva, os anticoagulantes orais são os mais utilizados para evitar a ativação dos fatores de coagulação, tornando o sangue mais fluído, mais vulgarmente denominado por sangue fino. Existe uma panóplia de anticoagulantes, de 1ª e 2ª geração, como se de uma família se tratasse… O que importa é saber que todos comportam riscos, mas previnem situações fatais. Os de 1ª geração requerem cuidados mais assíduos a nível de análises, através de INR, que no fundo é uma avaliação do grau de coagulação do sangue; cuidados a nível de certos alimentos que possam potenciar ou diminuir o efeito do anticoagulante, assim como a introdução de medicação diária, devem ser equacionadas na provável alteração do efeito dos anticoagulantes.
É evidente que a “finura” ou “grossura” do sangue não define o estatuto social de quem o tem, senão a socialite portuguesa estaria pejada de medicação que altera a coagulação! E é um desafio diário, para quem está sujeito a esta vigilância. Mas, provavelmente se algumas cabeças tivessem o sangue mais fino, talvez o sangue lá circulasse melhor….

SANFONINAS

Cantar de galo
– Ó Maria, despacha-te! Que andas tu praí a besoirar?…
E o Joaquim voltou-se para a vizinha:
– É sempre assim: quando temos pressa, põe-se a encanar a perna a uma arrã e depois ainda é capaz de cantar de galo, porque eu me esquecera disto ou daquilo.
Conversas de antigamente que nem o Partido dos Animais e da Natureza sabe fazer ressuscitar. Do tempo em que mui saudavelmente se convivia com a Natureza e se tinha criação!… Até essa frase «ter criação» não é entendida agora à primeira. Que é lá isso de ter uma capoeira ao pé ou uma coelheira? Chegava-nos a casa uns primos sem aviso prévio? Sem problema: vai-se à coelheira, mata-se um coelhinho e está o almoço feito!
Cantar de galo. Ele acabara de galar pomposamente duas das galinhas mais airosas da capoeira. Sentiu-se feliz, abriu as asas e… cantou, qual rei! Vangloriou-se.
Besoirar. É um bichão de cores vivas, anuncia-se com um zumbido forte, bate as asas em frenesim. Mal poisa numa flor, ei-lo que salta para outra. E depois para outra. Será que conseguiu algum pólen de jeito ou foi só para se armar e marcar território?
Encanar a perna a uma arrã. Tarefa que não vale a pena. O melhor mesmo é, se for gordinha, perder o amor à Natureza e prepará-la para o petisco. Coxinhas de rã? – Apreciam-se! ¿Quem poderia ter a veleidade e, sobretudo, a paciência de, um dia, tentar concertar com palas ou caninhas finas a perna duma arrã? Operação longa, longa de mais – e de nulo efeito, decerto.
O besoirar, esse, é mais do nosso quotidiano, mormente o dos anciãos: pegas agora numa coisa, lembras-te doutra e não acabas a primeira; de seguida, olhas para uma terceira e dás-lhe seguimento… No fim da jornada, ainda a primeira se não acabou… Um dia de… besoiro!