SANFONINAS

dr. jose
Farto, farto, farto!
Poder-se-ia, quiçá, perguntar porque optei, nas últimas crónicas, pela tri-repetição. Tem razão a pergunta e eu respondo.
Primeiro, porque, no dia-a-dia, cada vez andamos a repetir as frases. Nem sempre temos sorte e, por mais que a água bata na pedra, há pedras duras de mais e não passamos da cepa torta!
Depois, porque se está a tornar um hábito repetir a pergunta que nos fazem. Sei que, em ambiente de exame, o aluno repete não apenas para se aperceber se compreendeu a questão, mas também – e sobretudo! – para ganhar tempo, pois a repetição lhe dá azo a repensar na resposta.
Em terceiro lugar, porque Amália Rodrigues agradecia sempre três vezes os aplausos e agora é que eu apreendi que se deve agradecer três vezes: bem hajam! Bem hajam! Bem hajam!…
Neste caso, a minha intenção foi partilhar uma ideia. Aquela do copo meio cheio ou meio vazio, a visão optimista ou a pessimista.
Todos a conhecemos e aproveito a pausa de Agosto – mesmo que não estejamos em férias, o País pára bastante, há menos trânsito, menos correio, muita repartição a meio gás… Gosto mesmo do mês de Agosto por causa disso, até há menos cães a passear e o meu Spike anda mais à vontade!…
Pensei em frases negativas que oiço e aqui vão algumas, susceptíveis de denunciar como, amiúde, não estamos bem connosco nem com o mundo em que vivemos, o nosso mundo de familiares, dos amigos e dos vizinhos… assim como o mundo em que os políticos nos obrigam a viver….
«Tem avondo!» – desta gosto. É a frase que podes dizer quando te põem um bom vinho no copo e te parece que já chega. Claro, aplicada à política, às asneiras cometidas por quem não vive o País real, «tem avondo!» é o mesmo que dizer «Chega! Vocês não percebem nada disto! Desçam à realidade!»…
Há frases e palavras de que eu não gosto:
– «Isto é tudo uma porcaria!».
Não gosto da palavra nem da frase. Primeiro, porque muitos dias como carne de porco e sabe-me bem; depois, porque, o porco já não é criado, hoje, em pocilgas mal-cheirosas; e, em terceiro lugar, porque nem tudo é sujidade o que se vê.
– «Estou farto disto tudo!»
Se calhar, não. O menino só está cansado é dalgumas coisas; mas… a culpa não será sua, de lhes dar importância de mais?…
– «Bolas! Estás cheio de pêlos dos gatos! Nunca estás atento! É sempre assim! Todos fazem o mesmo!».
Cheio, nunca, sempre, todos – vocábulos que nos enchem a boca. Felizmente, porém, não enchem (não deviam encher!…) os nossos dias!