EDITORIAL Nº 781 – 1/8/2020

patrao
Caro leitor
Sempre ouvimos dizer que é preferível uma decisão, que uma não decisão. Os caluniadores sempre existiram e sempre vão existir, mas temos de saber viver com a calúnia, mas nunca deixar que a mesma nos perturbe, saber superá-la e viver de tal maneira que o caluniador nunca tenha razão. A isto chama-se uma vida exemplar. Não há dúvida que os conselhos podem ajudar, mas nunca se esqueça que a solução dos problemas está sempre dentro de nós. Nunca nos devemos deixar enganar, cada um será sempre responsável pelos seus atos. Descanse suficientemente o seu cérebro, porque fresco pensa com alegria, cansado turva o pensamento. Muitas das vezes vêm pessoas falar connosco com problemas escondidos na alma, devemos ter sempre uma atitude de serenidade e dizer-lhes que tudo tem uma solução. Conforme existe uma baixeira, também existe um alto, ou vice versa. Devemos sempre evitar problemas e tudo que sobrecarregue o ambiente, porque atrapalha a vida. Sejamos sóbrios e naturais em tudo, desde sua pessoa, até ao seu transporte. Quem pouco tem é que procura mostrar mais do que aquilo que é.
Sejamos os mesmos fora do nosso lar. O nosso lar é o aconchego, o conforto, o bem estar a felicidade permanente. A sociedade é um lar ampliado que temos e devemos também saber lidar com ele. Num e noutro caso, sejamos honestos. Nas palavras, nos atos, nos pensamentos e calmos na confiança. O homem é o que é. A sua manifestação exprime o íntimo de nossa alma.
Apesar de nos encontrarmos em tempo de contenção, pelo facto da pandemia que assola o mundo, vamos de férias, assim, quero neste momento desejar a todos quantos possiveis umas boas férias e a 1 de setembro cá nos voltaremos a encontrar.

Abraço amigo,

PATRIMÓNIO CULTURAL (5)

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Citânia da Raposeira
Nos meses que se seguiram, e estando nós no verão de 1985 voltamos a fazer a pesquisa visual pela superfície dos terrenos e muros agora mais fixados nos que se localizavam ao longo do traçado da futura avenida. A anterior descoberta da fossa com os restos de tanta telha romana era sintomático de que nas imediações algo de importante se poderia encontrar. Então, pés a caminho e olhos muito abertos… Estávamos em plenas Quintas da Raposeira com inúmeras parcelas pertencentes a vários donos. Logo aí, uns cem metros à frente da necrópole implantada no complexo granítico que já referi atrás e, a cerca de duzentos metros para poente, erguiam-se umas casinhas de pedra, uma habitada, e uma palheira destinada a arrecadação integradas num largo terreno de olival, alguma vinha, aveleiras e espaços de cultivo. Com a devida autorização entramos e cuidadosamente atentos ao solo fizemos uma batida minuciosa, mas difícil, entre as árvores e outras plantas.
Um caminho vicinal que ladeava o lado poente do terreno era delimitado por um muro tosco construído com pedras variadas, muitas das quais mostravam um aparelho desajustado às restantes, isto é, de faces perfeitas e pico regular. Os interstícios e pequenos vãos eram preenchidos com pedaços de grossas tijoleiras e de alguma telha romana. Só estas evidências já bastavam para concluirmos que por perto, ou ali mesmo ao lado, poderiam existir vestígios de interesse. Também pelo chão na terra trabalhada no cultivo, os pequenos fragmentos de peças de cerâmica grosseira de uso diário eram abundantes.
Perante estas evidências achamos que seria útil um outro tipo de prospecção. Contudo estes trabalhos estavam a preocupar-nos já que, como viemos a saber, os terrenos pertenciam a três proprietários com parcelas distintas e antevíamos uma provável resistência no imediato. Procuramos saber quem eram e como poderíamos contactá-los para se solicitar uma autorização de sondagens. Por outro lado era preciso comunicar com o então denominado Instituto Português do Património Cultural as nossas intenções com a apresentação de um justificativo, pois sem a concordância deste organismo oficial seria impossível qualquer trabalho. Bom, depois destas movimentações e já com a concordância do IPPC, deparávamo-nos com o maior entrave – como conseguir convencer algum dos proprietários a permitir-nos prospectar na sua parcela. Eu não conhecia nenhum deles valeu-nos o Presidente da ACAB dr. Marques Marcelino que pela sua profissão de bancário conhecia meio mundo como soe dizer-se. Coube-lhe proporcionar-me um contacto com o dono da parcela que se estendia ao longo do caminho e negociarmos uma autorização de sondagens aqui também já com a interferência da Autarquia… Estava a estruturar-se um projecto que ao longo de vários anos me iria roubar muitas energias. E disso iremos dando conta…
julho 2020

SAGRADA ESPERANÇA

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AI, SE EU SOUBESSE?!… 
O passado é o passado e eu sou a pegada que deixo neste pó quando passo a caminho do infinito. São sempre conceituosas as nossas expressões, trazem a si agregadas a base de fundos pensamentos que são como o vento que embalou um coração e de ternuras nos fez chorar numa noite de soluços e logo rejuvenesce numa florida aurora que nos espreita entre névoas de íntimo fulgor. O homem passa pelo mundo mas a recordação é irmã da memória . Ai, se eu soubesse quando era menino que a verdadeira vida adulta era um permanente desafio, teria brincado tanto, tanto todo o dia, teria falado com os passarinhos num profundo diálogo, idealizado e vivido mais imagens de doces quimeras, enchido a alma da intimidade de profundos mistérios, vagueado aventuras no assombro de quem viu milagre ou maravilha de vozes sem lábios e formas intangíveis num sonho embalável ao sabor do vento, como flor de natureza frágil contemplaria embevecido um horizonte que manda um sorriso de luz e de candura, ter-me-ia deliciado com o perfume na flor que desabrocha como vagido de névoa em lábios de água, teria sido livre como avezinhas chilreantes que em sobressaltos trémulos voando se escondem nos ramos, dormido nos silêncios vivos e deslumbrados de ternura das árvores que choravam com uma ardente febre sublimada. Ai, se eu soubesse, ter-me-ia sujado mais de lama , pisado doces musgos e ásperas urtigas num ímpeto de vida inconsciente, jogado a bola à chuva que caía em longos veios de água que murmuravam sons de prata e de frescura, ou tomado banho em nevoeiros de lágrimas que o vento espalhava no ar e com a alma cheia em velhas tardes que ao longe se incendeavam admirado os raios de sol que as fontes evaporavam levando para Deus as suas mágoas. E soltando figuras emanadas do meu pensamento ouvindo a minha voz num murulhar de águas, num murmúrio que saía das pétalas a abrir nas ondas de uma fonte onde meus lábios poderiam mergulhar , ainda sinto a boca salivante e os lábios húmidos daqueles jantares de eterna essência, os sossegos daquelas ceias na velhinha casa dos meus avós em que era tudo sentimento e mesmo sabendo que a morte toca em todos os lares teria ficado com eles mais tempo a alvorar sonho de segredo hoje gravado a lágrimas no céu com olhos marejados de esperança. Ai, se eu soubesse que quando fosse adulto a minha saudade rústica me rasgava as entranhas de sombras e aparências baças e a túrbida tristeza que nos veste de penumbra o coração de dores que nosso espírito lampejam, teria brincado mais a jogar o pião, o berlinde, as caricas, arremessar a bilharda, montado mais aviões e barcos de papel. Ai, se eu soubesse que a amizade da infância é a mais pura e sincera teria brigado menos e abraçado mais, teria dito a cada amigo quanto gostava dele apesar de todos os nossos defeitos. Ai, se eu soubesse que a verdade é sempre incerteza e a mentira uma regra teria sido ainda mais puro e inocente, ouvido mais histórias para dormir contar e sonhar. Mas da morte do sol nasce a lua e dos momentos alegres vividos no decorrer da vida nasce a saudade e sob o clarão enfiado do sol que se esconde e se consola um desgraçado quando tem quem lhe escute o mal que sente. Ai, se eu soubesse que um dia tudo acabaria como poeira que ergue tuas saias com rendas de alvorada em nossos caminhos, teria guardado todos esses momentos só para mim. Ai, se eu soubesse (sobem-me as lágrimas aos olhos) que um dia não teria pai e mãe teria repousado mais no aconchego do colo de minha mãe , abraçado e segurado com mais firmeza a mão de meu pai. Ai, se eu soubesse o que iria acontecer amanhã , o que faria hoje?!… Seria a mesma pessoa?!… 
Ninguém pode voltar atrás nem saber antes de saber.

A TOMADA DA BASTILHA

juiz
Desde a minha juventude, nunca mais se apagou da minha memória a data de 14 de Julho – dia da tomada da Bastilha – que aprendi nos bancos do Liceu, como sendo um dos factos mais importantes do início da Revolução Francesa, no ano de 1789. Como antigo estudante da Universidade de Coimbra, também costumo festejar, todos os anos, no Casino do Estoril, uma outra tomada da Bastilha, no dia 25 de Novembro, que apenas tem de comum o nome do evento. Desta não me irei ocupar por agora.
A Bastilha começou a ser construída em 1370 e passou a ser prisão de Estado a partir de Richelieu. Apenas podia albergar 42 prisioneiros, que eram escolhidos entre indivíduos da maior posição social, os quais entravam mediante mandato secreto, evitando assim a publicidade.
Reinava em França Luís XVI numa altura em que o País se defrontava com uma grave crise económica motivada pelas despesas da Guerra Revolucionária Americana e pelo facto de os impostos apenas serem pagos pelo terceiro estado, ou seja, pelo povo, visto que o clero e a nobreza estavam isentos.
Sendo o rei “um pobre homem”, no dizer de Maria Antonieta, sua mulher, mais interessado na caça, do que na resolução dos problemas do País, gerou-se um movimento impulsionado pela burguesia, com a colaboração dos camponeses, que se propunha adquirir armas, por recearem uma repressão sangrenta sobre o povo. Dirigiram-se aos “Inválidos”, onde havia um razoável arsenal e aí obtiveram umas 3.000 espingardas e alguns canhões. Correu, no entanto, o boato de que a pólvora se encontraria na Bastilha. Nessa altura, estariam lá apenas uns 7 prisioneiros: 4 falsificadores que, logo que libertados, desapareceram no meio da multidão, tendo os 3 restantes sido transportados em triunfo pelas ruas. No dia seguinte, dois deles foram novamente encarcerados num hospício e o terceiro regressou à sua terra, onde veio a morrer alguns anos depois.
A multidão revoltosa era constituída por soldados desmobilizados, guardas, marceneiros, sapateiros, operários, negociantes, artesãos, etc. A conquista durou cerca de quatro horas, após as quais o governador, que havia mandado atirar sobre a multidão, rendeu-se com a condição de lhes pouparem as vidas. No entanto, foi chacinado juntamente com três oficiais, três soldados e o presidente do município. As suas cabeças foram espetadas em lanças e passeadas pelas ruas de Paris, no meio da turba ululante.
O iluminismo, que se havia propagado entre os burgueses, impulsionou o início da Revolução contra o absolutismo e contra os privilégios concedidos ao clero e à nobreza.
A celebração do dia 14 de Julho tornou-se uma tradição política, sendo a Revolução francesa considerada um movimento central da História da Humanidade e o início cronológico do período conhecido como Idade Contemporânea. A tomada da Bastilha teve grandes repercussões políticas, não só na França, como na Europa.

SANFONINAS

dr. jose
Na cauda, veneno!
Era pelos anos 50.
À beira dos caminhos: silvados, carrascais, moitas de zimbros, trovisco, estrepes, murtinhos, valados de pedra solta a delimitar toscamente os terrenos…
Nenhuma preocupação pela conservação das espécies, porque lagartixas, osgas, lagartos, cobras por aí se multiplicavam e a passarada tinha alimento bastante para chilrear de contente.
Lembro-me como se fora ontem.
A caminho da pedreira, depois do almoço em casa comigo, meu pai apanhara uma cobra de invulgar tamanho. Levou-o e foi, entre os trabalhadores, uma algazarra. Se bem pensaram, melhor o fizeram. Sob o alpendre, após a largada do trabalho, às 5. Corta-se um palmo do rabo, outro palmo da cabeça, esfola-se, esquarteja-se…
Acompanhado por um garrafanito de 5 litros ido da taberna do Torretas, o pitéu deliciou. «É como enguia frita!» – comentava-se. Eu também comi um pedaço – que criança não podia ficar a augar. Soube-me bem e, vida afora, de vez em quando, perante o espanto dos demais, ainda sou capaz de me ufanar:
– Eu já comi cobra!
«Corta-se um palmo do rabo»… A ideia era comum: na cauda estava o veneno. Como a dos temíveis alacraus, «dói muito, mãezinha, dói!»….
Como, anos mais tarde, descobri que essa história do veneno na cauda tinha outra conotação, mais sofisticada. Como a de ires passando suavemente a mão pelo pêlo, que bom, o adversário tem experiente treinador, técnica apurada… E, no final, zás! A ferroada! Qual abelha a sentir-se em perigo.
Creio ser por isso que os gatos inevitavelmente empertigam o rabo quando a mão acariciadora se aproxima de trás:
– Cuidado, aqui acaba gato!

Descobrir o passado, construir o futuro

Foto
Somos um pequeno país, de coisas pequenas, mas algumas muito raras.
Pelas nossas terras passaram todos os caminhos antigos e neles viajaram romeiros e soldados, feirantes e pastores.
Por aqui passava a principal via romana que ligava Emérita Augusta (Mérida/Espanha) a Bracara Augusta ( Braga).
Aqui nasceram Beirões que se afirmaram e descobriram o mundo.
A nossa atenção deve dirigir-se ao Homem Concreto, à sua maneira de viver e pensar.
À sua determinação e imaginação. Porque a dimensão do Homem é a sua imaginação.
O Tempo segue e é aí que se evidencia a impossibilidade de fazer parar o Tempo.
Hoje, os nossos territórios interiores morrem todos os dias. Até não haver mais território para morrer. Um território é um somatório de gentes, com suas crenças, as suas felicidades e amarguras, a sua solidão e esquecimento. Portugal votou ao abandono as pessoas do interior, nas suas mais elementares necessidades básicas. Um sentimento de esquecimento, distância de ausência de Estado. E assim está o interior com as suas assimetrias regionais e sociais.
Não há presente, nem futuro, sem passado. Alguém imagina uma casa sem sólidos alicerces !
Uma casa constroi-se pelos alicerces. Não é pelo telhado!
São os alicerces que lhe dão segurança, estabilidade e futuro. Por outro lado é pelo telhado que começa a destruição.
Quem não tem bases sólidas, verdadeiras, rápidamente desaparece. É assim, na vida e na política. Às vezes conseguem 5 minutos de fama, mas não passa de um fogo-fátuo
Não há nenhum homem por mais poderoso que seja que consiga apagar o passado. Pode é transformar o nosso futuro. Daí termos muito cuidado na escolha certa dos nossos chefes.
Atacar o passado é além do mais uma falta de consideração para com os nossos maiores. Devemos reconhecer as nossas origens e nunca nos esquecermos de as respeitar.
Temos nas nossas terras Património de valor, histórico, mas abandonado. Foi isso que notei uma vez mais, ao descobrir em Fagilde, uma velha fonte em via de destruição.
É uma pequena fonte, é certo, mas tem uma história e um passado. Ao centro, por cima das duas bicas tem uma estrela de cinco pontas. Segundo consta mudou de local e ao ser novamente montada a estrela, gravada num bloco de pedra foi montada ao contrário. A ponta devia dirigir-se ao céu e não para baixo. Pela época em que foi construída a estrela pode ser um símbola maçónico.
O símbolo maçónico, a cruz, representa o cristianismo, a imagem de Cristo morto. A estrela de cinco pontas representa o nascimento de Jesus ( Símbolo do Homem Perfeito), da Humanidade plena entre Pai e Filho. As estrelas são as lágrimas da Beleza da Criação.
Olham para cima, para o Céu para encontrar o Homem , físico, emocional, mental e espiritual.
Aqui fica um desafio aos estudiosos e um alerta aos que têm a responsabilidade de nos governar.

CONSULTÓRIO

dr. raul
CABELOS SECOS – CAUSAS E SOLUÇÕES
Quebradiços e baços os cabelos secos são a consequência, muitas vezes, de maus tratamentos.
Para reencontrar uma cabeleira de boa saúde, deve ser feita uma escolha judiciosa dos produtos que deve usar e do modo como trata os cabelos.
Cabelos secos: natureza ou consequência.
O cabelo seco reconhece-se pelo seu aspecto baço e o seu toque áspero. É frágil, parte-se facilmente e as pontas ficam espigadas.
Esta secura capilar pode ser constitucional e devida a uma insuficiência de secreções sebáceas. No entanto, na maioria dos casos, o cabelo torna-se seco por gestos e tratamentos mal-adaptados, irritantes ou muito frequentes.
Em causa estão, principalmente, champôs decapantes, descolorantes ou pinturas repetidas, a secagem com ar muito quente, o sal marinho, a água clorada das piscinas, etc.
Por vezes, uma cabeleira seca testemunha uma alteração do estado geral, seja de uma doença, ou uma carência, principalmente em ferro. Se isso acontece, se os cabelos se tornam anormalmente secos, não deve hesitar a consultar um médico que poderá remediar às eventuais causas, subjacentes ao problema.
Gestos e produtos adequados
Em todos os casos é preciso banir ou limitar os gestos agressivos e, por outro, lado usar produtos adequados para melhor cuidar do cabelo e dar brilho.
A lavagem dos cabelos secos deve fazer-se uma vez por semana, não mais, com a ajuda de um champô doce (à base de tensioactivos não iónicos).
Devem seleccionar-se produtos específicos para cabelos secos, ricos em vitaminas, elementos nutritivos, ceramidas, óleos e ácidos gordos essenciais.
De um modo geral, deve-se desconfiar dos champôs que fazem muita espuma: contêm, muitas vezes, agentes decapantes.
Depois de lavar o cabelo com champô deve fazer um tratamento com uma máscara capilar à base óleo de palma ou manteiga de “karité”, durante uns cinco a quinze minutos, de acordo com o tempo que dispõe.
Deve, depois, passar por água.
Em seguida deve cobrir a cabeça com uma toalha quente e húmida de modo a permitir a entrada dos produtos activos nos cabelos.
Os cabelos devem secar ao ar ou com um secador na temperatura o mais baixo possível.
Cuidados no penteado
Ao pentearem-se os cabelos secos devem evitar-se produtos agressivos, sobretudo os que contenham álcool (mesmo em forma de gel), o qual dissolve os ácidos gordos e seca, ainda mais, o cabelo.
Preferir produtos à base de espuma, especialmente concebidos para os cabelos secos.
Devem evitar-se as colorações frequentes, assim como as permanentes e os “brushings” muito repetidos.
Por fim convém não esquecer que uma alimentação equilibrada é essencial para uma cabeleira bonita e saudável.
Também é aconselhado não fumar para manter os cabelos bonitos e com bom cheiro.

SONAE ARAUCO

No seguimento do trabalho realizado na freguesia de Espinho, ficamos a conhecer um pouco da realidade geral daquele território, mas, sendo a SONAE a maior empresa da freguesia, falámos com Olímpio Salgueiro, Plant Manager da Sonae Arauco Mangualde que, de forma mais pormenorizada, mostrou como se desenrola a atividade nesta unidade industrial.

RENASCIMENTO – A SIAF/SONAE ARAUCO surgiu em Mangualde, na povoação de Água Levada, como uma sociedade de Iniciativa e Aproveitamento florestais. Como é que constituiu nesta localidade? Quais foram os motivos que deram origem à escolha deste local e à sua instalação?
Olímpio Salgueiro – A localização da antiga SIAF – atualmente Sonae Arauco Portugal – em Água Levada/Espinho foi uma sugestão da Câmara Municipal de Mangualde, dadas as condições base de: Acessibilidade – EN 234 e ligação próxima do eixo Aveiro/Vilar Formoso (IP5), assim como a Linha ferroviária.; Disponibilidade de matéria prima – a região detinha uma das maiores manchas florestais do país, além de ser uma zona com elevado número de serrações (fornecedores de estilha e costaneiros); Disponibilidade de água para utilização e meio recetor – ribeira de S. Pedro e rio Dão.

RENASCIMENTO – No seu início, como é que funcionava? Qual a matéria-prima ou matérias-primas que utilizava na produção dos produtos gerados? Qual era o seu fim?
Olímpio Salgueiro – A matéria-prima usada era proveniente de pinheiro bravo e o objetivo desta unidade industrial da Sonae Arauco era já na época produzir soluções de madeira em MDF, de qualidade e de acordo com os requisitos dos clientes. Desde cedo, a empresa se destacou por uma ligação com a comunidade local. A ética e transparência são as raízes em que assenta a nossa integridade de negócio e do compromisso que assumimos com os nossos clientes, colaboradores, fornecedores e comunidades onde estamos presentes.

RENASCIMENTO – Qual é o tipo de mão-de-obra, especializada e não especializada, que utilizava e utiliza no seu circuito organizacional interno?
Olímpio Salgueiro – O tipo de especialização necessário tem-se alterado ao longo dos tempos, de acordo com a evolução do próprio negócio e das tecnologias de produção associadas. É importante notar que a tecnologia atualmente usada para a produção de painéis derivados de madeira é altamente sofisticada e, em muitos casos, equiparada à de outras indústrias de topo, como é o exemplo da indústria automóvel.
Na unidade industrial de Mangualde são inúmeros os investimentos que têm sido feitos em tecnologias de última geração, assim como na adaptação da sua equipa de colaboradores, que atualmente está munida de profissionais com ótimas competências em diferentes áreas, nomeadamente na manutenção mecânica e elétrica, automação, processo, produção, gestão industrial e tecnologias de informação.

RENASCIMENTO – Quais são as influências que esta unidade industrial tem no ambiente natural em que está instalada?
Olímpio Salgueiro – A unidade industrial da Sonae Arauco em Mangualde está abrangida pelo Licenciamento Ambiental, sendo detentora de uma Licença Ambiental desde 2008 e, desde o início do ano, de um Titulo Único Ambiental. Neste âmbito, está sujeita a condições impostas pelo Ministério do Ambiente, que incluem condições de exploração, monitorização do ambiente e obrigações de comunicação ao Ministério do Ambiente, que inclui a Verificação Anual por uma Entidade Independente acreditada pelo Ministério do Ambiente.
Temos vindo a investir na melhoria e preservação do ambiente, com a aplicação das Melhores Técnicas Disponíveis (MTDs), que incluem procedimentos e tecnologias/equipamentos mais eficazes em termos ambientais, evitando ou reduzindo as emissões e o impacto no ambiente da atividade, que possam ser aplicadas em condições técnica e economicamente viáveis.
Esta Unidade está também certificada com a norma de gestão ambiental, EN ISO 14001.
Estamos empenhados em minimizar o impacto ambiental das nossas operações e atividades, tendo por base um desenvolvimento sustentável assente em três pilares fundamentais: social, ambiental e económico.

RENASCIMENTO – Quais são os benefícios que desencadeou ou promoveu para esta região?
Olímpio Salgueiro – A Sonae Arauco é um dos principais empregadores desta região, sendo que os recentes investimentos da empresa em Mangualde refletem o compromisso a longo prazo da empresa com esta comunidade. Além da criação de empregos diretos, a atuação da empresa impacta também na criação de inúmeros postos de trabalho , promovendo o desenvolvimento económico e social. Acresce que a empresa é também reconhecida pelas inúmeras ações de responsabilidade social feitas em parceria com as instituições do concelho.

RENASCIMENTO – Existe na SIAF/SONAE uma central termoeléctrica a Biomassa Florestal? Como é que se constituiu? Que tipo de orgânica funcional possui com a SIAF?
Olímpio Salgueiro – O processo produtivo que se desenvolve na Sonae Arauco em Mangualde (MDF) é um processo que requer um consumo elevado de energia térmica pelo que, desde o início da atividade (década de 80), temos vindo a implementar as  soluções técnicas de produção de energia mais eficientes em cada momento. Com o passar do anos, assistiu-se a um aumento a capacidade produtiva da fábrica, que foi acompanhada pela implementação de novas unidades de produção de energia. Recentemente, iniciou-se um processo de substituição destes equipamentos de produção de energia, uma vez que se aproximavam do final do seu ciclo de vida.
Nesse sentido, promovemos através da empresa capWatt, do grupo Sonae Capital, a implementação da central de termoeléctrica a biomassa florestal – Central de Biomassa de Mangualde – que tem como objetivo a produção de energia elétrica e térmica a partir de biomassa residual florestal. Esta Central de Biomassa utiliza a melhor tecnologia disponível, será mais eficiente que os meios de produção atualmente existentes na fábrica, e encontra-se em fase de comissionamento e testes, prevendo-se que entre em operação contínua a partir do próximo mês de Setembro.
A capWatt é uma empresa com longa experiência em projetos de produção de energia, que teve a seu cargo todas as fases de implementação do projeto e assumirá também a responsabilidade pela sua gestão e operação, ficando assim a fábrica totalmente concentrada no seu negócio de base que é a produção de painéis em MDF.

RENASCIMENTO – O produto produzido, electricidade, a quem é vendido?
Olímpio Salgueiro – Esta Central de Biomassa de Mangualde produzirá energia elétrica que será injetada na rede do Sistema Elétrico de Serviço Público (SEP), depois de satisfeitos os consumos elétricos auxiliares da própria central e energia térmica para satisfazer as necessidades do processo produtivo da Sonae Arauco. A energia elétrica será vendida à Rede Elétrica de Serviço Público ao abrigo do enquadramento legal em vigor.

RENASCIMENTO – Qual é a origem da biomassa florestal utilizada na central?
Olímpio Salgueiro – Para além da biomassa interna (casca proveniente da rolaria) temos também biomassa florestal triturada e biomassa urbana triturada. Cerca de 90% com origem em Portugal e 10% em Espanha. Importa, no entanto, destacar que na Sonae Arauco seguimos rigorosamente o princípio de utilização de madeira em cascata, ou seja, só a madeira que não tem condições ou que não pode voltar a incorporar o processo industrial é que será utilizada como matéria-prima para a central de biomassa.

RENASCIMENTO – Como é que a central obtém a água que utiliza na sua funcionalidade?
Olímpio Salgueiro – A água necessária à operação da Central de Biomassa de Mangualde é bastante reduzida mas, quando necessária, será obtida, à semelhança do que hoje ocorre para os sistemas convencionais de produção e energia, pelo fornecimento  da Câmara Municipal de Mangualde, através de uma captação de água superficial, localizada na Barragem de Fagilde.

RENASCIMENTO – Qual é o destino das águas residuais da Central da Biomassa?
Olímpio Salgueiro – A Central de Biomassa de Mangualde foi projetada e construída de modo a apresentar um reduzido consumo de água e produção de águas residuais.
Esta Central de Biomassa vem substituir as caldeiras existentes, sendo que águas residuais, em menor quantidade, continuarão a ser encaminhadas para um destino adequado e tratadas na Etar industrial da Sonae Arauco, à semelhança do que hoje ocorre. 

RENASCIMENTO – Segundo um estudo feito pela Allvision consulting e training, não foram identificados efeitos ambientais que inviabilizassem o projecto “Biomassa de Mangualde”. Hoje, será que essa situação se mantém?
Olímpio Salgueiro – Sim, podemos referir que, à data de hoje, o estudo ambiental não identificaria novos efeitos ambientais que condicionassem a implementação do projeto. Realçamos que este efeitos ambientais identificados para as diferentes fases de desenvolvimento do projeto foram durante a fase de construção e serão durante a fase de operação, devidamente acompanhados. As fases de construção e arranque destas instalações são complexas, morosas e minuciosas, mas visam sobretudo um arranque em operação contínua sem impactos na comunidade.
Aproveitamos esta oportunidade para nos colocarmos à disposição da população do concelho de Mangualde para apresentar e esclarecer qualquer questão no que respeita ao projeto de Biomassa que aqui desenvolvemos.

RENASCIMENTO – Esta unidade industrial no seu todo, possui áreas de investigação científicas? São comuns ao Instituto Superior Politécnico de Viseu ou com outra Instituição de ensino?
Olímpio Salgueiro – A Sonae Arauco tem como objetivo desenvolver e melhorar as caraterísticas dos nossos produtos que potenciam a base para a inovação de produtos e processos. Neste sentido, fomos desenvolvendo, ao longo dos anos, parcerias com várias universidades portuguesas: a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), a Escola Superior Tecnológica de Viseu (ESTV), a Universidade do Minho, Universidade de Aveiro ( UA), a Universidade Nova de Lisboa (UNL), a Universidade de Coimbra (UC), a Universidade de Trás dos Montes e Alto Douro (UTAD), o Instituto Superior Técnico de Lisboa (IST) e o Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP), assim como com associações de Investigação, fomentando a proximidade entre a empresa e a comunidade académica.