REFLEXÕES

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PROTECÇÃO ANIMAL
GRUMAPA – Grupo Mangualdense de Apoio e Protecção dos Animais
Como referi no artigo anterior em janeiro de 1995 foram constituídos os Corpos Sociais e legalizada a Associação no Cartório Notarial de Mangualde.
Como é de calcular a Associação não tinha um tostão. As primeiras despesas foram assumidas pelos elementos iniciais. Nos primeiros encontros / reuniões entendemos que era premente alargarmos o mais possível o número de sócios e arranjar estratégia de angariação de fundos. Embora nos encarassem como um Grupo um tanto original para a terra e cujos objectivos nem todos entendiam, lá íamos explicando e conseguindo pessoas interessadas na causa – alguns tornavam-se sócios, outros davam algum donativo, umas vezes bem modesto outras um pouco mais substancial. Qualquer um era para nós muito gratificante.
O segundo passo seria o desenvolvimento de actividades que nos permitissem amealhar o suficiente para obviar às despesas que por esta altura ainda eram relativamente pequenas. Procuramos aproveitar todos os acontecimentos que a nível local provocassem aglomeração de pessoas – festas da cidade, feira dos Santos ou qualquer outra festa, montávamos uma tendinha de vendas de objectos que nos eram oferecidos, fazíamos rifas, andávamos pelo meio da multidão com latinhas… assim íamos angariando pequenas importâncias para gerir o grupo. O senhor Zé Manel da Farmácia Petrucci, surgiu um dia com uma bela ideia, realização dum teatro no, ainda relativamente recente, anfiteatro da paróquia cedido por especial deferência. Verdade se diga que esta realização nos deu imenso trabalho e acabou por surtir pouco efeito já que as pessoas estavam pouco motivadas para este tipo de espectáculos! Assim íamos andando como a formiguinha sempre esforçados na busca da subsistência duma Associação pobrezinha…!
Pobrezinhos éramos, contudo as ideias e os anseios eram duma grande riqueza. Numa das primeiras reuniões abordou-se um dos objectivos principais – conseguir-se um espaço relativamente cómodo para recolher animais em sofrimento. A presidente Maria Clara Matias continuava sozinha a cuidar dos que ia encontrando em mau estado. No entanto não tinha ainda condições de acomodar em sua casa mais que três. Eram obstáculos que lhe causavam muita angústia, já que todo o bem que lhes pudesse fazer teria de ser nos locais onde se encontravam, logo com muitas condicionantes, sendo a pior a recolha pelos serviços camarários, ao tempo, e passados oito dias seriam mortos, sem apelo!!! Viviam-se tempos muito difíceis – cães e gatos e os outros animais eram encarados pelos donos como algo que lhes deveria prestar um serviço dando o mínimo de despesa e cuidados. Havia e ainda há, apesar das leis, por esses terrenos, quintas, quintais, cães num sofrimento brutal – cheios de sarna, com leishmaniose, gastroenterites, mal alimentados, e ainda presos a três metros de corrente, a dormirem ao sol, à chuva, sem abrigo, sem qualquer conforto… sabemos que ainda há muitos assim por este Portugal além.
Recuando de novo nas minhas memórias, lembro o nosso principal objectivo – ter UM ABRIGO para os futuros protegidos! Mas como? Não havia uma varinha de condão – era um SONHO IMPOSSÍVEL, ou talvez não… mas esta seria uma luta hercúlea, com certeza.
Primeiro passo – ter um terreno – onde? Será isto que iremos abordar na próxima memória.
Março 2019