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EDITORIAL Nº 837 – 15/1/2023

Caro leitor,

Ninguém deve saber os seus projetos. Aprenda a ficar calado pois existem pessoas más nesta vida. Colocam inveja e falam mal. O silêncio é uma boa arma.
Diariamente olhe em todas as direções.
Olhe para trás para ter certeza de onde veio. E assim, evitar os erros do passado. E ter certeza para onde vai.
Olhe em frente para descortinar o caminho. E desta forma, saber escolher o melhor.
Olhe para baixo e certifique-se que não pisa ninguém nem o prejudica, evitando assim a sua ruína.
Olhe para os lados, veja quem o apoia num momento de fraqueza. Aproveite também para retribuir e apoiar. Nunca se esqueça: “Quem dá, assemelha-se a Deus!”.
Olhar para cima com a consciência de que Deus está lá e cuida sempre de nós.
Sabendo que, o livre arbítrio é nosso. Essa é a nossa responsabilidade.
Olhar para dentro do nosso eu. Fazer sempre um exame de consciência e saber o quanto nos devemos corrigir. Afinal, a arte de nos analisar a nós mesmos é das mais difíceis.
Um abraço amigo e até à próxima edição.

HÁ CIDADÃOS DE PRIMEIRA E SEGUNDA?

Naquele tempo disse Jesus: “Não há profeta sem estima, senão na sua pátria e na sua casa – Mt1:57. Provérbio, provavelmente, corrente em Israel, no Seu tempo, que recorda o fenómeno psicológico, e sempre actual, que consiste admirar o que é dos outros, em detrimento do que é nosso.
Jesus ensinava na sinagoga da Sua terra. Os concidadãos que conheciam sua ascendência humilde, comentavam varados, entre si: “ Não é filho do carpinteiro? Não se chama Sua Mãe Maria; e Seus parentes não estão entre nós ?” - Mt15:55.
Os judeus – incluindo muitos rabis, – admiravam-se, igualmente, que não tendo estudado, conhecesse profundamente as Escrituras.
Se essa ocorrência tivesse acontecido nos nossos dias, diríamos, certamente: Como pode falar com tanta autoridade senão cursou a Universidade?!
Seus patrícios conheciam perfeitamente Sua mãe e parentes próximos, que eram simples boçais, quase todos ignorantes, e custava-lhes acreditar no que Ele dizia; reconheciam, porem, Seu talento e sabedoria; porque lhes falava com autoridade.
No tempo que correm, diríamos desdenhosamente: Não passa de labrosta ou caipira; filho de rústicos ignaros, e ficaríamos deveras perplexos; “ De onde Lhe vem tudo isto?!”
No início deste século, entrevistei figuras públicas para jornal local. Entre eles, talentoso deputado.
Após ter desligado, a seu pedido o gravador, confidenciou-me, quase à puridade:
“ Quando cheguei ao parlamento senti-me descriminado pelo facto de não possuir licenciatura. Pensavam – pelo menos assim julgava, – até os da minha bancada: “ Como pode opinar, com acerto, senão andou na Universidade?!”
Devo esclarecer, em abono da verdade, que o jovem deputado, mais tarde – para ser respeitado, – cursou certa Faculdade.
Jesus era pobre e não frequentara nenhuma escola rabina. Nasceu no seio de família modesta, numa cidade insignificante.
Não disse Natanoel: “ De Nazaré pode sair alguma coisa boa? – Jo1:46.
Agora muitos diriam: Do interior, de um camponês, de um saloio. boia-fria ou simples pedreiro, pode sair alguma coisa boa?
Daqui se conclui: quem não possuir fartos bens, curso universitário ou sobrenome importante, será sempre cidadão de segunda, como diziam certos portugueses, despeitados, que viviam nas Províncias Ultramarinas.

IMAGINANDO

Emoções e Sentimentos – Parte 2
O que é um sentimento?
Podemos afirmar, que é o resultado de uma experiência emocional.
É essa experiência que de forma consciente cria o sentimento e indispensável para o Autoconhecimento.
Emoção e sentimento, estão intimamente conectados.
Ter alguém da sua confiança para partilhar seus sentimentos, é muito importante, porque apesar de ser menos intenso que a emoção, o sentimento pode durar uma vida inteira.
Numa maioria, a sua causa não é identificada com alguma facilidade, originando certa angústia e sofrimento, e aqui para o sentimento negativo.
Quando você está a criar um sentimento negativo, como o “ódio” está sujeito a diversos bloqueios energéticos, que é um passo para rapidamente se transformar em doença, por vezes sem alguma cura. Depende do tipo de sentimento negativo que nutre na mente.
Se ao contrário criar um sentimento positivo, como “O Amor”, será um sentimento que levando até ao fim, a sua vida é de plena harmonia e paz interior, porque vai controlar todas as emoções, transmutando mesmo as negativas, com alegria.
Vive o seu “Céu” na Terra.
Concluindo:
Uma emoção é uma reação do cérebro, perante um acontecimento, que até pode refletir-se no corpo físico, mas que é passageira, podendo ou não provocar um sentimento.
Quando alguém pensa que está a enfrentar um determinado perigo, como por exemplo um cão selvagem que com seu instinto animal está pronto a atacar esse alguém, qual é o seu sentimento?
De medo.
No entanto, se na realidade estivesse mesmo a enfrentar esse cão selvagem, não seria um sentimento, mas sim uma emoção.
Por isso, será muito importante aprender a controlar a sua emoção, para que não gere um sentimento.
O sentimento, como afirmámos, é criado a partir de uma emoção, que pode durar a vida inteira.

TEMPO SECO

A Democracia da Chuva
“(…) Clara, doce ou gelada,/ Verde, azul ou transparente,/ Sem a água não há nada./ Nem floresta, nem semente”. (Segunda estrofe da poesia: “Água doce, doce água” de Evelin Hein).
Sem ela não há nada!… Não obstante, ser tão detestada, mal amada e perversamente intitulada de “mau tempo”, por inúmeros ignorantes deste país, que não se coíbem do louco desejo, de terem todos os dias do ano, e todos os anos das suas vidas, somente sol, não havendo espaço para ela, nos seus dementes anseios. Contudo, sem medo e sem vergonha, ela vai caindo ignorando as ofensas. Abençoada ela seja!
Nas últimas semanas tem chovido, com a frequência e índices pluviométricos normais, para a época do ano, particularmente na região de Lisboa o que mobilizou um exército de repórteres das tvs, que ignorando o ditado popular: “dos Santos ao Natal, é inverno natural”, apresentaram, esta normalíssima atividade da natureza, como uma verdadeira catástrofe. Um anormal locutor da CMTV, iniciou o telejornal das dezanove horas do passado dia 26, da seguinte forma: “Pensei que nos tínhamos livrado dela, mas não (…)”. Mas, apesar da sacrílega ignorância que sempre a critica: ela, e muito bem, cai, não pedindo licença a ninguém.
Indiferente a que autarcas incompetentes e técnicos camarários corruptos, que durante as décadas desta democracia selvagem, tomaram de assalto o país inteiro, com um absolutismo pleno de indiferença e de destruição total dos preceitos que regem as atividade naturais, vedando a sua liberdade e obstruindo os seus caminhos para o mar. Ainda assim, e abrindo acessos vedados, ela continua a cair.
Se provoca inundações em ruas, e vai pelas casas adentro, é porque os coletores pluviais foram mal dimensionados e todo o sistema de drenagem não é limpo regularmente, embora um sem fim de artistas municipais, que recebem mensalmente os seus salários, para proceder à sua limpeza, se ocultem nos recantos escondidos, para justificarem o tempo e o seus salários. Desgraçadamente não há fiscalização neste país, e se a houvesse: também ela precisaria de ser fiscalizada. Alheia a estas incúrias e falta de caráter humano, mesmo assim, ela vai caindo.
Há muitos que desconhecem, ou não querem sequer pensar: que sem chuva não temos água, e sem água ninguém pode viver. É um conceito irracional, e de difícil compreensão: se há dois meses estávamos em seca severa, e tendo chovido o normal para a época, já pode parar por agora, porque é mais que suficiente!…
Para aqueles que nasceram, antes deste país, parir a democracia, sabem muito bem, que nos invernos normais, os ribeiros transbordavam e a imensidão das correntes evadia os terrenos marginais, tornando-os mais produtivos.
Se chove quando uns não querem, e não chove quando outros clamam de sede, como agir com tamanha agitação, se não chover quando quer, indiferente ao estranho desassossego, e tamanha ingratidão?!…

Papa emérito Bento XVI


2002 acaba com a notícia do falecimento do Papa emérito Bento XVI, no dia 31 de Dezembro. Nascido Joseph Aloisius Ratzinger, foi o Papa da Igreja Católica de 19 de abril de 2005 a 28 de fevereiro de 2013, quando oficializou a sua abdicação. Posteriormente foi Papa emérito e Romano Pontífice Emérito da Igreja Católica. Foi eleito, no conclave de 2005, o 265.º Papa, com a idade de 78 anos e três dias, sendo o sucessor de João Paulo II e sendo sucedido por Francisco.
Um dos momentos marcantes do pontificado do Papa emérito Bento XVI, foi a visita a Portugal em 2010, quando na viagem para Lisboa admitiu “os pecados internos da Igreja” no caso dos abusos sexuais. Apesar de ter sido um grande teólogo antes de ser eleito, foi o primeiro que atacou a pedofilia no seio da igreja com medidas concretas. Como lembrou recentemente a jornalista Fátima Campos Ferreira, entrou em Portugal Cardeal Ratzinger e saiu Papa Bento XVI.
A relevância dada pelo falecido Papa emérito Bento XVI a Fátima e à sua Mensagem foi evocada, no Santuário de Fátima, pelo reitor do Santuário: “Na sua peregrinação a este Santuário, Bento XVI recordou a missão profética da mensagem de Fátima: ‘Iludir-se-ia quem pensasse que a missão profética de Fátima esteja concluída’. Deste modo, o Papa sublinhava a atualidade da mensagem de Fátima e chamava a atenção para a importância dos apelos de Nossa Senhora neste lugar”. Quer nessa peregrinação, quer em outras ocasiões, por diversas vezes Bento XVI referiu-se a Fátima e à importância da sua mensagem. Ele caracterizou Fátima como “escola de fé” e como “Cenáculo da fé”. Mais tarde, diria que Fátima “é uma escola de fé e de esperança, porque é, também, escola de caridade e de serviço aos irmãos.”
O que se sentiu com Bento XVI é que o cristianismo está vivo, baseia-se numa experiência espiritual e histórica, interroga-se à luz de uma tradição teológica, debate-se com o presente das múltiplas culturas, confronta-se, aprofunda-se. Essa foi a rebeldia de Bento XVI, não se conformar com a progressiva marginalização da fé nas sociedades ocidentais.
No último segundo de vida, o suspiro de Bento XVI foi escutado pelo enfermeiro que estava ao seu lado: “Amo-te, Senhor.” E partiu.

lendas, historietas e vivências

VIAS HISTÓRICAS QUE SE DEVIAM SALVAGUARDAR
Quando se fala em vias históricas pensa-se normalmente naquelas ditas “antigas” ainda visíveis e por vezes ainda utilizadas como, por exemplo, as “vias romanas” e as “medievais”. Se pudéssemos percorrer o País de lés –a -lés ainda encontraríamos muitos troços razoavelmente conservados com a calçada reposta onde houvesse destruição. Tínhamos no concelho alguns testemunhos, os quais, para benefício dos transeuntes ou poupança nos pneus e amortecedores dos automóveis foram “asfaltados”. A camada do moderno alcatrão é o material mais utilizado. Temos um último exemplo deste facto na “modernização” da Calçada da Mesquitela. Esta é (era) um resto de calçada medieval que fazia a ligação entre “o caminho” para a Estação e a povoação da Mesquitela, aldeia de origem bastante antiga. Ainda tem nos seus limites troços de via romana e dentro da aldeia vestígios da presença árabe. É evidente que estes dois exemplares, um mais antigo e outro um pouco mais recente que marcam a história da formação do nosso território actual, deviam ser preservados em qualquer lugar, protegidos da gula dos construtores dos nossos dias, muito modernos, pouco conhecedores da história local e regional, defendidas por quem tem amor à sua terra. Achamos ser um crime de lesa património histórico que se aceitem e autorizem tais desmandos. E desconfiamos que isto vai continuar - os Euros reluzem, as pedras e terra normalmente são baças, não encantam quem gosta de pôr as suas escavadoras a trabalhar….construir, sim, com blocos, argamassa, varas de metal e cimento; material moderno, impermeável, que só deixa meter água nas caves e garagens quando a construção é implantada doidamente sobre linhas de água ou muito próximas….eu já vi e posso comprovar e até já aqui comentei… Qualquer historiador da antiguidade sabe que os Romanos NUNCA fariam isto, a não ser que fosse um “revolucionário” que desejasse ser atirado às feras num qualquer Anfiteatro. Com tanto disparate que hoje se vê por aí, até apetece fazer humor com os factos. Mas a propósito das vias antigas tenho ainda que avaliar a histórica “Estrada da Estação”. De paralelos!…uns malvados paralelos que desestabilizam a condução dos automóveis e fazem um ruído desagradável. E depois?…paralelos, sim senhor! Para a época o melhor piso, mais durável e quem o iria usar não eram os sapatos com solas finas das senhoras, antes os de borracha das pessoas que na maioria usava tamancos no inverno ou tamancas no tempo seco e os carros de bois ou carroças com animais de ferraduras nos cascos e os carros com rodas de madeira protegidas por aros de ferro. No entanto gostamos desta via, porque tem a sua história amarrada à história da Estação do Caminho de Ferro de Mangualde onde subiam e desciam do combóio, durante o ano, milhares de pessoas. Por tudo isso, já por volta de 1980, houve alguns habitantes que tendo um certo carinho por este lugar pretenderam valorizá-lo. A seguir contaremos a sua história.

A importância que se dá….


O Sr. Miquelino era um homem simples, mas não simplório. Desde criança, soube o que era trabalho, vindo de família pobre, mas honrada, cuja mentira e roubo era equivalente a uma sessão de pau de marmeleiro – para os mais jovenzinhos, a disciplina do antigamente era agraciada por esta ferramenta de madeira bem rija, para “amaciar” a rebeldia mais resistente.
Foi com grande brio, que o Sr. Miquelino conseguiu um emprego no centro de saúde no vilarejo onde morava. Sempre conotado de “pouco estudo”, sempre modesto nos empregos considerados “pouco qualificados”, desde ajudante de carpinteiro a trabalhador agrícola, sempre aceitou o seu fado, de trabalhar para sustento e não cobiçar o que não tem.
Trabalhar com doutores e enfermeiras seria um salto enorme, para quem lidava com ovelhas e couves. Pessoas com elevado conhecimento, estudiosos dos calhamaços que versam doenças e palavras complicadas, dignas de respeito pela sua profissão, comparado com um humilde homem que completou a 4ª classe (agora denominado por 1ºciclo) com muita dificuldade, era uma disparidade gigantesca.
O Sr. Miquelino era o homem dos sete ofícios, sabia consertar problemas elétricos, arranjar canos, cimentar paredes, cuidar dos canteiros do centro de saúde, assim como tinha uma postura discreta perante a ferida mais complicada ou o desacato mais inoportuno. Respeitava a privacidade e o sigilo quase semelhante a um clérigo, e tinha uma empatia inabalável, virtude quase extinta nos dias de hoje. De fato, tal honestidade e honradez era alvo de critica, pelas pessoas que ele se sentia tão inferiorizado. Os exemplares superiores da hierarquia, onde Sr. Miquelino trabalhava, escarneciam com risota, a disponibilidade deste individuo que ajudava no podia e sabia, a troco de um simples “Obrigado!”. Seria de esperar um reconhecimento sentido, perante tantos consertos e ajudas para além do seu emprego oficial. Seria… mas não! Foi avisado de usurpação de funções, e foi proibido de realizar mais arranjos, por parte dos novos elementos dos departamentos dos equipamentos. A sensação de impotência e desvalorização, não só sentida por quem tem palavreado… O Sr. Miquelino, mantém a sua dignidade, e aceitou que as coisas mudam. Até aceitou, que quem devia de o valorizar, responsabilizava pelos atrasos de arranjos e consertos que estava proibido de fazer.
No final, o silêncio do Sr. Miquelino que foi julgado de pouca compreensão, revelou um caracter de fazer corar os mais letrados. Afinal a dedicação do trabalho, vale mais que a arrogância. E não é necessário passar receita para esta conclusão!
“Qualquer semelhança com pessoas ou fatos, será mera coincidência.”