REFLEXÕES

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GRUMAPA – grupo mangualdense de apoio e protecção dos animais
O (primeiro)TERRENO
Qualquer pessoa ou grupo que anseie desenvolver um projecto seja privado ou colectivo deve-se mentalizar de que irá gastar muitas energias mentais e físicas, vai ter muitos momentos de desânimo, muitas vitórias e muito provavelmente também fracassos. Se é um grupo terá de haver muita coesão e conjugação de esforços entre os elementos. Com coragem, persistência e objectividade com certeza muitos obstáculos serão ultrapassados. O historial desta associação é longo e difícil. Conhecê-lo, talvez ajude outros a perceber que nada se consegue sem grande empenhamento, lucidez, honestidade e sacrifícios e possa contribuir para que se venha a fazer uma avaliação justa de todo o processo até aos dias de hoje…
O anseio que nos movia neste início era encontrar um espaço adequado à construção de instalações para albergar animais abandonados e em sofrimento. Era uma urgência e a cada um dos elementos da direcção cabia fazer as suas pesquisas. O terreno teria de se localizar relativamente próximo da rede eléctrica e possuir água. De repente surgiu uma informação. Alguém estava a vender uma parcela com cerca de 10.000m2 localizada entre a povoação da Mesquitela e Mourilhe. Depois dos contactos fomos fazer uma avaliação – era muito interessante, plano, com arbustos e algumas árvores, bem localizado, observando-se dali todo o monte da Senhora do Castelo. Muito bem …
O preço – 600 contos, ao tempo, mas por especial simpatia do vendedor pagaríamos só…500! Um começo assim … e sem fundos!
Reunimos para meditar… Era óptimo, mas…! De qualquer modo não queríamos perder esta
oportunidade. Tinha de se tomar uma atitude arrojada – angariar fundos procurando motivar os cidadãos com mais capacidade financeira para darem a sua colaboração, a par, desenvolveríamos actividades que nos rendessem mais algum dinheiro. Recordo-me de, logo nos primeiros contactos, termos sido recebidos com muita compreensão e carinho. Cabe-me aqui nomear os primeiros apoiantes, numa justa homenagem e em agradecimento – Dr. Sérgio (Farmácia Feliz), Dr Lúcio (Farmácia Albuquerque), Eng. Tavares, D. Lúcia (do talho), fabrica Ernesto Matias, Sr. Morais (drogaria), Sr. Valeriano Couto e ainda contribuições mais pequenas mas muito importantes, tendo-se conseguido em poucas semanas a soma de 400 contos, faltavam 100 que foram assumidos pela presidência, ao tempo. Espero que não tenha cometido nenhuma falha nas nomeações…
Foi, pois, com muita alegria que fizemos a escritura deste simpático espaço e cuja legalização nas Finanças levou mais 40 contos disponibilizados pela presidente. Mas o belo sonho começava a materializar-se … o mau viria a seguir.
Passadas algumas semanas, quando já pensávamos num projecto que fosse pouco dispendioso e exequível fui contactada pelo Presidente da Junta de Freguesia, Sr. César, com uma notícia demolidora… “Os senhores não podem construir um canil daquele lugar” !! Porquê ?!! “As veias da água que abastecem os fontenários da aldeia passam por lá no sub – solo, se surgisse qualquer contaminação teriam de abandonar tudo.” Fiquei muda! Isto não podia estar a acontecer !! A Direcção reuniu de emergência para avaliarmos o impacto. Para já era preciso a confirmação pelos técnicos especializados. Foi o trabalho que se seguiu.
Março 2019