EDITORIAL Nº 758 – 15/7/2019

patrao
Caro leitor,
Este mundo tem tudo: o bom e o mau. Escolher o caminho é uma decisão sua, e apenas sua. Depender de alguém gera um sentimento de frustração e faz com que você se sinta uma pessoa triste e não realizada. Ser dependente de outrem, não é modo para atingir um estado, depende sempre de si.
Não confie em demasia em quem lhe diz que o seu modo de fazer as coisas não é o mais correto, analise os ideais nos quais acredita, de forma a decidir com um pensamento só seu e defenda-o até quando entender que está certo.
Não se dedicar só à sua vida, para se dedicar à de outrem, ou a redes sociais é um erro que pode vir a pagar muito caro. No trabalho, ou em casa, esqueça as redes sociais. Dedique cada vez mais tempo à sua família. Lembre-se que a maior parte do que é publicado nas redes sociais pode ser fabricado.
Ter pensamentos, projetos ou teorias é bom, mas tem de coloca-los em prática. O meu cunhado António disse-me à 27 anos atrás: “- Os teus projetos são realidades”. Não deixe que os seus planos continuem a ser sonhos, comece a realizar os pequenos para depois passar para os mais arrojados, não se subestime em demasia. Não deixe que a sua vida pessoal seja afetada negativamente pelo trabalho, encontre sempre tempo para cultivar amizades e paixões. Olhe por si, dedique tempo para seu crescimento pessoal e bem estar, aprenda a respeitar-se a si e à sua pessoa, só depois saberá respeitar os outros. Não se deixe levar pelas incertezas e medo. O mundo está em constante mudança, devemos sempre lembrar-nos do nosso percurso. Só assim faremos escolhas acertadas. O passado ajuda a afinar o presente rumo ao futuro com os pés bem assentes no chão, ajuda-nos a ser mais concretos na realização dos nossos planos.
Ninguém é feliz todo o tempo a 100% mas faça boas escolhas e será mais feliz.

Um abraço amigo,

REFLEXÕES

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CONTRIBUTO PARA A HISTÓRIA DE MANGUALDE
GRUMAPA- Grupo Mangualdense de Apoio e Protecção dos Animais
Construção do Canil / Gatil
Os 3ha (30.000 m2 ) do nosso terreno exigiu-nos muitos trabalhos preliminares para se criarem as condições necessárias à implantação dos edifícios projectados. Já referimos anteriormente que só a limpeza do denso mato e a cerca de rede delimitando uma área do mesmo, implicou gastos de uma verba que íamos conseguindo aos poucos, mercê de donativos, vendas diversas em eventos e algum apoio da autarquia.
Chegamos assim a 2004. Já tínhamos selecionado o orçamento mais favorável para a construção e que foi apresentado pelo sr Joaquim Esteves do Canedo do Chão. Íamos iniciar a etapa mais difícil. Quando nos apresentou a lista de materiais a adquirir só para o arranque, os elementos da Direcção sentiram-se resvalar… “em que é que nos estamos a meter?” Mais uma vez reunimos, muito preocupados. Sabíamos bem que já não poderia haver retrocesso e o futuro seria de grande luta – tínhamos de conseguir donativos em materiais e em dinheiro… Quem porventura me venha a ler e tenha estado alguma vez ligado à criação duma empresa ou a qualquer iniciativa que implique compromissos monetários entenderá as muitas angústias porque passámos. Mas eramos guerreiros não iriamos depor as armas.
Ao descrever com algum pormenor esta verdadeira odisseia, não é por qualquer tipo de arrogância, mas somente para que entendamos que se alguém pretende algo da vida, e há um sonho que parte do nada e se desenvolve até atingir o topo, seja de carácter material, cultural ou espiritual, o percurso a fazer é normalmente doloroso. Cada etapa que se vence, cada degrau que se sobe até ao final, dependerá das muitas exigências pessoais. O desenrolar da vida terrena apresenta,e todos o sentimos, muitos obstáculos, sobretudo criados por uma casta com qualidades morais muito duvidosas. Quem quiser cumprir dignamente com as suas obrigações, perante a sociedade, não se pode distrair. Sabemos que em muitos planos e à roda, andam sempre pessoas a farejar o pedaço a que podem deitar o dente, ou como podem destruir a parte mais pura duma personalidade.
Bom, mas o nosso grupo tudo funcionava, tanto no aspecto de relacionamento, como no âmbito das contas direitinhas. Temos na nossa posse toda a documentação comprovativa – nada de atrasos de pagamentos, nada de desvios – todas as facturas, todos os recibos, todas as cópias de donativos monetários. Se realço o “ tudo direitinho” é porque sendo uma questão do carácter e dos negócios limpos tem muito que se lhe diga, como se constata no dia a dia. A hombridade de muito cidadão ficou-lhe no berço. Lamentavelmente…
Iremos continuar…

SANFONINAS

dr. jose
Livros, livros, livros!
Dizem que se escreve pouco. Eu afirmaria, antes, que pouco se lê desses livros que se palpam e podem acariciar-se, onde se sublinham as palavras mais significativas para cada um de nós ou, até, se fazem anotações à margem. Recordo como é aliciante ‘sentir’ que aquela página foi lida pelo investigador José Leite de Vasconcelos, porque escreveu ao lado uma sábia observação, a lápis.
Procuro sempre ler de lápis na mão, se o livro é meu. Mais tarde, ao folheá-lo, há essas frases sublinhadas que me saltam mais à vista e paro a fim de as reler e lembrar-me da razão pela qual essa passagem, há anos, me pareceu ser de interesse.
passagem sublinhada
Há mesmo um vídeo que guardo e não sei como o hei-de propagandear, porque não fiquei com os dados. Tem por título «book», apesar de a versão que eu tenho estar vertida para castelhano e quem o procura ‘impingir’ – como se fosse um daqueles produtos-maravilha publicitados na hora dos telejornais, ligue agora, que terá 10% de desconto e ainda lhe oferecemos uma almofada!… – esse, o senhor do anúncio, muito sério, lá vai dizendo que é sua intenção falar-nos de um «novo dispositivo de conhecimento bio-óptico organizado», que representa «uma revolucionária ruptura tecnológica», porque é portátil, não usa bateria, não carece de cabos nem de fios e, ainda por cima, trabalha sem rede… O tal «book»!
Todos augurámos, um dia, escrever um livro. Mesmo os que, durante antes, escrevemos crónicas em jornais e até gostávamos que um mecenas nos batesse à porta, disposto a arcar com as despesas da edição. Não deixa de ter piada ver uma das nossas crónicas a servir de embrulho para a dúzia de castanhas assadas. Certo é, todavia, que, depois, a folha do jornal ou vai para o papelão (na melhor das hipóteses) ou pode, até, ser a escolhida para pôr no chão, uma vez que o canito lá de casa até manifesta especial predilecção por deixar presentes em folhas de jornal…
Bem andou, por exemplo, o nosso amigo João Lourenço Roque, distinto catedrático que, aposentado, decidiu largar as delícias urbanas de uma Lusa Atenas e foi refugiar-se em Calvos, recôndita aldeia da freguesia de Sarzedas. Daí observa o mundo, as gentes, e sobre tudo vai escrevendo crónicas que reuniu em «Digressões Interiores» 1 e 2 (esta com os textos publicados de 2011 a 2017), donde extraio a sua confissão de ter, entre outros, «o vício da escrita aos farrapos, quantas vezes farrapos da minha própria vida» (p. 114), uma escrita que ele tem em jeito de conversa com a pessoa amada – e nunca se descose a dizer quem ela é, se amor platónico ou real: «Ainda não sei o que os teus olhos diziam» (p. 128). Nós sabemos, porém, o que, observando horizontes, pela escrita os seus olhos nos dizem. Sublinhamos esta e aquela passagem – e ficamos enriquecidos…

IMAGINANDO

francisco cabral
PARTE 61
SINTRA
Continuação
Neste meu imaginando dou um importante destaque e talvez considere as segundas maravilhas de Sintra, os Parque e Palácio de Monserrate.
Depois da Quinta da Regaleira, considero um dos locais mais interessantes de Sintra, tanto pela sua beleza exterior, como interior. Muito gostaria de inserir diversas fotos, mas isso tornar-se-ia impossível, porque não cabia neste jornal.
Num dia dedicado à Vila de Sintra é imperativo para o leitor, uma visita a um dos mais exóticos jardins de Portugal.
Segundo historiadores foi erguida neste local uma capela onde se encontravam os restos mortais de um cristão-moçárabe que morreu em combate com um Árabe muito rico, comandante desta zona.
É esta propriedade aforada em 1601 à família Melo e Castro através de D.Caetano de Melo e Castro, Vice Rei da India.
Em 1790 um poderoso comerciante inglês, de nome Gerard de Visme, arrenda o parque  a Dª.Francisca Xavier de Melo e Castro, ficando com o compromisso de construir um Palácio, que o fez num estilo neogótico (revivalismo gótico oriundo da Inglaterra, em meados do Séc: XVIII). Demoliu a Capela e edificou uma outra. Ele e sua Empresa tinham os monopólios do Pau Brasil e Diamantes, concedidos pelo Marquês de Pombal e quando precisava repousar, era Monserrate o seu lugar preferido. Desenhou alguns caminhos dos jardins, aproveitando os já existentes.
 Em 1856 e porque na altura residiam em Goa, a propriedade é abandonada,  sendo vendida a um milionário inglês Francis Cook, proprietário de várias fábricas têxteis e  casado com uma anglo-portuguesa de nome Emily Lucas. Do produto desta venda, a família Melo e Castro construiu uma residência em Lisboa.
 Em 1870 Francis Cook tornou-se Visconde de Monserrate, pelo Rei de Portugal D.Luis I e em 1886, recebia o título de Baronete pela Rainha Vitória de Inglaterra.
Francis Cook, era uma pessoa bastante sensível à cultura. Dir-se-ia que a sua visão já ultrapassava o comum do seu tempo. Foi o momento para uma remodelação no interior do Palácio de Monserrate. Com o auxílio dos desenhadores James Knowles e James Knowles Jr., ambos adeptos do adorno e decoração, recriaram alguns estilos entre eles o padrão do Alhambra de Granada, preenchendo pràticamente todos os espaços do interior. Sendo sensiveis ao local procuraram utilizar materiais da região, tendo como referência os mármores vermelho e negro.  
Após enviuvar, Francisco Cook voltou a casar, com uma Senhora de nome Tennessee Celeste Clafin, de naturalidade Americana, grande ativista, lutando pelos direitos da criança e da mulher. Foi uma benemérita para com a Misericórdia de Sintra, tendo ainda a seu cargo o funcionamento de várias escolas primárias da Região. Após o casamento e quando do título de Baronete pelo seu marido, é eleita Lady Cook.
Os jardins deste parque, construção de Francis Cook, tiveram o toque do paisagista William Stockdale fornecendo  uma mescla de plantas oriundas de vários países, tais como a agave, que preparada em xarope pode substituir o açúcar, e a árvore taxódio naturais do México, assim como a araucária ou pinheiro de Norfolk, da Ilha de Norfolk no Pacífico, palmeiras e fetos arbórios naturais da Austrália e Nova Zelândia, o Tulipeiro da Virgínia (EUA), não esquecendo os bambús e camélias vindas do Japão, embelezados por maravilhosas cascatas e lagos, contornados por longos caminhos.
Foi no parque de Monserrate que se concretizou o primeiro relvado artificial, na altura com cerca de 10 hectares, estando hoje reduzido a 1 hectare
Não podemos esquecer, que além de grandes profissionais diariamente envolvidos neste trabalho, há a preciosa ajuda dos Elementais da Natureza, construtores e conservadores destas plantas, mantendo-as sempre na perfeição e um espititualista sensível, tem essa percepção neste local.
Continua

MEMORIAL DE UMA ALDEIA ( 1ª PARTE )

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Todas as manhãs, cedinho, no Verão, quando os raios de sol nos começam a afoguear o rosto, porque a vida começa a desenvolver-se ao nascer do sol, os arados desventram a terra em rudes, cortantes e profundos sulcos. As juntas de bois a escorrer monco das narinas, de canêlos besuntados de estrume, firmavam o cachaço na canga, e rotinavam aquele penoso caminho de vaivém . As ervas daninhas caíam submissas na frescura da leiva . O dia chegava ao fim, cansado também com os rostos tisnados, afogueados pelos raios de sol, os focinhos dos animais fumados no lusco – fusco. Coragem dos homens e dos animais.
– Seja louvado Nosso Senhor Jesus Cristo!!!…
– Para sempre seja louvado e bendito !!…
Eram as palavras de despegar, depois do toque das Trindades que diariamente se ouvia no sino da Igreja, convidando as pessoas ao recolhimento e oração, esperadas desde o amanhecer, irmanadas pelos trabalhadores de enxada que em jornas infindáveis com uma enxada nas mãos , de sol a sol, e á custa da robustez dos seus braços, ganhavam um magro e sofrido sustento, arrancando á pobreza do solo das suas pequenas leiras com a altivez de vida e a humildade de carácter que caracterizou esta raça de homens, cuja plenitude se resumiu na sua grande honradez e honestidade. Enxugavam o suor á manga da camisa arregaçada até ao cotovelo. Homenagem simples, cuja fortuna era corajosamente saberem merecer a vida. E ainda a penumbra da madrugada esboçava uma ténue luz, que era o luar que se escoava entre as frechas das parede e das telhas do curral já o pastor entrava na cabana antes do romper da aurora. Eram três horas matinais de mais um dia que se adivinhava escaldante. Apartam-se os borregos e os cabritos; era a hora da ordenha, a recolha do leite para o fabrico do queijo, por mãos calejadas mas experientes. Era a luta diária pela sobrevivência para alimentar uma família numerosa.
Terminara a azáfama das sementeiras. Já germinam as sementes florescem as árvores. Em breve os terrenos entoarão um hino em louvor da criação. Aproxima-se o Verão, tempo de regas e mais tarde de frutos maduros e suculentos. Desde manhã antes de nascer o sol, no silencio fresco da madrugada, ou á tardinha pelo ténue calor vespertino, sentindo correr lentos e compassados os minutos do tempo , procede-se ás regas. São para quem as vive no seu dia-a-dia, trabalho árduo e canseiras repetidas, momentos únicos e inolvidáveis o acompanhar a par e passo as plantas e frutos no seu crescimento e ao mesmo tempo o seu processo de maturação.
O Verão avança na sua paz calorenta e já lá ao longe na negritude dos campos e no silencio carregado de estrelas brilham os pirilampos, já os grupos de homens e mulheres de ceitoira na mão, estão reunidos e preparam-se para a ceifa. Vê-se ainda mal. O céu só a custo se deixava atravessar pelos primeiros laivos da alvorada. A seara estende-se pelo campo a perder de vista, ondulando como mar calmo embalada pela brisa que se faz sentir na frescura da manhã. As mulheres tagarelam, de lenços amarrados na nuca, os homens ainda recolhidos e calados aquecem as gargantas bebericando uns pingos de aguardente e comendo uns figos secos, com os seus chapéus de aba larga já enterrados ate ás orelhas. Lestos e sem descuido apressam-se no seu trabalho. Os braços parecem ceifeiras mecânicas, tal a desenvoltura dos seus movimentos. As praganas aloiram, as cigarras zumbem, as águas de regadio correm docemente por entre cômoros. Os primeiros raios de sol depressa incidem sobre aquele mar de espigas amarelas, douradas, reflectindo o calor que se adivinha.
– Há pão amargurado que o diabo amassou!!!…
O silencio de pedra dos campos começa agora a ater uma animação festiva. é a hora de rapidamente amarrar o centeio com “nagalhos” em palha que ficam espalhados pelo restolho escaldante como um campo de corpos adormecidos numa promiscuidade de animais.
Mas já no curral os bois ruminando pachorrentamente a erva verde e tenra, salivando pelos cantos da boca, esperam que o lavrador os “junga” ao carro de madeira. Carregados até mais não, gemendo, e numa chiadeira dolorosa do seu eixo de madeira trilhando uma vereda estreita e íngreme, com os animais de cabeça baixa concentrando no seu cachaço duro e calejado pela canga todo o peso e esforço exigido. Na sua frente, o lavrador de aguilhada em punho, incita os animais:
– Anda “castanho“ !!!… aahh bicho lindo !!…
– Aperta “castiço“!!!… vales quanto pesas!!!… aarrre cá bois….
E os animais no seu ritmo pachorrento, arrastado, ferram os canelos no solo duro, e redobram as energias. Os seus corpos transpiram libertando vapor como caldeiras fumegantes, Compensando o seu esforço titânico o lavrador acaricia-os afagando-lhes o “marradoiro“:
– Lindos…. lindos… meus bois lindos… valentes …
Os molhos estão frente a frente na eira, e em duas filas paralelas os malhadores erguendo os seus manguais num compasso ritmado, vão batendo, fazendo soltar o grão. Ao lado as mulheres, cantando e rindo vão separando a palha do grão, e aliviando-lhes a secura das suas gargantas.
– Uma pinga ti Manel!!!… beba lá que vocemecê já o mereceu… este é do bom…
– Tome lá ti João beba lá um gole… mais um copito, mas cuidado que este é rijo…
– Ao diabo a sede que nos dana….
Na eira só o grão e a pragana.
(CONTINUA NO PRÓXIMO NÚMERO )

O Penedo da Moura Encantada *

Foto
Reza a história que no alto da Serra de Fagilde, sobranceira ao Rio Dão, há um penedo antigo tão duro de granito como de mistério. Alimentava a curiosidade e o medo das vizinhanças.
O Penedo da Moira Encantada, como é conhecido, lá está, sobranceiro ao Rio Dão, hoje Barragem de Fagilde, desafiando os espíritos mais valentes e obstinados.
Há muito que ouvia falar no Penedo da Moira Encantada e da lenda que o rodeia. Desde miúdo que ouvia histórias contadas à lareira, no Inverno, enquanto o madeiro de pinho crepitava e a chuva e o frio fustigavam as casas e os campos, as maravilhas da Moira Encantada. Velhos e velhas, espíritos sábios, ouviram de seus antepassados e repetiam essa lenda.
Não era fácil imaginar uma moira encantada ! E muito menos antever, imaginar a possibilidade de haver um tesouro no interior do penedo ! Os mais gananciosos esqueciam a moira e só sonhavam apoderar-se do tesouro. Segundo a lenda , talvez ouro em pó.
Um dia, um compatrício, desafiou-me a ir visitar o Penedo da Moura Encantada. Eramos três os aventureiros. Eu, o meu filho mais velho Pedro e o guia.
Subimos a serra desde a Barragem, onde ficou o automóvel. Fomos trepando entre giestas e tojo. Não era fácil, a vegetação era densa e em alguns sítios ultrapassava as nossas cabeças. Esta vegetação, na Primavera, cobre-se de flor de um verde amarelado e é um verdadeiro espectáculo para os nossos olhos.
Chegamos e estávamos em frente de um maravilhoso penedo, coberto de uma fina camada de musgo verde, ao longo de muitos séculos.
Os antigos falavam dos cuidados a ter com as moiras encantadas e era bem melhor tê-las de largo que de perto. E talvez por isso, poucos, se aventuravam a fazer-se ao caminho.
O Penedo estava ali em frente ! Magnífico Penedo !
Era preciso procurar o sitio certo para bater com uma pedra contra o penedo.
Tens medo de ir ao penedo, inquiri meu filho ? E os olhos brilhavam de medo e curiosidade ! Então apanha uma pedra e bate nesse sítio.
Parou o nosso olhar e o pensamento !
Um som vindo da profundeza da caverna, ecoou pela serra ! Uma serpente acordou assustada e deslizou por entre o mato.
Subimos o penedo – uma paisagem maravilhosa sobre a Barragem. Para Este o Monte da Senhora do Castelo com a bonita ermida lá no alto.
No seu livro “ Dias de Festa”, a escritora mangualdense Ana de Castro Osório, no conto “ As Janeiras” se refere à Ermida da Senhora do Castelo e das mouras encantadas que se escondem nas pedras truncadas do velho castelo a chorar seus encantos mortos.
Monte da Senhora do Castelo, onde outrora, diz a história, existiu um castelo roqueiro de dentadas ameias. Aí viveu o chefe mouro Azurão, que viria a dar o seu nome ao concelho de Mangualde. Aí viveu e lutou. Combates sangrentos entre mouros e cristãos. Do velho castelo não existe nada. Há homens, que brutos de ideias e mediocres de futuro só sabem destruir.
Dali, do alto, Azurão vislumbrava os horizontes da Beira Alta. Terras e terras a perder de vista. Estratégico e valoroso elemento da defesa da região ! Uma sentinela das terras da Beira Alta.
Pois seria a Moira Encantada descendente de Azurão ? Uma filha a quem Azurão pediu ao feiticeiro para encantar ? Dá-lhe beleza de rosto e corpo e uns pés de cabra.
E a Moira Encantada refugiou-se no penedo. Contam as lendas que em noites de luar ela aparecia aos feirantes que atravessavam o rio e a serra para encurtar caminho.
Um dia, uma mulher, com o seu cestinho à cabeça, foi interpelada pela moira. Pediu-lhe para pentear os seus maravilhosos cabelos compridos e pretos de azeviche.
A feirante quando estava a pentear a moura reparou que ela tinha pés de cabra.
Assustada, fugiu serra fora. A Moira perseguiu-a e metendo a mão na cesta meteu-lhe lá a recompensa pela sua ajuda. Mas avisou : – só podes ver o que te ofereci quando chegares a tua casa.
A mulher, atravessou o rio, e pensando estar longe da moira, parou, pôs o cesto no chão e quis ver a oferta da moira. E ficou espantada ao ver no cesto um pó preto. Sacudiu o cesto e deitou o pó fora.
Ao chegar a casa, retirou do cesto as compras e reparou que lá no fundo estavam uns magníficos e brilhantes grãos de ouro. Oh! Milagre dos milagres … O que é isto ? O pó preto transformou-se em ouro mais dourado e brilhante que o Sol ! … Aí percebeu a asneira que fez e voltando ao local onde deitou o pó fora já nada encontrou.
Por isso o povo diz: – “ O milagre, a felicidade só bate uma única vez á nossa porta”.

Depois desta extraordinária aventura regressamos serra abaixo até ao carro.
Não tardava a noite a cair. No céu iriam aparecer milhares de estrelas e uma lua esplendorosa.
A aventura acabou, mas o Penedo da Moira Encantada, da Serra de Fagilde lá está à espera de mais curiosos.
*Conto a incluir no livro “ Ventos da Serra”, em preparação.

CONSULTÓRIO

dr. raul
AGORA, QUE CHEGOU O CALOR, É IMPORTANTE EVITAR AS EXPOSIÇÕES EXCESSIVAS AO SOL! QUE FAZER EM CASOS DE EXCESSO DE EXPOSIÇÃO SOLAR?
O sol é um bem natural que melhora o humor, dá um tom invejável à pele e beneficia muito o sistema ósseo… desde que seja “tomado” em doses adequadas!
Toda a exposição excessiva revela-se nefasta para as células da pele.
Os avisos são bastantes, seja através de campanhas na praia, seja em programas na televisão, seja por textos em jornais e revistas: as queimaduras provocadas pelo sol, sobretudo as acontecidas na infância, aumentam o risco de cancro cutâneo. E este mata!
Devem pôr-se em prática todas as medidas para o evitar:
Aplicação regular, e em quantidade suficiente, dum creme solar de índice elevado (mínimo de proteção 50), em quantidade suficiente, e adaptado ao tipo de pele de cada pessoa.
Voltar a aplicar após o banho ou forte transpiração.
Atenção, igualmente, às limpezas com a toalha que arrastam o creme da pele.
Grande prudência nos primeiros dias de exposição solar, uma vez que a pele não está habituada ao sol.
As pessoas de pele clara, especialmente os ruivos, são particularmente de risco.
Não esquecer que as nuvens deixam passar os raios ultra-violetas do sol e o chapéu-de-sol também.
Nada de exposição solar entre as 12 e as 16 horas, sobretudo quando se trata de crianças.
Nunca expor um bebé ao sol, assim como uma grávida, que também deve evitar a exposição solar.
Alguns medicamentos favorecem o aparecimento de queimaduras solares (fotossensibilização), pelo que se devem ler, com muita atenção, as bulas dos mesmos.
Igualmente para alguns perfumes e cosméticos. Evite usá-los antes de se pôr ao sol.
Três graus de gravidade
O banal golpe de sol que se traduz pelo aparecimento progressivo de placas vermelhas, que atingem um máximo em 12 a 24 horas e podem durar 3 a 5 dias. Habitualmente são atingidas as camadas superficiais da pele.
A queimadura de 1º grau é muito dolorosa. Manifesta-se por placas vermelhas, sobre as quais se podem formar bolhas de tamanho variado e que se podem reagrupar.
A queimadura de 2º grau provoca uma dor intensa e durável. A recuperação cutânea é demorada.

Em caso de exposição solar grave ou prolongada podem aparecer, com frequência, dores de cabeça, arrepios, tremores e febre.
A alergia ao sol
Um outro fenómeno, a não confundir com o golpe de sol, é a alergia solar ou lucite estival.
A reacção aparece de maneira brutal e retardada, cerca de 18 a 24 horas após a exposição. Como o que acontece quando da exposição excessiva ao sol, a pele torna-se vermelha, mas as placas ficam cheias de pequenos botões, que provocam coceira e não a sensação de queimadura.
Este tipo de reacção atinge, preferentemente, a zona do decote e os braços. Um inconveniente suplementar da alergia solar é que ela tende a recidivar cada ano, a seguir às primeiras exposições.
Reagir imediatamente
Aos primeiros sinais de queimadura pelo sol é preciso reagir a fim de evitar as lesões cutâneas e hidratar-se bebendo água com abundância.
Para a pele, o ideal é refrescá-la rapidamente através de um duche prolongado.
Depois de uma secagem de pele delicada a hidratação cutânea é fundamental: leite pós-solar, ou um creme contra as queimaduras.
Em caso de arrepios, febre ou mal-estar é importante consultar um médico.
Nos dias seguintes deve evitar-se qualquer tipo de exposição solar. O chapéu-de-sol não é suficiente e o ideal é andar bem tapado.
A saber
Se o golpe de sol parece desproporcionado em relação com a intensidade da exposição ou se aparece uma grande coceira, deve colocar-se a questão de uma eventual fotossensibilização: medicamentos, perfumes, cosméticos.
E-mail: amaralmarques@gmail.com

8ª EDIÇÃO DO «MANGUALDE FASHION» já tem data marcada

No dia 5 de setembro, às 21h00, o Largo Dr. Couto, em Mangualde, recebe a 8ª edição do «Mangualde Fashion». Trata-se de um desfile de moda que visa promover e dinamizar o comércio e as marcas locais, bem como dar uma oportunidade no mundo da moda aos jovens que sonham enveredar por esse caminho.
Assim, o casting para a escolha dos manequins que irão desfilar terão lugar no próximo dia 29 de julho, no auditório da Câmara Municipal de Mangualde. O «Mangualde Fashion» destina-se a jovens entre os 15 e os 30 anos de idade, com 1,65m ou mais de altura e com gosto pela moda. As inscrições para a participação nesta iniciativa são limitadas e devem ser efetuadas até ao dia 26 de julho, através dos seguintes contactos: Posto de Turismo de Mangualde
O «Mangualde Fashion» é promovido pelo Município de Mangualde e conta com o apoio da Associação Empresarial de Mangualde. Em 2018, os manequins José Carlos Pereira e Cláudia Belo foram os protagonistas e subiram ao palco numa noite em que a moda foi rainha!