Quando a pedra não é tão preciosa!

Ana Cruz
A formação de cristais, vulgarmente denominadas “pedras”, dentro do organismo humano são motivos para muitas idas ao médico, sendo a sua localização mais frequente no sistema urinário, vesícula biliar e em última instancia nas articulações.
Vários são os fatores que desencadeiam uma litíase (palavra cuja origem remonta os gregos, “Lithos” – pedra e “iasis” – doença”), quase sempre associados a alterações alimentares privilegiando alimentos processados, ricos em sal e conservantes, para além de reduzida ingestão hídrica e sedentarismo!
Na verdade, o conceito de formação “pedra” pressupõe uma concentração aumentada de determinada substância (cálcio, ácido úrico, são os mais predominantes a nível renal\urinário) que devido à diminuição do volume de líquidos ao passar no rim, pode formar cristais dessa substância. Por comparação, imagine que quer fazer caramelo em casa, adicionar açúcar à agua que está a ferver vai gerar uma maior concentração do açúcar devido á evaporação da água e se não tiver cuidado pode mesmo criar um cristal de açúcar, a menos que seja uma avozinha que goste de dar muitos rebuçados aos netinhos! Sendo assim, sorte dos netinhos e não se esqueça de reforçar a importância da lavagem dos dentes! Mais vale prevenir um raspanete dos filhos por excessos com os netos, não é verdade? Adiante…. “Pedra”; “Cálculos” (apesar da palavra ter conotação matemática, a origem vem do latim “calculus”, que resultava num conjunto de seixos pequenos que tinham como intuito fazer contagens ou estimativas entre comerciantes e posteriormente foi adotada como método pedagógico para ensinar crianças a contar. “Calx”, significa pedra calcária), “Litíase”, são termos cujo o significado é semelhante, mas que apenas expostos aquando um sintoma: DOR!!! Mas não uma dor qualquer, há quem refere ser a “pior dor alguma vez sentida na vida”, mas ter algo que provoca uma obstrução de um canal\ tubo dentro do nosso organismo provoca sempre um desconforto associado a náuseas, febre e dor! Mais especificamente, quando a “pedra” se localiza no rim (se tiver azar pode ter nos dois rins, e se for um azarado em dobro, lamento o seu futuro sofrimento!) e há uma mudança na sua posição (movimento brusco; aumento de volume urinário, ou apenas surgiu o momento!) a “pedra” segue um trajeto até à bexiga através dos ureteres (canais que transportam a urina entre o rim e a bexiga). Normalmente quando as “pedras” tem 5 a 7 ml de diâmetro passam pelo ureter e pelo sistema urinário inferior (bexiga + uretra\ canal que liga a bexiga e zona exterior do corpo onde a urina será expelida) sem qualquer sintoma…Bem não acredito que alguém não sinta um pedaço sólido, mesmo pequeno, a sair durante a micção, mas com a azáfama do dia à dia é natural que passe despercebido! Assim como aquela “dorzita” nas costas e à má disposição é relegada a uma refeição indigesta ou um stress inusitado, porque quem trabalha não tem tempo para ir incomodar o “sô dôtor” com estas mazelas! Pois, não se acomode a esta ideia de “incomodar” quem tem por oficio vigiar e estudar a sua saúde antes que venha a doença! E aconselho vivamente a verificar se a urina tem cor avermelhada ou escura. Aliás qualquer especialista na área de urologia ou nefrologista (os dois observam o sistema urinário, mas o primeiro utiliza técnicas cirúrgicas mais invasivas o segundo utiliza técnicas terapêuticas. No caso de litíase renal ambos deviam de estar em cooperação para recuperação do lesado), recomendar que deve recuperar a “pedra” ao urinar para avaliar a composição da mesma para ter um tratamento mais adequado. Sim, caro leitor, quando urina deve ter um recipiente para coletar a urina e um coador ou filtro. Parece arcaico, parece grotesco, mas é a única forma de diagnosticar corretamente o teor da formação dos seus cálculos renais. E deve guarda-los em frasco seco para análise bioquímica. Exibir à vizinhança mais curiosa pode ser outro dos motivos, mas se o fizer, que seja de forma didática, caso contrário pode correr o risco de ser mal interpretado!
Pode e deve investir a ingerir mais água, sumo de laranja ou maçã natural, e deve moderar o consumo de alimentos ricos em sal (charcutaria, tem aquele cheirinho agradável de carne fumada e… salgada! Evite ou sujeita-se!); derivados do leite também são para moderar… Cerca de 80% das “pedras” do rim são de cálcio, no entanto privar o organismo deste nutriente acarreta riscos do foro ósseo, cardíacos e musculares. Dê preferência a lacticínios com pouco teor de gordura, como o iogurte e queijo.
Isto porque a outra percentagem de “pedras” renais são resultado de consumo excessivo de proteínas. Ora se já consome muita proteína animal (porco, pato, frango) ou consome com frequência peixes gordos (atum, salmão) ou adora marisco com a cerveja, vinho, bebida gaseificada (colas entre outros), pode ter uma “pedra” por excesso de ácido úrico! Ou ainda pior, ter uma “pedra” com os 2 componentes! Claro que deve sempre falar com o seu médico, farmacêutico, enfermeiro ou outro profissional de saúde da sua confiança para esclarecer dúvidas!
Estamos a entrar numa época, que segundo a religião cristã, deverá ser reflexão, reconciliação e purificação, de fato a Quaresma reforça a restrição alimentar …Sem querer ofender quem professa outra religião, mas quem não deseja “pedras” raras dentro de si deverá seguir as orientações da Quaresma de forma rigorosa quer por questões espirituais ou físicas! Que as pedras estejam incrustadas fora do corpo, para que alguém as irá apreciar!