Arquivo mensal: Novembro 2023

O SUPREMO TRIBUNAL DE JUSTIÇA FEZ 190 ANOS


Na semana de 18 a 23 de Setembro do corrente ano, com vista à comemoração do 190º do Supremo Tribunal de Justiça, todos os dias houve lugar a eventos no Salão Nobre do Supremo Tribunal, os quais terminaram com momentos musicais. Sem desprimor para qualquer das várias intervenções, apraz-nos salientar a atuação do Coro do Teatro Nacional de São Carlos, na noite de 22 de Setembro.
A comemoração do primeiro centenário realizou-se em sessão do dia 14 de Outubro de 1933 por ter sido impossível ser realizada na data comemorativa da instalação do tribunal, ou seja, a 23 de Setembro de 1933.
Procura-se evidenciar uma relação histórica com os tribunais da Coroa do Antigo Regime (séculos XVI a XVIII) quando, na verdade, o Supremo Tribunal de Justiça emergiu do regime constitucional que saiu da Revolução de 1820.
No Antigo Regime vários poderes estavam concentrados nos tribunais régios: Conselho da Fazenda, Mesa da Consciência e Ordens, Conselho da Guerra, Conselho Ultramarino, Junta dos Três Estados e o Desembargo do Paço. Estes órgãos superiores da administração da Coroa tinham capacidade para apresentar consultas ao monarca sobre diversas matérias, fora das suas competências ou geradoras de conflito jurisdicional. Na sua esmagadora maioria, estas consultas eram aceites pelo monarca que seguia as orientações de governo dos seus tribunais. Estes tribunais podiam ainda legislar sobre as matérias da sua jurisdição, como podiam fazer justiça, julgar conflitos ou incumprimentos. Esta concentração de poderes foi considerada pelos liberais como manifestação aviltante do absolutismo régio e contra ela propuseram a divisão tripartida dos poderes.
Ao ser consignado o princípio da separação e independência de poderes (legislativo, executivo e judicial) a Constituição de 1822 criou o Supremo Tribunal de Justiça, composto de Juízes letrados nomeados pelo Rei, mediante proposta do Conselho de Estado, no topo da hierarquia dos tribunais portugueses. A Carta Constitucional de 1826 volta a colocar o S.T.J., ainda composto de juízes letrados, mas agora oriundos do Tribunal das Relações pela ordem das antiguidades.
Existiam, porém, tribunais régios do Antigo Regime exclusivamente dedicados à justiça, os tribunais de primeira instância, na sede de cada município, cujos presidentes eram os presidentes de câmara, e os tribunais de recurso, por apelação ou agravo, a Casa de Suplicação e a Relação do Porto, consoante o território em que se situava a jurisdição. A Casa de Suplicação com jurisdição para o território abaixo da linha do Mondego e a Relação do Porto com jurisdição para as terras acima do Mondego. Como não havia Supremo Tribunal de Justiça, esses tribunais eram a instância máxima.
Havia ainda um tribunal muito especial, o Desembargo do Paço. Era um tribunal de graça e não um tribunal de justiça. Podia dispensar as leis e perdoar o cumprimento das penas ou fazer a comutação das mesmas, conceder certos privilégios, suplemento de idade e mercês. Também podia intervir na resolução de conflitos jurisdicionais, mas em articulação com outros tribunais.
Pelo que fica exposto, verifica-se que não podemos estabelecer uma ligação jurisdicional, orgânica e funcional entre os tribunais do Antigo Regime e o Supremo Tribunal de Justiça.

CONSULTÓRIO

DISBIOSE INTESTINAL – O QUE É? – PARTE II
Quais são as causas da disbiose?
As possíveis causas da disbiose intestinal são o tipo de dieta e o uso de medicamentos. Contudo, outros fatores como o consumo exagerado de bebida alcoólica e o estresse também podem gerar a disbiose.
A dieta é a principal causa da disbiose e pequenas mudanças, excessos ou restrições na alimentação podem piorar a qualidade e a quantidade das bactérias no intestino. 
A ingestão excessiva de proteína animal como carnes, peixes e ovos aumenta a produção de compostos que são tóxicos para as bactérias benéficas do intestino, podendo causar a disbiose. 
Além disso, dietas com muita gordura e compostas por alimentos ricos em gordura do tipo saturada, como a presente em carnes vermelhas, leites, queijos e sorvetes, contribui para a diminuição das bactérias boas e aumento das bactérias ruins, causando inflamação na flora intestinal.
Alguns estudos mostram que uma dieta rica em alimentos com pouca ou sem fibras, como o açúcar refinado, farinhas refinadas, e glicose, encontrada em bolachas, doces e outros alimentos industrializados, também favorece o aumento das bactérias ruins no intestino, podendo causar a disbiose.
O uso de alguns medicamentos sem o devido acompanhamento médico também pode causar alterações no equilíbrio da flora intestinal, resultando na disbiose. Alguns anti-inflamatórios, como aspirina e ibuprofeno, quando usados com medicamentos que diminuem a acidez natural do estômago, alteram o equilíbrio das bactérias no intestino, causando a disbiose. Muitos antibióticos causam alterações na flora intestinal e, quando tomados por muito tempo, podem gerar mudanças mais graves, gerando o crescimento de bactérias ruins e resistentes à ação do medicamento, dificultando o tratamento de doenças que necessitam do antibiótico, como as infecções intestinais. 
Outros factores - Além dos medicamentos e dietas ricas em proteína, gordura ou baixa em fibras, fatores como o consumo exagerado de bebida alcoólica, idade, ansiedade, stress, e algumas doenças intestinais já existentes, como síndrome do intestino irritável, diverticulite e inflamação intestinal, também favorecem o desequilíbrio da flora intestinal e, consequentemente, causam a disbiose.
Qual o tratamento?
Na maioria dos casos, o tratamento da disbiose é feito por meio de mudança nos hábitos alimentares, no entanto, em alguns casos pode ser necessário o uso de suplementos probióticos e, dependendo da gravidade, a realização de um transplante fecal.
Mudança de hábitos alimentares - Para tratar a disbiose, além do acompanhamento médico é importante receber orientações de um nutricionista porque o tratamento é focado principalmente em recuperar a saúde da flora intestinal com uma alimentação adequada. Dessa forma, é recomendado: 
Dar prioridade a alimentos ricos em gordura insaturada, como azeite de oliva, abacate e amêndoa, pois promovem o aumento de bactérias benéficas no intestino, melhorando os sintomas da disbiose;
Ter uma dieta rica em prebióticos, um tipo de fibra presente em alguns alimentos como a aveia, alho, biomassa de banana verde, mel e alguns tipos de batata, pois são fundamentais para recuperar a flora intestinal, uma vez que são os nutrientes essenciais das  bactérias boas do intestino;
Comer alimentos ricos em fibras como, feijões, frutas com casca e vegetais frescos diariamente é fundamental, pois aumentam a variedade das bactérias benéficas no intestino, melhorando também a absorção e produção de vitaminas e minerais pelo intestino;
Consumir alimentos ricos em probióticos, que são as bactérias boas para o intestino, como iogurte, kefir e kombucha, promovendo o equilíbrio da flora intestinal, melhorando a disbiose.
É importante também evitar alimentos com lactose, como os leites e iogurtes, alimentos com hidratos de carbono simples, como açúcar refinado, sorvetes, e chocolates, assim como o consumo excessivo de hidratos de carbono como pães, massas, doces e geleias. Estes tipos de alimentos causam o aumento da fermentação, da produção de gases no intestino e diarreia, prejudicando a flora intestinal e piorando a disbiose.
Para o tratamento da disbiose, além de mudanças no hábito alimentar, a prática regular de atividade física, orientada por um profissional, também é muito importante.
Suplementos - O uso de suplementos probióticos, que contêm a quantidade e os tipos adequados de bactérias boas como os lactobacillus e as bifidobactérias na forma de cápsulas, saquetas ou líquidos, também pode ser indicado no tratamento da disbiose. Estes suplementos equilibram a flora intestinal, ajudam a tratar os sintomas e melhoram a produção e absorção de nutrientes pelo intestino.
Para se ter os benefícios dos suplementos probióticos, é importante que a ingestão seja diária na quantidade e tipo de bactéria necessária para cada sintoma ou doença causada pela disbiose.
Transplante fecal
O transplante fecal, que é a transferência de uma flora intestinal de uma pessoa saudável para outra com disbiose, é utilizado para equilibrar as bactérias intestinais e melhorar os sintomas da disbiose. Este procedimento somente é indicado em casos de infecções intestinais muito graves e recorrentes.

lendas, historietas e vivências

Memórias da Estação em tempo de Guerra, lá longe…

Pois, na verdade, como tenho escrito, a Segunda Guerra Mundial ficou muito para lá da fronteira, para nossa sorte. Ouvia-se o comboio, mas não se ouviu o ruido de aviões a passar e as bombas a cair. Também nada se viu excepto algumas fotografias que acompanhavam as notícias dos jornais que o Pai comprava diariamente. Daí que, desde sempre, me fez confusão como é que nos meus sonhos infantis eu via as bombas caírem no telhado dum barracão vizinho, deixando ali um largo buraco nas telhas?! E não foi só uma vez…Eu acordava lavada em suor a chorar agarrada à minha irmã com quem dormia, num grito “ a bomba” a bomba…mas onde raio é que eu tinha visto uma bomba e os seus efeitos, se nem havia televisão?!…E logo a minha irmã, mais velha que eu, me tentava sossegar. Mas acalmar daquela aflição, não era fácil, e por vezes lá tinha de vir um dos Pais transmitir confiança. Pois, era isto…não tínhamos guerra, felizmente, mas as notícias da rádio eram suficientemente realistas. E para isso, lá estava o grande locutor e jornalista FERNANDO PEÇA que, de Londres, acompanhava e transmitia momentos trágicos daquela grande desgraça. Eu já referi noutro texto como o governo de Portugal e o de Espanha conseguiram passar ao lado da 2ª Guerra Mundial com acordos de fornecimento à Europa de muitos bens de várias espécies que eram transportados de noite nos longos comboios que já referi. Chegados a 1945, para bem de todos, esta terrível guerra terminou. Assim sendo vários dos nossos bens já não eram tão necessários, e alguns ficaram acumulados nos espaços disponíveis, e ainda eram muitos, nas imediações da Estação/ Gare, sobretudo madeiras em rolo e grandes barricas de resina ou pês louro, de que as inúmeras matas de pinheiro bravo da Beira Alta eram pródigas. O maninho entre a aldeia de Cubos e o Bairro da Estação era o armazém do material que já não seguiu para a Europa. No verão com o calor intenso projectado sobre as barricas provocava a liquefação da resina que ia saindo pelas fendas abertas nas madeiras. Nos anos que se seguiram à Guerra sentia-se a miséria que desabara sobre a população de fracos recursos. Um dos grandes problemas era a falta de iluminação à noite. Recorrer ao petróleo ou ao azeite era incomportável, então criavam-se estratégias. A cera de abelhas em bruto era prensada num caco com um pavio improvisado de um pedacito de trapo a que se ateava o fogo. Havia por aí pessoas mais espertas que deram conta do manancial de resina que saia em bolas amarelas reluzentes, pelas fendas das barricas. Muniam-se de bugalhos grandes e secos retiravam-lhe o recheio feito pó e substituíam-no por bolas de resina com um fio de tecido que servia de pavio e chegavam-lhe o fogo com uma palhinha; até os fósforos eram um bem caro e difícil de arranjar…Deste modo muita gente fez frente à escuridão por largo tempo.

“E com o frio, vem o reumatismo…”


O frio regressa novamente, trazendo consigo as mazelas como constipações e gripes. De fato, já os nossos avós sabiam que com o frio os pulmões eram, quase sempre, afetados. No entanto as dores ósseas e musculares, também são “visitas” sazonais pouco bem-vindas! Não é por caso que, a maior parte, dos anti-inflamatórios e analgésicos são medicamentos não sujeitos a receita médica, sendo indicados para causas de dor ligeira a moderada.
O termo “Reumatismo”, para peritos de medicina mais minuciosos, é incorreto, dado que retrata de forma popular um conjunto de doenças que afetam as articulações, músculos e ossos. A origem da palavra “Reumatismo”, vem dos gregos ( “Rheuma+ tismós”- fluxo + movimento). Ninguém mais erudito é capaz de negar a sabedoria dos gregos, de fato os médicos, ainda hoje, têm que fazer o juramento de Hipócrates, grego reconhecido por ser o pai da Medicina Ocidental. Sendo que a sua teoria dos humores (que em latim, humore significa líquido) corporais foi aplicada até ao surgimento do método científico. De fato, uma das doenças, mais frequentes que afetam as articulações é denominada por “Gota”, por existir um excesso de fluído\humore na zona afetada. Para os peritos que têm uma linguagem mais técnica, o correto seria denominar doenças reumatológicas, ou utilizar termos como “artrite” ou “osteoartrose”, ao comum “Reumatismo”. Mas como o objetivo é todos fazermos parte da mesma linguagem, mesmo quem é leigo em Medicina, volto a fornecer termos médicos que ajudaram a explicar a significância dos relatórios\ prescrições médicas… Só assim poderá existir uma compreensão positiva para um resultado confortável, estarmos todos a mesmo nível linguístico para formalizar um compromisso de cura! Adiante…Prefixo Osteo= Osso; Prefixo Art = relativo a articulação; Sufixo ose= processo, patologia e Sufixo ite= inflamação.
O sintoma principal é a dor e a incapacidade na movimentação da (s) articulação (s) afetada (s).
Até chegar ao ponto de serem encaminhadas aos Reumatologistas e\ou Fisiatra, sendo este último uma mais-valia para alívio da dor através da prescrição de movimentos que serão supervisionados por fisioterapeutas, muitos indivíduos andam a gemer e claudicar diariamente. Muitos estão a tomar medicação em excesso para tolerarem a dor e conseguirem exercer a sua profissão, porque escutam conversas de conhecidos e desconhecidos a relatarem responsos de profissionais de saúde que associam estas queixas a exigência de baixas médicas para escapar ao serviço laboral.
Na realidade, a causa principal de faltas ao trabalho e reformas antecipadas é devido a doença degenerativa do foro ósseo, muscular e articular. É considerada uma preocupação em Saúde Pública, mas não existe um sistema fidedigno para despistar os casos críticos. Apesar de, na teoria, estar criado esse sistema, na prática quem está no terreno vê um crescendo de procura de especialistas que não satisfaz a necessidade. E a dificuldade em gerar o diagnóstico específico da doença reumatológica, faz surgir um proveito malicioso para quem o trabalho é para os tolos e que de valor é estar a usufruir dias em casa e ainda ganhar subsídios à conta da ingenuidade de quem acredita nos sintomas inventados. Daí muitos profissionais de saúde terem dificuldade em acreditar em quem se queixa sem sinais aparentes, ou quando existem duvidam da subjetividade da dor expressada… Típico “paga o justo pelo pecador “ por o médico achar que “são todos farinha do mesmo saco” !
Assim, há múltiplas causas para ter dor numa articulação, mas o profissional deve ter tempo e escutar a pessoa sem julgamentos e a pessoa deve ser isenta de subterfúgios….
Existem várias estratégias não farmacológicas para alívio da dor numa articulação (artralgia), muitas oriundas pelo senso comum e bons resultados de remédios caseiros e familiares. Na realidade as famosas botijas de água quente, trouxeram muito alívio a muitos queixosos de dores viscerais e articulares. Também na falta de botija, o famoso escalda-pés com um punhado de sal era prática frequente na tia “reumática”, ou no tio “gotoso”…Os cataplasmas de repolho eram ridicularizados pelos peritos de Medicina, mas em última instância mais vale um joelho embrulhado em couve com película aderente do que uma dor de estomago provocada pelo anti inflamatórios… Já referi antes, mas não deixa de ser triste pensar que um dos primeiros medicamentos para alívio da dor tem origem da casca do salgueiro, e agora quem prescreve satiriza com as origens da medicação.
O que deve ficar assente é que o estilo de vida interfere muito nestas maleitas, não é por acaso que a “Gota” ou hiperuracémia, também foi conhecida pela doença dos Reis, devido aos excessos alimentares acometidos por estes. A falta de exercício, ou a repetição de movimentos aumenta o risco de ter dor articular. O motivo de existir cada vez mais este problema tem haver com a falta de consciência de aquecer os músculos antes de uma atividade física intensa e os excessos alimentares. Não hesite em questionar os profissionais de saúde…. Por vezes temos de ser desafiados através de perguntas certeiras!

SANFONINAS

Caldos de castanha
Conta o Padre António Vieira, num dos sermões, a faina do estatuário desde o arrancar da pedra na montanha até ao afilar dos dedos duma estátua. Ciência de experiência feita, a do estatuário; saber de experiência feito, o do pregador.
Instintivamente, a cena ocorreu-me ao ler o livrinho «Caldos de Castanha», que Alberto Correia cinzelou, dez municípios apoiaram, Sernancelhe e a Confraria da Castanha, fundada a 22 de Outubro de 2006, editaram.
Oito são as receitas apresentadas, colhidas em restaurantes da zona e, também, no Curso Técnico de Cozinha/Pastelaria da Escola Profissional de Sernancelhe. Qual delas, a melhor – no sabor, na maestria e no respeito pela tradição.
Louve-se, naturalmente, a iniciativa, não apenas por veicular em papel informações a não perder, mas – de modo especial – por os executivos dos vários municípios envolvidos se haverem disponibilizado a apoiá-la.
É um livrinho pequeno, de escassas 24 páginas. Na da esquerda, sempre, as excelentes fotografias, saídas do apurado sentido estético de José Alfredo; na da direita, os textos.
E se as receitas obedecem ao rígido e esclarecedor formulário do ritual culinário e vão carecer, por isso, de toda a atenção de quem as quiser pôr em prática (os caldos, os cremes, as sopas…), já o mesmo se não dirá dos três ‘capítulos’ iniciais, onde Alberto Correia deu largas ao seu estro poético. António Vieira, dum pedregulho fez saltar uma estátua; Alberto Correia, de banal castanha, atira-nos para um universo poético, a mostrar como, na vida de todos os dias, a sabedoria do olhar deve prevalecer a desfazer negridões e penumbras.
Ora vejam-se os títulos:
– «Soutos da Lapa – Epopeia sobre a montanha»;
– «Castanha – O fruto que se fez pão»;
– «A Malga de calado – Um elemento fundador».
Abre-nos o apetite para os caldos, os cremes ou as sopas; mas aguça-nos a curiosidade o que cada capítulo ensina.
«’Caldo’, palavra derivada da antiga língua latina, calidum, que significa quente, porque quente se servia esse primeiro manjar preparado no primeiro fogo do lar à gente do trabalho, aos filhos pequenos, como pão de cada dia, e era ritual festivo, era pão de viajante numa pausa do caminho, era esmola de pobre que batesse à porta».
E eu, garanto, vou mesmo bater à porta!

A importância económica da castanha


Em tempos idos a castanha era um bem essencial para a subsistência das famílias portuguesas nas regiões de montanha de tal forma que se dizia que matava a fome a muita gente. Contudo, a castanha viu a sua produção cair 64% em cerca de 60 anos. Entre os fatores responsáveis pelo declínio estão as pragas e doenças do castanheiro.
A castanha portuguesa é reconhecida internacionalmente pela sua elevada qualidade e também pelas suas excecionais propriedades para transformação industrial. Assim, há ciência na escolha das nossas castanhas com impacto no sabor, na produção local e também na nossa economia.
Portugal é o segundo maior produtor de castanha a nível europeu, o segundo país exportador da Europa e o quarto do mundo. De acordo com os dados oficiais, a exportação é o destino de mais de um terço da castanha produzida em Portugal, sendo o segundo fruto com maior taxa de exportação atual, a seguir à pera Rocha.
O facto de a produção de castanha em Portugal assentar principalmente em variedades autóctones é um importante fator de diferenciação a favor da identidade da Castanha Portuguesa.
A produção de castanha concentra-se essencialmente na região Norte do país, que representa 88% da área de produção e 82% da produção declarada de castanha. Foram criadas em Portugal quatro regiões demarcadas com Denominação de Origem Protegida (DOP): DOP da Terra Fria, abrangendo uma área de 12.500 hectares, inclui 10 variedades (Longal, Judia, Cota, Amarelal, Lamela, Aveleira, Boaventura, Trigueira, Martaínha e Negral); DOP da Padrela, abrangendo uma área de 6.000 hectares, inclui 5 variedades (Judia, Lada, Negral, Cota e Preta); DOP dos Soutos da Lapa, abrangendo uma área de 4.000 hectares, inclui apenas 2 variedades (Martaínha e Longal) e DOP de Marvão-Portalegre, que ocupa cerca de 900 hectares e inclui 3 variedades (Barea, Clarinha e Bravo).
De tradição milenar, o castanheiro (Castanea sativa) viu decrescer a sua influência na subsistência das famílias e o seu peso na economia nacional. Apesar disso, estima-se que, somando todos os contributos ao longo da fileira, o valor da castanha ascenda a perto de 109 milhões de euros, 43,8 milhões dos quais relacionados com o mercado informal. Para além de ser um alimento muito interessante do ponto de vista nutricional, a castanha é também vital para os pequenos e médios agricultores que vêm nos seus soutos uma forma de fazerem algum dinheiro.
Para todos aqueles que aguardam por esta época do ano para se degustarem com a bela da castanha quentinha depois de um repasto em família, nada como visitar algumas das numerosas festas e feiras organizadas na região onde a castanha tem sempre um lugar de destaque, como a Festa/Feira da Castanha de S. Simão em Sernancelhe e Trancoso. Para aqueles que não se puderem deslocar, têm sempre a possibilidade de participar nos magustos que se fazem em todas as associações e coletividades por essas aldeias fora. No meu caso, tenho uma predileção especial pela castanha da variedade Martaínha! E não se esqueçam de acompanhar com uma jeropiga caseira!!!

DIA MUNDIAL DE COMBATE AO BULLYING GNR SENSIBILIZA


A Guarda Nacional Republicana, no âmbito da prevenção e do combate à violência, ofensas, ameaças e qualquer tipo de intimidação em contexto escolar, no passado dia 20 de outubro, associou-se ao Dia Mundial de Combate ao bullying, pela relevância que representa na vida das crianças e jovens.
A Guarda pretende alertar e sensibilizar a população em geral e, em particular, as crianças e jovens, os quais serão as mulheres e homens de amanhã, para a relevância da temática com o objetivo de apelar a uma estratégia de consciencialização, que visa contribuir para a mudança de comportamentos da sociedade e para a progressiva intolerância social face à violência nas escolas. A violência ocorre fora da visão dos adultos e grande parte das vítimas esconde ou evita a denuncia da agressão sofrida, pelo que esta sensibilização é extensível aos pais, professores e funcionários pelos sinais de alerta que devem procurar denunciar e saber reconhecer, no contexto escolar e em ambiente familiar.
O bullying é um conjunto de atos que servem para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e reiterados, praticados por uma ou mais pessoas no contexto de uma relação desigual de poder, causando dor e angústia na(s) vítima(s). Atualmente, e associado ao recurso às novas tecnologias, nomeadamente às redes sociais, o bullying tem assumido novos contornos, dando origem à vertente virtual do ciberbullying.
Por norma os sinais de alerta são silenciosos, aconselhando-se os pais, professores e todos os cuidadores a estarem atentos a sinais, tais como alterações de humor, abatimento físico e/ou psicológico, sinais de impaciência ou ansiedade, queixas físicas permanentes (dores de cabeça, de estômago, perturbações no sono, nódoas negras), irritabilidade extrema, ou qualquer outra mudança de comportamento.
Pese embora o bullying não se encontrar tipificado na legislação penal como crime, o mesmo está associado a vários crimes tais como crimes de ofensas à integridade física, injúrias, ameaça e coação, correspondendo os dois primeiros aos comportamentos mais frequentes.
A GNR desenvolve um esforço significativo naquilo que são as iniciativas relacionadas sobre a temática em concreto, nomeadamente em ações de sensibilização e campanhas, com temas associados à violência, à cidadania e não-discriminação, aos direitos humanos e direitos da Criança ou regras quanto à utilização da internet.
No âmbito das suas competências em matéria de prevenção criminal, a Guarda tem desenvolvido uma série de ações de sensibilização relacionadas com o bullying, num total de 1285 no ano letivo de 2022/2023, tendo sido direcionadas para 52 652 (entre crianças, jovens e adultos), maioritariamente em contexto escolar (dados provisórios). No mesmo ano letivo, a Guarda registou 140 crimes, envolvendo Bullying e Cyberbullying.
Além destas ações, importa acrescentar que a GNR possui militares com formação especializada, que desempenham um papel essencial no acompanhamento personalizado às vítimas, encarregando-se de encaminhar as mesmas para outras instituições com competência neste âmbito.

Sessão na Biblioteca Municipal Dr. Alexandre Alves no dia 23 de Novembro


As bibliotecas públicas, através da proximidade que mantêm com os públicos são espaços privilegiados para ações de sensibilização sobre temas no âmbito da literacia em saúde.
Nesta premissa, a Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas em estreita colaboração com National Cancer Hub/Missão Cancro no âmbito das Missões Europeias, desafiou para uma ação concertada, os municípios de Amarante, Alandroal, Arganil, Chamusca, Mangualde e Ourique, evidenciando a importância destes equipamentos e equipas, para o desenvolvimento de ações em parceria com a comunidade.
Num trabalho de ligação com Centros de Saúde na área da prevenção, nutrição e apoio no âmbito da psicologia terapêutica, envolvendo a Liga Portuguesa contra o Cancro, farmácias locais e grupos de voluntariado, as bibliotecas públicas destes municípios colocam-se ao serviço da comunidade, demonstrando que as parcerias são possíveis e que as bibliotecas são espaços de portas abertas a todos.
Estas iniciativas enquadram-se nos Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável, no âmbito da Agenda 2030, nomeadamente ODS 3 – Saúde de qualidade e bem estar para todos